Trump, BRICS e Soberania: quem comemora o ataque ao Brasil?
A recente decisão de Donald Trump de anunciar a taxação de
50% sobre produtos brasileiros não é apenas uma medida protecionista. É um
ataque geopolítico direto à soberania do Brasil e ao protagonismo do país no
cenário internacional. Mais grave ainda é ver setores da extrema-direita
brasileira (bolsonarismo) comemorando o que, na prática, é uma agressão contra
seu próprio povo.
Um ataque com múltiplos
alvos
A taxação anunciada por Trump visa três alvos
simultaneamente:
Ganhar votos nos Estados Unidos, ao se vender como defensor
dos trabalhadores americanos contra a concorrência externa;
Sabotar o governo Lula, provocando impactos negativos na
economia brasileira que possam enfraquecer sua base de apoio até 2026;
Golpear o BRASIL como elo vital dos BRICS, no esforço de
desestabilizar o bloco que desafia a hegemonia dos EUA no cenário global.
Essa medida não é apenas comercial. Trata-se de uma ação
típica da guerra híbrida, que combina estratégias econômicas, diplomáticas e
simbólicas para desestabilizar governos soberanos e enfraquecer alianças
globais alternativas ao dólar e à hegemonia norte-americana.
A extrema-direita e o
"patriotismo" de ocasião
Enquanto empresários brasileiros e setores exportadores demonstram
preocupação, parte da extrema-direita nas redes sociais comemora
entusiasticamente a taxação de Trump, acreditando que isso pode prejudicar Lula
e favorecer suas chances eleitorais em 2026.
Mas aqui se revela o verdadeiro rosto dessa extrema-direita:
Não são patriotas, como dizem ser. Quem aplaude o ataque
estrangeiro contra sua pátria não defende o Brasil, mas defende interesses
externos.
O projeto que representam não é soberano, nem nacionalista. É
o projeto de um Brasil ajoelhado, vassalo dos Estados Unidos, fora dos BRICS,
submisso aos ditames do capital internacional.
Ao comemorar o ataque, colaboram com o esvaziamento da
política externa brasileira, que tem buscado reposicionar o país como ator
central na construção de uma nova ordem mundial multipolar, ao lado de China,
Rússia, África do Sul, Índia e outros países do Sul Global.
🌍 Lula, os BRICS e o projeto de soberania
Desde seu retorno à presidência, Lula tem apostado em um
Brasil altivo, com voz própria, integrado ao Sul Global, comprometido com a
paz, a cooperação e o desenvolvimento sustentável. Sua liderança nos BRICS é
vista como ameaça por setores conservadores da geopolítica internacional.
É por isso que Trump ataca. E é por isso que o Brasil precisa
resistir.
Enfraquecer o "B" dos BRICS é desestabilizar o
bloco inteiro. É conter o avanço da desdolarização, das novas rotas comerciais,
da diplomacia multilateral que emerge da Ásia, da África e da América Latina.
Trump sabe disso. A extrema-direita brasileira também. O
ataque é estratégico, e o apoio da oposição interna mostra o grau de dependência
e submissão das elites colonizadas.
O que está em jogo em
2026?
A disputa que se desenha nas eleições de 2026 não será apenas
sobre partidos ou programas. Será sobre o destino do Brasil como nação soberana.
Queremos um Brasil que defenda sua indústria, seus
trabalhadores, seus recursos e sua voz no mundo?
Ou aceitaremos um Brasil tutelado por interesses
estrangeiros, subordinado a Washington, excluído das grandes decisões globais?
Comemorar uma sanção estrangeira contra o Brasil é uma
traição aos interesses nacionais. Defender Lula, neste contexto, é defender o
Brasil soberano, inserido em alianças estratégicas que garantam
desenvolvimento, justiça social e paz no mundo.
Por um Brasil forte,
soberano e altivo
A resposta não pode ser apenas técnica, nem protocolar.
Precisa ser política, pedagógica e mobilizadora. É hora de dizer em alto e bom
som:
Não aceitaremos que interesses estrangeiros ditem o rumo do
nosso país. Não aceitaremos que vassalos comemorem a miséria alheia em nome de
seus projetos de poder. Não aceitaremos que o Brasil seja punido por querer ser
protagonista.
Este é o momento de unirmos vozes, movimentos sociais,
sindicatos, intelectuais, partidos progressistas e setores democráticos para defender
o Brasil contra a guerra híbrida travada em nome do lucro e da dominação.
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