O Congresso dos Milionários: quando o voto personalista enterra a democracia
Por Luís Moreira de Oliveira Filho
Blog Olhos do Sertão
Meu voto sempre foi coletivo
Quando votei em Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez,
em 1989, carregava comigo a esperança de ver Paulo Freire no Ministério da
Educação. Aquilo não era apenas um voto em um operário, em um símbolo, era um
voto por um projeto de país. Um país onde a educação libertasse, onde o
sertanejo não fosse mais um eterno esquecido, onde o povo tivesse vez, voz e
dignidade.
Mas perdemos. O povo, iludido pela imagem fabricada do
“caçador de marajás”, elegeu Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo
voto direto após a ditadura. E eu chorei. Chorei pela oportunidade perdida.
Chorei porque senti que, mais uma vez, o marketing venceu a consciência
política. E chorei porque sabia que ali se adiava, mais uma vez, o sonho
coletivo.
Desde então, cada voto meu é pensado no país. Não voto para mim. Voto pela soberania nacional, pelo bem comum, pela justiça social, pelo acesso à terra, à água, ao pão e à educação. Meu voto tem memória e tem projeto.
E quando olho ao redor, vejo os frutos dessas escolhas
conscientes. Vejo universidades públicas em cidades pequenas do interior. Vejo
jovens da minha cidade cursando engenharia e medicina em instituições que antes
só existiam nas capitais. Vejo a UPA funcionando, gente sendo salva graças ao SUS,
sistema que eu mesmo precisei e que me acolheu com dignidade. Outro dia,
precisei de medicamentos e fui atendido pela Farmácia Popular, uma política
simples, mas que salva vidas.
Vejo cisternas de placas nos sertões, vejo o fim do
carro-pipa como símbolo de sofrimento, vejo as escolas do campo, as políticas
de valorização do agricultor familiar, o combate à fome com políticas públicas
estruturantes. Vejo que o Brasil que votei começou a existir. Não por completo,
não sem contradições, mas com dignidade.
Por isso, rejeito o voto personalista, aquele que ignora o
projeto e exalta apenas a figura. Porque o voto personalista não olha para o
coletivo. Ele constrói Congressos repletos de milionários, e não de
representantes do povo. Ele transforma a política em mercado e as necessidades
do povo em moeda de troca.
Meu voto sempre foi e sempre será por nós, por mim, por você,
pelo povo dos sertões.
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