As eleições de 2026 não serão apenas uma disputa presidencial. Serão, sobretudo, uma batalha pelo controle do Congresso Nacional. A extrema-direita brasileira sabe disso. Mais do que tentar derrotar Lula ou qualquer candidato progressista nas urnas, o objetivo real é dominar o Senado e a Câmara dos Deputados para, a partir daí, fatiar o Estado brasileiro, destruir políticas sociais e ameaçar as instituições democráticas, como o STF.
O uso político das emendas parlamentares é o instrumento
central dessa estratégia. Segundo reportagem do O Estado CE, a cúpula do
Congresso, liderada por Hugo Motta (Republicanos/PB), articula uma mudança no
calendário da execução orçamentária para obrigar o governo Lula a liberar bilhões
em emendas antes do período eleitoral de 2026. Isso permitiria que deputados e
senadores usassem o dinheiro público para se reelegerem ou apoiar aliados —
inclusive candidatos da extrema-direita.
O plano: usar dinheiro
público para eleger o Congresso da destruição
O movimento é claro:
Aprovar uma LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que
antecipe o pagamento das emendas parlamentares para o primeiro semestre de 2026,
antes do início das vedações eleitorais.
Neutralizar o poder do Executivo sobre o Orçamento,
engessando a capacidade do governo de reagir a frustrações de receita.
Transformar as emendas em moeda eleitoral, irrigando
campanhas com obras e verbas, sobretudo nas cidades do interior — base
eleitoral da extrema-direita.
Em resumo: usar o dinheiro do povo para consolidar o poder do
centrão e da ultradireita, eleger um Congresso hostil e avançar contra o STF, os
programas sociais e a própria democracia.
O que está em jogo:
guilhotinar o STF e desmontar o Estado social
A meta da extrema-direita não é só vencer a eleição
presidencial. É formar uma maioria qualificada no Congresso (3/5 dos votos)
para:
Caçar ministros do STF (em especial os que combatem o
golpismo e a corrupção);
Aprovar uma “contrarreforma constitucional” que extinga o
SUS, o FUNDEB, os direitos trabalhistas e previdenciários;
Transformar as emendas em orçamento paralelo permanente,
institucionalizando o “orçamento secreto” sob outro nome: “emendas Pix”;
Estabelecer uma república corporativa, clientelista,
patrimonialista, baseada no domínio absoluto do Legislativo e na submissão do
Executivo e do Judiciário.
O uso das emendas:
dados reveladores
R$ 53 bilhões foram liberados em emendas em 2023, segundo o
Tesouro Nacional.
Só as “emendas Pix” (transferências diretas para prefeituras,
sem fiscalização prévia) atingiram R$ 11 bilhões.
Estima-se que até 2026, mais de R$ 150 bilhões possam ser
movimentados como moeda eleitoral, se o novo calendário for aprovado.
Essas verbas, quando liberadas no primeiro semestre do ano
eleitoral, viram palanque, asfalto, máquina e voto. É o uso do orçamento como
trampolim eleitoral — e chantagem institucional.
O golpe que começou em
2015, renasceu em 2022-2023 e pode ser consolidado em 2026
O que está em curso é a continuidade do golpe de 2016, agora
sob uma nova roupagem: legalizada, disfarçada de norma orçamentária, mas com o
mesmo objetivo: destruir o Estado social brasileiro.
Lembremos:
O orçamento impositivo foi imposto com o apoio de Eduardo
Cunha, Bolsonaro e a ala golpista do Congresso.
As emendas secretas foram o método de compra de apoio para o
governo Bolsonaro.
Agora, a tentativa é fazer do Congresso o centro do poder
real, capaz de submeter o Executivo e anular o STF.
Conclusão: ou
enfrentamos agora, ou perderemos tudo depois
O povo brasileiro precisa compreender que a eleição de 2026 não
é só sobre Lula, Bolsonaro ou qualquer presidenciável. É sobre quem vai
controlar o Orçamento da União, quem terá poder para aprovar leis, cassar
ministros, manter ou destruir o SUS, o Bolsa Família, o salário mínimo, a
educação pública, a soberania nacional.
Se a extrema-direita dominar o Congresso com base no poder
das emendas:
A democracia estará em risco.
O Estado social será destruído.
O Brasil se tornará uma “República das Verbas”, vendida a
quem pagar mais.
A luta de 2026 começa agora: nas ruas, nas redes, nas
comunidades, nas escolas, nas igrejas e nas universidades.
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