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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lula e o desafio dos 50%: quanto falta para uma vitória no primeiro turno?

 


A eleição presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva com uma pergunta matemática muito objetiva: qual é a distância entre a intenção de voto de Lula e a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno?

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 10 de setembro, realizada entre os dias 4 e 9 de setembro com 5 mil eleitores, apresenta Lula com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37,4% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

Para transformar essa fotografia em uma conta eleitoral, precisamos trabalhar com votos válidos, porque é sobre eles que se calcula a maioria absoluta. O Código Eleitoral estabelece que, para presidente, será eleito no primeiro turno o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos, não computados os brancos e nulos.

A conta é simples: 43% contra 50%+

Primeiro turno ainda pode decidir a eleição? Lula e Flávio estão diante da mesma barreira: 50% dos votos válidos

Primeiro turno: distância até os 50% dos votos válidos

Pesquisas recentes de intenção de voto para presidente em 2026. A linha de 50% representa a marca necessária para vencer no primeiro turno.

Este gráfico resume a situação: nenhum dos dois aparece, nas pesquisas recentes, acima dos 50% necessários para encerrar a eleição no primeiro turno. A linha de 50% representa a maioria absoluta dos votos válidos.

Leitura do gráfico: na pesquisa mais recente, Atlas/Bloomberg, Lula aparece a 7 pontos percentuais da marca de 50%, enquanto Flávio está 12,6 pontos abaixo. Mas a variação entre institutos mostra por que não é possível tratar uma única pesquisa como previsão do resultado

Na pesquisa Quast Elmano cresce

Quaest muda o desenho da eleição: Ciro mantém 10 pontos de vantagem, mas Elmano cresce e o eleitorado começa a se definir

A nova pesquisa Quaest para o Governo do Ceará, divulgada nesta sexta-feira, 4 de setembro, acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça das pesquisas desta semana. Ciro Gomes aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas registra 34%. A diferença é de 11 pontos percentuais. O levantamento ouviu 900 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de agosto e 3 de setembro, em todo o Ceará, por meio de entrevistas presenciais e domiciliares. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com 95% de confiança.

A primeira observação importante é que a Quaest atual não deve ser comparada de maneira mecânica com a rodada anterior. Em julho, a pesquisa testava um cenário de pré-campanha, com nomes e candidaturas que ainda não estavam oficialmente definidos. Agora, a pesquisa foi realizada depois da oficialização das chapas e do início da campanha eleitoral. O próprio Diário do Nordeste alerta que os resultados anteriores não podem ser comparados diretamente com o levantamento atual porque o cenário eleitoral mudou.

Ainda assim, a comparação nominal dos números é bastante interessante. Em julho, a Quaest registrava Ciro 43% e Elmano 33%. Agora, Ciro aparece com 45% e Elmano com 34%. Portanto, na fotografia bruta, Ciro cresceu 2 pontos, enquanto Elmano cresceu 1 ponto. A diferença, que era de 10 pontos em julho, passa nominalmente para 11 pontos agora.

Isso produz uma leitura diferente daquela apresentada pelo Datafolha e pela AtlasIntel nesta semana. Enquanto o Datafolha registrou uma forte redução da vantagem de Ciro, de 19 para 9 pontos, e a AtlasIntel colocou Ciro e Elmano em empate técnico, a Quaest apresenta novamente uma vantagem de dois dígitos para Ciro.

Mas há uma informação dentro da própria Quaest que merece bastante atenção: o voto espontâneo.

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. A diferença é de apenas 5 pontos. O problema — ou a oportunidade, dependendo do ponto de vista — é que 53% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar espontaneamente. Isso significa que mais da metade do eleitorado ainda não manifesta espontaneamente uma escolha.

Esse dado ajuda a compreender por que pesquisas estimuladas tão diferentes podem aparecer quase simultaneamente. A eleição ainda possui uma parcela significativa de eleitores que não cristalizou sua preferência. A pesquisa estimulada apresenta os nomes e partidos; a espontânea mede aquilo que está efetivamente armazenado na memória política do eleitor naquele momento.

E a diferença entre os dois indicadores é reveladora: 24% para Ciro e 19% para Elmano na espontânea, contra 45% e 34% na estimulada. Isso mostra que ainda existe um grande espaço para consolidação das candidaturas.

A comparação com julho também revela uma mudança importante na espontânea. Na rodada anterior, Ciro tinha 15% e Elmano 13%. Agora, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. Portanto, Ciro cresceu 9 pontos nesse indicador e Elmano cresceu 6 pontos. A diferença passou de apenas 2 para 5 pontos. Porém, como o universo de indecisos continua muito elevado, não se pode concluir que esses eleitores já estejam definitivamente fechados.

Outro ponto importante é a concentração da disputa. Em julho, Ciro e Elmano somavam 76% das intenções estimuladas. Agora, chegam a 79%. Isso significa que, mesmo com a mudança dos demais nomes testados, a disputa continua fortemente concentrada nos dois principais candidatos.

A Quaest também mostra que a disputa está entrando numa fase de maior definição. Na pesquisa anterior, havia 13% de indecisos na estimulada e 7% de branco/nulo/não votaria. Agora, são 12% de indecisos e 8% de branco/nulo/não votaria. Não é uma transformação gigantesca, mas indica que ainda existe uma parcela considerável fora das duas candidaturas principais.

A metodologia também precisa entrar na análise. A Quaest trabalha com entrevistas presenciais e domiciliares, utilizando uma amostra representativa da população cearense com 16 anos ou mais. A pesquisa anterior tinha 1.002 entrevistados; a atual ouviu 900. Ambas utilizaram margem de erro de 3 pontos e nível de confiança de 95%. A atual foi contratada pela TV Verdes Mares, enquanto a rodada anterior havia sido contratada pela Genial Investimentos.

Essa diferença de contratante também é relevante para a leitura da série, embora não altere, por si só, a metodologia de coleta. Mais importante é que estamos comparando uma pesquisa de julho, ainda na pré-campanha, com uma pesquisa feita depois do início oficial da campanha.

Por isso, talvez seja mais correto tratar os números de julho como uma referência histórica da Quaest e não como uma sequência perfeitamente homogênea.

O cenário atual da Quaest, portanto, pode ser resumido assim: Ciro 45%, Elmano 34%, diferença de 11 pontos; na espontânea, Ciro 24%, Elmano 19%, diferença de apenas 5 pontos; e 53% ainda não apontam espontaneamente nenhum candidato.

E há outro dado que chama atenção quando cruzamos a pesquisa com as demais informações divulgadas nesta semana. A Quaest mostra que 49% aprovam o governo Elmano e 38% desaprovam. Em julho, eram 52% de aprovação e 33% de desaprovação. Portanto, entre as duas rodadas, a aprovação caiu 3 pontos, enquanto a desaprovação aumentou 5 pontos.

Esse talvez seja um dos pontos que merece maior atenção estratégica para Elmano: a avaliação do governo continua positiva em termos absolutos, mas piorou em relação à rodada anterior da Quaest. Ou seja, o governador possui uma base de avaliação positiva importante, mas precisa transformar essa aprovação em intenção de voto.

E isso ajuda a explicar uma aparente contradição das pesquisas: Elmano pode ter uma avaliação razoável do governo e, ao mesmo tempo, estar atrás de Ciro na intenção de voto.

A eleição, portanto, não está sendo determinada apenas pela avaliação administrativa. Ela também envolve conhecimento dos candidatos, rejeição, alianças, identificação ideológica, presença de Lula, segurança pública, campanha eleitoral e capacidade de cada candidatura de transformar simpatia em voto.

O segundo turno acrescenta outra dimensão. A Quaest mostra Ciro com 49% e Elmano com 36%, segundo a simulação divulgada junto ao levantamento. A diferença é de 13 pontos.

Esse resultado é mais favorável a Ciro do que os cenários de segundo turno apresentados pela AtlasIntel e pelo Datafolha nesta semana. A Atlas encontrou 50% para Ciro contra 46,1% para Elmano, enquanto o Datafolha registrou 50% contra 42%. Portanto, novamente, a Quaest apresenta uma fotografia mais confortável para Ciro.

O que podemos concluir de tudo isso?

A Quaest não confirma a mesma intensidade de aproximação encontrada pelo Datafolha e pela AtlasIntel. Ao contrário, ela mantém Ciro com vantagem significativa. Mas também não mostra uma disparada de Ciro em relação à sua própria rodada anterior: na estimulada, Ciro cresceu dois pontos e Elmano um, mantendo praticamente a mesma distância.

A grande novidade está em outro lugar: a campanha começou e a eleição está concentrada nos dois candidatos, mas ainda existe um enorme contingente de eleitores que não cristalizou sua decisão.

E é exatamente aí que a eleição pode mudar.

Se cruzarmos as pesquisas mais recentes, temos três fotografias diferentes: Datafolha: Ciro 46% × Elmano 37%; AtlasIntel: 48,4% × 45,8%; Quaest: 45% × 34%. A distância varia de 2,6 a 11 pontos. Isso mostra que existe uma dispersão considerável entre os institutos. Por isso, não é prudente afirmar que uma única pesquisa representa com precisão absoluta o resultado futuro.

O que começa a ficar mais consistente é outra coisa: Ciro continua aparecendo em primeiro lugar nos três institutos, enquanto Elmano ocupa a segunda posição. A divergência está no tamanho da vantagem.

E essa diferença metodológica é justamente o motivo pelo qual devemos olhar para a média das pesquisas e, principalmente, para a evolução de cada instituto.

A Quaest acrescenta ainda uma variável que merece atenção: 53% de indecisos na pesquisa espontânea. Isso significa que, apesar da polarização entre Ciro e Elmano, a campanha ainda tem um enorme espaço para conquistar eleitores que não estão espontaneamente vinculados a nenhum nome.

Por isso, a fotografia de hoje é menos uma sentença e mais um aviso: Ciro continua liderando; Elmano ainda precisa diminuir uma diferença importante; mas uma parte enorme do eleitorado ainda pode ser disputada.

E há uma coincidência temporal que torna esta pesquisa particularmente interessante: a coleta da Quaest ocorreu entre 31 de agosto e 3 de setembro, justamente no período em que Datafolha e AtlasIntel também estavam realizando seus levantamentos. A grande mobilização de Lula no Cariri, realizada nesta sexta-feira, 4 de setembro, ocorre depois do encerramento da coleta da Quaest. Portanto, qualquer eventual impacto político dessa agenda presidencial também ficará para as próximas pesquisas.

A grande pergunta agora é se os próximos levantamentos mostrarão uma convergência maior entre os institutos ou se continuará existindo essa distância entre as fotografias.

Hoje, a Quaest diz que Ciro lidera por 11 pontos. O Datafolha fala em 9. A AtlasIntel aponta apenas 2,6 e empate técnico.

A eleição, portanto, continua aberta em termos de tendência, mas Ciro permanece na liderança em todas as três pesquisas recentes.

O que realmente pode mudar o jogo nas próximas semanas será a capacidade de cada candidatura de transformar os eleitores ainda indecisos em votos efetivos.

E, nesse ponto, os 53% de indecisos na espontânea da Quaest talvez sejam o número mais importante de toda a pesquisa.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A ELEIÇÃO DO CEARÁ VIROU UMA DISPUTA DE CENTÍMETROS: quatro pesquisas mostram Ciro na frente no agregado, mas Elmano já encosta — e a reta final pode decidir tudo


A eleição para o Governo do Ceará entrou definitivamente em uma nova fase. Depois de semanas em que Ciro Gomes aparecia com vantagem mais confortável em parte das pesquisas, os levantamentos mais recentes mostram um cenário muito mais apertado. O dado mais revelador talvez não seja simplesmente quem aparece em primeiro lugar em cada pesquisa, mas a velocidade com que a distância entre Ciro e Elmano mudou nas últimas semanas.

O Datafolha, realizado entre 31 de agosto e 2 de setembro, mostrou Ciro com 46% e Elmano com 37%. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, Ciro tinha 52% e Elmano 33%. A vantagem, portanto, despencou de 19 para 9 pontos. Ciro perdeu seis pontos, enquanto Elmano ganhou quatro. Na pesquisa espontânea, a distância ficou ainda menor: 29% para Ciro e 25% para Elmano.

A AtlasIntel, realizada entre 28 de agosto e 2 de setembro, produziu uma fotografia ainda mais apertada: 48,4% para Ciro e 45,8% para Elmano, diferença de apenas 2,6 pontos, dentro da margem de erro de dois pontos. Na rodada anterior, Ciro tinha 49,3% e Elmano 44,6%. Ou seja, Ciro recuou 0,9 ponto e Elmano avançou 1,2.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Datafolha e AtlasIntel: duas metodologias diferentes, duas fotografias distintas — mas uma tendência em comum: Elmano encurta a distância

 


Datafolha e AtlasIntel: duas metodologias diferentes, duas fotografias distintas — mas uma tendência em comum: Elmano encurta a distância

As duas principais pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, 3 de setembro, colocam a eleição para o Governo do Ceará diante de um cenário que merece ser analisado com cuidado. Datafolha e AtlasIntel apresentam números diferentes, mas as duas pesquisas registram uma mesma mudança importante: Ciro Gomes continua numericamente à frente, porém a distância para Elmano de Freitas diminuiu em relação aos levantamentos anteriores. A diferença está no tamanho dessa vantagem e, principalmente, na metodologia utilizada para capturar o eleitorado cearense.

O Datafolha, realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro, entrevistou 1.204 eleitores, com abordagem pessoal em pontos de fluxo e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. O levantamento encontrou Ciro com 46% e Elmano com 37%, uma diferença de 9 pontos percentuais. Na pesquisa anterior do instituto, realizada entre 10 e 12 de agosto, Ciro tinha 52% e Elmano 33%. Portanto, em aproximadamente três semanas, Ciro caiu seis pontos e Elmano cresceu quatro, fazendo a vantagem cair de 19 para 9 pontos.

AtlasIntel aperta a disputa no Ceará: Ciro ainda lidera, mas Elmano encosta e a eleição volta ao empate técnico

 


A nova pesquisa AtlasIntel para o Governo do Ceará, realizada entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro, coloca a disputa novamente em uma situação de forte equilíbrio. Ciro Gomes aparece com 48,4% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas chega a 45,8%. A diferença é de apenas 2,6 pontos percentuais, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Na prática, a AtlasIntel não permite afirmar que Ciro esteja estatisticamente à frente de Elmano: os dois aparecem em empate técnico.

O mais interessante, porém, não é apenas a fotografia atual, mas a comparação com a pesquisa anterior do próprio AtlasIntel. Em agosto, Ciro tinha 49,3% e Elmano 44,6%, uma vantagem de 4,7 pontos. Agora, Ciro recua 0,9 ponto, para 48,4%, enquanto Elmano cresce 1,2 ponto, chegando a 45,8%. Com isso, a diferença cai de 4,7 para 2,6 pontos. Ou seja, em uma única rodada, a vantagem de Ciro diminuiu 2,1 pontos percentuais.

Datafolha acende o sinal amarelo: Ciro ainda lidera, mas perde 10 pontos de vantagem — e Lula chega ao Cariri amanhã

 


A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro, traz uma mudança importante no cenário da eleição para o Governo do Ceará. Ciro Gomes continua na liderança, com 46% das intenções de voto, mas a distância para Elmano de Freitas caiu praticamente pela metade em apenas três semanas. Na pesquisa anterior, realizada entre 10 e 12 de agosto, Ciro tinha 52% e Elmano aparecia com 33%. Agora, Ciro caiu para 46%, enquanto Elmano subiu para 37%. A diferença, que era de 19 pontos percentuais, passou para 9 pontos.

É justamente essa trajetória que merece atenção. Mais importante do que a fotografia de hoje é observar o movimento entre as duas pesquisas. Ciro perdeu seis pontos, enquanto Elmano ganhou quatro. Com isso, a distância entre os dois candidatos foi reduzida em 10 pontos percentuais. Em outras palavras, aquilo que em agosto parecia uma vantagem bastante confortável tornou-se, três semanas depois, uma disputa consideravelmente mais apertada.

Na pesquisa estimulada, temos hoje Ciro 46% contra Elmano 37%. Mas, quando o eleitor é perguntado espontaneamente, sem receber a lista de candidatos, a diferença é ainda menor: 29% para Ciro e 25% para Elmano. São apenas quatro pontos de diferença. Esse dado é especialmente interessante porque mostra que uma parcela significativa do eleitorado ainda está construindo sua decisão. Ao mesmo tempo, o contingente que não aponta espontaneamente nenhum candidato caiu de 43% para 36%, indicando que a eleição começa a entrar numa fase de maior definição.

Datafolha muda o jogo no Ceará: Ciro ainda lidera, mas a distância despenca de 19 para 9 pontos

A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro, coloca a eleição para o Governo do Ceará em um novo estágio. Ciro Gomes continua na liderança, com 46% das intenções de voto, mas a vantagem sobre Elmano de Freitas caiu de forma expressiva: eram 19 pontos na pesquisa realizada entre 10 e 12 de agosto e agora são apenas 9 pontos. Naquele levantamento, Ciro tinha 52% e Elmano 33%. Agora, Ciro caiu seis pontos, para 46%, enquanto Elmano cresceu quatro, chegando a 37%. Em poucas semanas, portanto, a distância entre os dois caiu dez pontos percentuais.

O dado mais interessante talvez esteja na direção da curva. Não se trata apenas de olhar a fotografia de hoje, mas de observar o movimento entre uma pesquisa e outra. Ciro saiu de 52% para 46%, enquanto Elmano passou de 33% para 37%. A vantagem que parecia muito larga em agosto ficou significativamente menor. E quando se observa a pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor não recebe uma lista de candidatos, a distância é ainda mais apertada: Ciro aparece com 29% e Elmano com 25%, apenas quatro pontos de diferença. Esse resultado é particularmente importante porque mostra que uma parcela expressiva do eleitorado ainda está formando sua decisão. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Eleição no Ceará em 2026: o que as pesquisas estão dizendo — e o que ainda não conseguem revelar

 


A divulgação de uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, nesta semana, acrescentou uma peça importante ao quebra-cabeça da eleição para o Governo do Ceará. Até então, a pesquisa RealTime Big Data, realizada entre 15 e 19 de agosto, mostrava Elmano e Ciro empatados em 44%. O Ipsos-Ipec, com entrevistas realizadas entre 14 e 17 de agosto, encontrou Ciro com 43% e Elmano com 35%.

São duas pesquisas feitas praticamente no mesmo período, mas com resultados bastante diferentes.

E é justamente essa diferença que merece ser analisada com cuidado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Eleição no Ceará: 2%, 4%, 140 mil votos e a matemática de uma disputa que pode ser decidida no primeiro turno

Há uma questão que merece ser acrescentada ao debate sobre a eleição para o Governo do Ceará em 2026: como transformar os percentuais das pesquisas em números concretos de votos?

Essa conta ajuda a compreender melhor o tamanho real da disputa.

E ajuda também a entender por que, em uma eleição fortemente polarizada entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas, pequenas mudanças no comportamento do eleitor podem produzir grandes alterações no resultado final.

Antes de tudo: a eleição será decidida no primeiro turno?

Eleição no Ceará em 2026: o que as pesquisas mostram e o que pode decidir a eleição

 

A eleição para o Governo do Ceará começa a entrar em uma fase decisiva. Mas, neste momento, mais importante do que escolher uma pesquisa e tratá-la como verdade absoluta é compreender o que os diferentes levantamentos estão captando, quais são suas diferenças metodológicas e quais forças políticas e sociais podem aparecer com mais intensidade na reta final.

Em 20 de agosto de 2026, o cenário é de uma disputa aberta entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas.

As pesquisas mais recentes apresentam números bastante diferentes. O Datafolha, realizado entre 10 e 12 de agosto, apontou Ciro com 52% e Elmano com 33% no primeiro turno. O Atlas/Focus, com campo entre 6 e 11 de agosto, encontrou 49,3% para Ciro e 44,6% para Elmano. Já a RealTime Big Data, cujo trabalho de campo ocorreu entre 15 e 19 de agosto, encontrou 44% para Ciro e 44% para Elmano.

A primeira conclusão é evidente: as pesquisas não estão contando exatamente a mesma história.

terça-feira, 14 de julho de 2026

O que a Espanha pode ensinar ao Brasil depois da Copa do Mundo de 2026?

Venceu o jogo coletivo da Espanha contra as individualidades francesas. Mais do que uma equipe repleta de talentos individuais, a seleção espanhola mostrou ser um verdadeiro time. Soube se impor durante toda a partida, não permitiu que a França desenvolvesse seu futebol e anulou completamente seus principais jogadores.

O grande destaque da partida, repito, foi o jogo coletivo: as linhas de marcação bem organizadas, a intensa movimentação, o toque de bola preciso e um meio de campo inteligente, capaz de controlar o ritmo da partida. A Espanha demonstrou que o futebol moderno é cada vez mais um esporte de organização, inteligência tática e disciplina coletiva. Seu treinador, Luis de la Fuente, colhe os frutos de muitos anos de trabalho nas categorias de base da Federação Espanhola, conduzindo à seleção principal uma geração formada dentro de uma mesma identidade de jogo.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Escolas Olímpicas Culturais: Uma Proposta para Transformar a Juventude Brasileira

 

Quando fui estudante, nas décadas de 1970 e 1980, não me recordo de ter faltado um único dia de aula. Não era porque a escola me obrigava a estar presente. Era porque a escola fazia sentido para nós. Ela era muito mais do que um local de ensino. Era um espaço de convivência, de sonhos, de descobertas, de cultura e de esporte.
 
Aprendemos ciências, artes, esportes, xadrez e música porque a escola também nos dava todas estas oportundidades. Isso é tão evidente em em 1980 comprei a coleçaõ completa de Jorge Amado com o meu primeiro salário, tendo o livro Capitães da Areia.  

Hoje percebo que aquela escola estava muito à frente do seu tempo. Durante todo o ano letivo, vivíamos intensamente atividades esportivas e culturais. Havia competições nas mais diversas modalidades coletivas e individuais, torneios de xadrez, apresentações artísticas, recitais, momentos culturais e incentivo permanente à leitura. A escola despertava talentos e criava vínculos entre os estudantes e a comunidade.

Fernando Haddad e o futuro de São Paulo: trabalho, competência e desenvolvimento para o povo paulista

 


O povo paulista, especialmente o povo do interior, sempre valorizou o trabalho, a honestidade, a capacidade de realizar e o compromisso com os resultados. Nas cidades que movem a agricultura, a indústria, o comércio e os serviços, o que importa não são os discursos vazios, mas a capacidade de enfrentar desafios, gerar oportunidades e melhorar a vida das pessoas.

É por isso que Fernando Haddad precisa ser conhecido para além dos rótulos políticos e das disputas ideológicas que frequentemente dominam o debate público. Sua trajetória revela um homem preparado, professor universitário, gestor experiente, com sólida formação acadêmica e uma vida dedicada ao serviço público e à construção de políticas voltadas para o desenvolvimento do Brasil.

domingo, 21 de junho de 2026

Copa de 1970, ditadura e Infância: memórias de um Brasil entre o Rádio, a rua, livros e o futebol

 




A Copa do Mundo de 1970, no México, foi um momento marcante não apenas no futebol, mas também no contexto histórico do Brasil, que vivia sob a ditadura militar. Hoje, consigo compreender que aquele período carregava tensões políticas profundas, e que a seleção brasileira acabou sendo, em certa medida, utilizada como símbolo de união nacional e também como distração do povo.

Mas, sendo criança, não havia em mim qualquer consciência desse cenário. Nossa vida era feita de escola, rua, bola e livros. O mundo se resumia ao que estava ao alcance dos olhos e do coração.

Naquela época, a Seleção Brasileira parecia estar acima de qualquer ideologia ou disputa política. Não se falava disso. O que existia era a admiração pura, quase mágica. Pelé estava em todos os lugares: nas ruas, nas escolas, nas conversas, nas figurinhas dos álbuns. Também Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho — nomes que faziam parte do imaginário coletivo de uma infância inteira.

Do Sertão à Cidade: memórias de 1970, sonhos e a Bodega do Seu Luís e Dona Teresinha


Era 1970. Ano de Copa do Mundo no México, de sonhos ainda sem nome, e de uma vida simples que marcaria para sempre a minha história.

Minha família era numerosa: nove pessoas ao todo — pai, mãe e filhos — vivendo na comunidade de Pitombeira, na Ilha do Poró. Ali, a vida era sustentada pela agricultura e pela criação de animais: galinhas, porcos, gado, capotes, perus, cabras e ovelhas. Era um cotidiano de trabalho duro, mas também de muita convivência com a natureza e com os ciclos da terra. 

Meu pai mantinha também uma pequena bodega. Pequena no tamanho, mas enorme na sua importância. Ela nos acompanhou por toda a vida e, mais tarde, se tornaria conhecida como a “bodega do Seu Luís e Dona Teresinha”, um lugar que atravessou gerações, alimentou famílias e ajudou a sustentar nossos estudos e nossa caminhada.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

É para isso que servem os amigos: memórias, música e tempo

  

É para isso que servem os amigos: memórias, música e tempo

Há memórias que não pertencem apenas ao passado porque elas continuam respirando dentro de nós. Quando escuto ou recordo a canção “That’s What Friends Are For”, não ouço apenas uma música lançada em 1985. Eu ouço a minha própria história atravessando o tempo.

Em 1985, eu tinha vinte anos. Um jovem universitário, estudante de pedagogia e de música, tentando decifrar o mundo através de uma linguagem que já me parecia universal. A música não era apenas entretenimento, era descoberta, era abrigo, era horizonte.

Vim de um tempo em que o rádio de pilha era companheiro constante. Muitas vezes, à luz de uma lamparina, o mundo chegava até mim pelas ondas do rádio e pelas páginas dos livros. E, naquele cenário simples, nasciam sonhos grandes. Sonhos que não cabiam nas limitações materiais, mas encontravam espaço na imaginação, na amizade e no desejo de aprender.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Bolsa Família: dignidade, justiça social e oportunidade para o povo brasileiro

 

O Bolsa Família é muito mais que um programa de transferência de renda. É uma política pública de combate à fome, à desigualdade e à exclusão social de um povo que historicamente foi marginalizado no Brasil. Foram mais de trezentos anos de escravidão, séculos de exploração e uma realidade em que milhões de brasileiros sobreviveram trabalhando apenas por um prato de comida, sem direitos, sem oportunidades e sem dignidade.

Por isso, quando alguém afirma que o Bolsa Família “torna o povo preguiçoso”, ignora completamente a história social do país e despreza a realidade de quem sempre lutou para sobreviver. A pobreza no Brasil nunca foi fruto da preguiça do povo. Foi consequência da concentração de renda, da desigualdade histórica e da ausência de oportunidades.

domingo, 17 de maio de 2026

Ciro Gomes: o homem que nunca coube em um partido, mas hoje se contenta em ser o "galinheiro" do bolsonarismo.


(no evento no Conjunto Ceará, Ciro evitou comentar sua aliança com Flávio Bolsonaro, preferiu como sempre destilar sua língua contra Lula, Elmano, Camilo e o próprio irmão - Cid, que um dia quase morreu assassinado) 

Quem conhece a trajetória política de Ciro Gomes e acompanha a política cearense há décadas sabe que sua recente aliança com setores da direita e da extrema-direita no Ceará não chega a ser exatamente uma surpresa.

Em 2021, escrevi no blog Olhos do Sertão sobre essa característica de Ciro de alternar ataques duros e gestos de aproximação política conforme as conveniências do momento. O episódio mais simbólico talvez tenha sido relatado pelo próprio Antônio Carlos Magalhães, o ACM, ao recordar que, depois de ser duramente criticado por Ciro, recebeu dele um gesto público de afago durante uma visita à Bahia, quando Ciro beijou sua mão para agradar os baianos.

O caso foi amplamente repercutido pela imprensa e ilustra um comportamento político marcado por alianças fluidas, rupturas frequentes e mudanças constantes de posicionamento. Reportagens publicadas pelo UOL Notícias e pelo Estadão resgataram episódios dessa relação ambígua entre ataques públicos e reaproximações políticas promovidas por Ciro ao longo da carreira.


"ACM é sujo como pau de galinheiro", afirma Ciro MÔNICA BERGAMO  da Reportagem Local - Folha de São Paulo - Junho de 1999.  

Resposta do ACM:  “Ciro Gomes é o próprio galinheiro” 

Ao longo da vida pública, Ciro transitou por diversos partidos e campos ideológicos. Nos anos 1990, quando estava no PSDB, adotava um discurso liberal alinhado ao receituário neoliberal predominante na época. Defendia privatizações, criticava bancos públicos, atacava movimentos grevistas e chegou a chamar Leonel Brizola de “suprassumo do atraso”. Mais tarde, aproximou-se do campo trabalhista e passou a construir uma imagem de nacional-desenvolvimentista. Essa capacidade de mudar de discurso conforme o contexto faz com que muitos enxerguem em Ciro uma figura politicamente moldável, capaz de se adaptar ao ambiente político que lhe seja mais conveniente.

Em 2010 fez o seguinte comentário sobreo Aécio, o político que um dia ameaçou matar o primo para evitar deleção. 

 


Na avaliação de muitos observadores da política brasileira, Ciro desperdiçou oportunidades importantes de chegar à Presidência da República. A primeira ocorreu durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como ministro da Integração Nacional, Ciro desempenhava um papel relevante e tinha prestígio dentro do governo. Porém, em 2006, decidiu deixar o ministério para disputar mandato de deputado federal pelo Ceará. Segundo relatos políticos conhecidos da época, Lula teria sugerido que ele permanecesse no governo e escolhesse outro espaço na Esplanada, demonstrando apreço pessoal e político por ele. Ciro, entretanto, apostou em outro caminho político. Nos anos seguintes, enquanto Dilma Rousseff se consolidava como sucessora de Lula, Ciro acabou sem protagonismo nacional, passando pela Câmara Federal sem grande destaque legislativo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Objetivo dos EUA: hegemonia no Hemisfério Ocidental.


1. Tese central do vídeo

Ben Norton sustenta que a política dos EUA contra a Venezuela não depende do presidente ou do partido no poder, mas expressa uma estratégia estrutural e de longo prazo de manutenção da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental.
Segundo ele, as justificativas mudam (democracia, segurança nacional, drogas, direitos humanos), mas
o objetivo permanece o mesmo: contenção, controle ou mudança de regime.

2. Continuidade histórica da política externa dos EUA

Um ponto forte da análise é mostrar que:

  • Obama classificou a Venezuela como “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional”.

  • Trump intensificou sanções, tentou isolamento diplomático e adotou a narrativa do narcotráfico.

  • Biden manteve sanções estruturais, mesmo ajustando o discurso.

Para Norton, isso evidencia continuidade estratégica, não ruptura.
A Venezuela se encaixa no padrão histórico de intervenções dos EUA na América Latina (Chile, Nicarágua, Cuba, Guatemala, Honduras).

3. O papel do petróleo venezuelano

O vídeo enfatiza que a Venezuela:

  • Possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo

  • Nacionalizou recursos estratégicos

  • Rompeu com o modelo de submissão às grandes petrolíferas internacionais

Segundo Norton:

  • O problema não é a escassez de petróleo, mas quem controla esse petróleo.

  • A soberania sobre recursos naturais entra em choque direto com interesses corporativos e geopolíticos dos EUA.

Ponto-chave: Países que controlam seus recursos e não se alinham automaticamente a Washington tendem a sofrer pressão, sanções ou isolamento.

4. A influência da política interna dos EUA (Miami/Flórida)

Um dos argumentos mais relevantes do vídeo é o peso da política doméstica:

  • Grupos antichavistas, anticubanos e antissandinistas sediados em Miami

  • Forte influência eleitoral no estado da Flórida

  • Ligação direta com:

    • Lobby do petróleo

    • Think tanks

    • Setores do Partido Republicano e Democrata

A política externa vira instrumento de disputa eleitoral interna, não de segurança internacional real.

5. A retórica das “drogas” como nova justificativa

Ben Norton argumenta que:

  • A acusação de “narco-Estado” contra a Venezuela carece de base empírica sólida

  • Países aliados dos EUA, com histórico comprovado de narcotráfico, não recebem o mesmo tratamento

Isso revela um padrão:

Quando a justificativa anterior perde força, cria-se outra narrativa moral ou criminal para sustentar a mesma política.

6. A China como fator decisivo

O vídeo destaca que a presença crescente da China na América Latina é hoje um fator central de preocupação para Washington:

  • Investimentos em infraestrutura

  • Acordos energéticos

  • Parcerias financeiras sem condicionalidades políticas

Para os EUA:

  • Isso ameaça sua posição histórica de dominância regional

  • A Venezuela se torna símbolo de um mundo multipolar em ascensão

Assim, a pressão sobre Caracas também é uma mensagem indireta a outros países latino-americanos.

7. Crítica implícita à “ordem internacional baseada em regras”

Embora não seja o foco explícito, o vídeo sugere que:

  • As “regras” são aplicadas seletivamente

  • Sanções econômicas funcionam como armas políticas

  • O direito internacional é frequentemente subordinado aos interesses das grandes potências

8. Pontos fortes da análise de Ben Norton

✔ Contextualização histórica sólida
✔ Articulação entre política externa e interesses econômicos
✔ Exposição do papel da política doméstica dos EUA
✔ Leitura clara da disputa EUA × China na América Latina

Conclusão

O vídeo defende que a Venezuela é alvo não por ser uma ameaça real, mas por representar:

  • Um projeto de soberania energética

  • Um desafio simbólico à hegemonia dos EUA

  • Um ponto de articulação com potências emergentes como a China

Em síntese, Ben Norton mostra que:

O problema da Venezuela não é o que ela faz, mas o que ela representa.



Guerra cibernética que neutralizou o sistema de defesa venezuelano?

 

Os EUA utilizaram arma eletromagnética (guerra cibernética)  para neutralizar as comunicações e sistema de defesa russo chinês em solo venezuelana e em seguida mandaram uma frota de helicópteros. Esta afirmação de Breno Altman é possível? Vamos analisar mais a frente. No momento, tudo é possível. 

Breno Altman: o plano dos EUA neste momento é minar a liderança da presidente interina da Venezuela.

 

O verdadeiro plano para a Venezuela está à vista de todos

    

O verdadeiro plano para a Venezuela está à vista de todos

A chamada “Ordem Internacional Baseada em Regras” funciona, na prática, como uma máscara diplomática para a pirataria moderna. Sob esse discurso moralizante, o capitalismo ocidental demonstra repetidamente sua incapacidade de negociar com nações soberanas sem tentar subordiná-las, capturá-las ou possuí-las.

Quando um país se recusa a entregar seus recursos estratégicos, o destino costuma ser previsível: sanções, sabotagem, desestabilização e punição prolongada. O Haiti é o exemplo histórico mais brutal — um país condenado por séculos por ousar romper com a ordem colonial. A Venezuela segue a mesma lógica.

Essas realidades desconfortáveis são exploradas na entrevista com o professor Michael Rossi, cientista político da Universidade Rutgers, que desmonta a narrativa dominante ao conectar o DNA histórico das intervenções dos Estados Unidos com os movimentos agressivos que presenciamos hoje na América Latina e no mundo.

O que está em jogo hoje na Venezuela

Hoje, 05 de janeiro, seguimos com poucas respostas e muitas perguntas. Circulam narrativas diversas, mas o que aconteceu o foi o  sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, além da morte de oitentas pessoas em operações ainda mal esclarecidas. Independentemente das versões divulgadas, um fato permanece evidente:

Os Estados Unidos desejam a decapitação completa do governo bolivariano.

O objetivo é claro: impor um governo fantoche, politicamente obediente, capaz de abrir caminho para o controle da maior reserva de petróleo do mundo, localizada em território venezuelano.

Plano A e Plano B: a lógica imperial

Como já mencionado em post anterior, um ex-analista da CIA foi direto ao ponto ao afirmar que Washington trabalha com dois cenários:

  • Plano A: instalar um governo submisso que aceite todas as exigências dos EUA, promovendo uma chamada “transição suave”;

  • Plano B: recorrer ao método clássico já utilizado diversas vezes na América do Sul — golpe militar, assassinatos seletivos e repressão aberta.

Ambos têm o mesmo objetivo: um governo leal aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

A guerra psicológica e a desmoralização do chavismo

É fundamental destacar a análise de Breno Altman (@brealt):

O governo venezuelano está investigando infiltrações e traições individuais, movidas por suborno. Essa hipótese é totalmente diferente das especulações sobre acordos liderados por Delcy Rodríguez ou pelo próprio Maduro, difundidas pelos Estados Unidos para desmoralizar o chavismo.”

Essa distinção é crucial. Não há, até o momento, qualquer mudança de governo na Venezuela. O que existe é uma intensa guerra informacional, voltada a produzir desmoralização interna, confusão e ruptura de lealdades — estratégia clássica de desestabilização.

O desejo dos EUA é evitar o custo político e internacional de um golpe militar explícito, apostando numa transição “negociada” sob coerção, sanções e infiltrações.

Golpes, assassinatos e a Doutrina Monroe

Outro ponto não pode ser ignorado:
Os Estados Unidos são historicamente competentes em golpes de Estado e assassinatos políticos quando lidam com governos que não se alinham aos seus interesses.

A Doutrina Monroe jamais foi abandonada. Ela continua presente, silenciosa ou explícita, nas mesas dos presidentes norte-americanos, independentemente do partido no poder.

A mensagem segue a mesma há mais de um século:

Quem não se ajoelhar aos interesses dos EUA será punido.

Venezuela hoje, América Latina amanhã

Se a Venezuela cair, o recado será direto para toda a região. E candidatos a governos fantoches não faltam na América Latina.

No Brasil, inclusive, setores da direita fazem fila para se oferecer ao trumpismo, prontos para sacrificar soberania, recursos estratégicos e políticas sociais em troca de bênçãos externas.

Conclusão

O caso venezuelano não é sobre democracia, direitos humanos ou regras internacionais. É sobre poder, recursos naturais e submissão geopolítica.

A história mostra que, quando um país ousa dizer “não”, ele passa a ser tratado como inimigo. A Venezuela apenas ocupa hoje o lugar que outros já ocuparam ontem — e que outros poderão ocupar amanhã.

Ignorar isso é aceitar a narrativa. Enxergar é o primeiro passo para resistir.



domingo, 4 de janeiro de 2026

Quem é o plano A e plano B dos EUA na Venezuela? Será que o povo revolucionário da Venezuela vai concordar com estes planos?

Olá, vale conferir abaixo o vídeo - analista da CIA revela planos A E B para a Venezuela.  Muita atenção no comportamento e nas falas da Vice-presidente. Nesse momento, ninguém sabe quem são os generais traidores e os generais leais ao governo Maduro. Segundo a fala do ex-analista da CIA, o objetivo é manter a vice-presidente no comando da Venezuela, desde que ela faça exatamente os desejos dos EUA, ou seja, a entrega do petróleo. 

Então, segundo o plano dos EUA é manter a vice-presidente como governo fantoche e aos poucos expurgar os generais leais e em seguida colocar uma pessoa de confiança do império. 

 

Vivemos tempos de guerras híbridas e disputas geopolíticas permanentes. E, como sempre acontece nesses contextos, a maior vítima é a verdade. Por isso, tudo o que se ouve neste vídeo, principalmente sobre as declarações e afirmações atribuídas a um ex-analista ligado à CIA deve ser recebido com espírito crítico e saudável desconfiança.

O grande desafio é unir os fios dessa trama complexa, que envolve o sequestro de um presidente e de sua esposa, sob a justificativa oficial de combate ao narcotráfico, mas que pode esconder um objetivo muito mais profundo: o controle e a pilhagem das riquezas de um país estratégico.

Ainda assim, é possível concordar com um ponto central: parte significativa do entorno de Nicolás Maduro pode hoje integrar, direta ou indiretamente, a folha de pagamento dos Estados Unidos, por meio de operações da CIA. Trata-se de um investimento milionário na compra de lealdades de altos funcionários do governo venezuelano, o que pode incluir generais e até membros da guarda responsável pela segurança presidencial.

Vale lembrar que Donald Trump declarou publicamente a presença da CIA na Venezuela e elevou a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro para 50 milhões de dólares. Diante disso, é difícil acreditar que o sequestro do presidente tenha sido fruto do acaso ou de uma simples oportunidade. Tudo indica uma operação cuidadosamente planejada, irrigada por dólares e sustentada pela cooptação de setores do alto escalão militar.

Nesse sentido, não estamos vendo império que detonou todo o direito internacional que luta ferozmente para manter o dólar como instrumento de dominação no mundo nas relações internacionais. 

Pascal Lottaz faz excelentes perguntas e tece excelentes comentários e Ron Aledo, oficial aposentado dos EUA faz suas narrativas que devem ser refletidas. No entanto, ele expõe as vísceras na atuação da CIA, inteligência, etc., com bases, segundo ele, em fontes abertas. 

Ele diz claramente que até vice-presidente da Venezuela pode estar na folha de pagamento da folha da CIA, muitos militares venezuelanos. 

Ou seja, segundo ele a mensagem dos EUA: trabalhe conosco, você será bem remunerado. E a colaboração de parte de funcionários do governo dos EUA facilitou a operação, ou seja, nenhum helicóptero foi abatido. 

Portanto, mais do que aceitar narrativas prontas, seja a versão oficial, seja a de ex-agentes de inteligência, é fundamental questionar: a chamada “apreensão de drogas” não seria apenas uma cortina de fumaça? Estaríamos diante de uma tentativa desesperada de preservar interesses econômicos globais, como o petrodólar, a qualquer custo?

Em tempos como estes, desconfiar não é paranoia: é método.

Síntese das falas da entrevista (ex-analista ligado à CIA)

  • O entrevistado afirma que mudanças abruptas de regime não acontecem por acaso, mas resultam de operações longamente planejadas pelos serviços de inteligência, especialmente quando envolvem países estratégicos.

  • Segundo ele, a CIA trabalha prioritariamente na compra de lealdades, e não em confrontos diretos. O método central seria cooptar altos oficiais militares e políticos, garantindo que, no momento decisivo, o regime simplesmente “desmorone por dentro”.

  • No caso da Venezuela, sustenta que parte significativa do alto comando militar já estaria comprometida financeiramente com os EUA, incluindo generais e setores responsáveis pela segurança presidencial.

  • A narrativa oficial de combate ao narcotráfico é apresentada como instrumento jurídico e midiático, usado para legitimar ações internacionais que, na prática, teriam objetivos geopolíticos e econômicos mais amplos.

  • O entrevistado afirma que o aumento da recompensa por Nicolás Maduro não é simbólico, mas um sinal direto de que negociações e traições internas já estavam em curso.

  • Defende que a captura ou neutralização de lideranças políticas só ocorre quando as forças encarregadas de protegê-las deixam de agir, o que indicaria acordos prévios e pagamentos substanciais.

  • Por fim, sustenta que a operação não visa apenas a Venezuela, mas está inserida em uma disputa maior relacionada a energia, controle regional e preservação da ordem financeira internacional, com destaque para o papel do petróleo.