O Bolsa Família é muito mais que um programa de transferência de renda. É uma política pública de combate à fome, à desigualdade e à exclusão social de um povo que historicamente foi marginalizado no Brasil. Foram mais de trezentos anos de escravidão, séculos de exploração e uma realidade em que milhões de brasileiros sobreviveram trabalhando apenas por um prato de comida, sem direitos, sem oportunidades e sem dignidade.
Por isso, quando alguém afirma que o Bolsa Família “torna o povo preguiçoso”, ignora completamente a história social do país e despreza a realidade de quem sempre lutou para sobreviver. A pobreza no Brasil nunca foi fruto da preguiça do povo. Foi consequência da concentração de renda, da desigualdade histórica e da ausência de oportunidades.
(no evento no Conjunto Ceará, Ciro evitou comentar sua aliança com Flávio Bolsonaro, preferiu como sempre destilar sua língua contra Lula, Elmano, Camilo e o próprio irmão - Cid, que um dia quase morreu assassinado)
Quem conhece a trajetória política de Ciro Gomes e acompanha a política cearense há décadas sabe que sua recente aliança com setores da direita e da extrema-direita no Ceará não chega a ser exatamente uma surpresa.
Em 2021, escrevi no blog Olhos do Sertão sobre essa característica de Ciro de alternar ataques duros e gestos de aproximação política conforme as conveniências do momento. O episódio mais simbólico talvez tenha sido relatado pelo próprio Antônio Carlos Magalhães, o ACM, ao recordar que, depois de ser duramente criticado por Ciro, recebeu dele um gesto público de afago durante uma visita à Bahia, quando Ciro beijou sua mão para agradar os baianos.
O caso foi amplamente repercutido pela imprensa e ilustra um comportamento político marcado por alianças fluidas, rupturas frequentes e mudanças constantes de posicionamento. Reportagens publicadas pelo UOL Notícias e pelo Estadão resgataram episódios dessa relação ambígua entre ataques públicos e reaproximações políticas promovidas por Ciro ao longo da carreira.
Resposta do ACM: “Ciro Gomes é o próprio galinheiro”
Ao longo da vida pública, Ciro transitou por diversos partidos e campos ideológicos. Nos anos 1990, quando estava no PSDB, adotava um discurso liberal alinhado ao receituário neoliberal predominante na época. Defendia privatizações, criticava bancos públicos, atacava movimentos grevistas e chegou a chamar Leonel Brizola de “suprassumo do atraso”. Mais tarde, aproximou-se do campo trabalhista e passou a construir uma imagem de nacional-desenvolvimentista. Essa capacidade de mudar de discurso conforme o contexto faz com que muitos enxerguem em Ciro uma figura politicamente moldável, capaz de se adaptar ao ambiente político que lhe seja mais conveniente.
Em 2010 fez o seguinte comentário sobreo Aécio, o político que um dia ameaçou matar o primo para evitar deleção.
Na avaliação de muitos observadores da política brasileira, Ciro desperdiçou oportunidades importantes de chegar à Presidência da República. A primeira ocorreu durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como ministro da Integração Nacional, Ciro desempenhava um papel relevante e tinha prestígio dentro do governo. Porém, em 2006, decidiu deixar o ministério para disputar mandato de deputado federal pelo Ceará. Segundo relatos políticos conhecidos da época, Lula teria sugerido que ele permanecesse no governo e escolhesse outro espaço na Esplanada, demonstrando apreço pessoal e político por ele. Ciro, entretanto, apostou em outro caminho político. Nos anos seguintes, enquanto Dilma Rousseff se consolidava como sucessora de Lula, Ciro acabou sem protagonismo nacional, passando pela Câmara Federal sem grande destaque legislativo.
Ben Norton sustenta que a
política dos EUA contra a Venezuela não
depende do presidente ou do partido no poder,
mas expressa uma estratégia
estrutural e de longo prazo
de manutenção da hegemonia dos EUA no Hemisfério
Ocidental.
Segundo ele, as justificativas mudam (democracia,
segurança nacional, drogas, direitos humanos), mas o
objetivo permanece o mesmo: contenção, controle ou mudança de
regime.
2. Continuidade
histórica da política externa dos EUA
Um ponto forte da análise é mostrar
que:
Obama
classificou a Venezuela como “ameaça incomum e extraordinária à
segurança nacional”.
Trump
intensificou sanções, tentou isolamento diplomático e adotou a
narrativa do narcotráfico.
Biden
manteve sanções estruturais, mesmo ajustando o discurso.
Para Norton, isso evidencia
continuidade
estratégica, não
ruptura.
A Venezuela se encaixa no padrão histórico de
intervenções dos EUA na América Latina (Chile, Nicarágua, Cuba,
Guatemala, Honduras).
3. O papel do
petróleo venezuelano
O vídeo enfatiza que a Venezuela:
Possui as
maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo
Nacionalizou recursos
estratégicos
Rompeu com o modelo de submissão
às grandes petrolíferas internacionais
Segundo Norton:
O problema não
é a escassez de petróleo,
mas quem controla
esse petróleo.
A soberania sobre recursos
naturais entra em choque direto com interesses corporativos e
geopolíticos dos EUA.
Ponto-chave:
Países que controlam seus recursos e não se alinham automaticamente
a Washington tendem a sofrer pressão, sanções ou isolamento.
4. A influência da
política interna dos EUA (Miami/Flórida)
Um dos argumentos mais relevantes do
vídeo é o peso da política doméstica:
Grupos antichavistas,
anticubanos e antissandinistas sediados em Miami
Forte influência eleitoral no
estado da Flórida
Ligação direta com:
Lobby do petróleo
Think tanks
Setores do Partido Republicano e
Democrata
A política externa vira
instrumento de
disputa eleitoral interna,
não de segurança internacional real.
5. A retórica das
“drogas” como nova justificativa
Ben Norton argumenta que:
A acusação de
“narco-Estado” contra a Venezuela carece
de base empírica sólida
Países aliados dos EUA,
com histórico comprovado de narcotráfico, não
recebem o mesmo tratamento
Isso revela um padrão:
Quando a justificativa
anterior perde força, cria-se outra narrativa moral ou criminal para
sustentar a mesma política.
6. A China como fator
decisivo
O vídeo destaca que a presença
crescente da China na América Latina
é hoje um fator central de preocupação para Washington:
Investimentos em infraestrutura
Acordos energéticos
Parcerias financeiras sem
condicionalidades políticas
Para os EUA:
Isso ameaça sua posição
histórica de dominância regional
A Venezuela se torna
símbolo de um mundo
multipolar em ascensão
Assim, a pressão sobre Caracas
também é uma mensagem indireta a outros países latino-americanos.
7. Crítica implícita
à “ordem internacional baseada em regras”
Embora não seja o foco explícito, o
vídeo sugere que:
As “regras” são aplicadas
seletivamente
Sanções econômicas
funcionam como armas
políticas
O direito internacional é
frequentemente subordinado aos interesses das grandes potências
8. Pontos fortes da
análise de Ben Norton
✔ Contextualização histórica
sólida
✔ Articulação entre política externa e interesses
econômicos
✔ Exposição do papel da política doméstica dos
EUA
✔ Leitura clara da disputa EUA × China na América Latina
Conclusão
O vídeo defende que a Venezuela é
alvo não por ser uma ameaça real, mas por representar:
Um projeto de soberania
energética
Um desafio simbólico à
hegemonia dos EUA
Um ponto de articulação com
potências emergentes como a China
Em síntese, Ben Norton mostra que:
O problema da
Venezuela não é o que ela faz, mas o que ela representa.
Os EUA utilizaram arma eletromagnética (guerra cibernética) para neutralizar as comunicações e sistema de defesa russo chinês em solo venezuelana e em seguida mandaram uma frota de helicópteros. Esta afirmação de Breno Altman é possível? Vamos analisar mais a frente. No momento, tudo é possível.
O
verdadeiro plano para a Venezuela está à vista de todos
A
chamada “Ordem
Internacional Baseada em Regras”
funciona, na prática, como uma máscara
diplomática para a pirataria moderna.
Sob esse discurso moralizante, o capitalismo ocidental demonstra
repetidamente sua incapacidade
de negociar com nações soberanas
sem tentar subordiná-las,
capturá-las ou possuí-las.
Quando
um país se recusa a entregar seus recursos estratégicos, o destino
costuma ser previsível: sanções,
sabotagem, desestabilização e punição prolongada.
O Haiti é o exemplo histórico mais brutal — um país condenado
por séculos por ousar romper com a ordem colonial. A Venezuela segue
a mesma lógica.
Essas
realidades desconfortáveis são exploradas na entrevista com o
professor
Michael Rossi,
cientista político da Universidade Rutgers, que desmonta a narrativa
dominante ao conectar o DNA
histórico das intervenções dos Estados Unidos
com os movimentos agressivos que presenciamos hoje na América Latina
e no mundo.
O
que está em jogo hoje na Venezuela
Hoje,
05
de janeiro,
seguimos com poucas
respostas e muitas perguntas.
Circulam narrativas diversas, mas o que aconteceu o foi o sequestro de Nicolás Maduro e
sua esposa, além da morte de oitentas pessoas
em operações ainda mal esclarecidas. Independentemente das versões
divulgadas, um fato permanece evidente:
Os
Estados Unidos desejam a decapitação completa do governo
bolivariano.
O
objetivo é claro: impor
um governo fantoche,
politicamente obediente, capaz de abrir caminho para o controle da
maior
reserva de petróleo do mundo,
localizada em território venezuelano.
Plano
A e Plano B: a lógica imperial
Como
já mencionado em post anterior, um ex-analista
da CIA
foi direto ao ponto ao afirmar que Washington trabalha com dois
cenários:
Plano
A:
instalar um governo submisso que aceite todas as exigências dos
EUA, promovendo uma chamada “transição
suave”;
Plano
B:
recorrer ao método clássico já utilizado diversas vezes na
América do Sul — golpe
militar,
assassinatos seletivos e repressão aberta.
Ambos
têm o mesmo objetivo: um
governo leal aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.
A
guerra psicológica e a desmoralização do chavismo
É
fundamental destacar a análise de Breno
Altman (@brealt):
“O
governo venezuelano está investigando infiltrações e traições
individuais, movidas por suborno. Essa hipótese é totalmente
diferente das especulações sobre acordos liderados por Delcy
Rodríguez ou pelo próprio Maduro, difundidas pelos Estados Unidos
para desmoralizar o chavismo.”
Essa
distinção é crucial. Não
há, até o momento, qualquer mudança de governo na Venezuela.
O que existe é uma intensa guerra
informacional,
voltada a produzir desmoralização interna, confusão e ruptura de
lealdades — estratégia clássica de desestabilização.
O
desejo dos EUA é evitar
o custo político e internacional de um golpe militar explícito,
apostando numa transição
“negociada” sob coerção,
sanções e infiltrações.
Golpes,
assassinatos e a Doutrina Monroe
Outro
ponto não pode ser ignorado: Os
Estados Unidos são historicamente competentes em golpes de Estado e
assassinatos políticos
quando lidam com governos que não se alinham aos seus interesses.
A
Doutrina
Monroe
jamais foi abandonada. Ela continua presente, silenciosa ou
explícita, nas
mesas dos presidentes norte-americanos,
independentemente do partido no poder.
A
mensagem segue a mesma há mais de um século:
Quem
não se ajoelhar aos interesses dos EUA será punido.
Venezuela
hoje, América Latina amanhã
Se
a Venezuela cair, o recado será direto para toda a região. E
candidatos a governos
fantoches não faltam
na América Latina.
No
Brasil, inclusive, setores
da direita fazem fila para se oferecer ao trumpismo,
prontos para sacrificar soberania, recursos estratégicos e políticas
sociais em troca de bênçãos externas.
Conclusão
O
caso venezuelano não
é sobre democracia, direitos humanos ou regras internacionais.
É sobre poder,
recursos naturais e submissão geopolítica.
A
história mostra que, quando um país ousa dizer “não”, ele
passa a ser tratado como inimigo. A Venezuela apenas ocupa hoje o
lugar que outros já ocuparam ontem — e que outros poderão ocupar
amanhã.
Ignorar
isso é aceitar a narrativa. Enxergar é o primeiro passo para
resistir.
Olá, vale conferir abaixo o vídeo - analista da CIA revela planos A E B para a Venezuela. Muita atenção no comportamento e nas falas da Vice-presidente. Nesse momento, ninguém sabe quem são os generais traidores e os generais leais ao governo Maduro. Segundo a fala do ex-analista da CIA, o objetivo é manter a vice-presidente no comando da Venezuela, desde que ela faça exatamente os desejos dos EUA, ou seja, a entrega do petróleo.
Então, segundo o plano dos EUA é manter a vice-presidente como governo fantoche e aos poucos expurgar os generais leais e em seguida colocar uma pessoa de confiança do império.
Vivemos tempos de guerras híbridas e disputas geopolíticas permanentes. E, como sempre acontece nesses contextos, a maior vítima é a verdade. Por isso, tudo o que se ouve neste vídeo, principalmente sobre as declarações e afirmações atribuídas a um ex-analista ligado à CIA deve ser recebido com espírito crítico e saudável desconfiança.
O grande desafio é unir os fios dessa trama complexa, que envolve o sequestro de um presidente e de sua esposa, sob a justificativa oficial de combate ao narcotráfico, mas que pode esconder um objetivo muito mais profundo: o controle e a pilhagem das riquezas de um país estratégico.
Ainda assim, é possível concordar com um ponto central: parte significativa do entorno de Nicolás Maduro pode hoje integrar, direta ou indiretamente, a folha de pagamento dos Estados Unidos, por meio de operações da CIA. Trata-se de um investimento milionário na compra de lealdades de altos funcionários do governo venezuelano, o que pode incluir generais e até membros da guarda responsável pela segurança presidencial.
Vale lembrar que Donald Trump declarou publicamente a presença da CIA na Venezuela e elevou a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro para 50 milhões de dólares. Diante disso, é difícil acreditar que o sequestro do presidente tenha sido fruto do acaso ou de uma simples oportunidade. Tudo indica uma operação cuidadosamente planejada, irrigada por dólares e sustentada pela cooptação de setores do alto escalão militar.
Nesse sentido, não estamos vendo império que detonou todo o direito internacional que luta ferozmente para manter o dólar como instrumento de dominação no mundo nas relações internacionais.
Pascal Lottaz faz excelentes perguntas e tece excelentes comentários e Ron Aledo, oficial aposentado dos EUA faz suas narrativas que devem ser refletidas. No entanto, ele expõe as vísceras na atuação da CIA, inteligência, etc., com bases, segundo ele, em fontes abertas.
Ele diz claramente que até vice-presidente da Venezuela pode estar na folha de pagamento da folha da CIA, muitos militares venezuelanos.
Ou seja, segundo ele a mensagem dos EUA: trabalhe conosco, você será bem remunerado. E a colaboração de parte de funcionários do governo dos EUA facilitou a operação, ou seja, nenhum helicóptero foi abatido.
Portanto, mais do que aceitar narrativas prontas, seja a versão oficial, seja a de ex-agentes de inteligência, é fundamental questionar: a chamada “apreensão de drogas” não seria apenas uma cortina de fumaça? Estaríamos diante de uma tentativa desesperada de preservar interesses econômicos globais, como o petrodólar, a qualquer custo?
Em tempos como estes, desconfiar não é paranoia: é método.
Síntese das falas da entrevista (ex-analista ligado à CIA)
O entrevistado afirma que mudanças abruptas de regime não acontecem por acaso, mas resultam de operações longamente planejadas pelos serviços de inteligência, especialmente quando envolvem países estratégicos.
Segundo ele, a CIA trabalha prioritariamente na compra de lealdades, e não em confrontos diretos. O método central seria cooptar altos oficiais militares e políticos, garantindo que, no momento decisivo, o regime simplesmente “desmorone por dentro”.
No caso da Venezuela, sustenta que parte significativa do alto comando militar já estaria comprometida financeiramente com os EUA, incluindo generais e setores responsáveis pela segurança presidencial.
A narrativa oficial de combate ao narcotráfico é apresentada como instrumento jurídico e midiático, usado para legitimar ações internacionais que, na prática, teriam objetivos geopolíticos e econômicos mais amplos.
O entrevistado afirma que o aumento da recompensa por Nicolás Maduro não é simbólico, mas um sinal direto de que negociações e traições internas já estavam em curso.
Defende que a captura ou neutralização de lideranças políticas só ocorre quando as forças encarregadas de protegê-las deixam de agir, o que indicaria acordos prévios e pagamentos substanciais.
Por fim, sustenta que a operação não visa apenas a Venezuela, mas está inserida em uma disputa maior relacionada a energia, controle regional e preservação da ordem financeira internacional, com destaque para o papel do petróleo.