Por Luis Moreira de
Oliveira Filho
Em um momento em que o mundo vive grandes transformações geopolíticas, o
encontro entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o
primeiro-ministro chinês Li Qiang, realizado no Rio de Janeiro, marca mais do
que um gesto diplomático: é um sinal claro de que Brasil e China estão
alinhando suas visões para um mundo multipolar, inclusivo e soberano.
Li Qiang foi direto:
“As relações China-Brasil estão no melhor momento da história. A China
está pronta para trabalhar com o Brasil para enriquecer as dimensões das
relações bilaterais e alcançar resultados concretos... Fortalecer a comunicação
em estruturas multilaterais como a ONU, os BRICS e o G20, e contribuir com mais
certeza e estabilidade para o mundo.”
Um novo papel para o Brasil no tabuleiro global
Essa declaração não deve ser lida como mero protocolo. Ela vem num
contexto em que:
A China se fortalece como principal potência econômica do Sul Global;
O BRICS+ assume papel estratégico como bloco de articulação entre países
emergentes;
Os EUA perdem legitimidade entre nações cansadas de décadas de
intervencionismo e sanções.
Para o Brasil, esse é o momento de romper com a hesitação geopolítica
que o marcou nos últimos anos. A proposta da China é clara: construir juntos
uma globalização mais justa, multilateral e inclusiva, onde a soberania dos
países não seja constantemente violada por interesses imperiais.
Cooperação mais do que econômica
O relacionamento sino-brasileiro já é forte no campo do comércio. E a
China é, há anos, o principal parceiro comercial do Brasil. Mas agora, a
proposta é elevar o nível da cooperação para áreas estratégicas como:
Transição energética e tecnologia verde;
Infraestrutura e conectividade digital;
Iniciativas conjuntas no G20, ONU e BRICS;
Fortalecimento da governança global sem hegemonias.
Neutralidade estratégica ou protagonismo ativo?
A fala de Li Qiang parece também um chamado: o Brasil precisa escolher
se deseja continuar com uma neutralidade ambígua, que muitas vezes serve apenas
à manutenção da ordem atual, ou se vai assumir um papel mais ativo na
construção de uma nova ordem global multipolar.
Em tempos de guerra híbrida, sanções econômicas e vigilância digital,
não há mais espaço para ingenuidades. O Sul Global precisa se articular e o
Brasil pode ser um dos principais articuladores, ao lado de China, Rússia, Irã,
Índia e outros parceiros que defendem um mundo mais equilibrado.
Conclusão: a história está sendo escrita e o Brasil está nela
O encontro entre Lula e Li Qiang mostra que há disposição para mudar as
regras do jogo global. Mas a mudança exige coragem política, soberania
econômica e compromisso com os povos.
Mais do que uma parceria entre dois governos, o que está em construção é
uma nova narrativa internacional, onde a cooperação vence a dominação, e o multilateralismo
se sobrepõe à imposição unipolar.
O Brasil, com sua diversidade, território, economia e influência, não
pode perder esse momento. A história está em marcha e nós estamos dentro dela.
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