Quando
ouço Paula Magh interpretando Once
Upon a Time in the West, de Ennio Morricone, algo profundo se agita em
mim. Sua voz atravessa o tempo e os desertos como se ressoasse nas noites melancólicas do
meu sertão.
Esse filme, que vi tantas vezes, não é só um faroeste: é
uma odisseia. Uma travessia marcada por silêncios, resistências e esperanças, como
tantas histórias vividas nas veredas sertanejas.
Morricone não compôs apenas trilhas sonoras. Ele traduziu
dores ancestrais.
As mesmas que rondam famílias inteiras que buscaram um pedaço de terra, um gole
de dignidade, uma nesga de chuva.
E agora, ouvindo Paula Magh, sinto que essa música voltou
para casa.
Sua voz carrega a força feminina da terra rachada, a delicadeza do orvalho nas
madrugadas, a fé miúda que resiste ao sol de rachar.
Paula não canta apenas Morricone.
Ela canta o sertão e
com isso, canta todos nós.
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