Minhas
amigas e meus amigos,
Fomos
surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano
anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto.
O
Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o
governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de
negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem
inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações
falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.
Contamos
com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo
legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla
defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania
nacional.
Só
uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades,
garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as
oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.
Minha
indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de
alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no
quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados
ao nosso povo.
Minhas
amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação
das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país,
todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras.
No
Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias
brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais
para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a
violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio,
violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à
morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo
erradicadas.
Minhas
amigas e meus amigos,
Estamos
nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e
sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o
comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.
Estamos
juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o
exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para
trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.
Seguiremos
apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os
Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.
Minhas
amigas e meus amigos,
A
primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações
sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há
mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares.
O
Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já
reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para
zerar o desmatamento até 2030.
Além
disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio
do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e
vamos protegê-lo.
Minhas
amigas e meus amigos,
Quando
tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil
isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos
mercados para os produtos brasileiros no exterior.
Estamos
construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e
nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.
Se
necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa
economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da
Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.
Minhas
amigas e meus amigos,
Não
há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos.
Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações.
Mas
que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.
Muito
obrigado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário