A história do cientista preso por ousar enriquecer urânio e desafiar o jogo global do poder
Em abril de 2015, o juiz Sergio Moro, símbolo da chamada Operação Lava Jato, ordenou a prisão de Othon Luiz Pinheiro da Silva, cientista, almirante e principal nome do Programa Nuclear Brasileiro.
A acusação?
Ter recebido R$ 4,5 milhões em propina da Andrade Gutierrez, num suposto esquema relacionado à retomada das obras de Angra 3 a usina que Othon comandava e que os EUA passaram duas décadas tentando impedir.
Mas há uma narrativa mais profunda e dolorosa:
Othon foi preso porque ousou fazer o Brasil soberano.
A delação que parou a ciência
A denúncia partiu de uma delação premiada de um executivo da
empreiteira.
Ele afirmou que Othon teria pedido 1% do contrato de Angra 3, não para uso
pessoal, mas para investimentos em projetos científicos.
Não houve flagrante.
Não houve offshore.
Não houve enriquecimento pessoal comprovado.
Mesmo assim, o cientista foi algemado, humilhado, preso preventivamente por mais de 1 ano e posteriormente condenado a 43 anos de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, em 2016.
A destruição de um homem e de um sonho
Othon foi preso aos 76 anos, com histórico irrepreensível na Marinha, no IPEN e na Eletronuclear.
Sua filha, Ana Cristina, também foi presa.
Na prisão, o cientista tentou suicídio e só não o conseguiu porque agentes penitenciários impediram.
Passou por internações, sofreu colapsos emocionais e teve a prisão revogada apenas em 2017, por problemas graves de saúde.
Em 2022, o TRF da 2ª Região reduziu sua pena para 4 anos.
Mas o estrago já estava feito.
Angra 3 parou. O submarino nuclear atrasou. O sonho brasileiro de independência atômica foi novamente saboteado.
🌍 Geopolítica travestida de justiça
Desde sua prisão, Othon nunca deixou de afirmar que era vítima de um jogo internacional.
“Minha prisão obedece a interesses geopolíticos que não aceitam um Brasil com autonomia nuclear.”
Almirante Othon, em depoimento à Justiça Federal
E ele tinha razão.
A tecnologia que Othon desenvolveu com a Marinha de ultracentrifugação nacional para enriquecimento de urânio tornava o Brasil um dos poucos países do planeta com capacidade de:
Produzir combustível nuclear sem depender de outros
Construir submarinos nucleares
Desenvolver armamento nuclear, se assim decidisse
Lava Jato: a nova face do entreguismo
A Operação Lava Jato não destruiu apenas partidos.
Ela:
Desmantelou a engenharia pesada brasileira (Petrobras, Odebrecht, Queiroz Galvão...)
Paralisou o PAC e grandes obras de infraestrutura
Prendeu cientistas estratégicos
E, como um cavalo de Troia judicial, fez o trabalho sujo que a pressão diplomática dos EUA não conseguiu concluir nos anos 70 e 80.
🌵 O que o sertão não pode esquecer
Othon poderia ter se aposentado em paz.
Poderia ter ido dar aulas, escrever memórias, fazer palestras em universidades.
Mas escolheu resgatar o programa nuclear brasileiro, mesmo sabendo do cerco em torno de si.
Foi tratado como criminoso.
Mas a história há de reconhecê-lo como herói técnico-militar-científico de um Brasil que ousou sonhar com soberania.
📣 O que está em jogo não é apenas o passado. É o futuro.
Se o Brasil quiser reindustrializar, defender suas riquezas, proteger sua população e liderar uma transição energética segura e autônoma, precisará rever sua relação com a ciência e com a geopolítica.
E isso começa por recontar a história de Othon e pedir desculpas públicas à sua memória.
📚 Leitura recomendada:
🔗 Prisão do Almirante Othon: o ataque da Lava Jato ao Programa Nuclear Brasileiro – Opera Mundi
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