Translate / Tradutor

quarta-feira, 2 de julho de 2025

⚛️ Othon, a Lava Jato e o crime de sonhar um Brasil soberano

 A história do cientista preso por ousar enriquecer urânio e desafiar o jogo global do poder

Em abril de 2015, o juiz Sergio Moro, símbolo da chamada Operação Lava Jato, ordenou a prisão de Othon Luiz Pinheiro da Silva, cientista, almirante e principal nome do Programa Nuclear Brasileiro.

A acusação?

Ter recebido R$ 4,5 milhões em propina da Andrade Gutierrez, num suposto esquema relacionado à retomada das obras de Angra 3  a usina que Othon comandava e que os EUA passaram duas décadas tentando impedir.

Mas há uma narrativa mais profunda e dolorosa:

Othon foi preso porque ousou fazer o Brasil soberano.

A delação que parou a ciência

A denúncia partiu de uma delação premiada de um executivo da empreiteira.
Ele afirmou que Othon teria pedido 1% do contrato de Angra 3, não para uso pessoal, mas para investimentos em projetos científicos.

Não houve flagrante.

Não houve offshore.

Não houve enriquecimento pessoal comprovado.

Mesmo assim, o cientista foi algemado, humilhado, preso preventivamente por mais de 1 ano  e posteriormente condenado a 43 anos de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, em 2016.

A destruição de um homem e de um sonho

Othon foi preso aos 76 anos, com histórico irrepreensível na Marinha, no IPEN e na Eletronuclear.

Sua filha, Ana Cristina, também foi presa.

Na prisão, o cientista tentou suicídio e só não o conseguiu porque agentes penitenciários impediram.

Passou por internações, sofreu colapsos emocionais e teve a prisão revogada apenas em 2017, por problemas graves de saúde.

Em 2022, o TRF da 2ª Região reduziu sua pena para 4 anos.

Mas o estrago já estava feito.

Angra 3 parou. O submarino nuclear atrasou. O sonho brasileiro de independência atômica foi novamente saboteado.

🌍 Geopolítica travestida de justiça

Desde sua prisão, Othon nunca deixou de afirmar que era vítima de um jogo internacional.

“Minha prisão obedece a interesses geopolíticos que não aceitam um Brasil com autonomia nuclear.”

Almirante Othon, em depoimento à Justiça Federal

E ele tinha razão.

A tecnologia que Othon desenvolveu com a Marinha de ultracentrifugação nacional para enriquecimento de urânio tornava o Brasil um dos poucos países do planeta com capacidade de:

Produzir combustível nuclear sem depender de outros

Construir submarinos nucleares

Desenvolver armamento nuclear, se assim decidisse

Lava Jato: a nova face do entreguismo

A Operação Lava Jato não destruiu apenas partidos.

Ela:

Desmantelou a engenharia pesada brasileira (Petrobras, Odebrecht, Queiroz Galvão...)

Paralisou o PAC e grandes obras de infraestrutura

Prendeu cientistas estratégicos

E, como um cavalo de Troia judicial, fez o trabalho sujo que a pressão diplomática dos EUA não conseguiu concluir nos anos 70 e 80.

🌵 O que o sertão não pode esquecer

Othon poderia ter se aposentado em paz.

Poderia ter ido dar aulas, escrever memórias, fazer palestras em universidades.

Mas escolheu resgatar o programa nuclear brasileiro, mesmo sabendo do cerco em torno de si.

Foi tratado como criminoso.

Mas a história há de reconhecê-lo como herói técnico-militar-científico de um Brasil que ousou sonhar com soberania.

📣 O que está em jogo não é apenas o passado. É o futuro.

Se o Brasil quiser reindustrializar, defender suas riquezas, proteger sua população e liderar uma transição energética segura e autônoma, precisará rever sua relação com a ciência e com a geopolítica.

E isso começa por recontar a história de Othon e pedir desculpas públicas à sua memória.

📚 Leitura recomendada:

🔗 Prisão do Almirante Othon: o ataque da Lava Jato ao Programa Nuclear Brasileiro – Opera Mundi

 


Nenhum comentário: