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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lula e o desafio dos 50%: quanto falta para uma vitória no primeiro turno?

 


A eleição presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva com uma pergunta matemática muito objetiva: qual é a distância entre a intenção de voto de Lula e a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno?

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 10 de setembro, realizada entre os dias 4 e 9 de setembro com 5 mil eleitores, apresenta Lula com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37,4% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.

Para transformar essa fotografia em uma conta eleitoral, precisamos trabalhar com votos válidos, porque é sobre eles que se calcula a maioria absoluta. O Código Eleitoral estabelece que, para presidente, será eleito no primeiro turno o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos, não computados os brancos e nulos.

A conta é simples: 43% contra 50%+

Primeiro turno ainda pode decidir a eleição? Lula e Flávio estão diante da mesma barreira: 50% dos votos válidos

Primeiro turno: distância até os 50% dos votos válidos

Pesquisas recentes de intenção de voto para presidente em 2026. A linha de 50% representa a marca necessária para vencer no primeiro turno.

Este gráfico resume a situação: nenhum dos dois aparece, nas pesquisas recentes, acima dos 50% necessários para encerrar a eleição no primeiro turno. A linha de 50% representa a maioria absoluta dos votos válidos.

Leitura do gráfico: na pesquisa mais recente, Atlas/Bloomberg, Lula aparece a 7 pontos percentuais da marca de 50%, enquanto Flávio está 12,6 pontos abaixo. Mas a variação entre institutos mostra por que não é possível tratar uma única pesquisa como previsão do resultado

Na pesquisa Quast Elmano cresce

Quaest muda o desenho da eleição: Ciro mantém 10 pontos de vantagem, mas Elmano cresce e o eleitorado começa a se definir

A nova pesquisa Quaest para o Governo do Ceará, divulgada nesta sexta-feira, 4 de setembro, acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça das pesquisas desta semana. Ciro Gomes aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas registra 34%. A diferença é de 11 pontos percentuais. O levantamento ouviu 900 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de agosto e 3 de setembro, em todo o Ceará, por meio de entrevistas presenciais e domiciliares. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com 95% de confiança.

A primeira observação importante é que a Quaest atual não deve ser comparada de maneira mecânica com a rodada anterior. Em julho, a pesquisa testava um cenário de pré-campanha, com nomes e candidaturas que ainda não estavam oficialmente definidos. Agora, a pesquisa foi realizada depois da oficialização das chapas e do início da campanha eleitoral. O próprio Diário do Nordeste alerta que os resultados anteriores não podem ser comparados diretamente com o levantamento atual porque o cenário eleitoral mudou.

Ainda assim, a comparação nominal dos números é bastante interessante. Em julho, a Quaest registrava Ciro 43% e Elmano 33%. Agora, Ciro aparece com 45% e Elmano com 34%. Portanto, na fotografia bruta, Ciro cresceu 2 pontos, enquanto Elmano cresceu 1 ponto. A diferença, que era de 10 pontos em julho, passa nominalmente para 11 pontos agora.

Isso produz uma leitura diferente daquela apresentada pelo Datafolha e pela AtlasIntel nesta semana. Enquanto o Datafolha registrou uma forte redução da vantagem de Ciro, de 19 para 9 pontos, e a AtlasIntel colocou Ciro e Elmano em empate técnico, a Quaest apresenta novamente uma vantagem de dois dígitos para Ciro.

Mas há uma informação dentro da própria Quaest que merece bastante atenção: o voto espontâneo.

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. A diferença é de apenas 5 pontos. O problema — ou a oportunidade, dependendo do ponto de vista — é que 53% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar espontaneamente. Isso significa que mais da metade do eleitorado ainda não manifesta espontaneamente uma escolha.

Esse dado ajuda a compreender por que pesquisas estimuladas tão diferentes podem aparecer quase simultaneamente. A eleição ainda possui uma parcela significativa de eleitores que não cristalizou sua preferência. A pesquisa estimulada apresenta os nomes e partidos; a espontânea mede aquilo que está efetivamente armazenado na memória política do eleitor naquele momento.

E a diferença entre os dois indicadores é reveladora: 24% para Ciro e 19% para Elmano na espontânea, contra 45% e 34% na estimulada. Isso mostra que ainda existe um grande espaço para consolidação das candidaturas.

A comparação com julho também revela uma mudança importante na espontânea. Na rodada anterior, Ciro tinha 15% e Elmano 13%. Agora, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. Portanto, Ciro cresceu 9 pontos nesse indicador e Elmano cresceu 6 pontos. A diferença passou de apenas 2 para 5 pontos. Porém, como o universo de indecisos continua muito elevado, não se pode concluir que esses eleitores já estejam definitivamente fechados.

Outro ponto importante é a concentração da disputa. Em julho, Ciro e Elmano somavam 76% das intenções estimuladas. Agora, chegam a 79%. Isso significa que, mesmo com a mudança dos demais nomes testados, a disputa continua fortemente concentrada nos dois principais candidatos.

A Quaest também mostra que a disputa está entrando numa fase de maior definição. Na pesquisa anterior, havia 13% de indecisos na estimulada e 7% de branco/nulo/não votaria. Agora, são 12% de indecisos e 8% de branco/nulo/não votaria. Não é uma transformação gigantesca, mas indica que ainda existe uma parcela considerável fora das duas candidaturas principais.

A metodologia também precisa entrar na análise. A Quaest trabalha com entrevistas presenciais e domiciliares, utilizando uma amostra representativa da população cearense com 16 anos ou mais. A pesquisa anterior tinha 1.002 entrevistados; a atual ouviu 900. Ambas utilizaram margem de erro de 3 pontos e nível de confiança de 95%. A atual foi contratada pela TV Verdes Mares, enquanto a rodada anterior havia sido contratada pela Genial Investimentos.

Essa diferença de contratante também é relevante para a leitura da série, embora não altere, por si só, a metodologia de coleta. Mais importante é que estamos comparando uma pesquisa de julho, ainda na pré-campanha, com uma pesquisa feita depois do início oficial da campanha.

Por isso, talvez seja mais correto tratar os números de julho como uma referência histórica da Quaest e não como uma sequência perfeitamente homogênea.

O cenário atual da Quaest, portanto, pode ser resumido assim: Ciro 45%, Elmano 34%, diferença de 11 pontos; na espontânea, Ciro 24%, Elmano 19%, diferença de apenas 5 pontos; e 53% ainda não apontam espontaneamente nenhum candidato.

E há outro dado que chama atenção quando cruzamos a pesquisa com as demais informações divulgadas nesta semana. A Quaest mostra que 49% aprovam o governo Elmano e 38% desaprovam. Em julho, eram 52% de aprovação e 33% de desaprovação. Portanto, entre as duas rodadas, a aprovação caiu 3 pontos, enquanto a desaprovação aumentou 5 pontos.

Esse talvez seja um dos pontos que merece maior atenção estratégica para Elmano: a avaliação do governo continua positiva em termos absolutos, mas piorou em relação à rodada anterior da Quaest. Ou seja, o governador possui uma base de avaliação positiva importante, mas precisa transformar essa aprovação em intenção de voto.

E isso ajuda a explicar uma aparente contradição das pesquisas: Elmano pode ter uma avaliação razoável do governo e, ao mesmo tempo, estar atrás de Ciro na intenção de voto.

A eleição, portanto, não está sendo determinada apenas pela avaliação administrativa. Ela também envolve conhecimento dos candidatos, rejeição, alianças, identificação ideológica, presença de Lula, segurança pública, campanha eleitoral e capacidade de cada candidatura de transformar simpatia em voto.

O segundo turno acrescenta outra dimensão. A Quaest mostra Ciro com 49% e Elmano com 36%, segundo a simulação divulgada junto ao levantamento. A diferença é de 13 pontos.

Esse resultado é mais favorável a Ciro do que os cenários de segundo turno apresentados pela AtlasIntel e pelo Datafolha nesta semana. A Atlas encontrou 50% para Ciro contra 46,1% para Elmano, enquanto o Datafolha registrou 50% contra 42%. Portanto, novamente, a Quaest apresenta uma fotografia mais confortável para Ciro.

O que podemos concluir de tudo isso?

A Quaest não confirma a mesma intensidade de aproximação encontrada pelo Datafolha e pela AtlasIntel. Ao contrário, ela mantém Ciro com vantagem significativa. Mas também não mostra uma disparada de Ciro em relação à sua própria rodada anterior: na estimulada, Ciro cresceu dois pontos e Elmano um, mantendo praticamente a mesma distância.

A grande novidade está em outro lugar: a campanha começou e a eleição está concentrada nos dois candidatos, mas ainda existe um enorme contingente de eleitores que não cristalizou sua decisão.

E é exatamente aí que a eleição pode mudar.

Se cruzarmos as pesquisas mais recentes, temos três fotografias diferentes: Datafolha: Ciro 46% × Elmano 37%; AtlasIntel: 48,4% × 45,8%; Quaest: 45% × 34%. A distância varia de 2,6 a 11 pontos. Isso mostra que existe uma dispersão considerável entre os institutos. Por isso, não é prudente afirmar que uma única pesquisa representa com precisão absoluta o resultado futuro.

O que começa a ficar mais consistente é outra coisa: Ciro continua aparecendo em primeiro lugar nos três institutos, enquanto Elmano ocupa a segunda posição. A divergência está no tamanho da vantagem.

E essa diferença metodológica é justamente o motivo pelo qual devemos olhar para a média das pesquisas e, principalmente, para a evolução de cada instituto.

A Quaest acrescenta ainda uma variável que merece atenção: 53% de indecisos na pesquisa espontânea. Isso significa que, apesar da polarização entre Ciro e Elmano, a campanha ainda tem um enorme espaço para conquistar eleitores que não estão espontaneamente vinculados a nenhum nome.

Por isso, a fotografia de hoje é menos uma sentença e mais um aviso: Ciro continua liderando; Elmano ainda precisa diminuir uma diferença importante; mas uma parte enorme do eleitorado ainda pode ser disputada.

E há uma coincidência temporal que torna esta pesquisa particularmente interessante: a coleta da Quaest ocorreu entre 31 de agosto e 3 de setembro, justamente no período em que Datafolha e AtlasIntel também estavam realizando seus levantamentos. A grande mobilização de Lula no Cariri, realizada nesta sexta-feira, 4 de setembro, ocorre depois do encerramento da coleta da Quaest. Portanto, qualquer eventual impacto político dessa agenda presidencial também ficará para as próximas pesquisas.

A grande pergunta agora é se os próximos levantamentos mostrarão uma convergência maior entre os institutos ou se continuará existindo essa distância entre as fotografias.

Hoje, a Quaest diz que Ciro lidera por 11 pontos. O Datafolha fala em 9. A AtlasIntel aponta apenas 2,6 e empate técnico.

A eleição, portanto, continua aberta em termos de tendência, mas Ciro permanece na liderança em todas as três pesquisas recentes.

O que realmente pode mudar o jogo nas próximas semanas será a capacidade de cada candidatura de transformar os eleitores ainda indecisos em votos efetivos.

E, nesse ponto, os 53% de indecisos na espontânea da Quaest talvez sejam o número mais importante de toda a pesquisa.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A ELEIÇÃO DO CEARÁ VIROU UMA DISPUTA DE CENTÍMETROS: quatro pesquisas mostram Ciro na frente no agregado, mas Elmano já encosta — e a reta final pode decidir tudo


A eleição para o Governo do Ceará entrou definitivamente em uma nova fase. Depois de semanas em que Ciro Gomes aparecia com vantagem mais confortável em parte das pesquisas, os levantamentos mais recentes mostram um cenário muito mais apertado. O dado mais revelador talvez não seja simplesmente quem aparece em primeiro lugar em cada pesquisa, mas a velocidade com que a distância entre Ciro e Elmano mudou nas últimas semanas.

O Datafolha, realizado entre 31 de agosto e 2 de setembro, mostrou Ciro com 46% e Elmano com 37%. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, Ciro tinha 52% e Elmano 33%. A vantagem, portanto, despencou de 19 para 9 pontos. Ciro perdeu seis pontos, enquanto Elmano ganhou quatro. Na pesquisa espontânea, a distância ficou ainda menor: 29% para Ciro e 25% para Elmano.

A AtlasIntel, realizada entre 28 de agosto e 2 de setembro, produziu uma fotografia ainda mais apertada: 48,4% para Ciro e 45,8% para Elmano, diferença de apenas 2,6 pontos, dentro da margem de erro de dois pontos. Na rodada anterior, Ciro tinha 49,3% e Elmano 44,6%. Ou seja, Ciro recuou 0,9 ponto e Elmano avançou 1,2.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Datafolha e AtlasIntel: duas metodologias diferentes, duas fotografias distintas — mas uma tendência em comum: Elmano encurta a distância

 


Datafolha e AtlasIntel: duas metodologias diferentes, duas fotografias distintas — mas uma tendência em comum: Elmano encurta a distância

As duas principais pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, 3 de setembro, colocam a eleição para o Governo do Ceará diante de um cenário que merece ser analisado com cuidado. Datafolha e AtlasIntel apresentam números diferentes, mas as duas pesquisas registram uma mesma mudança importante: Ciro Gomes continua numericamente à frente, porém a distância para Elmano de Freitas diminuiu em relação aos levantamentos anteriores. A diferença está no tamanho dessa vantagem e, principalmente, na metodologia utilizada para capturar o eleitorado cearense.

O Datafolha, realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro, entrevistou 1.204 eleitores, com abordagem pessoal em pontos de fluxo e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. O levantamento encontrou Ciro com 46% e Elmano com 37%, uma diferença de 9 pontos percentuais. Na pesquisa anterior do instituto, realizada entre 10 e 12 de agosto, Ciro tinha 52% e Elmano 33%. Portanto, em aproximadamente três semanas, Ciro caiu seis pontos e Elmano cresceu quatro, fazendo a vantagem cair de 19 para 9 pontos.