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terça-feira, 14 de julho de 2026

O que a Espanha pode ensinar ao Brasil depois da Copa do Mundo de 2026?

Venceu o jogo coletivo da Espanha contra as individualidades francesas. Mais do que uma equipe repleta de talentos individuais, a seleção espanhola mostrou ser um verdadeiro time. Soube se impor durante toda a partida, não permitiu que a França desenvolvesse seu futebol e anulou completamente seus principais jogadores.

O grande destaque da partida, repito, foi o jogo coletivo: as linhas de marcação bem organizadas, a intensa movimentação, o toque de bola preciso e um meio de campo inteligente, capaz de controlar o ritmo da partida. A Espanha demonstrou que o futebol moderno é cada vez mais um esporte de organização, inteligência tática e disciplina coletiva. Seu treinador, Luis de la Fuente, colhe os frutos de muitos anos de trabalho nas categorias de base da Federação Espanhola, conduzindo à seleção principal uma geração formada dentro de uma mesma identidade de jogo.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Escolas Olímpicas Culturais: Uma Proposta para Transformar a Juventude Brasileira

 

Quando fui estudante, nas décadas de 1970 e 1980, não me recordo de ter faltado um único dia de aula. Não era porque a escola me obrigava a estar presente. Era porque a escola fazia sentido para nós. Ela era muito mais do que um local de ensino. Era um espaço de convivência, de sonhos, de descobertas, de cultura e de esporte.
 
Aprendemos ciências, artes, esportes, xadrez e música porque a escola também nos dava todas estas oportundidades. Isso é tão evidente em em 1980 comprei a coleçaõ completa de Jorge Amado com o meu primeiro salário, tendo o livro Capitães da Areia.  

Hoje percebo que aquela escola estava muito à frente do seu tempo. Durante todo o ano letivo, vivíamos intensamente atividades esportivas e culturais. Havia competições nas mais diversas modalidades coletivas e individuais, torneios de xadrez, apresentações artísticas, recitais, momentos culturais e incentivo permanente à leitura. A escola despertava talentos e criava vínculos entre os estudantes e a comunidade.

Fernando Haddad e o futuro de São Paulo: trabalho, competência e desenvolvimento para o povo paulista

 


O povo paulista, especialmente o povo do interior, sempre valorizou o trabalho, a honestidade, a capacidade de realizar e o compromisso com os resultados. Nas cidades que movem a agricultura, a indústria, o comércio e os serviços, o que importa não são os discursos vazios, mas a capacidade de enfrentar desafios, gerar oportunidades e melhorar a vida das pessoas.

É por isso que Fernando Haddad precisa ser conhecido para além dos rótulos políticos e das disputas ideológicas que frequentemente dominam o debate público. Sua trajetória revela um homem preparado, professor universitário, gestor experiente, com sólida formação acadêmica e uma vida dedicada ao serviço público e à construção de políticas voltadas para o desenvolvimento do Brasil.

domingo, 21 de junho de 2026

Copa de 1970, ditadura e Infância: memórias de um Brasil entre o Rádio, a rua, livros e o futebol

 




A Copa do Mundo de 1970, no México, foi um momento marcante não apenas no futebol, mas também no contexto histórico do Brasil, que vivia sob a ditadura militar. Hoje, consigo compreender que aquele período carregava tensões políticas profundas, e que a seleção brasileira acabou sendo, em certa medida, utilizada como símbolo de união nacional e também como distração do povo.

Mas, sendo criança, não havia em mim qualquer consciência desse cenário. Nossa vida era feita de escola, rua, bola e livros. O mundo se resumia ao que estava ao alcance dos olhos e do coração.

Naquela época, a Seleção Brasileira parecia estar acima de qualquer ideologia ou disputa política. Não se falava disso. O que existia era a admiração pura, quase mágica. Pelé estava em todos os lugares: nas ruas, nas escolas, nas conversas, nas figurinhas dos álbuns. Também Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho — nomes que faziam parte do imaginário coletivo de uma infância inteira.

Do Sertão à Cidade: memórias de 1970, sonhos e a Bodega do Seu Luís e Dona Teresinha


Era 1970. Ano de Copa do Mundo no México, de sonhos ainda sem nome, e de uma vida simples que marcaria para sempre a minha história.

Minha família era numerosa: nove pessoas ao todo — pai, mãe e filhos — vivendo na comunidade de Pitombeira, na Ilha do Poró. Ali, a vida era sustentada pela agricultura e pela criação de animais: galinhas, porcos, gado, capotes, perus, cabras e ovelhas. Era um cotidiano de trabalho duro, mas também de muita convivência com a natureza e com os ciclos da terra. 

Meu pai mantinha também uma pequena bodega. Pequena no tamanho, mas enorme na sua importância. Ela nos acompanhou por toda a vida e, mais tarde, se tornaria conhecida como a “bodega do Seu Luís e Dona Teresinha”, um lugar que atravessou gerações, alimentou famílias e ajudou a sustentar nossos estudos e nossa caminhada.