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quarta-feira, 2 de julho de 2025

⚛Das centrífugas ao silêncio: como o Brasil abriu mão da soberania nuclear

Othon, Lula e o sonho atômico sabotado pelos acordos e pelas algemas da submissão

O Brasil já esteve entre os poucos países com potencial para desenvolver armas nucleares, construir submarinos atômicos, dominar o ciclo completo do urânio e disputar protagonismo no cenário global.

Mas essa história foi interrompida, silenciada e criminalizada.

Não por falta de ciência.

Não por falta de cérebros.

Mas por uma série de decisões políticas, pressões internacionais e operações internas de sabotagem.

Collor lacra o futuro

Em 1990, Fernando Collor de Mello encerrou oficialmente o Programa Nuclear Paralelo. Diante da comunidade internacional, declarou sua oposição às armas nucleares e organizou uma cerimônia simbólica para lacrar os poços da Serra do Cachimbo, onde testes subterrâneos seriam realizados. O Brasil dono de uma das maiores reservas de urânio do planeta e detentor de tecnologia de ponta renunciava à soberania atômica antes mesmo de conquistá-la plenamente.

FHC: três renúncias em uma década

O processo se aprofundou no governo Fernando Henrique Cardoso:

1995 – Adesão ao Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis: O Brasil abriu mão de desenvolver mísseis de longo alcance, essenciais para garantir dissuasão militar e soberania continental.

1998 - Assinatura do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP):

O país renunciou formalmente ao desenvolvimento de armas nucleares, entrando em um tratado que potências atômicas como Índia, Israel e Paquistão jamais aceitaram assinar.

Submissão diplomática:

O Brasil passou a ser visto como “bom moço” nas conferências internacionais, mas perdeu margem de manobra estratégica e tecnológica.

Lula tenta reerguer o projeto

Ao assumir a presidência em 2003, Lula não apenas retomou políticas sociais — também tentou recuperar a soberania estratégica do Brasil.

Para isso, chamou o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva para presidir a Eletronuclear e reativar a construção da usina de Angra 3, paralisada havia mais de 20 anos por pressão dos EUA.

Sob a gestão de Othon:

Foi retomado o enriquecimento de urânio em escala industrial (2009).

Angra 3 voltou a ser construída.

Consolidou-se a tecnologia de ultracentrifugação nacional.

Avançou-se no reator de propulsão do submarino nuclear brasileiro, desenvolvido com cooperação da França.

A gota d’água: o acordo com o Irã

Em maio de 2010, o Brasil liderou, junto com a Turquia e o Irã, uma alternativa diplomática para a crise nuclear iraniana.

O acordo previa que o Irã enviasse parte de seu urânio ao Brasil, onde seria enriquecido em níveis compatíveis com uso civil.

Era uma proposta de paz, de soberania compartilhada, de diplomacia do Sul.

Mas para Barack Obama e os EUA, isso foi uma afronta.

A legitimidade americana de sancionar o Irã estava sendo contestada.
E quem contestava não era Rússia ou China. Era o Brasil de Lula e a tecnologia de Othon.

A partir daí, o cerco apertou.

Lava Jato e a prisão de Othon: coincidência?

Poucos anos depois, a Operação Lava Jato prenderia o Almirante Othon.

Acusado de corrupção, foi condenado a 43 anos de prisão.

Mas as evidências mostram um outro pano de fundo:

Pressão norte-americana crescente sobre o programa brasileiro.

Monitoramento da CIA desde os anos 80.

Reação ao avanço do submarino nuclear e ao protagonismo de Lula na diplomacia internacional.

A tecnologia incomodava.

A soberania era inadmissível.

O Brasil ousou demais e pagou caro.

🌵 A lição que o sertão não pode esquecer

O Brasil não perdeu seu programa nuclear por falta de capacidade.

Perdeu por falta de coragem política e por excesso de servidão diplomática.

A prisão de Othon é o símbolo de um país que:

Criminalizou a inteligência;

Renunciou à defesa própria;

Curvou-se ao poder de fora  e esmagou seus próprios cientistas.

📢 É hora de recontar essa história.

Resgatar o Programa Nuclear Brasileiro é mais que recuperar uma tecnologia.

É restaurar a ideia de que o Brasil pode ser grande  e não apenas obediente.

 

 

 


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