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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Governo Bolsonaro: comandando generais ou comandado por eles?

 1. Envolvimento militar na tentativa de golpe entre 2022 e 2023

Há diversas evidências e investigações em curso que apontam o envolvimento direto de militares da ativa e da reserva, de altas e baixas patentes, na tentativa de golpe de Estado que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.

A Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro identificaram:

ü  Oficiais generais (como o ex-comandante do Exército Júlio César Arruda e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira) envolvidos na tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder.

ü  Grupos de militares articulando estratégias como decretos golpistas, uso das Forças Armadas para intervir nas eleições ou anular o pleito.

ü  Um ambiente permissivo dentro de quartéis, onde se toleraram ou até incentivaram manifestações antidemocráticas.

DNA golpista? Um histórico de intervenções

A afirmação de que as Forças Armadas têm um “DNA golpista” não é um exagero retórico: ela se sustenta na repetição histórica de intervenções militares no poder civil ao longo da história republicana:

1889: Golpe militar que derrubou a monarquia e instaurou a República.

1930: Apoio decisivo ao golpe de Getúlio Vargas.

1937: Golpe do Estado Novo, com suporte de setores militares.

1945: Intervenção militar que depôs Vargas.

1954/55: Conspirações e crises militares no suicídio de Vargas e na posse de Juscelino.

1961: Resistência militar à posse de João Goulart (solucionada com o parlamentarismo).

1964: Golpe militar instaurando uma ditadura que durou 21 anos.

2016: Interferência crescente na política e nos discursos públicos após o impeachment de Dilma Rousseff, com militares assumindo posições de poder no governo Bolsonaro.

Crise internacional: oportunidade para novos arroubos autoritários?

A instabilidade internacional, como possíveis conflitos comerciais entre Brasil e EUA, crises tarifárias, desinformação nas redes sociais e polarização ideológica, pode sim criar um terreno fértil para setores autoritários dentro das Forças Armadas tentarem retornar ao protagonismo político.

Historicamente, crises externas e internas foram frequentemente utilizadas como justificativas para "salvacionismos militares". O discurso do "inimigo interno" e da "ameaça estrangeira" sempre funcionou como combustível para justificar intervenções autoritárias. No caso atual:

A retórica do “comunismo” ou “globalismo” é usada por militares e setores da extrema direita para demonizar adversários políticos e questionar instituições democráticas.

Eventuais atritos com potências estrangeiras, como os EUA poderiam ser manipulados para criar um “clima de guerra” e gerar tensões nacionalistas que beneficiam a militarização da política.

Diferenças atuais em relação ao passado

Contudo, o Brasil de hoje não é o mesmo de 1964:

ü  A sociedade civil está mais articulada e vigilante.

ü  O sistema jurídico, apesar das tensões, tem reagido com mais força contra aventuras golpistas.

ü  As Forças Armadas saíram desgastadas do governo Bolsonaro, com perda de reputação.

ü  O cenário internacional não apoia rupturas institucionais — pelo contrário, pressiona por estabilidade democrática.

Histórico e evidência recente de envolvimento de militares em tentativas de golpe, e a história brasileira mostra um padrão de intervenções das Forças Armadas em momentos de crise. Embora existam riscos de setores golpistas tentarem se aproveitar de instabilidades, como conflitos comerciais com os EUA, a conjuntura atual oferece mais resistências institucionais e sociais a um novo golpe.

Mas a vigilância continua sendo necessária. Como disse Ulisses Guimarães:

"Traidor da Constituição é traidor da pátria."

E como nos lembra a história brasileira: a democracia não se defende sozinha.

O governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro (2019–2022) ficou conhecido como um governo militarizado, com presença recorde de generais no primeiro escalão, especialmente nos ministérios e cargos estratégicos. Muitos analistas o descrevem como um “governo de generais chefiado por um capitão”, ou até como um "governo tutelado" por setores das Forças Armadas.

Bolsonaro: capitão comandando generais ou comandado por eles?

Jair Bolsonaro foi capitão reformado do Exército, afastado compulsoriamente por indisciplina e planos golpistas nos anos 1980 (caso do artigo “Bomba no quartel”). Em seu governo:

Bolsonaro era o rosto e o discurso político, com forte apelo à base da extrema direita e do bolsonarismo civil.

Os generais, principalmente da reserva ocuparam posições-chave no Estado e muitas vezes agiram como “tutores”, tentando moderar ou conduzir o presidente nos bastidores (nem sempre com sucesso).

Isso gerou um conflito interno entre militares ideológicos (linha dura) e militares técnicos ou institucionalistas.

Relação dos GENERAIS no primeiro escalão do governo Bolsonaro (2019–2022)

A seguir, uma lista dos principais generais (do Exército) que ocuparam cargos ministeriais ou estratégicos no núcleo duro do governo:

 

🟫 GENERAL DA RESERVA AUGUSTO HELENO

Cargo: Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

Perfil: Um dos mais próximos de Bolsonaro, linha dura, influente no início do governo.

🟫 GENERAL DA RESERVA EDUARDO RAMOS

Cargos:

Ministro da Secretaria de Governo (articulação política)

Chefe da Casa Civil (breve período)

Perfil: Interlocutor com Congresso, tentou moderar crises.

🟫 GENERAL DA RESERVA HAMILTON MOURÃO

Cargo: Vice-presidente da República

Perfil: Tentou manter imagem mais institucional, mas oscilou entre lealdade e críticas veladas ao presidente.

🟫 GENERAL DA RESERVA BRAGA NETTO

Cargos:

Ministro da Casa Civil

Ministro da Defesa

Coordenador do Comitê de Crise da COVID-19

Candidato a vice-presidente na chapa de reeleição de Bolsonaro

Perfil: Tornou-se o general mais alinhado ao bolsonarismo. Investigado por tentativa de golpe.

🟫 GENERAL DA RESERVA FERNANDO AZEVEDO E SILVA

Cargo: Ministro da Defesa (até março de 2021)

Perfil: Tido como institucionalista, pediu demissão alegando não compactuar com politização das Forças Armadas.

🟫 GENERAL DA RESERVA CARLOS ALBERTO DOS SANTOS CRUZ

Cargo: Ministro da Secretaria de Governo (até junho de 2019)

Perfil: Crítico do extremismo ideológico. Foi demitido após atritos com o chamado “gabinete do ódio”.

🟫 GENERAL DA RESERVA LUÍS EDUARDO RAMOS BAPTISTA PEREIRA

Cargos:

Ministro da Casa Civil

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Perfil: Leal ao presidente, mas envolvido em disputas internas.

🟫 GENERAL WALTER BRAGA NETTO (mencionado acima)

Nota adicional: Considerado um dos principais nomes por trás da tentativa de golpe de 2022.

🟫 OUTROS MILITARES NO GOVERNO (fora do primeiro escalão mas com peso político):

General Ridauto Fernandes – envolvido em discussões sobre a pandemia.

General Maynard Marques de Santa Rosa – foi secretário de Assuntos Estratégicos, demitido por conflito com Olavo de Carvalho.

General Pazuello – nomeado Ministro da Saúde (não era do primeiro escalão inicialmente, mas se tornou figura central na pandemia).

General Júlio César Arruda – comandante do Exército nos últimos dias de Bolsonaro, envolvido nos desdobramentos do 8 de janeiro.

General Paulo Sérgio Nogueira – último ministro da Defesa de Bolsonaro, também investigado por tentativa de golpe.

📊 Resumo da militarização:

Indicador

Números

Generais em ministérios

Pelo menos 9

Militares no governo federal (ativos e reservas, cargos comissionados)

Mais de 6.000 (em 2020)

Posição ideológica dominante

Anticomunismo, nacionalismo conservador, antipetismo

 

O governo Bolsonaro foi um experimento híbrido entre populismo autoritário e tutela militar. O “capitão” estava no comando formal, mas foi fortemente assessorado, tutelado e, em momentos, confrontado por generais, muitos dos quais se deixaram envolver por ideologias extremistas e aventuras antidemocráticas. Isso deixou manchas profundas na imagem institucional das Forças Armadas, com repercussões ainda presentes na política brasileira.

Abaixo está o quadro completo com os principais generais do Exército que ocuparam cargos estratégicos no primeiro escalão ou funções de grande influência no governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Organizei por nome, patente, cargo, período e observações relevantes:

🪖 QUADRO: GENERAIS NO GOVERNO BOLSONARO (2019–2022)

Nome

Patente

Cargo

Período no cargo

Observações

Augusto Heleno

General da reserva

Ministro-chefe do GSI

Jan 2019 – Dez 2022

Um dos mais próximos de Bolsonaro; linha dura; articulador do discurso anticomunista.

Eduardo Ramos

General da reserva

Secretaria de Governo / Casa Civil / Secretaria-Geral

Jan 2019 – Dez 2022

Encarregado da articulação política; tentou equilibrar crises institucionais.

Hamilton Mourão

General da reserva

Vice-presidente da República

Jan 2019 – Dez 2022

Tentou se apresentar como moderado; por vezes divergiu de Bolsonaro.

Braga Netto

General da reserva

Interventor RJ / Casa Civil / Defesa / Coordenador da COVID / Vice na reeleição

Fev 2020 – Dez 2022

Figura central do bolsonarismo militar; envolvido na tentativa de golpe de 2022.

Fernando Azevedo e Silva

General da reserva

Ministro da Defesa

Jan 2019 – Mar 2021

Saiu após resistir à politização das Forças Armadas.

Carlos Alberto dos Santos Cruz

General da reserva

Ministro da Secretaria de Governo

Jan – Jun 2019

Teve atrito com Olavo de Carvalho e foi exonerado. Defensor da institucionalidade.

Luís Eduardo Ramos

General da reserva

Casa Civil / Secretaria-Geral da Presidência

Mai 2020 – Mar 2022

Braço direito de Bolsonaro; depois se distanciou.

Walter Braga Netto

General da reserva

Ministro da Defesa / Casa Civil / Coord. da Pandemia

2020 – 2022

Alinhado com o projeto golpista; ex-chefe da intervenção no RJ.

Paulo Sérgio Nogueira

General da ativa

Ministro da Defesa

Mar – Dez 2022

Comandante do Exército; apoiou discurso golpista no fim do mandato.

Júlio César Arruda

General da ativa

Comandante do Exército

Dez 2022 – Jan 2023

Tentou impedir prisão de golpistas em 8 de janeiro; exonerado por Lula.

Maynard Marques de Santa Rosa

General da reserva

Secretário de Assuntos Estratégicos

Jan – Mai 2019

Demitido após embate com ideólogos do “gabinete do ódio”.

Ridauto Fernandes

General da reserva

Assessor do Ministério da Saúde (Pandemia)

2020

Influente nas decisões logísticas; baixo perfil.

Eduardo Pazuello

General da ativa

Ministro da Saúde

Mai 2020 – Mar 2021

Militar sem experiência em saúde; geriu pandemia de forma caótica.

Elcio Franco

Coronel (quase general)

Secretário-executivo do Ministério da Saúde

2020

Braço direito de Pazuello; envolvido em contratos da vacina Covaxin.


🧮 Balanço e Significado

Mais de 6.000 militares (ativos e da reserva) ocupavam cargos civis no governo federal durante o governo Bolsonaro, número inédito desde a ditadura militar.

A presença sistemática de generais em cargos civis marcou a militarização da política e do Estado brasileiro, especialmente nas áreas da saúde, defesa, inteligência e articulação institucional.

Alguns desses generais estão sendo investigados atualmente por envolvimento direto ou omissão diante dos atos golpistas de 2022–2023.

🛢️ Quem foi Joaquim Silva e Luna?

Dado

Informação

Nome completo

Joaquim Silva e Luna

Patente

General de Exército da reserva

Cargo no governo Bolsonaro

Presidente da Petrobras

Período no cargo

Abril de 2021 – Março de 2022

Indicação

Foi indicado por Jair Bolsonaro para substituir Roberto Castello Branco, após críticas aos preços dos combustíveis.

Trajetória anterior

Foi Ministro da Defesa no governo Michel Temer e diretor-geral de Itaipu Binacional (2019–2021).


💬 Por que ele ficou marcado?

Silva e Luna assumiu a presidência da Petrobras com o discurso de "preços de mercado", mantendo a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrela o valor dos combustíveis no Brasil ao dólar e ao preço internacional do petróleo.

Em entrevistas e falas públicas, chegou a defender os reajustes, afirmando que a Petrobras não podia fazer política de subsídio e que sua missão era dar retorno aos acionistas.

Bolsonaro, inicialmente, dizia que ele "colocaria a Petrobras nos trilhos", mas depois o criticou por não conter os preços dos combustíveis, especialmente o diesel e a gasolina.

🧨 Queda e crise política

Foi demitido por Bolsonaro em março de 2022, após sucessivos aumentos nos combustíveis — sobretudo diante da pressão eleitoral e do impacto inflacionário.

Sua saída expôs o conflito entre o governo Bolsonaro e a própria política da Petrobras, que ele mesmo ajudou a preservar.

🎯 Curiosidade e contradição

Silva e Luna, um general indicado justamente por ser considerado "disciplinado" e "alinhado", acabou repetindo a política que Bolsonaro dizia combater, e por isso caiu em desgraça com os setores mais populistas do bolsonarismo.

Mesmo assim, durante sua gestão, a empresa teve lucros recordes e distribuiu bilhões em dividendos — o que foi motivo de orgulho entre militares ligados ao mercado financeiro, mas alvo de crítica entre caminhoneiros e trabalhadores.

Abaixo segue a linha do tempo dos presidentes da Petrobras no governo Bolsonaro, com destaque para o papel dos militares, os aumentos dos combustíveis e as tensões políticas. Após isso, apresento o texto formatado para publicação no blog "Olhos do Sertão", com título, subtítulo, e estilo reflexivo-crítico como você costuma usar.

🕰️ Linha do Tempo – Presidentes da Petrobras no Governo Bolsonaro (2019–2022)

Presidente

Período

Perfil

Motivo da saída

Destaques

Roberto Castello Branco

Jan 2019 – Fev 2021

Economista liberal, ligado a Paulo Guedes

Pressão de Bolsonaro por causa do aumento dos combustíveis

Defendia o Preço de Paridade de Importação (PPI); demitido após críticas públicas de Bolsonaro

Joaquim Silva e Luna

Abr 2021 – Mar 2022

General da reserva; ex-Ministro da Defesa

Manteve política de preços, não agradou a Bolsonaro

Foi defendido por militares e elogiado pelo mercado; lucros e dividendos recordes

José Mauro Coelho

Abr 2022 – Jun 2022

Técnico da área energética

Demitido após novo aumento do diesel

Ficou menos de 3 meses; sofreu forte pressão popular e política

Caio Paes de Andrade

Jun 2022 – Dez 2022

Administrador, homem de confiança de Paulo Guedes

Saiu com o fim do governo Bolsonaro

Teve perfil mais político, mas sem grande impacto no preço

 

O general que comandou a Petrobras: combustível caro, lucros altos e a farsa do populismo

Menos de um ano após substituir o economista Castello Branco na presidência da Petrobras, o general da reserva Joaquim Silva e Luna deixou a estatal do mesmo jeito que entrou: sem jamais contrariar os interesses do mercado financeiro, orgulhoso dos lucros bilionários da empresa, e com os combustíveis nas alturas.

No sertão, quando o preço do botijão explode, a conta não fecha no fogão. E o diesel caro afeta da roça ao caminhão. Mas no Planalto Central, o discurso era outro: “Não podemos fazer política de preços”. Essa frase não veio de um executivo neoliberal da Shell ou da Chevron, mas de um general brasileiro, que honrava a bandeira da paridade internacional e o dólar como totem da economia.

Joaquim Silva e Luna, ex-Ministro da Defesa de Michel Temer e presidente da Itaipu Binacional, foi alçado ao comando da Petrobras por Jair Bolsonaro em 2021, num gesto que visava “dar rumo” à política de combustíveis e agradar à base caminhoneira. Mas o tiro saiu pela culatra: o general manteve a mesma política de preços de seu antecessor, o tão criticado Castello Branco.

O Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrela o valor da gasolina, diesel e gás de cozinha ao dólar e ao barril internacional de petróleo, continuou fazendo sangrar o bolso do povo. O lucro da Petrobras cresceu, os dividendos explodiram, mas o Brasil ardeu nas bombas de gasolina.

O paradoxo foi escancarado: um governo com discurso "patriótico" entregava os combustíveis ao mercado externo, enquanto militares em cargos civis celebravam gráficos de rentabilidade enquanto as panelas esvaziavam. O capitão-presidente havia colocado um general no comando da Petrobras, mas não para cuidar do povo – e sim para cuidar dos acionistas.

Na dança das cadeiras da presidência da Petrobras, quatro nomes passaram pelo cargo entre 2019 e 2022: Castello Branco, Silva e Luna, José Mauro Coelho e Caio Paes de Andrade. Todos defenderam o mesmo modelo, todos caíram pela mesma razão: os preços aumentaram, e a pressão política não foi suficiente para mudar o rumo da estatal.

A lição é dura: militares fardados ou engravatados, quando aderem ao projeto de poder e lucro, não necessariamente representam soberania, muito menos compromisso com o povo. E a Petrobras, gigante do povo brasileiro, transformou-se temporariamente numa máquina de dividendos que não respeitava a mesa do trabalhador.

Talvez por isso, no sertão, se diga com desconfiança: "quando a farda sobe no preço e desce na bomba, o povo é quem paga o recuo da pátria."

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