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sábado, 5 de julho de 2025

A Profecia de Dilma e a maldição dos golpistas: do Golpe de 2016 à resistência popular em 2022, que elegeu Lula.

Em 2016, durante o processo de impeachment, a presidenta Dilma Rousseff alertou: o que estava em curso não era apenas uma manobra política, mas o início do desmonte do Estado brasileiro e dos direitos sociais conquistados com muito esforço. Seu aviso foi ignorado por muitos, mas o futuro tratou de confirmar a profecia. O Brasil mergulhou numa era de retrocesso, fome, desemprego e destruição de políticas públicas. O país voltou a figurar no Mapa da Fome, regrediu dez anos em desenvolvimento e assistiu à ascensão do extremismo político. A democracia sangrou.

O Golpe parlamentar e seus Articuladores

O impeachment de Dilma,  sem crime de responsabilidade comprovado, foi apenas o começo. Setores do Congresso, com apoio da elite econômica, da mídia corporativa e do capital financeiro, uniram-se para retomar o controle do orçamento público e frear os avanços das políticas sociais. Foi um golpe branco, parlamentar, jurídico, midiático, mas, acima de tudo, um golpe de classe.

Figuras centrais como Michel Temer, Aécio Neves, Eduardo Cunha e tantos outros se revelaram mais tarde envolvidos em escândalos de corrupção, gravações comprometedoras e derrotas eleitorais. A história os expôs. A chamada “maldição dos golpistas” foi real: prisões, cassações e ostracismo político.


O Avanço da barbárie e o negacionismo

Com o golpe consolidado, o caminho ficou livre para a ascensão de Jair Bolsonaro, eleito em 2018 com apoio de fake news, ataques à democracia, manipulação religiosa e antipetismo promovido pela grande mídia. Um político do baixo clero, expulso do Exército por indisciplina, com histórico de elogios à ditadura e defensor da tortura, chegou ao Palácio do Planalto.

Seu governo foi marcado por obscurantismo, militarização da máquina pública, destruição de políticas ambientais e sociais, ataques sistemáticos às universidades e à cultura. Durante a pandemia de COVID-19, mais de 700 mil brasileiros perderam a vida, muitos deles vítimas do negacionismo oficial, da aposta em medicamentos ineficazes e do boicote às vacinas. O país, literalmente, chorou seus mortos enquanto o governo fazia piada.

A Tentativa de golpe e o vale-tudo de 2022

Durante a campanha eleitoral de 2022, Bolsonaro fez uso descarado da máquina pública para tentar se perpetuar no poder. Usou a Caixa Econômica Federal para liberar bilhões em empréstimos consignados para beneficiários do antigo Bolsa Família, um verdadeiro estelionato eleitoral travestido de ajuda social. Taxistas e caminhoneiros foram agraciados com auxílios pontuais, e uma série de benesses foi distribuída às pressas em ano eleitoral.

No dia das eleições, houve operações da Polícia Rodoviária Federal para atrasar o transporte de eleitores no Nordeste, numa clara tentativa de impedir que a população mais pobre e majoritariamente favorável a Lula pudesse votar. Um aparato institucional foi mobilizado para fraudar, manipular ou dificultar a democracia.

Mas, contra tudo e contra todos, Lula venceu. Por uma margem estreita nos números, mas por uma margem gigantesca em significado. Foi uma vitória da democracia, da memória, da luta popular. Um verdadeiro milagre político, diante do vale-tudo bolsonarista.

Lula e o semi-presidencialismo de fato

Assumir o país, no entanto, foi encontrado um cenário de terra arrasada. O governo Lula se deparou com um Banco Central “autônomo”, mas sob o comando de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, que passou a sabotar a política econômica por meio de juros estratosféricos e narrativa inflacionária artificial. Enquanto isso, o Congresso Nacional, dominado pelo Centrão e suas emendas de relator, assumiu o controle do orçamento público, impondo uma espécie de semipresidencialismo informal.

Lula descobriu que havia herdado não apenas um país destruído, mas um sistema engessado, com a elite política, o sistema financeiro e as Forças Armadas ainda conspirando nos bastidores. O golpe não se limitou a 2016, ele foi reformatado, recodificado, continuado em outras instâncias. As Forças Armadas, mais uma vez, flertaram com o autoritarismo, e só recuaram, segundo fontes da diplomacia, após pressão dos Estados Unidos, que enviaram recado direto: se houvesse golpe, o Brasil seria sancionado.

Portanto, qualquer narrativa de “legalismo militar” é farsa. A institucionalidade só foi mantida porque o imperialismo americano não viu vantagem em um novo regime militar.

A luta atual: orçamento, justiça fiscal e resistência

Hoje, Lula luta para cumprir as promessas de campanha, como isentar do imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil e retomar políticas públicas como o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, o PAA e o Bolsa Família com recorte racial, de gênero e de classe. Mas enfrenta um Congresso capturado por lobbies e corporações.

Na última semana, as redes sociais foram tomadas por manifestações populares em favor da taxação dos super-ricos, dos fundos exclusivos, dos bancos e dos altos salários do serviço público, como forma de garantir justiça fiscal. Mas o Congresso resiste — não para proteger o povo, mas para proteger os milionários.

O dilema está posto: ou o país reencontra seu pacto democrático e popular, ou o abismo do autoritarismo continuará a rondar a República.

Epílogo: A profecia resiste

A profecia de Dilma se cumpriu, mas também permanece como farol. O Brasil ainda está sob os escombros do golpe, tentando se reerguer. Mas há resistência. Há povo. Há memória.

A luta não acabou. É preciso continuar denunciando, organizando, educando. O Brasil é maior do que seus algozes. E sua reconstrução virá não como milagre, mas como obra coletiva de um povo que, apesar de tudo, nunca desistiu de si mesmo.

 

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