A divulgação de
uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, nesta semana, acrescentou uma peça importante ao
quebra-cabeça da eleição para o Governo do Ceará. Até então, a pesquisa
RealTime Big Data, realizada entre 15 e 19 de agosto, mostrava Elmano e Ciro
empatados em 44%. O Ipsos-Ipec, com entrevistas realizadas entre 14 e 17 de
agosto, encontrou Ciro com 43% e Elmano com 35%.
São duas
pesquisas feitas praticamente no mesmo período, mas com resultados bastante
diferentes.
E é justamente
essa diferença que merece ser analisada com cuidado.
Há uma questão que merece ser acrescentada ao debate sobre a eleição
para o Governo do Ceará em 2026: como
transformar os percentuais das pesquisas em números concretos de votos?
Essa conta ajuda a compreender melhor o tamanho real da disputa.
E ajuda também a entender por que, em uma eleição fortemente polarizada
entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas, pequenas
mudanças no comportamento do eleitor podem produzir grandes alterações no
resultado final.
Antes de tudo: a eleição
será decidida no primeiro turno?
A
eleição para o Governo do Ceará começa a entrar em uma fase decisiva. Mas,
neste momento, mais importante do que escolher uma pesquisa e tratá-la como
verdade absoluta é compreender o que os diferentes levantamentos estão
captando, quais são suas diferenças metodológicas e quais forças políticas e
sociais podem aparecer com mais intensidade na reta final.
Em 20 de agosto de 2026, o cenário é de uma disputa aberta entre Ciro
Gomes e Elmano de Freitas.
As pesquisas mais recentes apresentam números bastante diferentes. O
Datafolha, realizado entre 10 e 12 de agosto, apontou Ciro com 52% e Elmano com
33% no primeiro turno. O Atlas/Focus, com campo entre 6 e 11 de agosto,
encontrou 49,3% para Ciro e 44,6% para Elmano. Já a RealTime Big Data, cujo
trabalho de campo ocorreu entre 15 e 19 de agosto, encontrou 44% para Ciro e
44% para Elmano.
A primeira conclusão é evidente: as pesquisas não estão contando
exatamente a mesma história.
O Bolsa Família é muito mais que um programa de transferência de renda. É uma política pública de combate à fome, à desigualdade e à exclusão social de um povo que historicamente foi marginalizado no Brasil. Foram mais de trezentos anos de escravidão, séculos de exploração e uma realidade em que milhões de brasileiros sobreviveram trabalhando apenas por um prato de comida, sem direitos, sem oportunidades e sem dignidade.
Por isso, quando alguém afirma que o Bolsa Família “torna o povo preguiçoso”, ignora completamente a história social do país e despreza a realidade de quem sempre lutou para sobreviver. A pobreza no Brasil nunca foi fruto da preguiça do povo. Foi consequência da concentração de renda, da desigualdade histórica e da ausência de oportunidades.
(no evento no Conjunto Ceará, Ciro evitou comentar sua aliança com Flávio Bolsonaro, preferiu como sempre destilar sua língua contra Lula, Elmano, Camilo e o próprio irmão - Cid, que um dia quase morreu assassinado)
Quem conhece a trajetória política de Ciro Gomes e acompanha a política cearense há décadas sabe que sua recente aliança com setores da direita e da extrema-direita no Ceará não chega a ser exatamente uma surpresa.
Em 2021, escrevi no blog Olhos do Sertão sobre essa característica de Ciro de alternar ataques duros e gestos de aproximação política conforme as conveniências do momento. O episódio mais simbólico talvez tenha sido relatado pelo próprio Antônio Carlos Magalhães, o ACM, ao recordar que, depois de ser duramente criticado por Ciro, recebeu dele um gesto público de afago durante uma visita à Bahia, quando Ciro beijou sua mão para agradar os baianos.
O caso foi amplamente repercutido pela imprensa e ilustra um comportamento político marcado por alianças fluidas, rupturas frequentes e mudanças constantes de posicionamento. Reportagens publicadas pelo UOL Notícias e pelo Estadão resgataram episódios dessa relação ambígua entre ataques públicos e reaproximações políticas promovidas por Ciro ao longo da carreira.
Resposta do ACM: “Ciro Gomes é o próprio galinheiro”
Ao longo da vida pública, Ciro transitou por diversos partidos e campos ideológicos. Nos anos 1990, quando estava no PSDB, adotava um discurso liberal alinhado ao receituário neoliberal predominante na época. Defendia privatizações, criticava bancos públicos, atacava movimentos grevistas e chegou a chamar Leonel Brizola de “suprassumo do atraso”. Mais tarde, aproximou-se do campo trabalhista e passou a construir uma imagem de nacional-desenvolvimentista. Essa capacidade de mudar de discurso conforme o contexto faz com que muitos enxerguem em Ciro uma figura politicamente moldável, capaz de se adaptar ao ambiente político que lhe seja mais conveniente.
Em 2010 fez o seguinte comentário sobreo Aécio, o político que um dia ameaçou matar o primo para evitar deleção.
Na avaliação de muitos observadores da política brasileira, Ciro desperdiçou oportunidades importantes de chegar à Presidência da República. A primeira ocorreu durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como ministro da Integração Nacional, Ciro desempenhava um papel relevante e tinha prestígio dentro do governo. Porém, em 2006, decidiu deixar o ministério para disputar mandato de deputado federal pelo Ceará. Segundo relatos políticos conhecidos da época, Lula teria sugerido que ele permanecesse no governo e escolhesse outro espaço na Esplanada, demonstrando apreço pessoal e político por ele. Ciro, entretanto, apostou em outro caminho político. Nos anos seguintes, enquanto Dilma Rousseff se consolidava como sucessora de Lula, Ciro acabou sem protagonismo nacional, passando pela Câmara Federal sem grande destaque legislativo.
Brasil
envia generais para a China: um gesto inédito na diplomacia militar brasileira
A
notícia divulgada pela Sputnik Brasil no dia 11 de agosto marca um movimento
histórico na política externa brasileira: até o final deste ano, o Brasil
enviará dois adidos militares com patente de general ou equivalente para a
embaixada em Pequim. Até então, essa distinção só era concedida à embaixada
brasileira em Washington, centro histórico da cooperação militar e diplomática
com os Estados Unidos.
Do golpe de 2016 ao sequestro da Câmara: um fio que não se rompe
A história política recente do Brasil pode ser lida como uma linha
contínua de eventos conectados por um mesmo objetivo: o controle da opinião
pública e das instituições. Como observou o jornalista Janio de Freitas, o
golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, a operação Lava Jato, a prisão do
ex-presidente Lula e a candidatura de Jair Bolsonaro formam um conjunto
articulado. Essa articulação contou com o apoio e financiamento de institutos liberais,
empresas e até do governo dos Estados Unidos, criando o terreno fértil para o
avanço de uma agenda de retrocessos políticos, econômicos e sociais.
O golpe parlamentar de 2016 abriu caminho para a criminalização seletiva
da política e para uma ofensiva judicial e midiática sem precedentes. A Lava
Jato, hoje desmoralizada por suas ilegalidades, foi peça-chave nesse processo,
ajudando a inviabilizar a candidatura de Lula em 2018 e facilitando a ascensão
de Bolsonaro ao poder. Ao mesmo tempo, um trabalho persistente de manipulação
da opinião pública, potencializado pelas redes sociais, consolidou uma base de
extrema-direita disposta a desafiar o próprio Estado Democrático de Direito.
Os ecos dessa trajetória ressoam até hoje. No dia 8 de agosto de 2025, um
grupo de 14 deputados federais sequestrou, simbolicamente, a Câmara dos
Deputados. Ao impedir o presidente interino, Hugo Motta, de exercer suas
funções e paralisar as votações, esses parlamentares buscavam pressionar pela
anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A manobra,
descrita por muitos como um “sequestro” do Congresso, revela o medo dessa ala
radical de ver seus aliados julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
O episódio não é um fato isolado: ele se insere numa cadeia de acontecimentos
que, desde 2016, fragilizam as instituições e colocam em xeque o pacto
democrático. O que começou como um ataque político-midiático contra um governo
eleito se transformou numa disputa aberta pelo controle das regras do jogo e
pela impunidade de quem tenta subverter a democracia.
Se o país não romper esse fio histórico, corre o risco de ver a
democracia sendo corroída não apenas por golpes declarados, mas também por
ações silenciosas, articuladas e repetidas, cada uma pavimentando o caminho para
a próxima.
Por fim, Bob Fernandes traz um prontuário de cada deputado e deputada, o que interessante observar no vídeo. Incrível a ficha corrida de cada deputado e deputada no roubou das emendas secretas. Por isso, estes deputados (as) querem acabar com o foro privilegiado para que possam ser jugados na primeira instância de seus estados onde têm mais chances de "jogo".
1. Envolvimento
militar na tentativa de golpe entre 2022 e 2023
Há diversas
evidências e investigações em curso que apontam o envolvimento direto de militares
da ativa e da reserva, de altas e baixas patentes, na tentativa de golpe de
Estado que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da
Silva após as eleições de 2022.
A
Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro identificaram:
Mário
Schenberg, Dalton Ellery, Almirante Othon e o Brasil que pensa com cabeça
própria
Menos
de 1% dos brasileiros sabe quem foi Mário Schenberg. E menos ainda sabem que
ele foi um dos maiores físicos teóricos do século XX, respeitado por Einstein,
Fermi e George Gamow¹, e que nasceu em Recife, Pernambuco, em 2 de julho de
1914². Em tempos em que celebramos cientistas de outros países, esquecemos dos
nossos próprios gigantes, como Dalton Ellery Girão Barroso, físico cearense,
referência nacional em segurança e tecnologia nuclear, e peça-chave no
desenvolvimento autônomo do setor no Brasil.
O vídeo que estou analisando levanta pontos
importantes da atual conjuntura geopolítica e destaca com clareza o papel do
Brasil dentro desse tabuleiro em transformação, principalmente sob o governo
Lula e em um cenário do retorno desastroso de Trump à presidência dos EUA.
Abaixo, sintetizo e organizo os principais pontos em
destaque, com comentários críticos e observações analíticas, a partir de pontos
que considero importantes
Trump e a tentativa de mudança de regime no Brasil
O vídeo sugere que Trump busca derrubar Lula e
implantar um regime cliente, governado por um presidente fantoche,
provavelmente alinhado aos interesses geopolíticos dos EUA.
Tarifas,
chantagens, pressão militar e guerra de narrativas: por que o Brasil se tornou
alvo direto da ofensiva geopolítica dos EUA? Qual o papel de Donald Trump e do
trumpismo nesse novo cenário? E como isso se conecta à luta contra o BRICS e à
tentativa de frear a ascensão de uma potência do Sul Global?
O
velho fantasma do “Quintal”
A ideia
de que a América Latina e o Brasil seriam o “quintal dos Estados Unidos” não é
nova. Ela remonta à Doutrina Monroe (1823), com o lema “A América para os
americanos”, que na prática significava: “a América sob influência dos EUA”.
Desde então, golpes, intervenções, bloqueios e chantagens passaram a fazer
parte do repertório usado para manter essa hegemonia.
O
Brasil, como maior país da região, sempre foi visto com especial atenção: grande
demais para ignorar, estratégico demais para ser livre.
Soberania,
Verdade e Tempo Histórico: análise do pronunciamento Lula da Silva à luz de
Bourdieu e Boaventura de Sousa Santos
O
presente ensaio analisa o pronunciamento do presidente do Brasil frente à
imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, à luz das teorias do
poder simbólico de Pierre Bourdieu e da gramática do tempo de Boaventura de
Sousa Santos. Identificamos como o discurso não apenas responde à conjuntura
internacional, mas também constrói uma narrativa simbólica sobre soberania,
verdade e futuro. Trata-se de uma resposta discursiva que disputa sentidos no
campo político global e nacional, reorganizando temporalidades e produzindo
alianças imaginadas.
A Terceira Guerra Mundial já começou, diz
o pesquisador russo Dmitry Trenin
Aos olhos do Ocidente, a Rússia deve ser
destruída. Isso não nos deixa escolha.
A estratégia dos EUA e seus proxys da
EUROPA e em outras partes do mundo, é uma guerra sangrenta, longa, de grande
atrito.
Dmitry Trenin diz: não há caminho de
volta, mas também há paz à frente.
Dmitri Trenin, ICDS, Rússia. Foto
cortesia: ICDS
Dmitry
Trenin, professor de pesquisa russo na Escola Superior de Economia e principal
pesquisador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais – e
membro do Conselho Russo de Assuntos Internacionais (RIAC) – argumenta que esta
guerra já começou, e que o Ocidente pretende destruir a Rússia. Escrevendo para
a RT, ele observa que, para a Rússia, o período pré-guerra terminou em 2014;
para a China, era 2017; e para o Irã, 2023. Desde então, o conflito moderno e
difuso só se intensificou. Não é uma nova Guerra Fria. Desde 2022, a campanha
do Ocidente contra a Rússia tornou-se mais decisiva, com o risco de confronto
nuclear direto com a OTAN crescendo. Embora o retorno de Donald Trump à Casa
Branca tenha oferecido brevemente uma janela para evitar a escalada, em meados
dos falcões de 2025 euros nos EUA e na Europa Ocidental levaram o mundo
imediatamente a fechar novamente.
Brasil
renasce entre as maiores economias do mundo: crescimento com dignidade e
redistribuição de renda, o que cria oportunidades de desenvolvimento de nosso
povo e do país.
Em
2025, o Brasil voltou a ocupar o 7º lugar entre as maiores economias do mundo
por Paridade de Poder de Compra (PPC). Esse dado, que pode parecer apenas
estatístico, carrega consigo uma verdade profunda: o país voltou a crescer com
dignidade, distribuição de renda e respeito à vida humana.
Há
poucos anos no governo da família Bolsonaro e aliados da direita e
extrema-direta, imagens de brasileiros catando ossos e carcaças em lixões de
frigoríficos correram o mundo. Eram os retratos cruéis da miséria extrema, do
abandono social, da fome institucionalizada. Hoje, essas imagens dão lugar a
outras: crianças voltando à escola com merenda no prato, trabalhadores com
carteira assinada, e famílias recuperando a capacidade de planejar o futuro.
Isso não é acaso, é projeto de país.
Os bastidores da política externa dos EUA e a submissão da Europa
Por Luis Moreira de Oliveira Filho
“A guerra é a continuação da política por outros meios.” –
Carl von Clausewitz
Vivemos uma era de guerras encobertas por discursos
democráticos e promessas de paz. A guerra na Ucrânia, travada com sangue
europeu e armamento norte-americano, talvez seja o maior exemplo daquilo que o
analista Brian Berletic chama de “guerra por procuração”. Em entrevista ao
jornalista Glenn Greenwald, Berletic desconstrói os discursos oficiais que
cercam o conflito e revela os bastidores de uma política externa imperialista,
que se traveste de diplomacia, mas age pela força, pela sabotagem e pelo domínio.
O
vídeo “Exclusivo, documentos: como instituições dos EUA articularam/financiaram
avanço neoliberal no Brasil” (disponível em YouTube)
apresenta uma investigação jornalística com base em documentos inéditos,
revelando como instituições governamentais e privadas dos EUA influenciaram a
política econômica brasileira, especialmente nas décadas de 1990 e 2000.
Esse
vídeo apresenta documentos inéditos que mostram como instituições
estadunidenses, como o World Bank, o Fundo Monetário Internacional, o Departamento
do Tesouro e agências como a USAID, além de fundações como a Atlas Network e o NED,
articularam e financiaram o avanço do neoliberalismo no Brasil. Aqui está uma
análise aprofundada:
Trecho
1: O papel da Atlas Network
“A
Atlas Network financiou dezenas de think tanks no Brasil que atuaram na propagação
das ideias neoliberais.”
A Atlas Network é uma organização internacional baseada nos EUA que promove
políticas de livre mercado. No Brasil, ela financia instituições como o
Instituto Liberal, o Instituto Millenium e o Instituto de Estudos Empresariais,
que foram fundamentais para moldar a opinião pública contra políticas estatais
e em favor de privatizações e reformas trabalhistas e previdenciárias
Trecho
2: Empréstimos com condicionalidades
“O
Banco Mundial emprestou bilhões ao Brasil para a educação e infraestrutura, com
a condição de implementar reformas de orientação neoliberal.”
O
Banco Mundial e o FMI aplicaram condicionalidades nos empréstimos, exigindo
reformas como abertura de mercado, redução do Estado, reforma da previdência e
privatizações. Isso ocorreu fortemente nos anos FHC, mas também impactou
governos posteriores, como os de Lula e Dilma, em negociações mais sutis.
Trecho
3: Formação de lideranças
“Organizações
financiadas pelos EUA realizaram cursos e eventos para formar jovens lideranças
pró-mercado no Brasil.”
Diversos programas de formação, como os oferecidos pelo IFL (Instituto de
Formação de Líderes) e pela própria Atlas, têm o objetivo de formar lideranças
empresariais e políticas alinhadas com o pensamento liberal, muitas das quais
hoje estão no Congresso ou na mídia empresarial.
Trecho 4: Estratégias de guerra cultural
“A
guerra cultural e a crítica ao ‘marxismo cultural’ foram parte do plano de
inserção ideológica no Brasil.”
Financiadores ligados à extrema-direita americana (como os irmãos Koch) atuaram
também na propagação de narrativas como ‘escola sem partido’, anticomunismo e
revisionismo histórico, buscando deslegitimar movimentos sociais e
universidades públicas.
Trecho
5: Agentes locais da influência
“Instituições
como o MBL, o Instituto Liberal e o Millenium foram identificadas como
principais receptores de apoio indireto via fundações e consultorias.”
O MBL e outros grupos de nova direita surgiram com apoio logístico e ideológico
dessas redes, utilizando-se de redes sociais, cursos de formação e
financiamento indireto (como via convênios com ONGs estrangeiras ou
consultorias ligadas a empresas internacionais
Brasil entre potências: soberania, comércio e a nova
geopolítica Sul-Sul
1. Um tarifaço, muitas consequências
A ameaça de Donald Trump de impor tarifas de até 50%
sobre produtos brasileiros teve um efeito colateral inesperado: recolocou o
debate sobre soberania econômica e alianças geopolíticas no centro da política
nacional.
Ao contrário do que esperavam os setores submissos ao
trumpismo, o presidente Lula respondeu com altivez:
“O Brasil pode sobreviver sem comércio com os EUA e
vai recorrer a outros parceiros para substituí-lo.”
A fala é mais que retórica. Ela expressa uma mudança
de eixo na política externa brasileira e um reconhecimento do que os números
já indicam há anos: o Brasil é hoje muito mais parceiro da China do que dos
Estados Unidos.
2. Os números
não mentem: China é o principal parceiro comercial do Brasil
Segundo dados divulgados pela Econovis e citados pela
Bloomberg:
Em 2024, o comércio total de bens entre Brasil e EUA
foi de US$ 92 bilhões.
Os EUA exportaram US$ 50 bi e importaram US$ 42 bi.
Resultado: superávit de US$ 7 bilhões para os EUA.
No mesmo período, o comércio entre Brasil e China foi
de US$ 188 bilhões.
A China exportou US$ 72 bi e importou US$ 116 bi.
Resultado: déficit de US$ 44 bilhões para a China, ou
seja, superávit para o Brasil.
Em outras palavras, a China compra muito mais do
Brasil do que vende, ao passo que os EUA fazem o contrário. Isso mostra
claramente quem contribui para a industrialização brasileira e quem se
beneficia da nossa desindustrialização.
Soberania Aérea e Dependência Tecnológica: a Embraer, o Brasil e
o Desafio da Autonomia na Indústria Aeronáutica
Em um mundo marcado pela disputa tecnológica e pelo reposicionamento
geopolítico, o setor aeronáutico emerge como um campo estratégico de soberania.
A exemplo da Rússia, que busca produzir aviões 100% nacionais, o Brasil,
através da Embraer, se depara com o desafio de reduzir sua dependência de
componentes estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos. Este artigo analisa
as possibilidades e limitações da indústria aeronáutica brasileira diante de
possíveis sanções internacionais, discute a cadeia de produção da Embraer, e
propõe caminhos para uma estratégia de autossuficiência nacional.
1. Introdução
A indústria aeronáutica é uma das mais complexas e tecnologicamente
exigentes do mundo. Seu controle representa não apenas poder econômico, mas
também soberania estratégica. A dependência de motores, aviônicos, softwares e
certificações internacionais coloca países em situação de vulnerabilidade. O
recente movimento da Rússia de produzir aviões com 100% de conteúdo nacional,
como resposta às sanções ocidentais, reacende o debate: e o Brasil, estaria
preparado para enfrentar algo semelhante?