1. Tese central do vídeo
Ben Norton sustenta que a
política dos EUA contra a Venezuela não
depende do presidente ou do partido no poder,
mas expressa uma estratégia
estrutural e de longo prazo
de manutenção da hegemonia dos EUA no Hemisfério
Ocidental.
Segundo ele, as justificativas mudam (democracia,
segurança nacional, drogas, direitos humanos), mas o
objetivo permanece o mesmo: contenção, controle ou mudança de
regime.
2. Continuidade histórica da política externa dos EUA
Um ponto forte da análise é mostrar que:
Obama classificou a Venezuela como “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional”.
Trump intensificou sanções, tentou isolamento diplomático e adotou a narrativa do narcotráfico.
Biden manteve sanções estruturais, mesmo ajustando o discurso.
Para Norton, isso evidencia
continuidade
estratégica, não
ruptura.
A Venezuela se encaixa no padrão histórico de
intervenções dos EUA na América Latina (Chile, Nicarágua, Cuba,
Guatemala, Honduras).
3. O papel do petróleo venezuelano
O vídeo enfatiza que a Venezuela:
Possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo
Nacionalizou recursos estratégicos
Rompeu com o modelo de submissão às grandes petrolíferas internacionais
Segundo Norton:
O problema não é a escassez de petróleo, mas quem controla esse petróleo.
A soberania sobre recursos naturais entra em choque direto com interesses corporativos e geopolíticos dos EUA.
Ponto-chave: Países que controlam seus recursos e não se alinham automaticamente a Washington tendem a sofrer pressão, sanções ou isolamento.
4. A influência da política interna dos EUA (Miami/Flórida)
Um dos argumentos mais relevantes do vídeo é o peso da política doméstica:
Grupos antichavistas, anticubanos e antissandinistas sediados em Miami
Forte influência eleitoral no estado da Flórida
Ligação direta com:
Lobby do petróleo
Think tanks
Setores do Partido Republicano e Democrata
A política externa vira instrumento de disputa eleitoral interna, não de segurança internacional real.
5. A retórica das “drogas” como nova justificativa
Ben Norton argumenta que:
A acusação de “narco-Estado” contra a Venezuela carece de base empírica sólida
Países aliados dos EUA, com histórico comprovado de narcotráfico, não recebem o mesmo tratamento
Isso revela um padrão:
Quando a justificativa anterior perde força, cria-se outra narrativa moral ou criminal para sustentar a mesma política.
6. A China como fator decisivo
O vídeo destaca que a presença crescente da China na América Latina é hoje um fator central de preocupação para Washington:
Investimentos em infraestrutura
Acordos energéticos
Parcerias financeiras sem condicionalidades políticas
Para os EUA:
Isso ameaça sua posição histórica de dominância regional
A Venezuela se torna símbolo de um mundo multipolar em ascensão
Assim, a pressão sobre Caracas também é uma mensagem indireta a outros países latino-americanos.
7. Crítica implícita à “ordem internacional baseada em regras”
Embora não seja o foco explícito, o vídeo sugere que:
As “regras” são aplicadas seletivamente
Sanções econômicas funcionam como armas políticas
O direito internacional é frequentemente subordinado aos interesses das grandes potências
8. Pontos fortes da análise de Ben Norton
✔ Contextualização histórica
sólida
✔ Articulação entre política externa e interesses
econômicos
✔ Exposição do papel da política doméstica dos
EUA
✔ Leitura clara da disputa EUA × China na América Latina
Conclusão
O vídeo defende que a Venezuela é alvo não por ser uma ameaça real, mas por representar:
Um projeto de soberania energética
Um desafio simbólico à hegemonia dos EUA
Um ponto de articulação com potências emergentes como a China
Em síntese, Ben Norton mostra que:
O problema da Venezuela não é o que ela faz, mas o que ela representa.
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