Abaixo apresento um novo texto político-analítico, de fôlego
interpretativo e caráter denunciatório, ancorado na fala do empresário Pih como
dispositivo central para evidenciar a alta traição do bolsonarismo à pátria
brasileira, com referências ao pensamento soberanista de Moniz Bandeira, Samuel
Pinheiro Guimarães, Darcy Ribeiro e ao poder simbólico de Pierre Bourdieu, que
ajuda a interpretar o sequestro ideológico da bandeira, do hino e dos símbolos
nacionais pela extrema-direita.
Alta Traição à Pátria: o Bolsonarismo e a entrega do Brasil ao
imperialismo de Trump
“Decisão do presidente Trump foi estimulada e arquitetada por Jair
Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro que, dessa forma, praticam alta traição à
pátria.” Pih, um dos empresários mais respeitados do Brasil
No centro da nova ofensiva de Donald Trump contra o Brasil, por meio do
chamado tarifaço que atinge diretamente nossa indústria e nossa agricultura —
não está apenas uma disputa comercial. Há uma trama geopolítica de submissão,
articulada dentro do próprio território brasileiro, com ajuda interna e
deliberada de Jair Bolsonaro e seu clã político, conforme denuncia o empresário
e industrial Pih. Trata-se de um caso exemplar de traição nacional, arquitetada
por aqueles que, ironicamente, empunham a bandeira e gritam “pátria” em nome do
entreguismo.
Esse tipo de comportamento, que Moniz Bandeira classificaria como “aliança subordinada ao império”, revela o verdadeiro conteúdo do falso nacionalismo bolsonarista: servilismo ao capital estrangeiro, destruição da capacidade nacional de planejamento, entrega dos recursos estratégicos e corrosão dos símbolos pátrios.
O poder simbólico do falso patriotismo
Como já denunciava Pierre Bourdieu, o poder simbólico é a capacidade de
impor uma visão legítima do mundo. O bolsonarismo, ao empunhar a bandeira
verde-amarela, vestiu-se de patriotismo para, ao mesmo tempo, vender o país em
fatias: o pré-sal, os bancos públicos, a Petrobras, a Embraer, a Base de
Alcântara, os Correios, os direitos trabalhistas e o sistema previdenciário.
Tudo entregue sob o discurso vazio de “Deus, pátria e família”, que serviu para
mascarar interesses privados, obscuros e antinacionais.
Esse uso fraudulento da simbologia nacional é o que Bourdieu chamaria de
violência simbólica consentida: o povo é levado a acreditar que está defendendo
o Brasil, quando na verdade está aplaudindo sua própria desintegração como
nação.
A traição em três atos
1. Submissão geopolítica ativa:
A articulação do bolsonarismo com Trump, inclusive a cena patética do
boné MAGA (“Make America Great Again”) usado por Tarcísio de Freitas, mostra
que o objetivo sempre foi alinhar o Brasil aos interesses da extrema-direita
norte-americana, ainda que isso significasse romper com os BRICS, enfraquecer a
soberania nacional e bloquear acordos comerciais alternativos.
2. Ataque à indústria nacional:
A taxação norte-americana afeta diretamente setores estratégicos da
economia brasileira, como o aço, o alumínio, a agricultura e até a tecnologia
militar. Essa sabotagem externa só foi possível porque contou com cumplicidade
interna, em especial dos filhos de Bolsonaro e de figuras ligadas ao mercado
financeiro global.
3. Desmonte simbólico da Nação:
Ao transformar a bandeira do Brasil em uniforme de ataque às
instituições democráticas, o bolsonarismo retirou da esquerda, dos movimentos
sociais e do povo comum o direito de representar a pátria. Tentou sequestrar os
símbolos nacionais para convertê-los em signos de ódio, intolerância e
submissão.
Um novo patriotismo precisa nascer
Diante desse cenário, o Brasil precisa recuperar o sentido histórico,
progressista e emancipador de patriotismo. Como ensinava Darcy Ribeiro, a
pátria é o povo, não os donos do capital. E como advertia Samuel Pinheiro
Guimarães, só há soberania quando há capacidade de decisão interna sobre os
nossos recursos, tecnologias, territórios e destinos.
O que o bolsonarismo cometeu, com sua aproximação ativa ao
trumpismo e sua sabotagem dos interesses nacionais, não é apenas um erro
político. É uma traição histórica, moral e estratégica. É alta traição à
pátria.
Conclusão: pátria não é boné, é projeto de Nação
Não podemos aceitar que os mesmos que venderam o Brasil como balcão de
negócios, agora se apresentem como patriotas. O verdadeiro patriotismo não
veste uniforme de campanha fascista, não destrói a floresta amazônica, não
submete a diplomacia nacional a outra nação. A verdadeira lealdade à pátria é
lealdade ao povo brasileiro, aos seus direitos, às suas riquezas, à sua
soberania, à sua história.
É hora de um novo pacto patriótico. Um patriotismo plural, social,
popular, soberano. Um projeto de nação que liberte o Brasil das amarras
coloniais, internas e externas e o coloque no lugar que
lhe pertence: o de protagonista altivo e solidário de um mundo multipolar e
democrático.
Referências
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Formação do Império Americano. Civilização
Brasileira, 2005.
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. A Segunda Guerra Fria. Civilização
Brasileira, 2013.
BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Bertrand Brasil, 1989.
DARCY RIBEIRO. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil.
Companhia das Letras, 1995.
GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes.
Contraponto, 2006.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A Gramática do Tempo. Cortez, 2006
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