Ataques ao Irã, BRICS e a tentativa de conter a multipolaridade
Os recentes ataques
dos Estados Unidos e Israel ao Irã não foram apenas uma demonstração de força
militar. Para o economista e professor Elias Jabbour,
trata-se de algo muito mais profundo: uma tentativa deliberada de desestabilizar o BRICS e conter o avanço da ordem
multipolar liderada por países do Sul Global.
“O alvo real não era
o Irã era o BRICS”, afirmou Jabbour em entrevista à Sputnik Brasil.
Brasil
entre a soberania e a submissão
Em meio a esse
cenário, o ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Paulo Nogueira Batista Jr., fez um alerta contundente:
"O Brasil tem vários laços com o Ocidente,
mas ele só será parte do Ocidente político se nós aceitarmos servir à mesa e não participar do jantar."
Essa metáfora
revela o dilema central da política externa brasileira: ser protagonista em um mundo multipolar ou aceitar um lugar subalterno no
projeto geopolítico do Atlântico Norte.
Lula:
Mercosul como escudo
O presidente Lula reforçou essa visão ao rebater críticas do argentino
Javier Milei e reafirmar o papel do Mercosul como escudo
regional contra guerras comerciais, instabilidade global e
imposições externas.
“O Mercosul é mais do que um acordo econômico. É
proteção estratégica.”
O mito do
"livre mercado"
Outro ponto
destacado pelos analistas do painel foi a crítica ao conceito de “livre mercado
global”. Economistas entrevistados pela Sputnik foram unânimes:
“O livre mercado sempre foi um mito. Os
mecanismos ditos liberais serviram, historicamente, para manter a predominância
dos EUA e seus aliados, marginalizando os países do Sul.”
Essa falsa promessa
de liberdade econômica tem sido, na prática, um
sistema de controle e subordinação geopolítica disfarçado de neutralidade
econômica.
O que está em jogo
Não estamos falando
apenas de alianças internacionais ou acordos comerciais. O que está em jogo é o
modelo de desenvolvimento do Brasil,
sua autonomia tecnológica, sua capacidade de decidir os próprios rumos.
É por isso que
enfraquecer o BRICS interessa tanto às potências hegemônicas. Um BRICS forte
significa:
·
Menos dependência do dólar
e de instituições como FMI e Banco Mundial;
·
Cooperação Sul-Sul real,
com transferência de tecnologia e infraestrutura;
·
Financiamento de
reindustrialização verde, soberana e digital;
·
Poder de barganha
geopolítica em um mundo em reconfiguração.
O Brasil precisa escolher seu lugar no mundo
Diante disso, a
pergunta é inevitável:
Vamos continuar servindo à mesa, enquanto os outros
jantam?
Ou vamos ousar sentar como iguais, ao lado de China, Rússia, Índia, Irã,
África do Sul e tantos outros países que não aceitam mais serem periféricos?
O tempo de ilusões
liberais acabou. A disputa agora é econômica, política,
tecnológica e civilizacional.
E como disse Lula
em alto e bom som:
“Só seremos parte
do Ocidente político se aceitarmos ser servos. E nós não aceitamos.”
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