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domingo, 6 de julho de 2025

💣 A República das Emendas: do golpe de 2016 ao Congresso da impunidade

Por Luis Moreira de Oliveira Filho

Enquanto o Brasil sangra com desigualdade, desinformação e destruição institucional, o Congresso Nacional se afunda num oceano de corrupção bilionária. A recente revelação de que o capitão Guilherme Derrite, ex-ROTA e atual secretário de Segurança de São Paulo, está construindo uma mansão de R$ 3 milhões apenas ilustra a podridão generalizada. Derrite, que se notabilizou pela frase “eu matei muito ladrão”, parece ter trocado o fuzil pelo orçamento público — agora manipulado às sombras.

Mas ele não é um caso isolado. Segundo Bob Fernandes, mais de 130 parlamentares estão sendo investigados por envolvimento no esquema das emendas parlamentares e do famigerado “orçamento secreto”, que já movimentou mais de R$ 200 bilhões em repasses sem transparência, sem controle e sem justiça.

Corrupção legalizada: a institucionalização do assalto ao Estado

O mais grave é que esse roubo não é feito nas sombras: é institucionalizado, documentado, garantido por leis e votações que o próprio Congresso aprovou — como foi o caso das emendas impositivas, defendidas por Eduardo Cunha e aprovadas com o voto de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro em março de 2015, ainda no governo Dilma Rousseff, que tentou resistir.

Naquele momento, a intenção era clara: derrubar Dilma e destruir o PT, para em seu lugar instaurar uma cleptocracia parlamentar, que usa emendas para comprar apoio, silenciar opositores e enriquecer a si mesma. Como disse Bob Fernandes, as emendas impositivas foram o começo da caverna de Ali Babá — um Congresso de ladrões “legalizados”.


Ricos protegidos, pobres penalizados

O mesmo Congresso que saqueia o Estado vetou a taxação do IOF sobre bilionários, proposta para compensar a redução de imposto de renda de quem ganha até R$ 7 mil. Em outras palavras: protegemos quem tem demais e sacrificamos quem tem de menos.

Enquanto isso, eles preparam o aumento do número de deputados federais — de 513 para 531, o que pode gerar um impacto de R$ 845 milhões por ano, sem contar os reflexos nas Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais. Um verdadeiro sistema de castas políticas pago com o suor da classe trabalhadora.

O Exército da submissão e a Amazônia não é mais nossa?

No mesmo vídeo, Bob Fernandes expõe uma questão ainda mais grave: a subordinação do Exército Brasileiro aos interesses dos EUA, revelada em declarações como as da general americana do Comando Sul, que destacou:

“Temos 60% do lítio no triângulo formado por Argentina, Bolívia e Chile; temos as reservas de petróleo leve na Guiana, os recursos da Venezuela, a Amazônia, 31% da água doce do planeta...”

E qual foi a resposta de Bolsonaro e seus generais? Entregar. O próprio ex-presidente disse em vídeo:

“A Amazônia não é mais nossa. Já me reuni com embaixadores, a Argentina achava que as Malvinas eram deles, e perderam. Quem diz que a Amazônia é nossa não tem cultura.”

Esse governo de generais — submissos, entreguistas, e intelectualmente despreparados — revelou um Exército mais preocupado em proteger privilégios do que soberania nacional. Como não lembrar do silêncio diante das queimadas, da destruição de povos originários e da conivência com os crimes de garimpeiros ilegais?

O Brasil colonizado pelo algoritmo

O vídeo de Bob Fernandes vai além. Ele denuncia como as big techs estão se tornando ferramentas de dominação e controle, substituindo os trabalhadores por "empreendedores precários" e monitorando cidadãos para interesses externos.

Uber, Amazon, iFood e tantas outras plataformas vendem a ilusão de liberdade, enquanto retiram direitos e colocam os algoritmos no controle da vida. Estamos diante de uma nova forma de colonialismo: a inteligência artificial como ferramenta de alienação coletiva, empobrecendo o vocabulário, achatando o pensamento e alimentando a máquina de desinformação.

Conclusão: ou enfrentamos, ou afundamos

O que vivemos hoje é o chorume do golpe de 2016, iniciado com as emendas impositivas, consolidado no impeachment fraudulento, e que abriu caminho para a extrema direita fascista que hoje tenta anistiar golpistas, blindar corruptos e entregar nossas riquezas.

A pergunta não é mais “quando tudo começou?”, mas sim: até quando suportaremos?

A reconstrução do Brasil exige:

Enfrentar o Congresso fisiológico e corrupto;

Revisar o papel das Forças Armadas;

Romper com a submissão às big techs e aos interesses estrangeiros;

Proteger as riquezas naturais e o povo trabalhador.

Ou fazemos isso agora ou seremos apenas mais um povo colonizado, empobrecido e manipulado.

 

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