Por Luis Moreira de Oliveira Filho
Enquanto o Brasil sangra com desigualdade, desinformação e
destruição institucional, o Congresso Nacional se afunda num oceano de
corrupção bilionária. A recente revelação de que o capitão Guilherme Derrite,
ex-ROTA e atual secretário de Segurança de São Paulo, está construindo uma mansão
de R$ 3 milhões apenas ilustra a podridão generalizada. Derrite, que se
notabilizou pela frase “eu matei muito ladrão”, parece ter trocado o fuzil pelo
orçamento público — agora manipulado às sombras.
Mas ele não é um caso isolado. Segundo Bob Fernandes, mais de
130 parlamentares estão sendo investigados por envolvimento no esquema das
emendas parlamentares e do famigerado “orçamento secreto”, que já movimentou
mais de R$ 200 bilhões em repasses sem transparência, sem controle e sem
justiça.
Corrupção legalizada: a
institucionalização do assalto ao Estado
O mais grave é que esse roubo não é feito nas sombras: é
institucionalizado, documentado, garantido por leis e votações que o próprio
Congresso aprovou — como foi o caso das emendas impositivas, defendidas por Eduardo
Cunha e aprovadas com o voto de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro em março de
2015, ainda no governo Dilma Rousseff, que tentou resistir.
Naquele momento, a intenção era clara: derrubar Dilma e
destruir o PT, para em seu lugar instaurar uma cleptocracia parlamentar, que
usa emendas para comprar apoio, silenciar opositores e enriquecer a si mesma.
Como disse Bob Fernandes, as emendas impositivas foram o começo da caverna de
Ali Babá — um Congresso de ladrões “legalizados”.
Ricos protegidos,
pobres penalizados
O mesmo Congresso que saqueia o Estado vetou a taxação do IOF
sobre bilionários, proposta para compensar a redução de imposto de renda de
quem ganha até R$ 7 mil. Em outras palavras: protegemos quem tem demais e
sacrificamos quem tem de menos.
Enquanto isso, eles preparam o aumento do número de deputados
federais — de 513 para 531, o que pode gerar um impacto de R$ 845 milhões por
ano, sem contar os reflexos nas Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais. Um
verdadeiro sistema de castas políticas pago com o suor da classe trabalhadora.
O Exército da submissão
e a Amazônia não é mais nossa?
No mesmo vídeo, Bob Fernandes expõe uma questão ainda mais
grave: a subordinação do Exército Brasileiro aos interesses dos EUA, revelada
em declarações como as da general americana do Comando Sul, que destacou:
“Temos 60% do lítio no
triângulo formado por Argentina, Bolívia e Chile; temos as reservas de petróleo
leve na Guiana, os recursos da Venezuela, a Amazônia, 31% da água doce do
planeta...”
E qual foi a resposta de Bolsonaro e seus generais? Entregar.
O próprio ex-presidente disse em vídeo:
“A Amazônia não é mais nossa. Já me reuni com embaixadores, a
Argentina achava que as Malvinas eram deles, e perderam. Quem diz que a
Amazônia é nossa não tem cultura.”
Esse governo de generais — submissos, entreguistas, e
intelectualmente despreparados — revelou um Exército mais preocupado em
proteger privilégios do que soberania nacional. Como não lembrar do silêncio
diante das queimadas, da destruição de povos originários e da conivência com os
crimes de garimpeiros ilegais?
O Brasil colonizado
pelo algoritmo
O vídeo de Bob Fernandes vai além. Ele denuncia como as big
techs estão se tornando ferramentas de dominação e controle, substituindo os
trabalhadores por "empreendedores precários" e monitorando cidadãos
para interesses externos.
Uber, Amazon, iFood e tantas outras plataformas vendem a
ilusão de liberdade, enquanto retiram direitos e colocam os algoritmos no
controle da vida. Estamos diante de uma nova forma de colonialismo: a
inteligência artificial como ferramenta de alienação coletiva, empobrecendo o
vocabulário, achatando o pensamento e alimentando a máquina de desinformação.
Conclusão: ou enfrentamos, ou afundamos
O que vivemos hoje é o chorume do golpe de 2016, iniciado com
as emendas impositivas, consolidado no impeachment fraudulento, e que abriu
caminho para a extrema direita fascista que hoje tenta anistiar golpistas,
blindar corruptos e entregar nossas riquezas.
A pergunta não é mais “quando tudo começou?”, mas sim: até
quando suportaremos?
A reconstrução do Brasil exige:
Enfrentar o Congresso fisiológico e corrupto;
Revisar o papel das Forças Armadas;
Romper com a submissão às big techs e aos interesses
estrangeiros;
Proteger as riquezas naturais e o povo trabalhador.
Ou fazemos isso agora ou seremos apenas mais um povo
colonizado, empobrecido e manipulado.
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