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terça-feira, 1 de julho de 2025

🔥Entre a tesoura e o facão: a diferença entre direita e esquerda nos cortes que doem

 No sertão, a gente aprende cedo a diferença entre podar e mutilar. Podar é dar força para a planta crescer. Mutilar é cortar o que sustenta a vida. No Brasil de hoje, essa metáfora simples pode nos ajudar a entender a diferença entre dois projetos políticos que disputam o futuro do país: a direita e a esquerda.

Mais do que briga de hashtags e manchetes de jornal, essa disputa mexe com a comida no prato, a escola das crianças, o posto de saúde, o tempo de aposentadoria, o valor do salário mínimo, e tudo o que envolve a vida do povo, sobretudo o povo pobre.

O Projeto da Direita: cortar na carne dos pobres

Recentemente, setores do mercado financeiro – o tal "andar de cima", representado por consultorias econômicas, bancos e investidores da Faria Lima – defenderam quatro propostas para "resolver" os problemas fiscais do Brasil.

Mas vejamos com cuidado: resolver pra quem?

Congelar o salário mínimo, BPC, seguro-desemprego e aposentadorias


Na prática, isso significa que o valor que o povo recebe não vai mais acompanhar a inflação. Ou seja: o dinheiro vai valer menos, mas as contas vão continuar chegando com sede. É cortar a renda de quem já vive no limite da dignidade.

Acabar com os pisos constitucionais da saúde e educação

Hoje, a Constituição garante que o governo invista um mínimo em educação e saúde públicas. Acabar com isso é deixar o investimento à mercê do "humor do mercado". Seria como abrir o portão do curral e deixar o boi doente sem ração e sem veterinário.

Aumentar a idade mínima ou o tempo de contribuição para aposentadoria

Num país onde o trabalhador rural, o lavrador, o pedreiro e a empregada doméstica começam cedo e morrem cedo, essa proposta é uma sentença: trabalhe até morrer, ou morra sem se aposentar.

Acabar com a estabilidade do funcionalismo público

A estabilidade é um mecanismo de proteção contra perseguições políticas e de valorização do servidor que cuida da escola, do hospital, do INSS, da justiça. Cortar isso é abrir espaço para apadrinhamentos e demissões por conveniência.

A Visão da Esquerda: direitos não são gastos, são investimentos

Enquanto isso, a esquerda política, com todas as suas contradições,  defende outro caminho:

  • Fortalecer os serviços públicos.
  • Garantir salário mínimo digno, previdência justa, e educação e saúde como direitos, não favores.
  • Taxar os super-ricos, bancos e grandes fortunas para distribuir melhor a riqueza.
  • Reconhecer que o Brasil é um país desigual, e que o Estado tem o dever de proteger os de baixo, não blindar os de cima.

🌵E o Sertão com Isso?

O sertanejo sabe o que é lutar para ter escola que funcione, médico que atenda, aposentadoria que pague os remédios. Por isso, é fundamental entender que as decisões tomadas lá em Brasília ou na Faria Lima afetam diretamente quem vive no campo, na beira do rio, nas periferias e nos grotões do país.

Não se trata de partido A ou B. Trata-se de escolher entre um projeto de país que protege os vulneráveis, e outro que faz ajuste com a tesoura na carne de quem mais precisa.

Entre normas e naturezas, como dizemos por aqui, o que está em jogo é o seguinte:

Ou o povo é prioridade, ou continua sendo estatística.

Por isso, fique atento. Pergunte. Pesquise. Desconfie de quem chama os direitos sociais de “despesas” e os privilégios de “liberdade econômica”. O nome disso é neoliberalismo, e já vimos o que ele fez com o Chile, a Grécia e até com o nosso próprio país nos anos 1990.

É hora de colocar o olho no futuro, mas com o pé fincado na terra. E como diria o velho sertanejo: quem corta o galho que sustenta o ninho, um dia cai.

 

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