No sertão, a gente aprende cedo a diferença entre podar e mutilar. Podar é dar força para a planta crescer. Mutilar é cortar o que sustenta a vida. No Brasil de hoje, essa metáfora simples pode nos ajudar a entender a diferença entre dois projetos políticos que disputam o futuro do país: a direita e a esquerda.
Mais do que briga de hashtags e manchetes de jornal, essa disputa mexe
com a comida no prato, a escola das
crianças, o posto de saúde, o tempo de aposentadoria, o valor do salário mínimo,
e tudo o que envolve a vida do povo, sobretudo o povo pobre.
O Projeto da Direita: cortar na carne dos pobres
Recentemente, setores do mercado financeiro – o tal "andar de
cima", representado por consultorias econômicas, bancos e investidores da
Faria Lima – defenderam quatro
propostas para "resolver" os problemas fiscais do Brasil.
Mas vejamos com cuidado: resolver pra quem?
Congelar o salário mínimo, BPC, seguro-desemprego e
aposentadorias
Na prática, isso significa que o valor que o povo recebe não vai mais acompanhar a inflação. Ou
seja: o dinheiro vai valer menos, mas as contas vão continuar chegando com
sede. É cortar a renda de quem já vive no limite da dignidade.
Acabar com os pisos constitucionais da saúde e
educação
Hoje, a Constituição garante que o governo invista um mínimo em educação e saúde públicas. Acabar com
isso é deixar o investimento à mercê do "humor do mercado". Seria
como abrir o portão do curral e deixar o boi doente sem ração e sem
veterinário.
Aumentar a idade mínima ou o tempo de contribuição
para aposentadoria
Num país onde o trabalhador rural, o lavrador, o pedreiro e a empregada
doméstica começam cedo e morrem cedo, essa proposta é uma sentença: trabalhe até morrer, ou morra sem se
aposentar.
Acabar com a estabilidade do funcionalismo público
A estabilidade é um mecanismo de proteção
contra perseguições políticas e de valorização do servidor que cuida da
escola, do hospital, do INSS, da justiça. Cortar isso é abrir espaço para
apadrinhamentos e demissões por conveniência.
A Visão da Esquerda: direitos não são gastos, são investimentos
Enquanto isso, a esquerda
política, com todas as suas contradições, defende outro caminho:
- Fortalecer os serviços
públicos.
- Garantir salário mínimo
digno, previdência justa,
e educação e saúde como direitos,
não favores.
- Taxar os super-ricos, bancos e grandes fortunas para distribuir melhor a riqueza.
- Reconhecer que o Brasil é
um país desigual, e que o Estado tem o dever de proteger os de baixo, não blindar
os de cima.
🌵E o Sertão com Isso?
O sertanejo sabe o que é lutar para ter escola que funcione, médico que atenda, aposentadoria que pague os
remédios. Por isso, é fundamental entender que as decisões tomadas lá em Brasília ou na Faria Lima afetam
diretamente quem vive no campo, na beira do rio, nas periferias e nos grotões
do país.
Não se trata de partido A ou B. Trata-se de escolher entre um projeto de país que protege os vulneráveis,
e outro que faz ajuste com a tesoura na carne de quem mais precisa.
Entre normas e naturezas, como dizemos por aqui, o
que está em jogo é o seguinte:
Ou o povo é prioridade, ou continua sendo
estatística.
Por isso, fique atento. Pergunte. Pesquise. Desconfie de quem chama os
direitos sociais de “despesas” e os privilégios de “liberdade econômica”. O
nome disso é neoliberalismo, e
já vimos o que ele fez com o Chile, a Grécia e até com o nosso próprio país nos
anos 1990.
É hora de colocar o olho no futuro, mas com o pé fincado na terra. E
como diria o velho sertanejo: quem
corta o galho que sustenta o ninho, um dia cai.
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