Lula,
o Brasil e a Dissuasão Nuclear: riscos, oportunidades e o futuro da soberania brasileira.
Introdução
A
decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiada pelo ministro
Alexandre Silveira, de abrir espaço para estudos nucleares de defesa, mísseis
hipersônicos e drones, bem como a proposta de consulta ao Congresso para permitir
a fabricação de armas nucleares, representa uma reconfiguração estratégica do
Brasil no cenário internacional. O país, que historicamente se manteve pacífico
e subordinado às normas internacionais de não proliferação, agora entra em um
território de alto risco, mas também de grande oportunidade: posicionar-se como
potência dissuasória, capaz de defender sua soberania e projetar influência
global.
Quem se Apropria da Pátria? O Desafio de Lula entre Soberania
e Nacionalismo
O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 7 de setembro
de 2025 trouxe à cena política uma forte defesa da soberania nacional, da
democracia e do compromisso social. Sua fala buscou resgatar o sentido
histórico da independência, vinculando-o ao combate à fome, à defesa da
Amazônia e à valorização das conquistas dos trabalhadores. No entanto, para
além da mobilização da base progressista, a mensagem deixou lacunas importantes
em áreas estratégicas que poderiam atrair setores hoje cativos da narrativa da
extrema-direita: o nacionalismo cívico, a defesa explícita do Brasil em todas
as suas dimensões e o fortalecimento das Forças Armadas como símbolo de
proteção e unidade nacional.
Independência ou Traição? Lula e
a Batalha pela Soberania no 7 de Setembro
O pronunciamento do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no 7 de setembro de 2025 se inscreve em um contexto
político e geopolítico marcado por tensões comerciais, disputas de narrativas
sobre soberania nacional e polarização interna. O discurso, embora revestido de
celebração cívica e patriótica, possui forte caráter político e estratégico,
articulando três eixos principais: a reafirmação da soberania nacional, a
defesa da democracia e a crítica à oposição bolsonarista.
Reforma Administrativa: modernização
ou bomba contra o serviço público?
Uma
proposta de reforma administrativa, que será apresentada nesta semana pela
Câmara dos Deputados, prevê alterações significativas no serviço público,
incluindo a aplicação imediata de novas regras para servidores já em atividade.
O que muda
Entre
as principais mudanças está o fim das férias de 60 dias por ano para juízes e
promotores, que passarão a seguir a mesma regra dos demais trabalhadores: 30
dias anuais. A medida, que quebra um tabu da reforma anterior do governo
Bolsonaro, visa reduzir privilégios e promover igualdade no setor público.
Nos últimos meses, a Rússia deu sinais claros de que
não pretende mais permanecer com restrições autoimpostas em seu arsenal
nuclear. A justificativa oficial é a crescente ameaça percebida vinda da
modernização e proximidade do poder militar dos Estados Unidos, além da
hesitação europeia em conter essa escalada.
Em agosto de 2025, o fim da moratória sobre mísseis
de curto e médio alcance marcou a retomada de uma postura mais agressiva:
Moscou agora se reserva o direito de responder militarmente caso considere
necessário.
Aposta
Nuclear de Trump e a Resposta Russa: um jogo perigoso para a geopolítica global
O
cenário internacional vive um momento de tensão máxima, marcado pela escalada
retórica e estratégica entre os Estados Unidos, a Rússia e seus aliados. A
recente “aposta nuclear” de Donald Trump — envolvendo o deslocamento de
submarinos nucleares norte-americanos para áreas estratégicas — provocou reação
imediata do Kremlin e intensificou a sensação de incerteza em torno da guerra
na Ucrânia e da estabilidade global.
Ceará:
histórias de resistência, migração e memória
No
Ceará, muitas histórias permanecem apagadas, embora sejam
fundamentais para compreendermos a formação do nosso povo. Sou
filho de agricultores e cresci em um tempo em que meus pais
aprenderam matemática e economia na escassez: dividindo, somando,
multiplicando… talvez diminuir fosse o menos praticado em suas
vidas.
Minha
família guarda lembranças que atravessam o país. Tive avós que
foram soldados da borracha na Amazônia e tios que desapareceram por
lá. Recentemente, um parente padre, que mora na Alemanha, entrou em
contato com meu irmão após realizar um teste genético. Meu irmão
e minha mãe fizeram o exame e, ao acessar os registros, descobriram
uma extensa família em Jaguaruana, nossa cidade de origem. A alegria
maior veio ao constatar que nossa tradição católica permaneceu
viva em padres, freiras e outros familiares, um legado que de alguma
forma também seguiu o parente que realizou o teste.
O
“Colonialismo” dos Aliados: quando a Europa vira colônia
Recentemente,
uma declaração de um importante economista americano, comentada no
programa da Fox News, deixou até o apresentador boquiaberto. Segundo
Scott Bessent, a política econômica dos Estados Unidos passará a
tratar a riqueza de seus próprios aliados — sim, seus parceiros da
OTAN e do G7 — como se fosse um fundo
soberano americano.
Em
outras palavras, caberia ao presidente dos EUA decidir, “a seu
critério”, como direcionar esse capital estrangeiro para construir
fábricas e reindustrializar o país. O apresentador chamou isso de
offshore
appropriation,
ou seja, apropriação de riqueza alheia além-mar. Um nome polido
para o que, em termos mais diretos, poderíamos chamar de roubo
institucionalizado.
O
analista Arnaud Bertrand foi direto: isso é espólio
colonial.
A diferença é que, desta vez, o alvo não é o Sul Global —
historicamente vítima das potências ocidentais —, mas os próprios
aliados ocidentais, especialmente a Europa.
A
lógica é simples (e perversa): incapaz de extrair riquezas ou
vencer guerras de forma confortável contra um Sul Global mais
assertivo e independente, Washington volta-se para dentro do seu
círculo de aliados. Esses países, dependentes dos EUA para sua
“proteção” militar, estão tão vulneráveis quanto as colônias
do século XIX diante de seus “protetores”.
A canção Beatriz, fruto da parceria entre Chico Buarque e Edu Lobo, é uma verdadeira obra de arte. O acompanhamento de piano é magistral, com um arranjo magnífico, capaz de sustentar a delicadeza e a intensidade da composição.
A letra é fantástica, quase como uma história real, cheia de imagens e perguntas que nos colocam dentro da cena. Há um detalhe curioso e revelador da genialidade de Chico: a palavra céu é cantada na nota mais aguda, enquanto chão aparece na mais grave, algo que encantou e surpreendeu Edu Lobo pela coincidência expressiva.
Na voz de Milton Nascimento, a canção atinge um patamar ainda mais alto. Ele consegue transitar por modulações complexas sem ceder à tentação da desafinação, algo que, segundo o próprio Edu Lobo, é um desafio para grandes intérpretes pela dificuldade de execução.
O piano e o arranjo musical seguem impecáveis, mantendo o compasso e o tempo exatos imaginados por Edu, sem perder de vista a poesia da letra. Beatriz, que rima com atriz e com por um triz evoca a sensação de se aproximar da vida de alguém e arriscar-se a entrar no seu mundo.
A introdução do piano é um convite à contemplação, como se preparasse o ouvinte para as perguntas de Milton: “Será que é moça? Será que é triste? Será que é o contrário? Será que é pintura o rosto da atriz? Será que dança no sétimo céu?” e assim seguimos, embalados pela imaginação, acreditando que possa existir “um outro país”.
Beatriz é, enfim, uma lição de imaginação e sensibilidade, capaz de nos conduzir para dentro de um universo íntimo e encantado, onde a música e a poesia se fundem em beleza.
Brasil
envia generais para a China: um gesto inédito na diplomacia militar brasileira
A
notícia divulgada pela Sputnik Brasil no dia 11 de agosto marca um movimento
histórico na política externa brasileira: até o final deste ano, o Brasil
enviará dois adidos militares com patente de general ou equivalente para a
embaixada em Pequim. Até então, essa distinção só era concedida à embaixada
brasileira em Washington, centro histórico da cooperação militar e diplomática
com os Estados Unidos.
O
planeta vive um tempo de instabilidade permanente. O chamado Relógio do Juízo
Final, criado pelo Bulletin of the Atomic Scientists, avança impiedoso: 90
segundos para a meia-noite, a menor distância da história até o “fim simbólico”
da civilização. As ameaças são múltiplas e interligadas — uma verdadeira
policrise.
De um
lado, a geopolítica incandescente. Conflitos abertos, como a guerra
Rússia–Ucrânia, o Oriente Médio em chamas e a crescente tensão entre Estados
Unidos e China, alimentam o espectro de um Armagedom nuclear. Ao mesmo tempo,
sanções econômicas, disputas por tecnologia e a fragmentação das cadeias de
suprimentos redesenham silenciosamente o mapa do poder mundial.
Do
outro lado, a crise ambiental não dá trégua. Mudanças climáticas aceleram
secas, tempestades, incêndios e inundações. Tsunamis e terremotos, fenômenos
geológicos que sempre existiram, agora encontram populações mais vulneráveis e
cidades construídas em áreas de risco. Florestas queimam, espécies desaparecem
e ecossistemas inteiros entram em colapso.
A
guerra econômica, a destruição ambiental e a instabilidade política formam um
circuito fechado. Catástrofes naturais geram fome e migração em massa,
alimentando conflitos e extremismos. Conflitos, por sua vez, destroem
cooperação internacional e bloqueiam acordos climáticos, empurrando o planeta
ainda mais para o abismo.
Vivemos
em um mundo onde as crises não são mais eventos isolados, mas peças de um
dominó global. Um mundo onde a linha entre o presente instável e o futuro
irreversível se torna cada vez mais tênue. A pergunta que se impõe não é mais se
conseguiremos evitar o pior, mas quando decidiremos agir como se o pior ainda
pudesse ser evitado.
Do golpe de 2016 ao sequestro da Câmara: um fio que não se rompe
A história política recente do Brasil pode ser lida como uma linha
contínua de eventos conectados por um mesmo objetivo: o controle da opinião
pública e das instituições. Como observou o jornalista Janio de Freitas, o
golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, a operação Lava Jato, a prisão do
ex-presidente Lula e a candidatura de Jair Bolsonaro formam um conjunto
articulado. Essa articulação contou com o apoio e financiamento de institutos liberais,
empresas e até do governo dos Estados Unidos, criando o terreno fértil para o
avanço de uma agenda de retrocessos políticos, econômicos e sociais.
O golpe parlamentar de 2016 abriu caminho para a criminalização seletiva
da política e para uma ofensiva judicial e midiática sem precedentes. A Lava
Jato, hoje desmoralizada por suas ilegalidades, foi peça-chave nesse processo,
ajudando a inviabilizar a candidatura de Lula em 2018 e facilitando a ascensão
de Bolsonaro ao poder. Ao mesmo tempo, um trabalho persistente de manipulação
da opinião pública, potencializado pelas redes sociais, consolidou uma base de
extrema-direita disposta a desafiar o próprio Estado Democrático de Direito.
Os ecos dessa trajetória ressoam até hoje. No dia 8 de agosto de 2025, um
grupo de 14 deputados federais sequestrou, simbolicamente, a Câmara dos
Deputados. Ao impedir o presidente interino, Hugo Motta, de exercer suas
funções e paralisar as votações, esses parlamentares buscavam pressionar pela
anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A manobra,
descrita por muitos como um “sequestro” do Congresso, revela o medo dessa ala
radical de ver seus aliados julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
O episódio não é um fato isolado: ele se insere numa cadeia de acontecimentos
que, desde 2016, fragilizam as instituições e colocam em xeque o pacto
democrático. O que começou como um ataque político-midiático contra um governo
eleito se transformou numa disputa aberta pelo controle das regras do jogo e
pela impunidade de quem tenta subverter a democracia.
Se o país não romper esse fio histórico, corre o risco de ver a
democracia sendo corroída não apenas por golpes declarados, mas também por
ações silenciosas, articuladas e repetidas, cada uma pavimentando o caminho para
a próxima.
Por fim, Bob Fernandes traz um prontuário de cada deputado e deputada, o que interessante observar no vídeo. Incrível a ficha corrida de cada deputado e deputada no roubou das emendas secretas. Por isso, estes deputados (as) querem acabar com o foro privilegiado para que possam ser jugados na primeira instância de seus estados onde têm mais chances de "jogo".
Vivemos um tempo em que as placas tectônicas da geopolítica mundial
estão em movimento. E, como bem lembram o cientista político argentino Ezequiel
Bistoletti e o pesquisador Pascal Lottaz, os ventos que antes sopravam
unicamente de Washington agora enfrentam resistência.
Em uma conversa densa, mas reveladora, eles afirmam com todas as letras:
a hegemonia dos Estados Unidos está ruindo e o Sul Global começa a
traçar seu próprio caminho.
De Berlim a Buenos Aires, do canal Demoliendo Mitos de la Política ao
YouTube, a análise deles percorre o mundo com precisão cirúrgica: Argentina,
México, Brasil, Rússia, China... Cada país com sua trajetória, cada nação
buscando respirar fora do velho guarda-chuva norte-americano.
E aqui do sertão, o que essa conversa nos diz?
Diz que a força sem estratégia está com os dias contados. Os EUA,
acostumados a impor vontades pelo poderio militar e econômico, agora enfrentam
potências como Rússia e China, que agem com paciência, estratégia e diplomacia.
O que antes era uma estrada de mão única, agora virou um cruzamento perigoso e
promissor para quem ousa mudar o rumo.
O Brasil, especialmente após se posicionar nos BRICS e encarar os
desmandos de Washington, aparece como peça-chave nesse novo tabuleiro. Um país
continental, com riquezas e diversidade, que começa a compreender que não
precisa se curvar, que pode negociar de igual para igual — se tiver coragem,
clareza e projeto de nação.
O mais impressionante é que, em meio a essa reconfiguração global, a
desdolarização emerge como símbolo dessa transição. Vários países estão
deixando de usar o dólar em suas transações internacionais. É como se o mundo
dissesse:
“Podemos fazer diferente. Podemos fazer por nós mesmos.”
Reflexões dos Olhos do Sertão
Este cenário global nos convida a refletir:
Que lugar o povo do campo, o agricultor familiar, o jovem do interior
ocupa nesse novo mundo?
Que papel a educação, a soberania alimentar, a cultura popular podem ter
nesse processo?
A resposta talvez esteja em algo que o sertanejo conhece bem:
resiliência com sabedoria.
Saber esperar o tempo da colheita. Resistir às estiagens. Plantar mesmo quando
o céu parece fechado.
Porque o mundo está mudando e o sertão também está acordando
para seu papel nesse novo tempo.
O futuro não virá pronto de Washington nem de Pequim.
Mas pode brotar do chão onde pisamos, se formos capazes de pensar com os
pés na terra e os olhos abertos para o mundo.
Resumo da conversa entre Bistoletti e Lottaz
A seguir, destaco os principais pontos discutidos no vídeo
compartilhado, onde os pesquisadores analisam a transformação da ordem mundial
e o surgimento de uma nova multipolaridade, liderada em parte pelo Sul Global e
pelos BRICS:
Fim da Hegemonia Americana
Bistoletti argumenta que os EUA perderam sua capacidade de liderança
global racional e estratégica.
O império norte-americano já não oferece uma narrativa ou projeto
convincente para o mundo.
A política externa dos EUA hoje é baseada mais na força bruta do que em
diplomacia ou planejamento.
Emergência do Sul Global
América Latina, África e Ásia estão reorganizando suas prioridades
geopolíticas.
Países como Brasil, México, Argentina e Índia buscam alternativas que
não dependam dos EUA ou da Europa Ocidental.
O Sul Global deixa de ser apenas “campo de batalha” e se torna agente
ativo da nova ordem global.
Desdolarização
Um dos temas centrais da conversa é o processo de desdolarização.
Diversos países dos BRICS estão substituindo o dólar em transações
internacionais.
Essa mudança enfraquece o poder dos EUA de impor sanções.
China e Rússia lideram o movimento, com o Brasil sinalizando apoio.
O Brasil no Tabuleiro Geopolítico
Sob a liderança de Lula, o Brasil busca retomar uma política externa
soberana.
Sofre pressões dos EUA, especialmente dos setores alinhados à linha dura
trumpista.
Tenta manter relações com o Ocidente, sem abrir mão de fortalecer sua
posição nos BRICS.
EUA sem estratégia, Rússia e China com visão
Enquanto os EUA apostam em sanções, guerra e contenção, Rússia e China
atuam com pragmatismo e visão estratégica.
A China amplia sua influência por meio da diplomacia econômica,
investimentos e acordos comerciais, como a Nova Rota da Seda.
Conclusão
Os ventos da geopolítica estão mudando. E quem observa com atenção — até
mesmo aqui, dos Olhos do Sertão - pode perceber que um novo mundo está
nascendo.
Um mundo onde o centro do poder já não dita sozinho as regras.
Cabe a nós decidir: vamos ser espectadores ou protagonistas?
Talvez o futuro esteja menos em Washington ou Pequim, e mais no chão que
cultivamos, no saber que preservamos e na coragem de reinventar nossos próprios
caminhos.
🎙️ Pessoal
do Ceará: a voz poética do sertão no coração da MPB
Em
meados da década de 1970, o Brasil vivia sob o peso da ditadura, mas
também testemunhava uma ebulição cultural nas bordas do país. Em
pleno Ceará, nasciam canções carregadas de poesia, identidade e
resistência. Foi ali, entre as secas do sertão e os ventos do
litoral, que surgiu o movimento musical conhecido como Pessoal
do Ceará
— um grupo de artistas que traduziu em música as dores e as
delícias de ser nordestino em um país em transformação.
1. Envolvimento
militar na tentativa de golpe entre 2022 e 2023
Há diversas
evidências e investigações em curso que apontam o envolvimento direto de militares
da ativa e da reserva, de altas e baixas patentes, na tentativa de golpe de
Estado que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da
Silva após as eleições de 2022.
A
Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro identificaram:
O Brasil de saiu do Mapa da Fome. Isso é revolução.
Enquanto
o mundo mergulha em guerras, genocídios e discursos vazios, o Brasil prova mais
uma vez que a verdadeira revolução é colocar comida no prato do povo. Em julho
de 2025, a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)
anunciou oficialmente: o Brasil está novamente fora do Mapa da Fome. Menos de
2,5% da população está em situação de subnutrição grave. Isso não é acaso. É
política pública com coragem. É decisão de governo.
Mário
Schenberg, Dalton Ellery, Almirante Othon e o Brasil que pensa com cabeça
própria
Menos
de 1% dos brasileiros sabe quem foi Mário Schenberg. E menos ainda sabem que
ele foi um dos maiores físicos teóricos do século XX, respeitado por Einstein,
Fermi e George Gamow¹, e que nasceu em Recife, Pernambuco, em 2 de julho de
1914². Em tempos em que celebramos cientistas de outros países, esquecemos dos
nossos próprios gigantes, como Dalton Ellery Girão Barroso, físico cearense,
referência nacional em segurança e tecnologia nuclear, e peça-chave no
desenvolvimento autônomo do setor no Brasil.
O que há por trás da nova radicalização de setores
bolsonaristas no Brasil? Para além dos ataques ao STF, das bravatas golpistas e
do discurso anticomunista reciclado, cresce entre agentes da inteligência
brasileira a suspeita de que esses movimentos não sejam apenas “orgânicos”, mas
parte de um roteiro ensaiado por interesses externos, com participação da Casa
Branca, da CIA e grandes corporações transnacionais. O alvo? Os minérios
estratégicos do Brasil.
Lítio, nióbio, grafeno, terras raras, insumos essenciais para
a indústria do futuro têm colocado o
Brasil novamente no centro das disputas geopolíticas. E isso não é novidade. A
pilhagem das riquezas nacionais ganhou novo impulso a partir de 2013, quando,
sob o disfarce de revolta popular, as Jornadas de Junho abriram caminho para
uma ofensiva antidemocrática, jurídico-midiática e empresarial que mudaria o
rumo do país.
Abaixo traço uma pequena análise deste vídeo - Guerra de Trump contra os
BRICS dá errado: Putin e China detonam o dólar. Primeiro que os diálogos
no vídeo, BRICS: ameaça à hegemonia do dólar e à geopolítica dos EUA, logo no
início do vídeo, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declara que os BRICS
foram criados com o intuito de enfraquecer a supremacia do dólar nas transações
internacionais. Em tom de enfrentamento, afirma que, se os BRICS quiserem jogar
este jogo, os EUA responderão com tarifas e sanções.
O vídeo que estou analisando levanta pontos
importantes da atual conjuntura geopolítica e destaca com clareza o papel do
Brasil dentro desse tabuleiro em transformação, principalmente sob o governo
Lula e em um cenário do retorno desastroso de Trump à presidência dos EUA.
Abaixo, sintetizo e organizo os principais pontos em
destaque, com comentários críticos e observações analíticas, a partir de pontos
que considero importantes
Trump e a tentativa de mudança de regime no Brasil
O vídeo sugere que Trump busca derrubar Lula e
implantar um regime cliente, governado por um presidente fantoche,
provavelmente alinhado aos interesses geopolíticos dos EUA.
Tarifas,
chantagens, pressão militar e guerra de narrativas: por que o Brasil se tornou
alvo direto da ofensiva geopolítica dos EUA? Qual o papel de Donald Trump e do
trumpismo nesse novo cenário? E como isso se conecta à luta contra o BRICS e à
tentativa de frear a ascensão de uma potência do Sul Global?
O
velho fantasma do “Quintal”
A ideia
de que a América Latina e o Brasil seriam o “quintal dos Estados Unidos” não é
nova. Ela remonta à Doutrina Monroe (1823), com o lema “A América para os
americanos”, que na prática significava: “a América sob influência dos EUA”.
Desde então, golpes, intervenções, bloqueios e chantagens passaram a fazer
parte do repertório usado para manter essa hegemonia.
O
Brasil, como maior país da região, sempre foi visto com especial atenção: grande
demais para ignorar, estratégico demais para ser livre.
Hoje, Jair Bolsonaro recebeu uma medida cautelar do Supremo Tribunal
Federal (STF). Foi alvo de busca e apreensão, conduzido para prestar depoimento
à Polícia Federal e obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Não me alegro, não
celebro. Não me regozijo. Porque isso não é questão de vingança. É, sobretudo,
questão de justiça.
Justiça para as mães dos desaparecidos políticos que morreram sem sequer
poder enterrar seus filhos, vítimas da ditadura civil-militar. Justiça diante
da humilhação institucionalizada, como o cartaz que Bolsonaro mantinha em seu
gabinete: “Só quem procura osso é cachorro”, uma resposta vil à Comissão
Nacional da Verdade (CNV), criada pela então presidenta Dilma Rousseff.
Justiça diante do escárnio com que tratou as mortes por COVID-19. Quando
questionado sobre os milhares de brasileiros mortos, respondeu com frieza: “E
daí? Eu não sou coveiro” e, não satisfeito, passou a imitar pessoas morrendo
sem ar, zombando da dor alheia.
Bolsonaro se orgulhava de dizer que sua especialidade era matar. Desejou
publicamente que Dilma “pegasse um câncer e morresse”. E, no dia da votação do
impeachment, prestou um voto simbólico e cruel “em nome de Ustra”, o notório
torturador do regime civil-militar. A cada frase, a cada gesto, feriu mães,
filhos, netos, feriu a história e o tecido da nossa humanidade.
Hoje, portanto, não é um dia de júbilo. É um dia de memória. De
lembrança das mulheres que perderam seus filhos na tortura, na violência
política, ou na pandemia, sem um enterro, sem um adeus. É por elas que a
justiça dos homens e das mulheres, e talvez também a justiça de Deus, começa a
se fazer presente.
Que a prisão de Bolsonaro, quando vier, não seja espetáculo, mas ato de
dignificação das mães que nunca puderam enterrar seus mortos, seja na ditadura,
seja no descaso genocida da pandemia. Que seja memória e reparação. Nunca
revanche.
Nesta semana, algo raro e profundamente simbólico
aconteceu na cena internacional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou
todos os espaços discursivos, falou ao Brasil, ao Sul Global e ao mundo,
articulando com inteligência singular uma narrativa de soberania, justiça, paz
e humanidade. Em tempos de lideranças automatizadas por algoritmos da guerra e
da economia excludente, Lula foi, talvez, seja o último humanista a discursar
com firmeza sobre a vida, os direitos humanos, a justiça social e o meio
ambiente
A entrevista concedida pelo presidente Lula à jornalista
Christiane Amanpour, da CNN Internacional, amplia o campo discursivo inaugurado
pelo pronunciamento oficial, reposicionando o Brasil no cenário global por meio
de uma performance diplomática que também opera como disputa simbólica. Como aponta
Pierre Bourdieu, o discurso político é uma prática social situada, e nessa
entrevista Lula mobiliza o habitus de negociador sindical para produzir
legitimidade diante do público internacional, especialmente norte-americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu uma
entrevista exclusiva à Christiane Amanpour, da CNN Internacional, nesta quinta-feira (17), e comentou a ameaça do líder
americano Donald Trump de impor 50% de taxas aos produtos brasileiros
Lula:
Bem, Christiane, para mim foi uma surpresa — não só o valor dessa tarifa, mas
também a forma como ela foi anunciada. Acho que está faltando um pouco de
multilateralismo na mentalidade do presidente Trump, e ele sabe que um problema
desse tipo se resolve à mesa de negociação.
Fomos
surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano
anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto.
O
Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o
governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de
negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem
inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações
falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.
Contamos
com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo
legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla
defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania
nacional.
Só
uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades,
garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as
oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.
Soberania,
Verdade e Tempo Histórico: análise do pronunciamento Lula da Silva à luz de
Bourdieu e Boaventura de Sousa Santos
O
presente ensaio analisa o pronunciamento do presidente do Brasil frente à
imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, à luz das teorias do
poder simbólico de Pierre Bourdieu e da gramática do tempo de Boaventura de
Sousa Santos. Identificamos como o discurso não apenas responde à conjuntura
internacional, mas também constrói uma narrativa simbólica sobre soberania,
verdade e futuro. Trata-se de uma resposta discursiva que disputa sentidos no
campo político global e nacional, reorganizando temporalidades e produzindo
alianças imaginadas.
O Brasil, a Nova Ordem Mundial e a Guerra Existencial: entre a neutralidade e o alinhamento Sul-Sul
O presente texto analisa os desafios e dilemas da posição geopolítica do Brasil diante de uma crescente escalada de conflitos globais, que delineiam uma ruptura da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Com foco na guerra por procuração entre Estados Unidos–Europa versus Rússia, e no crescente atrito entre EUA–Israel e Irã, examina-se o papel das alianças Sul-Sul e a perda de legitimidade das instituições multilaterais como a ONU. Defende-se que o Brasil, diante das ameaças à sua neutralidade, deveria reconsiderar seus alinhamentos estratégicos e reforçar sua soberania nacional por meio de uma política externa independente e de autodefesa. A análise parte da conjuntura internacional de 2024-2025 e das ameaças feitas por lideranças ocidentais ao Brasil, caso mantenha uma posição neutra.
A Guerra que já começou: Irã, Israel, EUA e o Genocídio Televisado da
Palestina
Forçaram o Irã a buscar armas nucleares. Não há outra alternativa viável
para Teerã diante do cerco sistemático imposto pelos Estados Unidos, Israel e
seus aliados ocidentais. As sanções econômicas, os assassinatos de cientistas
nucleares, o isolamento diplomático e os bombardeios em solo sírio ou iraquiano
configuram um contexto de guerra prolongada, que não se dá apenas por tanques
ou mísseis, mas também por narrativas, sabotagens e bloqueios.
O que estamos testemunhando é uma guerra existencial: EUA-Israel contra
Irã, com o povo palestino no epicentro desse embate geopolítico, sendo
massacrado sob a justificativa de “segurança” e “combate ao terrorismo”. A
tragédia humanitária que se desenrola em Gaza é televisionada todos os dias:
crianças famintas, famílias indefesas, bairros inteiros transformados em
ruínas. A cada imagem que circula nas redes, escancara-se o que já pode ser
qualificado, juridicamente e moralmente, como genocídio, termo que não é usado
de maneira leviana, mas sustentado por relatórios da ONU, da relatora Francesca
Albanese, da Human Rights Watch e de outros organismos internacionais.
A
Guerra Fragmentada do Império (EUA): resistência multipolar e a lógica da primazia global
Subtítulo:
a disputa entre potências oculta um projeto global de dominação unipolar. EUA, OTAN e seus satélites operam uma guerra
estratégica contra a China, Rússia e Irã, não por democracia, mas por
hegemonia.
Introdução
Estamos
vivendo uma guerra mundial em câmera lenta. Diferente dos grandes conflitos do
século XX, o que se desenha no início do século XXI é uma guerra fragmentada,
indireta, travada em diversas frentes e através de múltiplos instrumentos:
sanções econômicas, golpes de Estado, sabotagem midiática, lawfare, cercos
tecnológicos e operações militares por procuração. No centro desse conflito
está a tentativa dos Estados Unidos de manter sua primazia global frente à emergência
de um mundo multipolar.
A lógica da dominação imperial
A
política externa dos EUA, desde o fim da Guerra Fria, jamais aceitou plenamente
a ideia de um mundo multipolar. Como apontou Zbigniew Brzezinski em The Grand
Chessboard (1997), o controle da Eurásia é vital para a hegemonia global
norte-americana. É neste contexto que se inscrevem os conflitos com Rússia,
China e Irã — três potências que desafiam, cada uma à sua maneira, a lógica do
império.
China,
Irã e Rússia vêm fortalecendo suas alianças, apesar de divergências históricas
e ideológicas. Esse fortalecimento não é fruto apenas de afinidades
estratégicas, mas, sobretudo, da necessidade comum de resistir ao cerco
crescente imposto pelos Estados Unidos e seus países satélites.
Os
EUA não pretendem cessar sua ofensiva geopolítica contra China, Rússia e Irã.
Pelo contrário, intensificam ações de contenção, sabotagem, sanções e estímulo
a conflitos em zonas estratégicas. Hoje, a Rússia está atolada em uma guerra de
atrito com a OTAN em solo ucraniano; o Irã sustenta conflitos diretos e
indiretos no Oriente Médio; e a China, cada vez mais central no mundo
multipolar, é confrontada principalmente na questão de Taiwan e no cerco do
Indo-Pacífico.
A seguir está uma análise de um
artigo escrito por Dmitri Trenin, um pensador russo que entrevistei neste canal
há 3 anos. Naquela época, Trenin avaliava que a guerra na Ucrânia era o início
de uma nova Guerra Fria. Desde então, ele revisou suas opiniões, argumentando
hoje que já estamos dentro da Terceira Guerra Mundial, embora nem todos os
teatros de guerra tenham se transformado em conflitos armados ainda. Mas,
segundo ele, a direção é bastante clara. Artigo de Trenin: https://profile.ru/politics/epoha-voj... Minha entrevista com Dmitri Trenin e Anatol Lieven há 3 anos: • It's an Existential Threat! | Dmitri Treni...
Para Trenin, o mundo já está em guerra, não uma guerra convencional, mas
uma guerra estrutural, global e ideológica entre dois modelos de civilização:
ü O Ocidente, representado pelos EUA, UE, OTAN e seus
aliados, que ele acusa de querer destruir a Rússia e impedir a ascensão da
China.
ü O Oriente, representado por Rússia, China, Irã, Coreia do
Norte e aliados táticos, que segundo ele lutam por soberania, pluralismo
civilizacional e uma nova ordem mundial multipolar.
Principais características desta “guerra”:
Não é uma guerra tradicional: não começou com uma invasão formal ou
declaração, mas com um conjunto de ações encadeadas de desestabilização
econômica, guerra de narrativas, sabotagens, sanções, e conflitos por
procuração (proxy wars), como na Ucrânia.
Alvos estratégicos incluem a moral, economia e coesão social dos países
rivais, e não apenas posições militares ou territórios.
A Ucrânia é retratada como “apenas um peão” num xadrez maior, um teatro
de confronto direto entre Rússia e Europa Ocidental (com apoio da OTAN).
A guerra informacional e simbólica é central: Trenin denuncia o
“controle da informação” no Ocidente e convoca a Rússia a “romper o escudo
informacional ocidental”.
A Terceira Guerra Mundial já começou, diz
o pesquisador russo Dmitry Trenin
Aos olhos do Ocidente, a Rússia deve ser
destruída. Isso não nos deixa escolha.
A estratégia dos EUA e seus proxys da
EUROPA e em outras partes do mundo, é uma guerra sangrenta, longa, de grande
atrito.
Dmitry Trenin diz: não há caminho de
volta, mas também há paz à frente.
Dmitri Trenin, ICDS, Rússia. Foto
cortesia: ICDS
Dmitry
Trenin, professor de pesquisa russo na Escola Superior de Economia e principal
pesquisador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais – e
membro do Conselho Russo de Assuntos Internacionais (RIAC) – argumenta que esta
guerra já começou, e que o Ocidente pretende destruir a Rússia. Escrevendo para
a RT, ele observa que, para a Rússia, o período pré-guerra terminou em 2014;
para a China, era 2017; e para o Irã, 2023. Desde então, o conflito moderno e
difuso só se intensificou. Não é uma nova Guerra Fria. Desde 2022, a campanha
do Ocidente contra a Rússia tornou-se mais decisiva, com o risco de confronto
nuclear direto com a OTAN crescendo. Embora o retorno de Donald Trump à Casa
Branca tenha oferecido brevemente uma janela para evitar a escalada, em meados
dos falcões de 2025 euros nos EUA e na Europa Ocidental levaram o mundo
imediatamente a fechar novamente.
Resumo:
O presente artigo busca refletir criticamente sobre a posição do Brasil no
cenário geopolítico atual, marcado pela escalada de tensões entre Estados Unidos
e China no Indo-Pacífico, e entre Europa e Rússia no contexto eurasiático.
Argumenta-se que a neutralidade histórica do Brasil encontra-se em xeque diante
das ameaças explícitas de sanções por parte da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN), caso o país se recuse a alinhar-se ao bloco ocidental.
Partindo de uma análise crítica da ordem internacional e do papel das potências
emergentes, o texto defende o fortalecimento da parceria estratégica Sul-Sul,
especialmente com China e Rússia, e a necessidade de o Brasil romper com o
neocolonialismo geopolítico do século XXI, inclusive retomando o debate sobre
sua autonomia estratégica e tecnológica, com destaque para a dissuasão nuclear.
Brasil
renasce entre as maiores economias do mundo: crescimento com dignidade e
redistribuição de renda, o que cria oportunidades de desenvolvimento de nosso
povo e do país.
Em
2025, o Brasil voltou a ocupar o 7º lugar entre as maiores economias do mundo
por Paridade de Poder de Compra (PPC). Esse dado, que pode parecer apenas
estatístico, carrega consigo uma verdade profunda: o país voltou a crescer com
dignidade, distribuição de renda e respeito à vida humana.
Há
poucos anos no governo da família Bolsonaro e aliados da direita e
extrema-direta, imagens de brasileiros catando ossos e carcaças em lixões de
frigoríficos correram o mundo. Eram os retratos cruéis da miséria extrema, do
abandono social, da fome institucionalizada. Hoje, essas imagens dão lugar a
outras: crianças voltando à escola com merenda no prato, trabalhadores com
carteira assinada, e famílias recuperando a capacidade de planejar o futuro.
Isso não é acaso, é projeto de país.
Genocídio e Campo de Concentração em Gaza, Cumplicidade Ocidental e a Resistência no Mar Vermelho
O que se desenrola diante dos
nossos olhos não é apenas mais um conflito no Oriente Médio. Trata-se de um genocídio
televisionado, um massacre sistemático contra o povo palestino em Gaza, com a
conivência do Ocidente e o silêncio ensurdecedor de instituições que deveriam
proteger os direitos humanos universais.
A relatora especial da ONU para
os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, publicou recentemente
um relatório devastador que classifica as ações de Israel como genocidas. O
documento expõe não apenas a brutalidade da ocupação, mas também como empresas
norte-americanas lucram diretamente com a destruição da Palestina.
Os bastidores da política externa dos EUA e a submissão da Europa
Por Luis Moreira de Oliveira Filho
“A guerra é a continuação da política por outros meios.” –
Carl von Clausewitz
Vivemos uma era de guerras encobertas por discursos
democráticos e promessas de paz. A guerra na Ucrânia, travada com sangue
europeu e armamento norte-americano, talvez seja o maior exemplo daquilo que o
analista Brian Berletic chama de “guerra por procuração”. Em entrevista ao
jornalista Glenn Greenwald, Berletic desconstrói os discursos oficiais que
cercam o conflito e revela os bastidores de uma política externa imperialista,
que se traveste de diplomacia, mas age pela força, pela sabotagem e pelo domínio.
O
vídeo “Exclusivo, documentos: como instituições dos EUA articularam/financiaram
avanço neoliberal no Brasil” (disponível em YouTube)
apresenta uma investigação jornalística com base em documentos inéditos,
revelando como instituições governamentais e privadas dos EUA influenciaram a
política econômica brasileira, especialmente nas décadas de 1990 e 2000.
Esse
vídeo apresenta documentos inéditos que mostram como instituições
estadunidenses, como o World Bank, o Fundo Monetário Internacional, o Departamento
do Tesouro e agências como a USAID, além de fundações como a Atlas Network e o NED,
articularam e financiaram o avanço do neoliberalismo no Brasil. Aqui está uma
análise aprofundada:
Trecho
1: O papel da Atlas Network
“A
Atlas Network financiou dezenas de think tanks no Brasil que atuaram na propagação
das ideias neoliberais.”
A Atlas Network é uma organização internacional baseada nos EUA que promove
políticas de livre mercado. No Brasil, ela financia instituições como o
Instituto Liberal, o Instituto Millenium e o Instituto de Estudos Empresariais,
que foram fundamentais para moldar a opinião pública contra políticas estatais
e em favor de privatizações e reformas trabalhistas e previdenciárias
Trecho
2: Empréstimos com condicionalidades
“O
Banco Mundial emprestou bilhões ao Brasil para a educação e infraestrutura, com
a condição de implementar reformas de orientação neoliberal.”
O
Banco Mundial e o FMI aplicaram condicionalidades nos empréstimos, exigindo
reformas como abertura de mercado, redução do Estado, reforma da previdência e
privatizações. Isso ocorreu fortemente nos anos FHC, mas também impactou
governos posteriores, como os de Lula e Dilma, em negociações mais sutis.
Trecho
3: Formação de lideranças
“Organizações
financiadas pelos EUA realizaram cursos e eventos para formar jovens lideranças
pró-mercado no Brasil.”
Diversos programas de formação, como os oferecidos pelo IFL (Instituto de
Formação de Líderes) e pela própria Atlas, têm o objetivo de formar lideranças
empresariais e políticas alinhadas com o pensamento liberal, muitas das quais
hoje estão no Congresso ou na mídia empresarial.
Trecho 4: Estratégias de guerra cultural
“A
guerra cultural e a crítica ao ‘marxismo cultural’ foram parte do plano de
inserção ideológica no Brasil.”
Financiadores ligados à extrema-direita americana (como os irmãos Koch) atuaram
também na propagação de narrativas como ‘escola sem partido’, anticomunismo e
revisionismo histórico, buscando deslegitimar movimentos sociais e
universidades públicas.
Trecho
5: Agentes locais da influência
“Instituições
como o MBL, o Instituto Liberal e o Millenium foram identificadas como
principais receptores de apoio indireto via fundações e consultorias.”
O MBL e outros grupos de nova direita surgiram com apoio logístico e ideológico
dessas redes, utilizando-se de redes sociais, cursos de formação e
financiamento indireto (como via convênios com ONGs estrangeiras ou
consultorias ligadas a empresas internacionais