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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Por que Dilma teve a honra de ser escolhida para discursar em missa de Mandela?

Do Estadão
 
Além da presidente do Brasil, Obama, Raúl Castro, o sul-africano Jacob Zuma e líderes de Namíbia e Índia falarão na despedida
Andrei Netto e Rafael Moraes Moura, enviados especiais a Johannesburgo
 
JOHANNESBURGO - Em uma homenagem histórica a um dos maiores líderes políticos do século 20, a presidente Dilma Rousseff será um dos seis chefes de Estado a discursar na terça-feira, 10, na missa fúnebre do líder sul-africano Nelson Mandela, morto aos 95 anos, na última quinta-feira. 
 
Seguindo o espírito conciliador de Mandela, a homenagem terá entre os oradores figuras antagônicas, como o presidente dos EUA, Barack Obama, e o de Cuba, Raúl Castro.
O convite para Dilma ser uma das oradoras foi visto pelo Itamaraty como uma deferência ao Brasil e à presidente, que convidou os antecessores - José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva - para acompanhá-la em comitiva. Todos eles aceitaram.
"O Estado brasileiro se une para honrar Mandela, exemplo que guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz", escreveu Dilma, em sua conta pessoal no microblog Twitter. "É uma honra poder reunir todos os ex-presidentes num objetivo comum. É uma demonstração de que as eventuais divergências no dia a dia não contaminam as posições do Estado brasileiro."
A iniciativa de levar uma comitiva com antecessores às cerimônias fúnebres não é exclusiva do governo brasileiro. Obama irá a Johannesburgo acompanhado de seu predecessor na Casa Branca, George W. Bush. Bill Clinton e Jimmy Carter também são esperados. François Hollande, presidente da França, levará - em avião separado - Nicolas Sarkozy, seu antecessor no Palácio do Eliseu. David Cameron, primeiro-ministro britânico, deve ser acompanhado do príncipe Charles.
Além de Dilma, Obama e Raúl, discursarão os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, da Índia, Pranab Kumar Mukherjee, e da Namíbia, Hifikepunye Pohamba. O critério para definição dos oradores não foi informado pelo protocolo sul-africano.
O roteiro prevê ainda um tributo do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que definiu o ex-presidente como "um gigante da Justiça", ao visitar ontem a Fundação Nelson Mandela, e homenagens de líderes políticos como Hassan Rohani, presidente do Irã, que também estará presente.
Autoridades da África do Sul estimam que cerca de 90 chefes de Estado compareçam à solenidade, que deve se tornar a maior cerimônia não esportiva da história do país. "Noventa e um chefes de Estado e de governo em exercício, 10 ex-dirigentes, 86 chefes de delegação e 75 personalidades eminentes confirmaram presença", informou ontem Clayson Monyela, porta-voz da ministra sul-africana das Relações Exteriores.
Um total de 126 embaixadas da África do Sul abriram as portas no fim de semana e ainda enfrentavam ontem forte demanda por vistos. Em Johannesburgo, filas de até 5 horas tomaram o centro de imprensa, onde entre 2,5 mil e 3 mil jornalistas já se credenciaram.
Além da solenidade de hoje, no estádio Soccer City - nas imediações de Soweto -, duas cerimônias estão previstas. Nos próximos três dias, o corpo do ex-presidente será velado no Union Buildings, sede do governo, em Pretória, local do célebre pronunciamento de posse de 1994. No domingo, ocorrerá o sepultamento em Qunu, terra de seus ancestrais. O lugar fica a 23 quilômetros de Mvezo, onde Mandela nasceu, no leste da África do Sul.

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