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domingo, 4 de novembro de 2012

M{ìdia golpista atrás do vencedor das eleições de 2012, desde que não seja o PT e Lula.

 (Kleber Sales/CB/D.A Press)
Marcos coimbra
Em primeiro lugar, porque, para a imensa maioria dos eleitores, o voto no prefeito nada tem a ver com o voto na eleição presidencial. Em segundo, porque é ínfima a proporção que escolhe o candidato a presidente "por influência" do prefeito

sociólogo e presidente do instituto vox populi
marcoscoimbra.df@dabr.com.br



Me engana que eu gosto...

Será amnésia? Desinformação? Ou apenas nossa velha conhecida, a vontade que a realidade seja como desejada?

Quem lê a abundante produção de nossos comentaristas políticos a respeito das eleições municipais recém-concluídas não deve estar entendendo nada. Afinal, tudo que sabíamos sobre elas estava errado?

Não somos, propriamente, novatos na matéria. Se contarmos as que ocorreram desde a redemocratização, já são 8, cobrindo um período de quase 30 anos. Domingo passado, não era a primeira vez que as fazíamos.

Somos, portanto, tarimbados o suficiente para esperar mais discernimento na hora de interpretá-las.

Se há uma coisa que temos obrigação de saber sobre a relação entre a escolha de prefeitos e a de presidente da República é que ela inexiste. Só quem tomou bomba na escola primária da política ignora fato tão básico.

Parece, no entanto, que nossos analistas se esqueceram disso.

Tanto que quase tudo que vêm publicando versa sobre as consequências das eleições deste ano na definição de quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2015. Reeditam a teoria do “primeiro capítulo”, que assegura que a eleição municipal “antecipa” a presidencial.

O problema dela é ser errada, com ampla evidência a demonstrá-lo.

Nenhuma das eleições presidenciais brasileiras modernas foi “antecipável” pelo ocorrido dois anos antes, quando o eleitorado, pensando em uma coisa completamente diferente, procurou identificar os melhores candidatos a prefeito e vereador nas cidades.

Collor não “tinha” mais que meia dúzia de prefeitos — fora em Alagoas — quando se lançou. Fernando Henrique ganhou e se reelegeu sem precisar de “prefeitama” nenhuma.

Na eleição de Lula, a vastíssima maioria dos prefeitos estava com Serra, que pilotava uma coligação imensa, congregando todos os partidos mais bem sucedidos na eleição de 2000 — incluindo os três maiores no número de prefeitos, PSDB, PMDB e PFL.

Na reeleição e com Dilma, a importância do tamanho das “bases municipais” voltou a se mostrar pequena.

Em que pese o óbvio, a mídia anda cheia de especulações sobre os impactos de 2012 em 2014. Talvez porque nossos comentaristas desejam que existam e modifiquem o cenário mais provável.

Qual o critério para definir os “grandes vencedores” de 2012? Ter feito mais prefeitos e vereadores, vencido em mais capitais, tido a maior taxa de crescimento, conquistado as prefeituras das capitais mais importantes, se desempenhado melhor em cidades médias, tido a performance mais bem equilibrada nas regiões do país? Ou haver conseguido a melhor combinação disso tudo?

PSD e PSB, entre os partidos médios, fizeram um bom número de prefeitos. O PSDB venceu em duas capitais do Norte e duas do Nordeste. São do PSB os prefeitos de cinco capitais, do PMDB os de duas, do PT os de quatro. O PTC venceu em uma.

E daí?

No plano objetivo, nada. Em primeiro lugar, porque, para a imensa maioria dos eleitores, o voto no prefeito nada tem a ver com o voto na eleição presidencial. Em segundo, porque é ínfima a proporção que escolhe o candidato a presidente “por influência” do prefeito.

No máximo, a eleição municipal projeta uma imagem de vitória. Como em alguns casos simbólicos — vencer em São Paulo, por exemplo.

É, talvez, por ter Fernando Haddad vencido na cidade que os analistas da mídia conservadora andam tão ansiosos à cata de qualquer “vencedor” que não seja o PT.

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