🌵 Olhos do Sertão – A Guerra que Já Começou?
Por Luís Moreira de
Oliveira Filho
Do sertão nordestino ao coração dos
conflitos globais, há uma pergunta ecoando entre os silêncios da mídia e os
gritos das sirenes de guerra:
A Terceira Guerra Mundial já começou?
Guerras declaradas, guerras silenciadas
Do bombardeio israelense a Teerã à retaliação
iraniana, passando pela guerra na Ucrânia que foi iniciada em 2014, e pelas tensões crescentes no
Mar do Sul da China, o que vemos é um tabuleiro de conflitos
interligados, assimétricos e altamente armados.
Nos bastidores: EUA, China, Rússia, Israel, Irã,
Europa, Índia...
Na linha de frente: mísseis, drones, sanções, sabotagens,
algoritmos, desinformação.
Talvez não tenhamos ainda as trincheiras de
Verdun, mas temos redes digitais como campo de batalha, satélites como
sentinelas e inteligência artificial como comandante.
Vivemos uma guerra de novo tipo: silenciosa, difusa,
global.
Crise de Civilização: entre o colapso e o renascimento
Este não é apenas um tempo de guerra. É uma encruzilhada civilizacional.
·
A natureza foi reduzida a recurso explorável.
·
A tecnologia virou instrumento de vigilância e
controle.
·
A política tornou-se espetáculo e arma.
·
O humano se esvaziou em algoritmos de consumo.
Estamos diante de uma crise
existencial da humanidade, como afirmam pensadores como Edgar
Morin e Boaventura de Sousa Santos.
Não sabemos mais para onde ir, porque esquecemos
quem somos.
Novos Colonialismos: Guerra por Terras,
Corpos e Dados
Se antes o colonialismo europeu saqueava
terras e escravizava povos, hoje ele volta em
outras formas:
·
Neocolonialismo
tecnológico: países do Sul Global tornam-se laboratórios de
controle digital.
·
Colonialismo climático:
as nações que menos poluíram são as que mais sofrem.
·
Colonialismo extrativista:
guerras são travadas por lítio, petróleo, terras raras, água.
O caso da África, da América Latina, da
Palestina ou do Congo revelam como a “paz” global é sustentada por um apartheid de direitos, de soberanias e de recursos.
Disputa por Recursos: Lítio, Água, Terras
Raras
Não se faz guerra apenas por territórios.
Faz-se guerra por energia, por vida, por futuro.
·
O lítio da Bolívia e do
Afeganistão é ouro branco da era digital.
·
As terras raras da China
são vitais para armamentos e chips.
·
O gás do Oriente Médio,
o petróleo do Irã, a água do Nilo são mais valiosos que qualquer moeda.
Esses recursos, cada vez mais escassos, estão
no centro de alianças, sabotagens, intervenções e ocupações.
Quem controla os recursos, controla o futuro.
Risco Real: de guerras locais à Conflagração
Global
EUA pedem a evacuação de Teerã. China exige
saída imediata de seus cidadãos de Israel.
A aviação civil está sendo bloqueada.
As redes estão congestionadas por medo, desinformação e desespero.
Soa familiar? A Segunda Guerra também começou assim:
por pedaços do mundo, por alianças malfeitas, por silêncios cúmplices.
Hoje, com armas nucleares, drones autônomos e
inteligência artificial, qualquer erro pode ser o
último.
Sertão, olho do mundo
Do sertão, observamos.
Vemos que essa guerra não é apenas entre
nações, mas entre dois projetos de humanidade:
·
Um que insiste em extrair, excluir, colonizar,
lucrar.
·
Outro que tenta resistir, regenerar, lembrar,
reconstruir.
O Sertão, com sua
sabedoria da escassez, sua solidariedade ancestral, sua força resiliente, é
também farol.
Como o mandacaru que floresce no mais duro verão, a
esperança pode ainda romper o solo da guerra com a flor da justiça.
Conclusão: a guerra já começou?
Sim, em
muitos aspectos, já estamos dentro dela.
Mas ainda não é tarde para escolher outro caminho.
Precisamos de imaginação
política, como dizia Edward Said.
De ecologia dos saberes, como sugere
Boaventura.
E de coragem coletiva, como ecoa nos olhos atentos do sertão.
📌 “Olhos do
Sertão” é mais que um blog. É uma trincheira de pensamento, uma janela para o
mundo, uma flor de mandacaru em tempos de colapso.
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