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sábado, 21 de junho de 2025

Israel tem armas nucleares, mas os demais países do Oriente Médio não podem ter.

Vivemos tempos das maiores maiores hipocrisias geopolíticas de nossa contemporaneidade  e para escrever sobre isso, precisamos combinar história, estratégia militar, colonialismo, e o jogo de interesses globais. Vamos por partes:

Israel tem armas nucleares, mas nunca admitiu oficialmente

Israel segue uma política chamada de "ambiguidade estratégica" (ou deliberate ambiguity). Nunca confirmou nem negou publicamente que possui armas nucleares. No entanto:

  • Estimativas apontam que Israel possua entre 80 e 400 ogivas nucleares.
  • As ogivas teriam sido desenvolvidas no centro nuclear de Dimona, no deserto do Neguev, com apoio secreto da França e, depois, dos EUA, nas décadas de 1950 e 1960.
  • Em 1986, o técnico nuclear Mordechai Vanunu vazou informações à imprensa britânica, revelando fotos e dados detalhados do programa nuclear israelense. Ele foi sequestrado pelo Mossad na Itália, julgado em segredo e preso por 18 anos em Israel.

Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP)

Enquanto países como Irã, Iraque e Síria assinaram o TNP (comprometendo-se a não desenvolver armas nucleares), Israel nunca assinou. Isso significa:

  • Israel não se submete às inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica);
  • Não é oficialmente responsabilizado ou pressionado pelas potências ocidentais — principalmente pelos EUA.

A política de “dois pesos e duas medidas”

O Ocidente, liderado pelos EUA, aplica uma lógica seletiva:

  • Israel é tratado como aliado estratégico, e sua bomba atômica é ignorada pela comunidade internacional.
  • Irã, Síria, Iraque e outros países árabes/muçulmanos são pressionados duramente sempre que demonstram qualquer intenção de desenvolver tecnologia nuclear — mesmo para fins civis.
  • O Irã, por exemplo, nunca teve uma bomba atômica, mas sofreu sanções severas, sabotagens e ameaças militares constantes por tentar desenvolver tecnologia nuclear.

O fator colonial e racial

Essa desigualdade também é sustentada por uma lógica colonialista e racista:

  • Os países do "Ocidente branco" podem ter bombas nucleares porque supostamente seriam mais “civilizados” ou “responsáveis”.
  • Já os países do Sul Global, especialmente muçulmanos, são tratados como perigosos, instáveis e indignos de confiança — uma forma disfarçada de racismo geopolítico.

O papel dos EUA: o "guarda-chuva nuclear"

Os EUA mantêm Israel como posto avançado militar e estratégico no Oriente Médio. Garantem proteção, armas de ponta e impunidade:

  • Vetos constantes no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel;
  • Fornecimento bilionário anual de ajuda militar (mais de US$ 3 bilhões/ano);
  • Blindagem diplomática total, inclusive para crimes de guerra.

E se outro país do Oriente Médio tivesse armas nucleares?

Seria visto como ameaça ao “equilíbrio regional” — que na prática significa manter a supremacia militar de Israel. Se Irã, por exemplo, tivesse bomba atômica:

  • Romperia a hegemonia israelense.
  • Forçaria negociações mais equilibradas.
  • Dificultaria invasões e ocupações.

Por isso, é considerado "inaceitável" — não por razões morais, mas por cálculo geopolítico.

Conclusão:

Israel pode ter bomba atômica porque é aliado dos EUA e do Ocidente, e os outros não, porque representariam um desafio à ordem geopolítica estabelecida.

É uma questão de poder, controle e imperialismo, disfarçada de “segurança internacional”.

 

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