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domingo, 29 de junho de 2025

O Apartheid do Século XXI: sionismo, colonialismo e o sangue da Palestina e seu povo.

O Apartheid do Século XXI: sionismo, colonialismo e o sangue da Palestina e seu povo. 

Por Luis Moreira Oliveira Filho – Olhos do Sertão

“Não existe estrada para a paz. A paz é o caminho.”


— Mahatma Gandhi

 Introdução: o mal do século XXI

Se o século XX foi manchado pelo horror do nazismo, com suas câmaras de gás e ideologia da raça superior, o século XXI é marcado por um outro tipo de terror, mais disfarçado, mais sofisticado, mas não menos cruel: o sionismo enquanto projeto de apartheid, limpeza étnica e genocídio institucionalizado. A cada dia, imagens de mulheres, crianças e famílias palestinas enterradas sob escombros nos chegam como gritos sufocados por décadas de colonização e ocupação brutal.

Não se trata de antissemitismo, trata-se de uma denúncia ética, política e histórica contra um projeto colonial moderno que utiliza o sofrimento de um povo para justificar a aniquilação de outro.

Sionismo não é Judaísmo

É necessário, antes de tudo, separar três dimensões frequentemente confundidas:

·        O judaísmo, religião milenar rica em cultura, espiritualidade e ética;

·        O povo judeu, plural, espalhado pelo mundo, com trajetórias históricas diversas;

·        O sionismo, ideologia política nascida no século XIX que defende a construção de um Estado judeu na Palestina, um território já habitado por outro povo.

Muitos judeus, ortodoxos, progressistas ou simplesmente humanos, repudiam o sionismo, rejeitam a violência e o apartheid praticados em seu nome. Como dizem os Neturei Karta: "O verdadeiro judeu é contra o sionismo".

O Sionismo como projeto de apartheid

O sionismo contemporâneo não é uma mera doutrina de autodefesa. É uma engrenagem de poder que:

·        Expulsa populações palestinas (nativas)

·        Ergue muros e cercas eletrificadas;

·        Distribui direitos com base em raça e religião;

·        Promove assassinatos seletivos e bombardeios em áreas densamente povoadas;

·        Instrumentaliza a memória do Holocausto para justificar o massacre de inocentes.

A ocupação da Palestina, o bloqueio de Gaza, os assentamentos ilegais e a destruição sistemática de vilarejos palestinos não são exceções. São o próprio cerne do sionismo aplicado, um apartheid étnico sustentado pela força militar e legitimado pelo silêncio cúmplice das potências ocidentais, principalmente a Alemanha que nunca pagará o preço do holocausto.

Colonos europeus e o mito da Terra Prometida

Grande parte da população que hoje ocupa terras palestinas não possui qualquer vínculo genético ou cultural com as antigas tribos hebraicas. São europeus eslavos, russos, ucranianos, poloneses, que, amparados pela Lei do Retorno de Israel, colonizam terras expropriadas, usufruem de previdência social israelense e ostentam cidadanias múltiplas.

São colonos modernos, blindados por tanques, diplomacia e o discurso sagrado da “terra prometida”, que serve como manto para ocultar a real motivação: um projeto de dominação racial e territorial.

Como afirma o historiador Shlomo Sand, a noção de um povo judeu unitário, com origem comum nas tribos de Israel, é uma invenção ideológica do século XIX, usada para sustentar um nacionalismo excludente e violento.

A lógica genocida e o espelho do nazismo

É duro dizer, mas necessário: a lógica que sustenta o sionismo de hoje se assemelha àquela que sustentou o nazismo de ontem.

Ambos:

·        Escolhem um povo como superior;

·        Desumanizam o outro;

·        Legitimam o extermínio como defesa;

·        Usam o Estado e o exército como instrumentos de purificação étnica.

Sobre isso, recomendo assistir o vídeo com o sociólogo Boa Ventura - Boaventura: se o nazismo foi o grande mal do século 20, o sionismo é o grande mal do século 21

Não se trata de igualar os fatos históricos, mas de reconhecer as estruturas de poder, violência e exclusão que movem essas engrenagens mortais.

A cada bomba lançada sobre Gaza, a cada casa demolida na Cisjordânia, a cada criança morta em um ataque aéreo, Israel cava um pouco mais o túmulo da sua própria legitimidade histórica e moral.

Qual o futuro de um Estado construído sobre sangue?

Nenhum povo pode viver em paz quando sua existência depende da morte sistemática de outro. O futuro de Israel, enquanto Estado de apartheid, é a resistência dos que sonham com justiça. Enquanto houver uma criança palestina sobrevivente para contar a história, não haverá esquecimento nem silêncio que apague essa ferida.

A Palestina não é um problema religioso. É uma tragédia humana.

Um espelho daquilo que a humanidade se recusa a ver: que ninguém tem o direito de ser livre sobre os escombros de outro povo.

Conclusão: pela vida, contra o sionismo

Este texto é um manifesto pela vida e pela justiça, contra o colonialismo, contra o racismo, contra a lógica de extermínio travestida de política de segurança. É preciso nomear o que está acontecendo: genocídio.

E como educadores, pesquisadores, filhos do sertão ou cidadãos do mundo, temos o dever de romper o silêncio, de quebrar os muros da indiferença e de gritar com toda a força que o povo palestino não está sozinho.

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