O Apartheid do Século XXI: sionismo, colonialismo e o sangue da Palestina e seu povo.
Por Luis Moreira Oliveira Filho – Olhos do Sertão
“Não existe estrada
para a paz. A paz é o caminho.”
— Mahatma Gandhi
Introdução: o mal do
século XXI
Se o século XX foi
manchado pelo horror do nazismo, com suas câmaras de gás e ideologia da raça
superior, o século XXI é marcado por um outro tipo de terror, mais disfarçado,
mais sofisticado, mas não menos cruel: o sionismo enquanto projeto
de apartheid, limpeza étnica e genocídio institucionalizado. A
cada dia, imagens de mulheres, crianças e famílias palestinas enterradas sob
escombros nos chegam como gritos sufocados por décadas de colonização e
ocupação brutal.
Não se trata de
antissemitismo, trata-se de uma denúncia ética, política e histórica contra um projeto colonial moderno que utiliza o sofrimento de um
povo para justificar a aniquilação de outro.
Sionismo não é
Judaísmo
É necessário, antes
de tudo, separar três dimensões frequentemente confundidas:
·
O judaísmo,
religião milenar rica em cultura, espiritualidade e ética;
·
O povo judeu,
plural, espalhado pelo mundo, com trajetórias históricas diversas;
·
O sionismo,
ideologia política nascida no século XIX que defende a construção de um Estado
judeu na Palestina, um território já habitado por outro povo.
Muitos judeus,
ortodoxos, progressistas ou simplesmente humanos, repudiam o sionismo,
rejeitam a violência e o apartheid praticados em seu nome. Como dizem os
Neturei Karta: "O verdadeiro judeu é contra o sionismo".
O Sionismo como
projeto de apartheid
O sionismo
contemporâneo não é uma mera doutrina de autodefesa. É uma engrenagem de poder
que:
·
Expulsa populações palestinas (nativas)
·
Ergue muros e cercas
eletrificadas;
·
Distribui direitos com
base em raça e religião;
·
Promove assassinatos
seletivos e bombardeios em áreas densamente povoadas;
·
Instrumentaliza a memória
do Holocausto para justificar o massacre de inocentes.
A ocupação da
Palestina, o bloqueio de Gaza, os assentamentos ilegais e a destruição
sistemática de vilarejos palestinos não são exceções.
São o próprio cerne do sionismo aplicado, um apartheid étnico sustentado pela força
militar e legitimado pelo silêncio cúmplice das potências ocidentais,
principalmente a Alemanha que nunca pagará o preço do holocausto.
Colonos europeus e o mito da Terra Prometida
Grande parte da
população que hoje ocupa terras palestinas não possui qualquer vínculo genético
ou cultural com as antigas tribos hebraicas. São europeus eslavos, russos,
ucranianos, poloneses, que, amparados pela Lei do Retorno de
Israel, colonizam terras expropriadas, usufruem de previdência social
israelense e ostentam cidadanias múltiplas.
São colonos
modernos, blindados por tanques, diplomacia e o discurso sagrado da “terra
prometida”, que serve como manto para ocultar a real motivação: um projeto de dominação racial e territorial.
Como afirma o
historiador Shlomo Sand, a noção de um
povo judeu unitário, com origem comum nas tribos de Israel, é uma invenção
ideológica do século XIX, usada para sustentar um nacionalismo excludente e
violento.
A lógica genocida e
o espelho do nazismo
É duro dizer, mas
necessário: a lógica que sustenta o sionismo de hoje se
assemelha àquela que sustentou o nazismo de ontem.
Ambos:
·
Escolhem um povo como superior;
·
Desumanizam o outro;
·
Legitimam o extermínio como defesa;
·
Usam o Estado e o exército como instrumentos de
purificação étnica.
Sobre isso, recomendo assistir o vídeo com o sociólogo Boa
Ventura - Boaventura: se o nazismo foi o grande
mal do século 20, o sionismo é o grande mal do século 21
Não se trata de igualar os fatos históricos, mas
de reconhecer as estruturas de poder, violência e exclusão
que movem essas engrenagens mortais.
A cada bomba
lançada sobre Gaza, a cada casa demolida na Cisjordânia, a cada criança morta
em um ataque aéreo, Israel cava um pouco mais
o túmulo da sua própria legitimidade histórica e moral.
Qual o futuro de um
Estado construído sobre sangue?
Nenhum povo pode
viver em paz quando sua existência depende da morte sistemática de outro. O
futuro de Israel, enquanto Estado de apartheid, é a resistência dos que sonham
com justiça. Enquanto houver uma criança palestina sobrevivente para contar a
história, não haverá esquecimento nem silêncio que apague essa
ferida.
A Palestina não é um problema religioso. É
uma tragédia humana.
Um espelho daquilo que a humanidade se recusa a
ver: que
ninguém tem o direito de ser livre sobre os escombros de outro povo.
Conclusão: pela vida, contra o sionismo
Este texto é um manifesto pela vida e pela justiça, contra o
colonialismo, contra o racismo, contra a lógica de extermínio travestida de
política de segurança. É preciso nomear o que está acontecendo: genocídio.
E como educadores,
pesquisadores, filhos do sertão ou cidadãos do mundo, temos o dever de romper o
silêncio, de quebrar os muros da indiferença e de gritar com toda a força que o povo palestino não está sozinho.
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