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domingo, 14 de agosto de 2011

“Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, diz Dilma Rousseff

O objetivo de setores da mídia está bem explícito: quebrar a aliança dos partidos aliados montado em cima cargos e do aparelho do Estado. É uma aliança fraca, promíscua até, mas não foi diferente até agora desde a promulgação da Constituição de 1988. 

Se Dilma quiser pode fazer um grande bem ao país quebrando essa relação promíscua, mas é um risco muito grande. 

No entanto, ela precisa entender que o Brasil mudou muito, a despeito de termos um o submundo do jornalismo brasileiro, com raras exceções. 



“Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, diz Dilma Rousseff

EM ENTREVISTA À REVISTA CARTA CAPITAL, A 33ª CONCEDIDA NO CARGO DE PRESIDENTE, DILMA ROUSSEFF AFIRMA QUE O GOVERNO FEDERAL AFASTOU FUNCIONÁRIOS ACUSADOS DE IRREGULARIDADES NO USO DE DINHEIRO PÚBLICO NOS MINISTÉRIOS DOS TRANSPORTES E DO TURISMO. ENTRETANTO, ALERTA QUE SUA ADMINISTRAÇÃO NÃO PODE SUPERDIMENSIONAR AS DENÚNCIAS E NEM CRIAR CONDENADOS SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL.

Carta Maior
Marcel Gomes


SÃO PAULO – A presidenta Dilma Rousseff criticou a imprensa brasileira ao comentar as recentes denúncias de corrupção contra ministérios e as notícias de que as Forças Armadas se irritaram com a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa.


Em entrevista à revista Carta Capital, a 33ª concedida no cargo, Dilma disse que o governo afastou funcionários acusados de irregularidades no uso de dinheiro público nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Entretanto, alertou que o governo não pode superdimensionar as denúncias e criar condenados sem o devido processo legal.

“O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é ruim, porque há a tendências de as pessoas se preocuparem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas”, disse ela.

Dilma garantiu que seu governo não "abraçará a corrupção", por razões éticas e também outra, relacionada à eficiência. Segundo ela, um governo capturado por corruptos torna-se ineficiente, sobretudo quando há restrição orçamentária e demandas urgentes. Por isso, diante das denúncias, ela prometeu dar respostas, mas “sem gastar todo meu tempo nisso”.

Celso Amorim
Conflitos como o que existe entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o canal de tevê Fox News, assim como o escândalo do tablóideNews of the World, na Inglaterra, têm chamado a atenção da presidenta, que parece ver como natural a relação contraditória estabelecida entre governos e mídia.

Ela avalia, porém, que a imprensa também possui suas heterogeneidades. “Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis”, ponderou.

A presidente considerou “irrelevantes” as notícias e comentários de colunistas que alertavam para uma suposta insatisfação das Forças Armadas após a indicação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. E ela justifica: “a sociedade brasileira evoluiu” e “as Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais”.

Sem citar o nome do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, Dilma aproveitou a entrevista para dizer que “as pessoas tem de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis”. “Nem na época da monarquia o rei era insubstituível. (...) O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma grande capacidade de gestão”, afirmou.

Duas utopias
Sobre a crise global, a presidenta disse que, apesar da “aquiescência” do poder público, ela não foi causada por ele, mas pela desregulamentação do mercado financeiro. Como proposta de superação, Dilma critica tanto a solução proposta pelos republicanos norte-americanos, de reduzir o tamanho do Estado, como a da União Européia, de penalizar as economias menores do bloco, depois de anos de oferta de crédito e produtos pelas economias centrais.

“São duas utopias muito graves, porque, como disse o [economista Luiz Gonzaga] Belluzzo [um dos entrevistadores da Carta Capital], é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou”, ponderou. Questionada sobre os efeitos da crise no Brasil e as medidas tomadas pelo governo para combatê-la, a presidenta afirmou que cometeria um “equívoco político e econômico” se as revelasse “antecipadamente”.

Entretanto, citou ações já tomadas para o incentivo à inovação, à desoneração (Supersimples) e às exportações (Reintegra) como parte da estratégia. “Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho”, disse. A revista Carta Capital dividiu a entrevista de Dilma em duas partes. A segunda será publicada na edição da próxima semana.

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