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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Belo Monte, a hipocrisia de atores globais e a sabotagem da Rede Globo.

O consumo, ou melhor consumismo é alavanca que move a destruição dos ecossistemas do planeta Terra. 


Será que os atores globais trocariam os seus carrões de luxo pelo transporte coletivo? 

Será que eles têm feito o dever de casa, reduzir o consumo e descarte de resíduos ao meio ambiente? 


Será que eles estão preocupados com a miséria das favelas que serpenteiam as suas mansões luxuosas? 


A fala de Indira Ghandi, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, ecoou entre os presentes: a pobreza é a maior das poluições, deixando claro que era preciso resolver o problema da miséria para tentar resolver os problemas do meio ambiente, porque os pobres precisam exaurir o seu meio ambiente para suprir as necessidades básicas. 


Nesse sentido, acredito que só existe um tipo de desenvolvimento: o desenvolvimento humano em todas as suas dimensões.  

E por isso, não se pode entender o movimento ambientalista de fora como uma necessidade do Brasil, ou que o mesmo vá resolver os problemas de nosso país, quando na verdade, a luta é para acabar com a miséria que assola esse país rico, onde a maioria vive ainda na linha de pobreza. 

O que se percebe meus amigos é uma sabotagem de setores da mídia e ONGs (financiadas por organismos financeiros) ao plano estratégico e de desenvolvimento desse país em curso pelo governo Dilma. 


O Brasil não pode entrar nessa armadilha do "verdismo" que tenta impedir o seu desenvolvimento, onde a Rede Globo é um instrumento de manipulação ao povo brasileiro. Fizeram isso com muito sucesso, preparando o povo para a privataria, mas não podem ter sucesso com o objetivo de sabotar o desenvolvimento desse país.

Importante perceber que é a energia que move as economias no mundo. E que o Brasil tem um plano estratégico para diversificar a sua matriz energética, em curto, médio e longo prazo. 

E que os governos anteriores, apoiados pela Rede Globo, não fizeram o dever de casa no sentido de gerar energia e evitar apagões. 

É importante os leitores fazerem a seguinte indagação: o que está por trás dessas manifestações? E que interesses estão em jogo? 


O do Brasil? Por que esses atores não fazem manifestações para acabar com a miséria nesse país? Para acabar com as injustiças sociais? De que lado essa gente está? 


Do Brasil real ou do Brasil que passa nas novelas? 
O ator Sergio Marone produziu e escreveu o roteiro do vídeo contra a construção de Belo Monte

Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo


Os Belos e Belo Monte

Pois estimados leitores cá estamos, dependendo de onde estamos. Se estivermos em São Paulo, por exemplo, podemos aproveitar das maravilhas da Balada Literária, a criação do Marcelino Freire para mostrar que evento de literatura pode, sim, pode, ser muito legal, ter altíssima qualidade, e, ora vejam, ser grátis. Basta querer que todo mundo que queira entrar entre, não é mesmo?


E entre um momento e outro da Balada cá estava eu, ciscando no Tuiti e pronto, fui atingido por um vídeo gravado por muitos atores globais baixando o cacete na hidrelétrica de Belo Monte, garantindo que ela é o mal sobre a Terra, o exu, o capeta, o diabo em sua versão mais úmida, e eu me pergunto, como eles sabem de tudo isso? E mais, por que o vídeo deles é igual a um americano, dirigido pelo Spielberg para fazer os americanos tirarem a bunda do sofazão e irem votar?

Por que atores globais fizeram um vídeo contra? Eu não tenho nada contra atores globais, fora o sotaque e a mania de fazerem teatro comercial, mas não tenho nada a favor. Pra mim, são tão ignorantes em assuntos de represas no Pará como quase todo mundo com quem eu falei antes de escrever essa coluna, se bem que, admitamos, muito mais fotogênicos. Mas, mesmo sendo pra lá de mais bonitos e reconhecíveis do que eu ou o senhor aqui ao lado, eles falam tanta besteira quanto qualquer um, e isso me irrita. Energia eólica é mais limpa? Alguém já viu um parque eólico, que por demandar vento costuma ficar no litoral, onde também ficam as praias? Importante, necessário, talvez melhor, mas, limpo? Defina limpeza aí, seu global, porque eu talvez ache uma represa cheia de água no meio de uma floresta cheia de água algo mais natural do que cataventos altíssimos transformando por completo uma paisagem que antes era perfeita. Solar? Estimado espécime global, sua senhoria faz idéia da área necessária para produzir 100 megawatts de energia solar? Eu sei, e é um monte de área, que não vai servir para mais nada, montes de recursos, dinheiro pra caramba, e ainda temos os enormes custos de manutenção. Belo Monte são 11 mil megawatts, senhor ou senhora global. Faça as contas antes de vir ler texto dado por sei lá quem, e talvez eu realmente leve a sério o que dizem, o que o senhor ou senhora talvez mereçam, desde que trabalhem para isso.

Os bonitinhos dizem que Belo Monte vai criar um baita lago e afogar a floresta. Eu, feinho, fui estudar. O lago da represa vai ocupar uma área de 516 km2, me informa o Google. O mesmo Google me diz que o estado do Pará possui uma área de 1.247.689,515 km2. O que deve querer dizer que o lago a ser formado vai ocupar uma área equivalente a 1/2400 da área do estado do Pará, que por sua vez é um estado com 7 milhões de habitantes, com dois milhões deles morando em Belém e todos participando do Círio de Nazaré, pelo que vejo. Ou seja, uma represa vai alagar uma área de 1/2400, ou nada por cento, de um estado basicamente vazio e isso se torna um problema por que mesmo? Não dêem texto, provem. Do jeito que vocês falam, encenando, eu não tomo como sério o que é dito. A moça vem e diz "24 bilhões" e soa como o Dr. Evil falando "One billion dollars" com o dedinho na boca. Dona, diga aí qual é o PIB brasileiro em 2010, e quantos por cento do nosso PIB, a nossa riqueza nacional, a hidrelétrica vai custar, diluída por 50 anos? Vosmecê sabe? Ó aqui a minha boquinha enquanto ela diz, assim: D-U-V-I-D-O.

Leitores, me irrita, e muito, essa tentativa de fazer a minha cabeça por processos tão rudimentares. Se querem, mandem coisa melhor e terão toda a minha atenção. Isso aí é manipulação tola, boba, mesmo que muito bem intencionada. Isso tem cara de ONG que consegue apoio de um publicitário bonzinho e muita gente bacana e vamos lá, salvar as baleias do Xingu. Pois me irrita pra caramba, pelo desrespeito para comigo, que vivo no mundo real, não dos comerciais sejam eles do governo ou de ONGs. Eu não sou uma baleia, acho.

Eu vivo em uma sociedade industrial, que pode abrir mão de muitas coisas e do bom senso quase o tempo inteiro, mas não resiste a umas poucas horas sem energia. Vira gelo, sem gelo pro uísque. Vira fogo sem ar condicionado para resolver a vida na fornalha. Vira uma luta pelo pedaço de pão mais próximo, vira a impossibilidade de chegar até a nossa casa. Podemos ficar sem quase tudo, e eu poderia ficar muito bem sem axé, o Malafaia e a lasanha congelada, mas não podemos ficar sem energia. Podemos e devemos economizar energia. Podemos e devemos desenvolver energias renováveis, e o faremos. Podemos e devemos esquecer a maluquice de construir Angras 3, 4 o escambau, mas não o faremos. Angra 3 ou 4 são muito, muito piores do que qualquer Belo Monte e certamente piores do que Fukushima, especialmente se ficarem no Rio, que, digamos, não é o Japão.

Mas para chegarmos até as novas energias, precisamos de energia da que se produz agora e o resto é, infelizmente, poesia. Não a qualquer custo, mas a custos que valha a pena pagar. E essa avaliação tem que ser muito, mas muito racional e justa do que eu vejo nos youtubes que vêm e vão.

Se vamos escapar do fogo ou do gelo, é pela inteligência, como sempre foi e será. E desse debate, por tudo que eu vi, ela está longe, muito longe, muito mais longe do que o Pará, e muito menos inteligente do que precisa ser para ser.



Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.

20 comentários:

Reifael disse...

Mto bem escrito. Mto bem argumentado.
PARABÉNS!!!

Confesso ainda não ter opnião formada sobre, mas qnd vi o vídeo dos globais achei bem estranho tbm.
NADA q sai daquela casa, sai inocentemente. Vídeo tem cheiro forte de algo meio fedido.

Oq precisamos é disso, informação. Opnião cada um tem a sua.

Vlw

olhosdosertão disse...

Olá Rafael,

Agradeço a sua manifestação. Creio que carecemos de mais informações. A mídia não tem compromisso com os fatos porque está banhada por uma ideologia subserviente e neoliberal.

Busquemos as melhores informações porque, como já dizia os filósofos, a verdade não está no homem, mas entre os homens.

Abraços.
Luís Moreira

Leandro Tavares Pagan disse...

É, caros amigos, cada vez mais me parece que, a milênios, nossa tão louvada inteligência nos permitiu correr uma maratona no sentido contrário ao natural sem que isso parecesse um erro ou gerasse algum mal aparente. Agora, qualquer ação que façamos num sentido mais natural, por mais grandiosa que pareça, é apenas um pacinho, bem pequeno, daqueles assim calcanhar esquerdo colado no dedão direito. E teremos que terminar essa maratona assim.
Sem esquecer que, por mais estranho que pareça(!?), ainda somos animais, naturais, e sendo assim, competimos entre si, entre outras daquelas coisas da aula de biologia, do tipo Darwin sabe, adaptação, lei do mais forte, seleção natural, evolução... São todas coisas que valem para todos os seres, inclusive para nós. Ou seja, cada um vai puxar a brasa pra debaixo de sua sardinha.
Qual o objetivo de todo ser? Nascer, crescer, se reproduzir e morrer, para assim perdurar a espécie o mais longe possível, certo? Acredito que sim. Assumindo isso e para conseguir isso, será que não deveria a humanidade dominar de vez o mundo e puxar toda a brasa existente nele pra debaixo de nossas sardinhas? Afinal, quem vai precisar "comer" as sardinhas, por exemplo, do mosquito da dengue? Realmente não precisamos deles para viver. Quero dizer o seguinte, podemos pensar que o ideal nessa lógica é acabar com toda a natureza que não utilizamos para sobreviver e usar todo o espaço disponível para cultivar e construir apenas aquilo que realmente utilizamos. Porém, cada espécie que venhamos a extinguir da face da terra é um recurso em potencial que, a princípio, não poderemos mais utilizar pra manter a brasa das nossas sardinhas acesa, e nunca se sabe o dia de amanhã.
Então vamos lá, os dias da Terra estão contados, o "apocalipse" terrestre está chegando, mais dia menos dia isso vai acontecer, por exemplo, com a transformação do Sol numa estrela anã, fenômeno que fará a Terra ser engolida por uma imensa bola de fogo. A única salvação pra raça humana será achar outro planeta habitável e, claro, chegar até ele. Até esse dia suponho que já o tenhamos encontrado, mas certamente não será aqui na esquina do sistema solar, então chegar nele não será fácil. Precisaremos de muitas tecnologias, materiais especiais e muita, muita inteligência, união e esforço. Aí é que entra a questão chave de tudo isso, da vida, o equilíbrio. Equilíbrio entre puxar toda a brasa pra debaixo de nossas sardinhas ou manter as sardinhas dos demais seres aquecidas com a brasa, porque nessa hora a solução tecnológica para construir a espaço nave que nos salvará pode estar na asa do mosquito da dengue ou qualquer outra espécie.
É claro que estou exagerando, viajando bem longe na maionese, mas isso se repete em escalas menores a todo tempo. Também não sei se devemos todos entrar para o Green Peace e nunca mais matar uma formiguinha sequer ou se devemos todos virar membros da OPEP e destruir o resto do mundo, e nem tenho a pretensão de saber. Mas tenho quase certeza de que não estamos tomando as decisões corretas a muito tempo. Acredito que deveríamos "parar o mundo" para refletir profundamente sobre essas questões. Mas como também tenho praticamente certeza de que isso não irá acontecer, vou apenas tentando fazer o meu pouquinho, sem deixar de buscar ser feliz e aproveitar a vida nesse meio tempo. Resumindo, é tudo muito mais complexo do que vemos por ai, nunca teremos certeza absoluta de qual o melhor caminho e a disputa entre os seres, de mesma ou diferentes espécies, é algo natural.

marcos disse...

Parabéns pelo seu post... estamos em uma encruzilhada e os burocratas críticos desse tipo de exploração não apresentam alternativas... seria melhor então uma usina nuclear... uma termoelétrica queimando gás e carvão ? Ou seria melhor que cada um de nós preparássemos nossas tochas e lamparinas e se retornássemos em alguma máquina do tempo a época pré revolução industrial onde não se encontrava na eletricidade um bem essencial para sobrevivência humana?

postit disse...

0. Não vou discutir aqui especificamente sobre o projeto de Belo Monte, porque o texto em questão também não faz isso. Isso é curioso. A "defesa" de Belo Monte na internet até agora tem sido em 90% a crítica contra os "globais" e sua suposta hipocrisia, ou meramente o argumento de que as hidrelétricas como um todo seriam um bom negócio. Praticamente nenhum dos ofendidos com a Globo parou um momento para analisar as críticas específicas a esse projeto, vindas de dezenas de organizações ou movimentos sociais.

1. Para mim é absolutamente IRRELEVANTE para o debate sobre Belo Monte o carro que possuem os atores Globais que fizeram o vídeo, ou as outras causas que eles abraçam. Como eu disse, a luta contra Belo Monte não começou semana passada, nem ano passado, nem foi inventada pela "mídia golpista" quando o PT assumiu o governo federal. Belo Monte é um projeto da época da ditadura que foi enterrado em 1989, voltou à baila nos anos 90 e tem sido tocado desde então pelos pgovernos FHC, Lula, e agora Dilma.

2. O discurso clássico, sulista, de que "pobre é quem desmata", "pobre é quem polui" e que a redução da pobreza vai solucionar os problemas ambientais é absolutamente imbecil. Se assim fosse, a China não estaria vivendo seu pior momento ambiental justamente agora em que tira milhões da pobreza. Se assim fosse, a Austrália não seria um dos países mais imersos na crise ambiental. As comunidades indígenas e ribeirinhas habitam a Amazônia há centenas/milhares de anos com impacto relativamente baixo. A devastação da Amazônia é gerada por grandes produtores de gado e soja, madeirerias ilegais e outros grandes interesses, não pelos pequenos agricultores nem pelos sem terra assentados. Esse discurso está mais parecido com o da bancada ruralista tucana do que com alguém que se diz de "esquerda"

3. O grande argumento contra Belo monte é justamente que ela NÃO VAI contribuir para reduzir a pobreza, mas sim servir a interesses de grandes indústrias que exportam sua produção e geram pouco emprego. Acredito já ter batido nessa tecla.

4. Quem tanto critica os "globais" que fizeram o vídeo sabe alguma coisa sobre eles? Será que o sujeito que escreveu o texto sabe, por exemplo, que a Letícia Sabatella participou de VÁRIAS iniciativas contra o novo código florestal?

Será que sabe que o Marcos Palmeira é produtor de alimentos orgânicos na Serra Fluminense, que é consultor em agricultura orgânica e ativista da agricultura sustentável?

Serã que sabe que ele apresenta um programa semanal na TV Cultura, A'uwe, que é o único espaço da televisão brasileira 100% dedicado aos índios? Imagino que não - muita gente que critica os "globais" diz que nenhum deles nunca nem viu um índio. Pois bem, Marcos Palmeira conviveu na adolesência com índios xavantes e até recebeu nome de batismo indígena - muito antes de ser "global". Ele já fez muitas outras coisas em prol de populações indígenas, mas imagino que só esses dados já bastem.

Será que o autor do texto sabia disso ou preferiu julgar sem conhecer? Quem está sendo hipócrita, afinal?

Sinceramente, se esse é o nível dos defensores de Belo Monte, a coisa tá triste.

postit disse...

0. Não vou discutir aqui especificamente sobre o projeto de Belo Monte, porque o texto em questão também não faz isso. Isso é curioso. A "defesa" de Belo Monte na internet até agora tem sido em 90% a crítica contra os "globais" e sua suposta hipocrisia, ou meramente o argumento de que as hidrelétricas como um todo seriam um bom negócio. Praticamente nenhum dos ofendidos com a Globo parou um momento para analisar as críticas específicas a esse projeto, vindas de dezenas de organizações ou movimentos sociais.

1. Para mim é absolutamente IRRELEVANTE para o debate sobre Belo Monte o carro que possuem os atores Globais que fizeram o vídeo, ou as outras causas que eles abraçam. Como eu disse, a luta contra Belo Monte não começou semana passada, nem ano passado, nem foi inventada pela "mídia golpista" quando o PT assumiu o governo federal. Belo Monte é um projeto da época da ditadura que foi enterrado em 1989, voltou à baila nos anos 90 e tem sido tocado desde então pelos pgovernos FHC, Lula, e agora Dilma.

2. O discurso clássico, sulista, de que "pobre é quem desmata", "pobre é quem polui" e que a redução da pobreza vai solucionar os problemas ambientais é absolutamente imbecil. Se assim fosse, a China não estaria vivendo seu pior momento ambiental justamente agora em que tira milhões da pobreza. Se assim fosse, a Austrália não seria um dos países mais imersos na crise ambiental. As comunidades indígenas e ribeirinhas habitam a Amazônia há centenas/milhares de anos com impacto relativamente baixo. A devastação da Amazônia é gerada por grandes produtores de gado e soja, madeirerias ilegais e outros grandes interesses, não pelos pequenos agricultores nem pelos sem terra assentados. Esse discurso está mais parecido com o da bancada ruralista tucana do que com alguém que se diz de "esquerda"

3. O grande argumento contra Belo monte é justamente que ela NÃO VAI contribuir para reduzir a pobreza, mas sim servir a interesses de grandes indústrias que exportam sua produção e geram pouco emprego. Acredito já ter batido nessa tecla.

4. Quem tanto critica os "globais" que fizeram o vídeo sabe alguma coisa sobre eles? Será que o sujeito que escreveu o texto sabe, por exemplo, que a Letícia Sabatella participou de VÁRIAS iniciativas contra o novo código florestal?

Será que sabe que o Marcos Palmeira é produtor de alimentos orgânicos na Serra Fluminense, que é consultor em agricultura orgânica e ativista da agricultura sustentável?

Serã que sabe que ele apresenta um programa semanal na TV Cultura, A'uwe, que é o único espaço da televisão brasileira 100% dedicado aos índios? Imagino que não - muita gente que critica os "globais" diz que nenhum deles nunca nem viu um índio. Pois bem, Marcos Palmeira conviveu na adolesência com índios xavantes e até recebeu nome de batismo indígena - muito antes de ser "global". Ele já fez muitas outras coisas em prol de populações indígenas, mas imagino que só esses dados já bastem.

Será que o autor do texto sabia disso ou preferiu julgar sem conhecer? Quem está sendo hipócrita, afinal?

Sinceramente, se esse é o nível dos defensores de Belo Monte, a coisa tá triste.

olhosdosertão disse...

Antes de dialogar com alguns amigos que se manifestaram vou reproduzir um post que fiz há algum tempo para melhorar a discussão. Penso que precisamos de mais argumentações contra e a favor de Belo Monte

Caríssimos,

Este blog abrirá espaços de discussão sobre a construção da usina de Belo Monte. Venha contribuir, se você é a favou ou contra, deixe aqui a sua opinião.

Do blog Viomundo

Bermann: “A energia hidrelétrica não é limpa, nem barata”

Entrevista: Celio Bermann

“A energia hidréletrica não é limpa, nem barata”

por Manuela Azenha

O professor de pós-graduação em Energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP desmistifica os benefícios de o Brasil aproveitar o potencial energético dos rios da região Amazônica: “Belo Monte representa simbolicamente a possibilidade de transformar todo o territorio amazônico em um grande conjunto de jazidas de megawatts”.


Leia o texto completo acessando o post aqui

http://olhosdosertao.blogspot.com/2010/06/o-b-rasil-precisa-da-hidreletrica-de.html

Mas deixo a pergunta: qual a energia que é limpa e não deixa sujeira?

Aqui no Ceará, na comunidade do Cumbe, município de Aracati, implantaram um polo de energia eólica - da empresa Bons Ventos.

O que fizeram?

Destruíram a comunidade do Cumbe, além, talvez da mais bela praia que existia no Aracati, com suas belas dunas, lagoas de águas cristalinas.

As lagoas de águas cristalinas forma soterradas para da lugar a um estrada por onde os caminhões pudessem carregar as torres dos aerogeradores.

Hoje a praia está privatizada, sem acesso para a comunidade do Cumbe. O que se percebe é uma desolação do povo e de pessoas como eu que antes podia subir e descer as dunas do Cumbe e contemplar as suas belas lagoas de águas azuis e cristalinas.

Percebe-se que a energia eólica que vem do Cumbe em direção á estação da Chesp em Russas não é tão limpa assim.

olhosdosertão disse...

Olá Marcos agradeço as suas manifestações nesse blog. E você captou muito bem as minhas interrogações e reflexões. Mais importante do que ser contra é dizer de onde o país vai tirar energia para manter a sua economia crescendo às taxas de 5% ao ano. No longo prazo podemos e devemos pensar em energias alternativas como a energia solar. O Ceará deveria ser tema de pesquisa, tendo em vista sua vocação natural SOLAR. Temos sol o ano todo e algumas áreas degradadas e em processo de desertificação que poderiam ser aproveitadas para implantação de pólos geradores de energia solar, mas enquanto isso a economia brasileira precisa de energia para sustentar o consumo das famílias brasileiras. De onde tirar a energia? Vamos combater o consumo? Ou buscar outras formas de produções de enegia mais limpa? Onde? E Como? Somos agora a 6º economia do planeta, caminhando para ser a 5ª nos próximos anos. E aí, onde e como produzir energia para sustentar o crescimento da economia brasileira? Veja amigo, precisamos gerar energia para agora (curto prazo), porque o nós sabemos os dissabores de um apagão.

Vamos concordar que no plano de estratégico do governo - para diversificação de sua matriz energética, o governo brasileiro implante 03 usinas nucleares no nordeste, sendo um no Ceará.

A energia nuclear é mais limpa do que as outras? E viável para o Brasil? Poderíamos ter o risco constante de uma acidente nuclear no Brasil? A energia nuclear é segura. E o exemplo do Japão? Dá lições para o mundo?

olhosdosertão disse...

Olá Postit,

Você disse certo, não temos a veleidade de discutir o projeto Belo Monte, mas perguntar aos leitores de onde vamos tirar energia para sustentar uma economia que poderá crescer em média, 5% ao ano.
Se for para ser contra a hidrelétrica de Belo Monte, vamos lutar para que nenhuma hidrelétrica neste país seja construída. E convido a todos para voltar ao tempo da lamparina, como caminho para redução do consumo de energia neste país.

E vamos desativar todas as hidrelétricas neste país, agora os amigos leitores apontem de onde tiraremos energia para fazer a economia deste país crescer em torno de 5% ao ano.

Energia eólica - esqueça, aqui a empresa Bons Ventos matou a praia e suas lagoas de águas cristalinas da comunidade do Cumbe no Aracati. O livre-acesso das pessoas à praia não é permitida e a praia está cercada por vigilantes - a praia foi privatizada e degradada pela referida empresa.

Energia Nuclear - quem quer correr o risco e produzir lixo nuclear?

Energia solar - por que o setor privado não se interessa por desenvolver a indústria fotovotaica neste país?

Enquanto isso, o país avança na construção de Termoelelétricas movidas a carvão e a diesel.

James Cameron de fato está preocupado com a perda da sociodiversidade e da biodiversidade na Amazônia?
Como canadenses e norte-americano o que ele faz para evitar a destruição das florestas da América do Norte? Qual o seu interesse?

Penso que o grande ofício dos pensadores do Brasil neste momento não é apenas replicar a falácia de uma certa mídia que, contaminada pela disputa política entre dois campos opostos, perdeu a razão para fazer a boa crítica em relação aos projetos e programas do governo "Brasil sem miséria".

Agora existe uma corrente pelas redes diversas na internet contra construção da hidrelétrica de Belo Monte. Penso que se é para pensar sobre a vasta área de mata, igarapés e comunidades ribeirinhas que serão inundadas pela hidrelétricas de Belo Monte, devemos pensar também nos lagos criados que deixaram embaixo D'água, por exemplo, a Belo Monte de Antonio Conselheiro e seus seguidores. Por quê?

O lago que encobriu o sítio histórico de Canudos e provocou a remoção prévia dos habitantes de Canudos para a Vila Nova de Canudos, hoje município de Canudos (com abastecimento d'água, energia elétrica, terras irrigadas, atividades de pesca e turismo) é o da barragem de Cocorobó, no rio Vaza-Barris (Sobradinho fica no São Francisco)

Porque lá está no fundo do lago, o que restou da Belo Monte de Antonio Conselheiro, dos sertanejos, ex-escravos, índios.

continua....

olhosdosertão disse...

Continuando...

E por que a luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte na grande Amazônia? O que movem as pessoas? O movimento ambientalista e ecológico? Mas que movimento ecológico é este? Liderado por quem? Quais os interesses maiores?

Se é para lutar por uma questão que una interesses ambientais com interesses sócio-culturais vamos esvaziar Sobradinho e outras represas do São Francisco para que os restos de Belo Monte possam brotar.

"Mais do que Energia precisamos conservar e recuperar o que as obras das grandes hidrelétricas ajudaram a afogar, como a que restou a comunidade de Belo Monte, mas também as tantas comunidades que Sobradinho inundou, principalmente a identidade cultural dos povos daquela região.

Porque mais do que mata, cidades, povoados, casas, o que fica enterrado debaixo de água é a história de um povo, é a identidade de um povo.

olhosdosertão disse...

E que movimento é este por Belo Monte que se esquece das grandes áreas inundadas pelas hidrelétricas, lagos e açudes por estes país?

E como pensar a questão ambiental neste país? Vamos pensar sobre processos de consumo (buscando consumo sustentável) e redução (as pessoas falam em reciclar quando na verdade o foco deveria ser na redução (preciclar) para se começar a pensar e viver o desenvolvimento sustentável.

No entanto, vejo que isso ainda terá um grande tempo a maturar na cabeça das pessoas quando vão comprar alguma coisa ou consumi-la, seja um bem ou um serviço.

E penso que a grande pergunta é: como buscar alternativas de energia a curto prazo para uma economia crescente?. Segundo alguns economistas, para sustentar uma economia como a nossa, que já desponta para ser a quinta desta segunda década, é preciso construir um Bela Monte todo ano.

Talvez haja exagero nisso e não tenho parâmetros para dizer da capacidade instalada de energia e da necessidade para os próximos anos, a despeito do crescimento econômico de nosso pais.

Deixo aqui para os leitores o dever de pesquisar dados sobre a esta situação e a matriz energética de nosso país e depois compartilhar neste espaço de construção.

E onde tirar Energia para sustentar o consumo das famílias brasileiras e do processo produtivo?

Estamos falando de questões urgentes para manter a economia crescendo (não quero enfatizar desenvolvimento econômico - esta é outra discussão) a uma taxa de média de 5% ao ano para os próximos DEZ ANOS.

Urgente significa agora, prazo máximo de quatro anos ou seis anos para evitar um apagão geral. Os blecautes que estão acontecendo no país são avisos do que poderá vir acontecer a curto prazo, se o país não produzir mais energia, um apagão de magnitude maior do que aconteceu no início da década passada

olhosdosertão disse...

continuando...

E penso que energias alternativas como Eólica e Solar demandam um grande tempo e é uma política de longo prazo, que infelizmente o governo Lula não priorizou com a devida atenção.

Mesmo aqui no Ceará, principalmente no litoral leste, a implantação dos parques eólico estão tendo um custo social e ambiental muito altos para as comunidades tradicionais.

Estamos perdendo as nossas belezas naturais, as nossas praias para grupos privados de energia Eólica. E neste sentido, a ENERGIA EÓLICA produzida nesta parte do país é uma energia muita suja por transformar a paisagem, por aterrar lagoas de águas cristalinas, por acabar com o livre-acesso às praias, por danificar seriamente a qualidade de vida das comunidades.

E neste sentido, o país precisa caminhar em todas as direções, quando se pensa em geração de energia, mesmo porque o Brasil tem todas as possibilidades possíveis para diversificar a sua matriz energética.

No momento há um investimento alto em Energia movidas a carvão que são as Termoelétricas (funcionam como completo com as hidrelétricas) e ninguém faz uma manifestação contra.

No entanto, agora é preciso pensar no presente, dada às taxas de crescimento industrial, por exemplo.

Agora eu deixo a seguinte pergunta: se não aproveitarmos parte do território da Amazônia para produzir energia, de onde buscaremos Energia Hidráulica?

Vamos acabar com as belas praias do Ceará e do Rio Grande do Norte e a liberdade de livre-acesso a estas praias lotando-as de "fazendas de vento", como aconteceu na comunidade do Cumbe em Aracati?

Os sistemas CHESF e Itaipu e outras hidrelétricas já estão no limite de sua produtividade? Creio que sim.

Sim, digamos que Belo Monte não saia, aí entra o plano das Usinas Nucleares com previsão de serem instaladas três no Nordeste, uma aqui no Ceará. (isto já é realidade dentro do planejamento estratégico do governo em relação à geração de energia - não tenho dúvida que nosso estado ainda terá um Usina Nuclear em um futuro próximo).

A Energia Nuclear é a energia mais limpa de um lado, mas de outro exista uma grande possibilidade de contaminação, como aconteceu em Kiev na Ucrânia e recentemente no Japão.

As tecnologias de Usinas Nucleares evoluíram em sentido de mais segurança contra uma contaminação geral por " urânios enriquecidos a três por centro?

O que vocês acham?

olhosdosertão disse...

Agora outra pergunta: por que EUA, ONG internacionais não querem a instalação de Belo Monte?

Não há um interesse de fora, com o discurso neobobo e hipócrita da "sustentabilidade", quando o Brasil é reconhecido no mundo e no movimento ambientalista como um protagonista na combinação de crescimento com proteção ambiental?

Nos últimos 10 anos, quem foi o país que mais fez para avanços em propostas e ações nas Conferências das Partes sobre mudanças climáticas?

Uma coisa eu afirmo companheiros, o pensamento ambientalista dos países desenvolvidos não nos interessa porque o nosso está carregado de problemas sociais ao longo de nossa existência.

Neste país não se resolverão os problemas sociais sem geração de emprego, de melhor educação e outras políticas que possam reduzir a miséria.

Neste sentido, em Estocolmo - Suécia, no período de 5 a 16 de junho de 1972 ecoou o grito da Primeira Ministra indiana Indira Ghand dizendo: que o grande problema do mundo é miséria. Não resolveremos os problemas do meio ambiente sem antes resolver os problemas da miséria do povo.

Em nosso país resolveremos o problema do meio ambiente não apenas com proteção ambiental, mas principalmente com distribuição de renda e políticas de inclusão social.

Uma questão importante a colocar é: novamente os EUA aproveitam situações como o quadro de Mudanças Climáticas para tirarem vantagens de outros países, principalmente na disputa por queima de carbono.

Quem deve poluir mais o planeta, parece ser esta a maior discussão nos encontros internacionais, quando ninguém pensa concretamente em redução, mitigação com metas a cumprir, de acordo com o tratado de Kioto, no entanto outras questões devemos fazer:

A quem interessa o Brasil não forte, com capacidade produtiva instalada a pleno vapor?

A quem interessa o Brasil não aproveitar de forma sábia os seus recursos naturais?

A quem interessa o Brasil não se desenvolver , inclusive com a Tecnologia Nuclear?

A quem interessa o Brasil não construir a hidrelétrica de Belo Monte?

olhosdosertão disse...

continuando...

O que é importante colocar que todo empreendimento para gerar energia tem impactos ambientais grandes (não são pequenos), inclusive com instalação de parque Eólico aqui no Ceará.

O parque eólico Bons Ventos matou a praia da comunidade do Cumbe no Aracati e o todo o seu ambiente costeiro.

Não vi os movimentos ambientas "gritarem" a favor da comunidade do Cumbe. Na verdade, os movimentos ambientalistas esqueceram do Cumbe do Aracati - Ceará.

E qual é a verdade: Aqui, no Ceará a comunidade do Cumbe - Praia do Cumbe no Aracati com suas lagoas cristalinas, foi exterminada pela Empresa de Energia Eólica Bons Ventos.

A praia do Cumbe seria uma espécie de Lençóis Maranhenses.

Agora, os caras que ficam reproduzindo o pensamento de "elite bastarda que, não tem compromisso com este país", fazem campanha contra o governo, Dilma da mesma forma como faziam no governo Lula. Estes deveriam responder de onde podemos tirar energia para fazer a "economia deste país girar em torno de 5% ao ano durante esta década.

Penso que não temos como fazer omelete sem quebrar os ovos, mas podemos quebrar os ovos sem deixar que a clara possa se misturar à gema.

Não há como negar que Belo Monte fará desaparecer parte da exuberante Floresta Amazônica, comunidades ribeirinhas, igarapés, sistemas ecológicos e tudo mais, mas existe outra forma, assim como os lagos das hidrelétricas deixaram debaixo d'água o que restou da comunidade Belo Monte (Canudos)?

Quais os sentimentos de pessoas como eu não poderem visitar o local que um dia alguns sertanejos, liderados por um "louco messiânico" tiveram a audácia de trazer o Céu prometido para a terra?´

Belo Monte dos Sertões têm um significado muito importante porque foi a utopia dos sertanejos. Estes lutaram até o último homem pelo Céu na Terra.

Lá mais do que água corre o sangue derramado de homens e mulheres que resolveram lutar pelo Céu na Terra. Portanto, vamos lutar para esvaziar o lago e fazer com a história de Canudos possa ser vivenciada.

E sobre a Belo Monte da Amazônia? O que podemos fazer?


Parar de crescer? De consumir? Em reduzir? E como incluir pessoas se a economia não cresce? Não temos famílias com demandas reprimidas por duas décadas sem crescimento e falta de geração de renda?

Vejam que situação requer um debate mais complexo do que apenas dizer não à usina de Belo Monte. Veja que a mídia não tem compromisso em fazer um debate mais aprofundado da questão de geração de energia e da matriz energética deste país que ainda é considerada a mais limpa do planeta, apesar do avanço das Termelétricas.

E como energia limpa leia-se energia hidráulica. Os mesmos que elogiam a energia limpa deste país são os mesmos que são contra Belo Monte, pode uma contradição desta?

Mas o que é energia limpa? Aqui no Aracati - Ceará, especificamente na Comunidade do Cumbe, a energia elógica é muito suja porque destruiu a praia e praticamente a comunidade do Cumbe.

E somos contra Belo Monte deveríamos ser contra todas as construções de hidrelétricas neste país , Itaipu que acabou com as "Setes Quedas", por exemplo.

Se somos contra Belo Monte deveremos ser contra todas as Hidrelétricas, principalmente as que cobriram e podem ainda cobrir de água excelentes terras para a produção agrícola de nosso querido Semi-árido, além de afundarem em água a identidade cultural destes povos.

Portanto, muito cuidado com este discurso da "hipocrisia verde da sustentabilidade" porque os nossos problemas ambientais são únicos no mundo e o pensamento de fora não nos serve para nada.

O nosso movimento ambiental é de cunho social, precisamos antes lutar contra as desigualdades e pela melhor distribuição da riqueza neste país. Precisamos lutar contra a concentração de terras e águas nas mãos de poucas pessoas neste país.

olhosdosertão disse...

Contribuição de Martinho em um texto que enviei para lista dos amigos do Franklin.

http://groups.google.com/group/amigosdofranklin?hl=pt-BR.

Diz o professor Luís Moreira no estudo inserto logo abaixo: o pensamento ambientalista dos países desenvolvidos não nos interessa porque o nosso (país) está carregado de problemas sociais ao longo de nossa existência. (...) Não resolveremos os problemas do meio ambiente sem antes resolver os problemas da miséria do povo.

Estou de acordo com o professor, pois penso de igual modo que ele.

Quem faz a proteção ambiental mais eficaz, permanente, é toda a população, educada suficientemente, com nível de vida satisfatório, e conscientemente engajada na defesa ambiental. Só tendo o direito de usufruir das riquezas do País, é que a população se sentirá de fato como verdadeiramente brasileira; nem serva, nem escrava.

É preciso que todos tenham sempre presente no próprio pensamento político: de princípio, ninguém defende o que não considera seu, respeitadas as exceções de praxe. O que mais ocorre no comportamento dos desvalidos, dos que nada possuem, são atitudes de vandalismo contra o ambiente em que vivem, nas mais das vezes, como manifestações de revolta contra um meio que lhes é estranho e hostil. E mesmo os rebentos de famílias de qualquer nível econômico, mas que não tenham tido uma educação adequada e centrada no respeito ao bem comum, é notória a manifestação de atitudes vandálicas e de desprezo pelo patrimônio público, quase sempre redundando em prejuízo para o meio ambiente. De outra parte, a ignorância, mais do que a falta de chuvas, é a responsável pela acelerada desertificação de enormes glebas de terras, tanto no Nordeste quanto em outras regiões do País.

Salvo engano, a opinião acima expendida se insere na seguinte ideia de Luís Moreira: O nosso movimento ambiental é de cunho social, precisamos antes lutar contra as desigualdades pela melhor distribuição da riqueza neste país.
O meio ambiente se compõe pela terra, fauna, flora, águas, seres humanos e suas obras. É neste emaranhado de agentes em constantes choques e disputas de toda ordem, que o poder do Estado deve interferir em defesa do bem comum, do equilíbrio.

É, portanto, impensável, manter um estado de miserabilidade dos mais pobres, para preservar uma Amazônia intocada. O governo brasileiro já deveria ter submetido ao referendo popular um plano de desenvolvimento para a Amazônia, com destaque para a distribuição de riquezas, a economia como um todo, e o meio ambiente. A Amazônia constitui mais de 50% do território nacional; vamos manter suas riquezas quase todas intactas para que os gringos possam tirar mais proveito numa possível ocupação futura? Ou vamos ocupá-la com uma população dona do próprio nariz, e decidida a defender sem contemplação o que lhe pertence? Eis o impasse real para o Brasil decidir, o quanto antes: se quer garantir a posse definitiva, e fora de dúvida, da Região Norte ou se deixa crescer esse potencial de ameaças que já estamos fartos de ver e ouvir, periodicamente, pela mídia. Se as coisas continuarem como estão, a qualquer tempo poderemos nos deparar com uma resolução do todo-poderoso Conselho de Segurança da ONU internacionalizando a Amazônia. Ou, por outra, ficar diante de uma "americanização" daquele território, decidida a qualquer tempo por um Consenso de Washington ad hoc e executada pela parafernália militar daquele império, que tem cem anos de experiência em ocupações de regiões indefesas.


continua....

olhosdosertão disse...

continuando com o pensamento de Martinho...

Mas indo ao tema central, à projetada hidrelétrica de Belo Monte, devemos ter em conta que sua capacidade geradora foi reduzida ao nível do "fio d'água", para atender às pressões manejadas por interesses ainda difusos, entretanto claros na indução de índios ao papel de massa de manobra contra a execução do projeto.

Os ambientalistas bem intencionados devem ter em conta que as hidrelétricas constituem imenso potencial de riqueza de energia limpa, hoje quase uma reserva exclusiva da Amazônia. Por outro lado, os impactos ambientais causados pela obra e pela consequente inundação de áreas ribeirinhas ( mas pouco acima do nível atual) são hoje minimizados nos projetos modernos através da criação de oportunidades para os povos da área, criação de vilas modernas, tudo conforme as potencialidades do ambiente. Não se pode esquecer, também, que o aumento da produção de energia é condição sine qua non para assegurar a continuidade do desenvolvimento econômico do País. Se a energia não vier das hidrelétricas terá de vir de outros tipos de fontes muito mais perigosas - as termoelétricas e as nucleares - para regiões inteiras ou de impacto ambiental para áreas turísticas, inviabilizando-as, como é o caso das torres de energia eólica.

Se os ambientalistas contrários à existência da usina de Belo Monte estivessem agindo com base em raciocínio lógico, bem intencionado, e não sob manipulações de interesses anti-nacionais, estariam combatendo a construção de termoelétricas que jogam anualmente centenas de milhares de toneladas de gás carbônico na atmosfera, porque são movidas a combustíveis fósseis.
Umas poucas usinas nucleares, instaladas em regiões pouco habitadas, é forçoso aceitá-las por questões estratégicas, até de segurança nacional; o alto risco que envolvem, ao longo do tempo, é compensado pelo avanço da pesquisa atômica crucial para um país com tanto território e riquezas a defender. Mirem-se no exemplo das elites do Egito (carona com Chico Buarque); entregaram o próprio país à tutela americana. Só quem defende seu país é o povo, desde que país existe; mas para isso precisa de armas poderosas, diante de qualquer inimigo poderoso.

Finalmente, é tempo de reconhecer o valor do gesto patriótico do professor Luís Moreira e de incentivá-lo a continuar na sua campanha de sadio nacionalismo, muito em falta entre nós.
Muita boiada já se perdeu neste Brasil por falta de uns bons gritos. Vamos permanecer gritando o bom grito!

olhosdosertão disse...

http://www.youtube.com/watch?v=TWWwfL66MPs&feature=player_embedded#

CAMPANHA GOTA D'ÁGUA TEM QUATRO MENTIRAS FUNDAMENTAIS; MAIOR PARTE DO DINHEIRO DAS OBRAS NÃO SAIRÁ DO BOLSO DO CONTRIBUINTE; ÍNDIOS FORAM OUVIDOS E NÃO SERÃO TRANSFERIDOS; ÁREA INUNDADA É MENOR QUE A ALARDEADA POR GLOBAIS; ASSUNTO VEM SENDO DISCUTIDO DESDE A DÉCADA DE 70
Evam Sena_247, Brasília – Planejada desde os anos 70 e com inauguração prevista para 2015, a terceira maior hidrelétrica do mundo em potência instalada, a Usina de Belo Monte, tem levantado controvérsias desde seus primeiros estudos. Já levou uma índia a ameaçar o então presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, com um facão no rosto, mobilizou artistas internacionais como o cantor Sting e o cineasta James Cameron, e foi, nesta semana, tema de vídeo de atores globais contra a sua construção.

Apesar do elevado número de compartilhamento nas redes sociais, o vídeo intitulado Gota D’água conta mais mentiras que verdades sobre Belo Monte. É quase verdade que o projeto custará R$ 30 bilhões; serão precisamente R$ 25,8 bilhões segundo o consórcio construtor, Norte Energia. Também foi arredondado para menos o nível de operação da capacidade da usina - os globais dizem que é 1/3 (33%), quando na realidade é 40%. E a lista de equívocos da campanha "global" é longa:

Mentira #1: 80% do projeto serão pagos com impostos do contribuinte.

Mentira #2: Índios não foram ouvidos e serão tirados de suas terras.

Mentira #3: 640km² do Parque Nacional do Xingu serão inundados.

Mentira #4: O assunto não foi discutido.

Histórico polêmico

Leia a matéria completa em

http://www.brasil247.com.br/pt/247/668/25259/Belo-Monte-v%C3%ADdeo-de-globais-%C3%A9-teatro.htm

Marcelo de Moraes disse...

Muito bom o texto. Eu também ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto exatamente por que falta informação. Não existe um meio termo ou o negócio é mercadológico e empreendedor demais, com gente falando de megawatts e afins, tentando vender um peixe que eu não entendo... ou então o papo é verde demais, transformando Belo Monte na pior coisa que poderia acontecer pro nosso país. Não existe nada que aponte críticas verdadeiras ao projeto, sempre a mesma balela de comunidades ribeirinhas, indios, alagar a floresta e não há nada que fale a verdade sobre os beneficios do projeto além de um escambau de números que tentam me convencer de que tudo vai ser ótimo. Sem isso, fica dificil tomar uma decisão, mas com videozinho da Dona Globo fica fácil gerar uma antipatia contra o lado verde da coisa.

Defendo mesmo disse...

Quem escreveu esse texto é que devia perceber como chegou na lua com esse discurso "anti-globo".
Não vou dizer que amo a globo também porque é mentira, mas culpar ela por tudo de errado nesse país é hipocrisia.
Quando falamos de Belo Monte não entramos no âmbito de desigualdade social, porque eu garanto que as pessoas não sairão da miséria com a construção de uma hidrelétrica. Segundo que o problema aqui não é alagar 1/não sei quantos da área do Pará, é destruir o ecossistema bem como modificar o micro-clima da região. A região Amazônica é uma planície e qualquer um com um conhecimento básico de geografia sabe que hidrelétricas devem ser construídas em locais de declive, para que alaguem menos e aumentem seu potencial energético. Terceiro: como assim modificar a matriz energetica? construindo mais uma hidrelétrica? Acho que o Brasil já tem hidrelétricas suficientes, e segundo esse Google que você tanto julga conhecer, mais de 50% da energia do país é produzida por hidrelétricas, portanto se vamos realmente modificar a matriz deviamos investir em eólica, solar e por que não nuclear. Afinal de contas é esse o objetivo, não? A questão aqui não é parar o desenvolvimento, mas desenvolver com sustentabilidade e não confunda por favor com desigualdade social. Se vamos nos desenvolver façamos corretamente, sem destruir o que orgulhosamente chamamos de "pulmão do mundo". Afinal de contas, vocês são a favor dessa usina porquê vocês aí na Amazônia não fazem NADA para parar com o desmatamento da floresta. Talvez pra vocês não importa, mas pra gente importa. Se você ama o seu país como tenta parecer deveria saber que um dos maiores patrimônios do mesmo é a floresta amazônica. Portanto antes de vir com esse seu discurso pseudo-intelectual, pense. Não é contra o desenvolvimento, é contra essa forma de desenvolvimento. Construa algo que não precise alagar uma planície. Isso se é que você se importa, pois se realmente ligasse para o seu país você estaria é preocupado em parar com o desmatamento da Amazônia. E finalmente a norma nº3 para comentar: Não ofender o Lula. Mas a globo e os atores podem ser ofendidos? Porque? Isso só demonstra como você não consegue ver algo com imparcialidade e obviamente defende qualquer obra que o Partido dos Trabalhadores propõe, independente o quão destruidora seja ela.

hugo reis disse...

o senhor diz que pesquisou, e que o pará é um estado com 7 milhões de habitantes, com dois milhões deles morando em belém, e que a represa de belo monte vai alagar uma área de "nada por cento" em relação ao tamanho do estado do pará. quantos metros quadrados tem a casa do senhor? qual é a porcentagem de espaço que ela ocupa em relação ao tamanho do estado de são paulo? "nada por cento", também? o que eu quero saber é: para o senhor, quantas pessoas precisariam ser obrigadas a deixar suas casas - suas terras -, para que esta ação fosse considerada violenta? para mim, se uma única pessoa fosse obrigada a deixar o seu lugar de direito, então esta ação já poderia ser considerada violenta. e para o senhor?

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