A chamada “Ordem Internacional Baseada em Regras” funciona, na prática, como uma máscara diplomática para a pirataria moderna. Sob esse discurso moralizante, o capitalismo ocidental demonstra repetidamente sua incapacidade de negociar com nações soberanas sem tentar subordiná-las, capturá-las ou possuí-las.
Quando um país se recusa a entregar seus recursos estratégicos, o destino costuma ser previsível: sanções, sabotagem, desestabilização e punição prolongada. O Haiti é o exemplo histórico mais brutal — um país condenado por séculos por ousar romper com a ordem colonial. A Venezuela segue a mesma lógica.
Essas realidades desconfortáveis são exploradas na entrevista com o professor Michael Rossi, cientista político da Universidade Rutgers, que desmonta a narrativa dominante ao conectar o DNA histórico das intervenções dos Estados Unidos com os movimentos agressivos que presenciamos hoje na América Latina e no mundo.
O que está em jogo hoje na Venezuela
Hoje, 05 de janeiro, seguimos com poucas respostas e muitas perguntas. Circulam narrativas diversas, mas o que aconteceu o foi o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, além da morte de oitentas pessoas em operações ainda mal esclarecidas. Independentemente das versões divulgadas, um fato permanece evidente:
Os Estados Unidos desejam a decapitação completa do governo bolivariano.
O objetivo é claro: impor um governo fantoche, politicamente obediente, capaz de abrir caminho para o controle da maior reserva de petróleo do mundo, localizada em território venezuelano.
Plano A e Plano B: a lógica imperial
Como já mencionado em post anterior, um ex-analista da CIA foi direto ao ponto ao afirmar que Washington trabalha com dois cenários:
Plano A: instalar um governo submisso que aceite todas as exigências dos EUA, promovendo uma chamada “transição suave”;
Plano B: recorrer ao método clássico já utilizado diversas vezes na América do Sul — golpe militar, assassinatos seletivos e repressão aberta.
Ambos têm o mesmo objetivo: um governo leal aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.
A guerra psicológica e a desmoralização do chavismo
É fundamental destacar a análise de Breno Altman (@brealt):
“O governo venezuelano está investigando infiltrações e traições individuais, movidas por suborno. Essa hipótese é totalmente diferente das especulações sobre acordos liderados por Delcy Rodríguez ou pelo próprio Maduro, difundidas pelos Estados Unidos para desmoralizar o chavismo.”
Essa distinção é crucial. Não há, até o momento, qualquer mudança de governo na Venezuela. O que existe é uma intensa guerra informacional, voltada a produzir desmoralização interna, confusão e ruptura de lealdades — estratégia clássica de desestabilização.
O desejo dos EUA é evitar o custo político e internacional de um golpe militar explícito, apostando numa transição “negociada” sob coerção, sanções e infiltrações.
Golpes, assassinatos e a Doutrina Monroe
Outro
ponto não pode ser ignorado:
Os
Estados Unidos são historicamente competentes em golpes de Estado e
assassinatos políticos
quando lidam com governos que não se alinham aos seus interesses.
A Doutrina Monroe jamais foi abandonada. Ela continua presente, silenciosa ou explícita, nas mesas dos presidentes norte-americanos, independentemente do partido no poder.
A mensagem segue a mesma há mais de um século:
Quem não se ajoelhar aos interesses dos EUA será punido.
Venezuela hoje, América Latina amanhã
Se a Venezuela cair, o recado será direto para toda a região. E candidatos a governos fantoches não faltam na América Latina.
No Brasil, inclusive, setores da direita fazem fila para se oferecer ao trumpismo, prontos para sacrificar soberania, recursos estratégicos e políticas sociais em troca de bênçãos externas.
Conclusão
O caso venezuelano não é sobre democracia, direitos humanos ou regras internacionais. É sobre poder, recursos naturais e submissão geopolítica.
A história mostra que, quando um país ousa dizer “não”, ele passa a ser tratado como inimigo. A Venezuela apenas ocupa hoje o lugar que outros já ocuparam ontem — e que outros poderão ocupar amanhã.
Ignorar isso é aceitar a narrativa. Enxergar é o primeiro passo para resistir.
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