A Copa do Mundo de 1970, no México, foi um momento marcante não apenas no futebol, mas também no contexto histórico do Brasil, que vivia sob a ditadura militar. Hoje, consigo compreender que aquele período carregava tensões políticas profundas, e que a seleção brasileira acabou sendo, em certa medida, utilizada como símbolo de união nacional e também como distração do povo.
Mas, sendo criança, não havia em mim qualquer consciência desse cenário. Nossa vida era feita de escola, rua, bola e livros. O mundo se resumia ao que estava ao alcance dos olhos e do coração.
Naquela época, a Seleção Brasileira parecia estar acima de qualquer ideologia ou disputa política. Não se falava disso. O que existia era a admiração pura, quase mágica. Pelé estava em todos os lugares: nas ruas, nas escolas, nas conversas, nas figurinhas dos álbuns. Também Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho — nomes que faziam parte do imaginário coletivo de uma infância inteira.
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