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domingo, 21 de junho de 2026

Copa de 1970, ditadura e Infância: memórias de um Brasil entre o Rádio, a rua, livros e o futebol

 




A Copa do Mundo de 1970, no México, foi um momento marcante não apenas no futebol, mas também no contexto histórico do Brasil, que vivia sob a ditadura militar. Hoje, consigo compreender que aquele período carregava tensões políticas profundas, e que a seleção brasileira acabou sendo, em certa medida, utilizada como símbolo de união nacional e também como distração do povo.

Mas, sendo criança, não havia em mim qualquer consciência desse cenário. Nossa vida era feita de escola, rua, bola e livros. O mundo se resumia ao que estava ao alcance dos olhos e do coração.

Naquela época, a Seleção Brasileira parecia estar acima de qualquer ideologia ou disputa política. Não se falava disso. O que existia era a admiração pura, quase mágica. Pelé estava em todos os lugares: nas ruas, nas escolas, nas conversas, nas figurinhas dos álbuns. Também Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho — nomes que faziam parte do imaginário coletivo de uma infância inteira.

Do Sertão à Cidade: memórias de 1970, sonhos e a Bodega do Seu Luís e Dona Teresinha


Era 1970. Ano de Copa do Mundo no México, de sonhos ainda sem nome, e de uma vida simples que marcaria para sempre a minha história.

Minha família era numerosa: nove pessoas ao todo — pai, mãe e filhos — vivendo na comunidade de Pitombeira, na Ilha do Poró. Ali, a vida era sustentada pela agricultura e pela criação de animais: galinhas, porcos, gado, capotes, perus, cabras e ovelhas. Era um cotidiano de trabalho duro, mas também de muita convivência com a natureza e com os ciclos da terra. 

Meu pai mantinha também uma pequena bodega. Pequena no tamanho, mas enorme na sua importância. Ela nos acompanhou por toda a vida e, mais tarde, se tornaria conhecida como a “bodega do Seu Luís e Dona Teresinha”, um lugar que atravessou gerações, alimentou famílias e ajudou a sustentar nossos estudos e nossa caminhada.