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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O “Colonialismo” dos Aliados: quando a Europa vira colônia

 O “Colonialismo” dos Aliados: quando a Europa vira colônia

Recentemente, uma declaração de um importante economista americano, comentada no programa da Fox News, deixou até o apresentador boquiaberto. Segundo Scott Bessent, a política econômica dos Estados Unidos passará a tratar a riqueza de seus próprios aliados — sim, seus parceiros da OTAN e do G7 — como se fosse um fundo soberano americano.

Em outras palavras, caberia ao presidente dos EUA decidir, “a seu critério”, como direcionar esse capital estrangeiro para construir fábricas e reindustrializar o país. O apresentador chamou isso de offshore appropriation, ou seja, apropriação de riqueza alheia além-mar. Um nome polido para o que, em termos mais diretos, poderíamos chamar de roubo institucionalizado.

O analista Arnaud Bertrand foi direto: isso é espólio colonial. A diferença é que, desta vez, o alvo não é o Sul Global — historicamente vítima das potências ocidentais —, mas os próprios aliados ocidentais, especialmente a Europa.

A lógica é simples (e perversa): incapaz de extrair riquezas ou vencer guerras de forma confortável contra um Sul Global mais assertivo e independente, Washington volta-se para dentro do seu círculo de aliados. Esses países, dependentes dos EUA para sua “proteção” militar, estão tão vulneráveis quanto as colônias do século XIX diante de seus “protetores”.

O que vemos é um colonialismo de novo tipo: sem navios negreiros, sem bandeiras hasteadas sobre terras distantes, mas com fluxos financeiros, tratados assimétricos e mecanismos de dependência tecnológica e militar. Um colonialismo de planilhas, acordos e decretos — tão eficaz quanto as antigas frotas imperiais.

A Europa, que por séculos participou ativamente da pilhagem colonial, agora sente o gosto amargo de estar “do outro lado” da relação. Não é mais o colonizador — é a colônia. E, ironicamente, de quem? Do “grande irmão” do Atlântico.

O alerta que Bertrand deixa é claro: quem não controla a própria segurança, não controla o próprio destino. E, no mundo de hoje, soberania não se mede apenas por tanques e mísseis — mas também pela autonomia econômica, tecnológica e produtiva.

O século XXI está ensinando, a duras penas, que a globalização não é um jantar para o qual todos estão convidados à mesa. Alguns estão sentados. Outros, apenas no cardápio.

 Arnaud Bertrand

@RnaudBertrand

This is, without exaggerating, one of the most extraordinary things a US Treasury Secretary ever said. It should be mandatory viewing for all citizens of US "allies", Europeans first and foremost. What Bessent is saying is that the US will now treat US allies' wealth as an American "sovereign wealth fund" (his words), "directing" them, "largely at the [US] president's discretion", how to use their money in order to build American factories and reshore American industries. Even the Fox News host can't believe it, calling it "offshore appropriation", another word for theft. That's exactly what it is: straight up unabashed colonial plunder. That's the pattern we see emerge: unable to extract wealth or win wars against an increasingly strong Global South, the US has turned inward to feast on its own "allies" - who can't resist precisely because they depend on their exploiter for military "protection". They're as defenseless against American wealth extraction as any 19th-century colony was against its colonial "protector." That's exactly what I wrote in my latest article on "Europe's colonial moment": https://open.substack.com/pub/arnaudbertrand/p/not-at-the-table-europes-colonial?utm_source=share&utm_medium=android&r=4r0pw

 


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