O
planeta vive um tempo de instabilidade permanente. O chamado Relógio do Juízo
Final, criado pelo Bulletin of the Atomic Scientists, avança impiedoso: 90
segundos para a meia-noite, a menor distância da história até o “fim simbólico”
da civilização. As ameaças são múltiplas e interligadas — uma verdadeira
policrise.
De um
lado, a geopolítica incandescente. Conflitos abertos, como a guerra
Rússia–Ucrânia, o Oriente Médio em chamas e a crescente tensão entre Estados
Unidos e China, alimentam o espectro de um Armagedom nuclear. Ao mesmo tempo,
sanções econômicas, disputas por tecnologia e a fragmentação das cadeias de
suprimentos redesenham silenciosamente o mapa do poder mundial.
Do
outro lado, a crise ambiental não dá trégua. Mudanças climáticas aceleram
secas, tempestades, incêndios e inundações. Tsunamis e terremotos, fenômenos
geológicos que sempre existiram, agora encontram populações mais vulneráveis e
cidades construídas em áreas de risco. Florestas queimam, espécies desaparecem
e ecossistemas inteiros entram em colapso.
A
guerra econômica, a destruição ambiental e a instabilidade política formam um
circuito fechado. Catástrofes naturais geram fome e migração em massa,
alimentando conflitos e extremismos. Conflitos, por sua vez, destroem
cooperação internacional e bloqueiam acordos climáticos, empurrando o planeta
ainda mais para o abismo.
Vivemos
em um mundo onde as crises não são mais eventos isolados, mas peças de um
dominó global. Um mundo onde a linha entre o presente instável e o futuro
irreversível se torna cada vez mais tênue. A pergunta que se impõe não é mais se
conseguiremos evitar o pior, mas quando decidiremos agir como se o pior ainda
pudesse ser evitado.
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