Chego a este momento da vida, com 60 anos de existência e 40 dedicados ao ensino, carregando a maturidade de quem já atravessou muitos mundos, olhares e encontros. Foram milhares de alunos, das infâncias às universidades, que, assim como eu, aprenderam e ensinaram em uma longa travessia de suas vidas.
Mas hoje, mais do que nunca, percebo que o verdadeiro caminho não é
simplesmente ensinar conteúdos, nem formar sujeitos apenas para o mundo do
trabalho, mas formar consciências
livres, críticas, despertas, tanto no mundo quanto para além dele.
É nessa busca que me aproximo, com profunda reverência, do Gnosticismo, essa antiga corrente
espiritual que afirma que o
conhecimento salvador (gnose) é o caminho da libertação interior. Os
evangelhos de Maria Madalena, Tomé e Felipe, tidos como apócrifos, me provocam
profundamente, porque anunciam uma espiritualidade que não depende de
instituições nem dogmas. Apontam, antes, para o sagrado que habita em cada ser, e que só pode ser acessado por meio do autoconhecimento e da consciência
desperta.
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