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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Na pesquisa Quast Elmano cresce

Quaest muda o desenho da eleição: Ciro mantém 10 pontos de vantagem, mas Elmano cresce e o eleitorado começa a se definir

A nova pesquisa Quaest para o Governo do Ceará, divulgada nesta sexta-feira, 4 de setembro, acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça das pesquisas desta semana. Ciro Gomes aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas registra 34%. A diferença é de 11 pontos percentuais. O levantamento ouviu 900 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de agosto e 3 de setembro, em todo o Ceará, por meio de entrevistas presenciais e domiciliares. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com 95% de confiança.

A primeira observação importante é que a Quaest atual não deve ser comparada de maneira mecânica com a rodada anterior. Em julho, a pesquisa testava um cenário de pré-campanha, com nomes e candidaturas que ainda não estavam oficialmente definidos. Agora, a pesquisa foi realizada depois da oficialização das chapas e do início da campanha eleitoral. O próprio Diário do Nordeste alerta que os resultados anteriores não podem ser comparados diretamente com o levantamento atual porque o cenário eleitoral mudou.

Ainda assim, a comparação nominal dos números é bastante interessante. Em julho, a Quaest registrava Ciro 43% e Elmano 33%. Agora, Ciro aparece com 45% e Elmano com 34%. Portanto, na fotografia bruta, Ciro cresceu 2 pontos, enquanto Elmano cresceu 1 ponto. A diferença, que era de 10 pontos em julho, passa nominalmente para 11 pontos agora.

Isso produz uma leitura diferente daquela apresentada pelo Datafolha e pela AtlasIntel nesta semana. Enquanto o Datafolha registrou uma forte redução da vantagem de Ciro, de 19 para 9 pontos, e a AtlasIntel colocou Ciro e Elmano em empate técnico, a Quaest apresenta novamente uma vantagem de dois dígitos para Ciro.

Mas há uma informação dentro da própria Quaest que merece bastante atenção: o voto espontâneo.

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. A diferença é de apenas 5 pontos. O problema — ou a oportunidade, dependendo do ponto de vista — é que 53% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar espontaneamente. Isso significa que mais da metade do eleitorado ainda não manifesta espontaneamente uma escolha.

Esse dado ajuda a compreender por que pesquisas estimuladas tão diferentes podem aparecer quase simultaneamente. A eleição ainda possui uma parcela significativa de eleitores que não cristalizou sua preferência. A pesquisa estimulada apresenta os nomes e partidos; a espontânea mede aquilo que está efetivamente armazenado na memória política do eleitor naquele momento.

E a diferença entre os dois indicadores é reveladora: 24% para Ciro e 19% para Elmano na espontânea, contra 45% e 34% na estimulada. Isso mostra que ainda existe um grande espaço para consolidação das candidaturas.

A comparação com julho também revela uma mudança importante na espontânea. Na rodada anterior, Ciro tinha 15% e Elmano 13%. Agora, Ciro aparece com 24% e Elmano com 19%. Portanto, Ciro cresceu 9 pontos nesse indicador e Elmano cresceu 6 pontos. A diferença passou de apenas 2 para 5 pontos. Porém, como o universo de indecisos continua muito elevado, não se pode concluir que esses eleitores já estejam definitivamente fechados.

Outro ponto importante é a concentração da disputa. Em julho, Ciro e Elmano somavam 76% das intenções estimuladas. Agora, chegam a 79%. Isso significa que, mesmo com a mudança dos demais nomes testados, a disputa continua fortemente concentrada nos dois principais candidatos.

A Quaest também mostra que a disputa está entrando numa fase de maior definição. Na pesquisa anterior, havia 13% de indecisos na estimulada e 7% de branco/nulo/não votaria. Agora, são 12% de indecisos e 8% de branco/nulo/não votaria. Não é uma transformação gigantesca, mas indica que ainda existe uma parcela considerável fora das duas candidaturas principais.

A metodologia também precisa entrar na análise. A Quaest trabalha com entrevistas presenciais e domiciliares, utilizando uma amostra representativa da população cearense com 16 anos ou mais. A pesquisa anterior tinha 1.002 entrevistados; a atual ouviu 900. Ambas utilizaram margem de erro de 3 pontos e nível de confiança de 95%. A atual foi contratada pela TV Verdes Mares, enquanto a rodada anterior havia sido contratada pela Genial Investimentos.

Essa diferença de contratante também é relevante para a leitura da série, embora não altere, por si só, a metodologia de coleta. Mais importante é que estamos comparando uma pesquisa de julho, ainda na pré-campanha, com uma pesquisa feita depois do início oficial da campanha.

Por isso, talvez seja mais correto tratar os números de julho como uma referência histórica da Quaest e não como uma sequência perfeitamente homogênea.

O cenário atual da Quaest, portanto, pode ser resumido assim: Ciro 45%, Elmano 34%, diferença de 11 pontos; na espontânea, Ciro 24%, Elmano 19%, diferença de apenas 5 pontos; e 53% ainda não apontam espontaneamente nenhum candidato.

E há outro dado que chama atenção quando cruzamos a pesquisa com as demais informações divulgadas nesta semana. A Quaest mostra que 49% aprovam o governo Elmano e 38% desaprovam. Em julho, eram 52% de aprovação e 33% de desaprovação. Portanto, entre as duas rodadas, a aprovação caiu 3 pontos, enquanto a desaprovação aumentou 5 pontos.

Esse talvez seja um dos pontos que merece maior atenção estratégica para Elmano: a avaliação do governo continua positiva em termos absolutos, mas piorou em relação à rodada anterior da Quaest. Ou seja, o governador possui uma base de avaliação positiva importante, mas precisa transformar essa aprovação em intenção de voto.

E isso ajuda a explicar uma aparente contradição das pesquisas: Elmano pode ter uma avaliação razoável do governo e, ao mesmo tempo, estar atrás de Ciro na intenção de voto.

A eleição, portanto, não está sendo determinada apenas pela avaliação administrativa. Ela também envolve conhecimento dos candidatos, rejeição, alianças, identificação ideológica, presença de Lula, segurança pública, campanha eleitoral e capacidade de cada candidatura de transformar simpatia em voto.

O segundo turno acrescenta outra dimensão. A Quaest mostra Ciro com 49% e Elmano com 36%, segundo a simulação divulgada junto ao levantamento. A diferença é de 13 pontos.

Esse resultado é mais favorável a Ciro do que os cenários de segundo turno apresentados pela AtlasIntel e pelo Datafolha nesta semana. A Atlas encontrou 50% para Ciro contra 46,1% para Elmano, enquanto o Datafolha registrou 50% contra 42%. Portanto, novamente, a Quaest apresenta uma fotografia mais confortável para Ciro.

O que podemos concluir de tudo isso?

A Quaest não confirma a mesma intensidade de aproximação encontrada pelo Datafolha e pela AtlasIntel. Ao contrário, ela mantém Ciro com vantagem significativa. Mas também não mostra uma disparada de Ciro em relação à sua própria rodada anterior: na estimulada, Ciro cresceu dois pontos e Elmano um, mantendo praticamente a mesma distância.

A grande novidade está em outro lugar: a campanha começou e a eleição está concentrada nos dois candidatos, mas ainda existe um enorme contingente de eleitores que não cristalizou sua decisão.

E é exatamente aí que a eleição pode mudar.

Se cruzarmos as pesquisas mais recentes, temos três fotografias diferentes: Datafolha: Ciro 46% × Elmano 37%; AtlasIntel: 48,4% × 45,8%; Quaest: 45% × 34%. A distância varia de 2,6 a 11 pontos. Isso mostra que existe uma dispersão considerável entre os institutos. Por isso, não é prudente afirmar que uma única pesquisa representa com precisão absoluta o resultado futuro.

O que começa a ficar mais consistente é outra coisa: Ciro continua aparecendo em primeiro lugar nos três institutos, enquanto Elmano ocupa a segunda posição. A divergência está no tamanho da vantagem.

E essa diferença metodológica é justamente o motivo pelo qual devemos olhar para a média das pesquisas e, principalmente, para a evolução de cada instituto.

A Quaest acrescenta ainda uma variável que merece atenção: 53% de indecisos na pesquisa espontânea. Isso significa que, apesar da polarização entre Ciro e Elmano, a campanha ainda tem um enorme espaço para conquistar eleitores que não estão espontaneamente vinculados a nenhum nome.

Por isso, a fotografia de hoje é menos uma sentença e mais um aviso: Ciro continua liderando; Elmano ainda precisa diminuir uma diferença importante; mas uma parte enorme do eleitorado ainda pode ser disputada.

E há uma coincidência temporal que torna esta pesquisa particularmente interessante: a coleta da Quaest ocorreu entre 31 de agosto e 3 de setembro, justamente no período em que Datafolha e AtlasIntel também estavam realizando seus levantamentos. A grande mobilização de Lula no Cariri, realizada nesta sexta-feira, 4 de setembro, ocorre depois do encerramento da coleta da Quaest. Portanto, qualquer eventual impacto político dessa agenda presidencial também ficará para as próximas pesquisas.

A grande pergunta agora é se os próximos levantamentos mostrarão uma convergência maior entre os institutos ou se continuará existindo essa distância entre as fotografias.

Hoje, a Quaest diz que Ciro lidera por 11 pontos. O Datafolha fala em 9. A AtlasIntel aponta apenas 2,6 e empate técnico.

A eleição, portanto, continua aberta em termos de tendência, mas Ciro permanece na liderança em todas as três pesquisas recentes.

O que realmente pode mudar o jogo nas próximas semanas será a capacidade de cada candidatura de transformar os eleitores ainda indecisos em votos efetivos.

E, nesse ponto, os 53% de indecisos na espontânea da Quaest talvez sejam o número mais importante de toda a pesquisa.

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