A nova pesquisa AtlasIntel para o Governo do Ceará, realizada entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro, coloca a disputa novamente em uma situação de forte equilíbrio. Ciro Gomes aparece com 48,4% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas chega a 45,8%. A diferença é de apenas 2,6 pontos percentuais, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Na prática, a AtlasIntel não permite afirmar que Ciro esteja estatisticamente à frente de Elmano: os dois aparecem em empate técnico.
O mais interessante, porém, não é apenas a fotografia atual, mas a comparação com a pesquisa anterior do próprio AtlasIntel. Em agosto, Ciro tinha 49,3% e Elmano 44,6%, uma vantagem de 4,7 pontos. Agora, Ciro recua 0,9 ponto, para 48,4%, enquanto Elmano cresce 1,2 ponto, chegando a 45,8%. Com isso, a diferença cai de 4,7 para 2,6 pontos. Ou seja, em uma única rodada, a vantagem de Ciro diminuiu 2,1 pontos percentuais.
A série histórica apresentada pela AtlasIntel torna o movimento ainda mais interessante. Em junho, Ciro aparecia com 45,8% e Elmano com 44,8%, uma diferença de apenas um ponto. Em agosto, Ciro avançou para 49,3%, enquanto Elmano ficou em 44,6%, fazendo a vantagem chegar a 4,7 pontos. Agora, em setembro, Ciro recua para 48,4% e Elmano avança para 45,8%, devolvendo a disputa para uma situação de empate técnico. Portanto, dentro da própria série AtlasIntel, Ciro teve um momento de maior vantagem em agosto, mas não conseguiu ampliar essa distância no levantamento seguinte. Ao contrário, Elmano recuperou parte do terreno.
É importante não transformar essa movimentação em uma conclusão precipitada de que já existe uma virada. A margem de erro precisa ser respeitada. Ciro caiu menos de um ponto e Elmano subiu pouco mais de um ponto, variações que isoladamente podem estar dentro da margem estatística. O que chama atenção é a direção conjunta dos movimentos: Ciro recua e Elmano avança, fazendo com que uma vantagem que era de 4,7 pontos passe para 2,6 pontos e coloque novamente os dois candidatos na zona de empate técnico.
Outro dado importante é a concentração da disputa. Ciro e Elmano somam aproximadamente 94% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos aparecem com percentuais muito baixos. Isso indica que a eleição está cada vez mais concentrada nos dois principais nomes. O espaço para uma terceira candidatura com capacidade de interferir significativamente na disputa parece, nesse levantamento, bastante reduzido. Isso torna ainda mais importante o comportamento dos eleitores que ainda podem mudar de posição.
Quando colocamos a AtlasIntel ao lado do Datafolha divulgado no mesmo dia, surge uma diferença metodológica importante. O Datafolha encontrou Ciro com 46% e Elmano com 37%, uma vantagem de nove pontos. Já a AtlasIntel encontrou 48,4% contra 45,8%, diferença de apenas 2,6 pontos e empate técnico. Não devemos escolher uma pesquisa em detrimento da outra simplesmente porque uma parece mais favorável a determinado candidato. São levantamentos diferentes, com metodologias, amostras e períodos de coleta diferentes. O mais correto é observar as tendências dentro de cada série e procurar elementos comuns.
E existe um elemento comum que merece atenção: a distância entre Ciro e Elmano aparece menor nas pesquisas mais recentes do que em determinados levantamentos anteriores. No Datafolha, a diferença caiu de 19 para 9 pontos. Na AtlasIntel, caiu de 4,7 para 2,6 pontos. O tamanho dessa diferença é muito diferente entre os institutos, mas ambos mostram uma disputa mais apertada na pesquisa mais recente.
A AtlasIntel também apresenta um cenário interessante para o segundo turno. Na pesquisa anterior, Ciro tinha 53,4% contra 44,8% de Elmano, uma diferença de 8,6 pontos. Agora, Ciro aparece com 50% e Elmano com 46,1%, reduzindo a vantagem para 3,9 pontos. Mais uma vez, não há uma virada: Ciro continua numericamente à frente. Mas a distância diminuiu de maneira significativa. A disputa de segundo turno, portanto, também se aproxima de uma situação de maior equilíbrio.
É nesse contexto que a chegada de Lula ao Cariri ganha importância política. A pesquisa AtlasIntel foi realizada entre 28 de agosto e 2 de setembro, enquanto a caminhada de Lula ao lado de Elmano no Cariri ocorre depois desse período. Portanto, nenhum eventual efeito da mobilização de Lula está incorporado nos números dessa pesquisa. O mesmo raciocínio vale para o Datafolha, cuja coleta também terminou antes da agenda presidencial.
Isso transforma a visita de Lula em uma espécie de novo capítulo da disputa. Não é possível afirmar antecipadamente que uma grande caminhada produzirá determinado número de votos. Uma manifestação pública pode produzir mobilização, visibilidade e repercussão, mas o impacto eleitoral precisa ser medido por pesquisas posteriores. O que podemos afirmar é que Lula entra no cenário justamente quando a AtlasIntel mostra Ciro numericamente à frente, porém dentro do empate técnico com Elmano.
Para Elmano, o desafio agora é transformar esse empate técnico em vantagem. Para Ciro, o desafio é impedir que o empate se transforme em desvantagem. E isso significa que os próximos dias ganham enorme importância. Segurança pública, avaliação do governo, associação com Lula, desempenho na Capital e Região Metropolitana, força política no Interior, mobilização das lideranças municipais, propaganda eleitoral e capacidade de conquistar o eleitor indeciso serão algumas das variáveis decisivas.
A pesquisa também mostra por que não é suficiente olhar apenas para o percentual atual. Se alguém observar somente os 48,4% de Ciro e os 45,8% de Elmano, poderá concluir que Ciro está confortavelmente à frente. Mas, quando olhamos a evolução da própria AtlasIntel, percebemos outra coisa: em agosto eram 4,7 pontos de vantagem; agora são 2,6. No segundo turno, eram 8,6; agora são 3,9. A liderança permanece, mas a folga diminuiu.
E aqui está talvez a principal mensagem dessa pesquisa: Ciro continua na frente, mas já não possui a mesma vantagem que apresentava em agosto. Elmano não virou a eleição, mas recuperou terreno suficiente para colocar novamente a disputa dentro da margem de erro da AtlasIntel.
Quando juntamos essa informação com o Datafolha, a fotografia fica ainda mais curiosa. Um instituto apresenta Ciro com nove pontos de vantagem; outro apresenta os dois candidatos em empate técnico. Isso mostra que o eleitorado está em movimento e que a metodologia tem grande influência na fotografia capturada. Por isso, mais importante do que escolher qual pesquisa está "certa" será acompanhar a sequência dos próximos levantamentos.
A eleição, portanto, entra em uma fase em que cada ponto percentual passa a ter enorme significado. O Ceará possui quase sete milhões de eleitores, e cada ponto percentual representa aproximadamente 70 mil pessoas quando aplicado ao eleitorado total. Uma diferença de 2,6 pontos, como a encontrada pela AtlasIntel, corresponde matematicamente a cerca de 182 mil eleitores no universo total — embora isso não possa ser interpretado como uma diferença real de votos entre os candidatos.
A partir de agora, a pergunta deixa de ser simplesmente "quem está na frente?". Ciro ainda está na frente numericamente. A pergunta mais interessante passa a ser: quem conseguirá transformar a reta final da campanha em uma tendência eleitoral consistente?
A AtlasIntel mostra que Ciro ainda lidera, mas Elmano encostou. O Datafolha mostra que a vantagem de Ciro caiu fortemente. O segundo turno da Atlas também mostra aproximação. E, amanhã, Lula estará no Cariri em uma grande mobilização que não foi capturada por nenhuma dessas duas pesquisas.
É por isso que o Ceará entra em setembro com uma eleição muito mais aberta do que a fotografia de agosto fazia parecer. Ciro continua sendo o líder, mas Elmano está mais próximo. E, quando a diferença chega à margem de erro, a eleição deixa de ser uma corrida de vantagem e passa a ser uma disputa para ver quem consegue construir a última onda antes do dia 4 de outubro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário