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sexta-feira, 11 de julho de 2025

🌍 Brasil entre algoritmos e a ordem mundial: a resposta de Lula à guerra cognitiva e ao império do software power.

Em um gesto raro e significativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, em 10 de julho de 2025, um artigo simultaneamente nos principais jornais da França, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, Japão, China, Argentina e México, intitulado: "Não há alternativa ao multilateralismo". Mais do que um posicionamento diplomático, o texto é um manifesto pela reconstrução do pacto civilizatório em ruínas.

O que está em jogo não é apenas a falência das instituições internacionais fundadas em 1945, mas o surgimento de um novo tipo de dominação global, silenciosa e eficaz: a dominação algorítmica. Os velhos impérios usavam canhões; os novos usam dados. O poder do software substitui o poder do exército. A manipulação da mente coletiva substitui a ocupação territorial. Vivemos sob a sombra da guerra cognitiva.

Brasil entre potências: soberania, comércio e a nova geopolítica Sul-Sul

 Brasil entre potências: soberania, comércio e a nova geopolítica Sul-Sul

1. Um tarifaço, muitas consequências

A ameaça de Donald Trump de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros teve um efeito colateral inesperado: recolocou o debate sobre soberania econômica e alianças geopolíticas no centro da política nacional.

Ao contrário do que esperavam os setores submissos ao trumpismo, o presidente Lula respondeu com altivez:

“O Brasil pode sobreviver sem comércio com os EUA e vai recorrer a outros parceiros para substituí-lo.”

A fala é mais que retórica. Ela expressa uma mudança de eixo na política externa brasileira  e um reconhecimento do que os números já indicam há anos: o Brasil é hoje muito mais parceiro da China do que dos Estados Unidos.

2. Os números não mentem: China é o principal parceiro comercial do Brasil

Segundo dados divulgados pela Econovis e citados pela Bloomberg:

Em 2024, o comércio total de bens entre Brasil e EUA foi de US$ 92 bilhões.

Os EUA exportaram US$ 50 bi e importaram US$ 42 bi.

Resultado: superávit de US$ 7 bilhões para os EUA.

No mesmo período, o comércio entre Brasil e China foi de US$ 188 bilhões.

A China exportou US$ 72 bi e importou US$ 116 bi.

Resultado: déficit de US$ 44 bilhões para a China, ou seja, superávit para o Brasil.

Em outras palavras, a China compra muito mais do Brasil do que vende, ao passo que os EUA fazem o contrário. Isso mostra claramente quem contribui para a industrialização brasileira e quem se beneficia da nossa desindustrialização.

O país precisa fortalecer sua inteligência e seus cérebros

Soberania Aérea e Dependência Tecnológica: a Embraer, o Brasil e o Desafio da Autonomia na Indústria Aeronáutica


Soberania Aérea e Dependência Tecnológica: a Embraer, o Brasil e o Desafio da Autonomia na Indústria Aeronáutica

Em um mundo marcado pela disputa tecnológica e pelo reposicionamento geopolítico, o setor aeronáutico emerge como um campo estratégico de soberania. A exemplo da Rússia, que busca produzir aviões 100% nacionais, o Brasil, através da Embraer, se depara com o desafio de reduzir sua dependência de componentes estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos. Este artigo analisa as possibilidades e limitações da indústria aeronáutica brasileira diante de possíveis sanções internacionais, discute a cadeia de produção da Embraer, e propõe caminhos para uma estratégia de autossuficiência nacional.

1. Introdução

A indústria aeronáutica é uma das mais complexas e tecnologicamente exigentes do mundo. Seu controle representa não apenas poder econômico, mas também soberania estratégica. A dependência de motores, aviônicos, softwares e certificações internacionais coloca países em situação de vulnerabilidade. O recente movimento da Rússia de produzir aviões com 100% de conteúdo nacional, como resposta às sanções ocidentais, reacende o debate: e o Brasil, estaria preparado para enfrentar algo semelhante?

Lula: ame o seu país.