Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (13) que o
Programa Mais Médicos irá passar por uma avaliação em março de 2014 e
mais médicos estrangeiros poderão ser contratados, caso o governo
considere necessário. A estimativa do Ministério da Saúde é que, até
março, o programa tenha 13 mil médicos brasileiros e estrangeiros e
garanta a cobertura de atendimento, nas unidades básicas de saúde, a
quase 46 milhões de pessoas.
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sábado, 14 de dezembro de 2013
Mais Médicos vai ser avaliado e pode ampliar número de estrangeiros, diz Dilma
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Médicos cubanos levam levam carinho e atenção ao sertão nordestino.
Como já era esperado, os médicos cubanos fazem sucesso no interior do sertão cearense. O povo humilde de nossa região precisa apenas de médico que entenda de gente.
A reportagem do Diário do Nordeste revela um jornalismo que já muito deixou de existir em nosso país. Abaixo reproduzimos a matéria ipsis literes.
Médicos cubanos atendem regiões isoladas do Sertão
06.10.2013
Profissionais estrangeiros já prestam atendimento primário no Centro-Sul e Região dos Inhamuns
Acopiara. Os médicos cubanos, inscritos na primeira etapa do programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, chegaram a 11 cidades do Interior do Ceará levando consultas de atenção básica à população de áreas isoladas na zona rural. Em menos de 15 dias, os profissionais conquistaram a confiança e o reconhecimento dos moradores que vivem em localidades onde nunca havia atendimento médico ambulatorial regular.
Natural
de Cuba, Ivan Rodriguez presta serviço à população da zona rural de
Acopiara. Além das consultas ambulatoriais, o atendimento é extensivo às
visitas domiciliares, como acontece na comunidade de Calabouço fotos:
honório barbosa
Um exemplo vem da localidade de Calabaço na zona rural de Acopiara. Localizada no alto sertão cearense, entre os municípios de Quixelô e Solonópole, a comunidade, desde segunda-feira passada, dispõe dos serviços do médico Ivan Rodriguez, originário da província de San Tiago de Cuba.
Avaliação
Dedicado, atencioso e com 20 anos de experiência em atenção básica de saúde em Cuba e na Venezuela, Ivan Rodriguez recebe avaliação positiva dos moradores. "Aqui nunca veio um médico e construíram esse posto há cinco anos, mas só tinha profissional de Enfermagem", disse o agricultor Valdemar Felipe de Souza.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) da localidade de Calabaço, distante 75km da sede de Acopiara, apresenta boa estrutura e passa por adaptações com investimentos de R$ 34 mil do Ministério da Saúde. Os consultórios dispõem de aparelhos de ar condicionado, há salas de imunização, para exames ginecológicos, farmácia, cantina, área de serviço e sanitários.
Em média, nesta primeira semana de trabalho, o médico Ivan Rodriguez atendeu 20 pacientes por dia. "É a demanda espontânea", conforme ele mesmo frisou. "Depois vamos fazer reuniões e palestras sobre educação em saúde".
A UBS de Calabaço possui área de abrangência de 500 famílias de oito localidades rurais, que têm por característica casas isoladas e terras áridas. O tempo seco e quente nessa época do ano despertou a atenção de Ivan Rodriguez. "A gente estuda sobre a cultura, a geografia e a história do Brasil, mas vê de perto assim essa vegetação seca é bem diferente", disse. "O calor está muito intenso".
Os médicos cubanos cumprem carga horária de 40 horas semanais. Isto é, são oito horas diárias. Esse fato surpreende os moradores. Os médicos brasileiros que atendem em postos do Programa Saúde da Família não passam mais do que uma hora e meia. Outro aspecto diferencial é o tempo de consulta. "É bem mais demorada", observa a enfermeira, Thaís Araújo de Souza. "Ele pergunta muito, no intuito de conhecer a história do paciente", afirmou.
Superação
O obstáculo inicial do idioma estrangeiro está sendo superado rapidamente. Os médicos cubanos estudaram cerca de seis meses a língua portuguesa.
Os que vieram para os municípios de Acopiara e Catarina conseguem se expressar de forma compreensível. Falam devagar, e repetem as palavras até se fazerem entender. A adaptação, como diz a comunidade, ocorre pela dedicação.
A dona de casa, Nara Raquel Macedo, foi taxativa: "Deu para entender tudo que ele disse, ele insiste até a gente entender e pergunta muitas coisas". Antes da consulta, os moradores mostram-se apreensivos por temor de não ser estabelecida uma comunicação compreensiva.
O agricultor Benevides Vieira fez a primeira consulta com queixa de dor de cabeça e incômodo na garganta. "Gostei muito e entendi tudo", disse. "Agora ficou bem melhor porque antes a gente tinha que ir para Quixelô, atrás de um médico".
No início da tarde desta quinta-feira, Ivan Rodriguez fez duas visitas domiciliares. É a quinta em apenas uma semana. "Aqui na comunidade nunca trabalhou um médico e imagina vir um aqui na minha casa. Meu Deus, isso é muito bom, nunca imaginei que isso pudesse acontecer", disse a aposentada, Francisca Moreira de Carvalho que foi consultado no alpendre de casa. Diariamente, os médicos cubanos percorrem centenas de quilômetros entre a sede do município e a UBS. Chegam por volta das 9 horas e só saem às 17 horas. Não há limite de consultas. "Nós cubanos somos prestativos e viemos aqui para trabalhar, para atender as pessoas pobres, que necessitam dos nossos serviços", disse Ivan Rodriguez. Esses profissionais deixaram família, mulher e filhos, em Cuba, e vieram ser solidários ao povo brasileiro.
O secretário de gestão do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, por ocasião da entrega simbólica do registro do CRM aos médicos cubanos que estão trabalhando em Acopiara e Catarina frisou que os profissionais são dedicados e compromissados com a população pobre. "Eles trabalham com muito zelo e atenção", disse. "No Brasil, faltam médicos. Os brasileiros não vão para essas áreas isoladas, distantes porque enfrentam elevada demanda por seus serviços", frisou. "Estamos trazendo mais profissionais e a população vai reconhecer o esforço do governo", ressaltou.
Mais informações:
Mais Médicos
Secretaria de Saúde de Acopiara
Fone: (88) 3565. 1755
Escola de Saúde Pública do Ceará
Telefone: (85) 3101. 1412
HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER
Estrangeiras atuam em Quiterianópolis
Quiterianópolis. Este é o único município desta região, dos Sertões de Crateús, a receber médicos da primeira etapa do Programa Mais médicos. Duas médicas cubanas, Irma Collazo e Isabel Dolores, já estão atendendo a população desde a última terça-feira, atuando em unidades de saúde, uma na localidade de Santa Rita e a outra na sede. A população se diz satisfeita com o atendimento atencioso e as condutas médicas. De início, porém, a dificuldade tem sido a língua.
A
cubana Irma Colazo é a primeira médica da nova equipe, já prestando
atendimento na casa dos pacientes residentes nas áreas mais afastadas,
tal como a localidade de Santa Rita. A população se diz satisfeita com o
trabalho FOTO: SILVÂNIA CLAUDINO
Cinco equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) atendem atualmente a uma população de quase 20 mil habitantes, na sede e zona rural. A meta é estender para oito equipes, número que possibilitará a completa cobertura na atenção básica do município.
A localidade de Santa Rita, inclusive é a mais nova ESF de Quiterianópolis, criada e composta graças ao Programa, já que o município nunca conseguia compor a equipe, devido à falta do profissional médico. A cubana Irma Collazo é a primeira médica da nova equipe, cujos demais profissionais esperam que seja uma longa experiência de três anos, tempo previsto pelo Programa.
"A nossa expectativa é que com o Programa agora haja a criação de vínculo da equipe e continuidade dos tratamentos junto à comunidade. Devido a dificuldade de fixação e a rotatividade de profissionais médicos aqui no município, isso não era alcançado", analisa a enfermeira da equipe de Santa Rita, Lurdes Soares.
Obstáculos
Para ela, os obstáculos com a compreensão da língua das médicas estão menores do que ela esperava e as duas têm o cuidado de falar de forma pausada a fim de serem melhor compreendidas. "Procuro estar sempre perto dela e do paciente para auxiliar na comunicação e considero que está ocorrendo direitinho, sem muitas dificuldades", frisa a enfermeira.
Os pacientes, porém, não são da mesma opinião com relação à língua. Enfatizam logo, de pronto, que não entendem bem o que a médica está falando ou recomendando. Quanto ao atendimento são unânimes em destacar a consulta demorada, a atenção, paciência e os exames corporais (toque, apalpar e escuta). "A consulta foi boa, me examinou, apalpou aqui na minha barriga que é onde me queixo de dor; me examinou todo, muito bem e só com isso já me senti melhor", observa alegre o idoso Francisco Pereira, de 80 anos, residente na localidade de São Miguel, que se consultou pela primeira vez com a cubana Irma, médica com 25 anos de experiência.
"Gostei muito do atendimento, ela é muito atenciosa, mas não entendi bem o que disse. Então perguntei várias vezes para poder entender", dia a dona de casa Luísa Gonçalves, que foi atendida na unidade de saúde.
Ajuda
O dia para as duas médicas é bem atarefado. Trabalham oito horas e uma delas chegou a atender 40 pessoas em um dia. Os atendimentos se dividem em consultas na unidade e visitas domiciliares aos pacientes acamados. Segundo as médicas, nada muito diferente do que faziam em seu país. O clima, a cultura, os costumes também não estão sendo obstáculos para elas, que expressam com naturalidade que vieram para ajudar o povo brasileiro.
"Vim para atender o povo que estava precisando de médicos. No nosso país, é tradição ajudar aos outros povos. Já passei dois anos e meio na África e agora vim para cá com prazer", diz Isabel, que tem 25 anos de experiência em medicina e deixou dois filhos em seu país. "O difícil está sendo a saudade dos filhos, que é muito forte e o esforço para falar o português e ser compreendida, mas as pessoas são muito acolhedoras aqui", acrescenta.
SILVÂNIA CLAUDINO
REPÓRTER
ENQUETE
Como avalia a atuação dos profissionais?
"Gostei demais da consulta, porque o doutor Ivan perguntou sobre muitas coisas e insistiu várias vezes se eu estava compreendendo o que ele falava e deu para entender tudo. Foi uma consulta demorada e boa"
Nara Raquel Macedo
Dona de casa
"Quando estive no consultório do posto não entendi quase nada do que ele falou porque estava um pouco nervosa, mas depois ele veio aqui em casa e já achei melhor. É muito bom ter um médico aqui"
Francisca Moreira de Carvalho
Aposentada
Acopiara. Os médicos cubanos, inscritos na primeira etapa do programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, chegaram a 11 cidades do Interior do Ceará levando consultas de atenção básica à população de áreas isoladas na zona rural. Em menos de 15 dias, os profissionais conquistaram a confiança e o reconhecimento dos moradores que vivem em localidades onde nunca havia atendimento médico ambulatorial regular.
Um exemplo vem da localidade de Calabaço na zona rural de Acopiara. Localizada no alto sertão cearense, entre os municípios de Quixelô e Solonópole, a comunidade, desde segunda-feira passada, dispõe dos serviços do médico Ivan Rodriguez, originário da província de San Tiago de Cuba.
Avaliação
Dedicado, atencioso e com 20 anos de experiência em atenção básica de saúde em Cuba e na Venezuela, Ivan Rodriguez recebe avaliação positiva dos moradores. "Aqui nunca veio um médico e construíram esse posto há cinco anos, mas só tinha profissional de Enfermagem", disse o agricultor Valdemar Felipe de Souza.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) da localidade de Calabaço, distante 75km da sede de Acopiara, apresenta boa estrutura e passa por adaptações com investimentos de R$ 34 mil do Ministério da Saúde. Os consultórios dispõem de aparelhos de ar condicionado, há salas de imunização, para exames ginecológicos, farmácia, cantina, área de serviço e sanitários.
Em média, nesta primeira semana de trabalho, o médico Ivan Rodriguez atendeu 20 pacientes por dia. "É a demanda espontânea", conforme ele mesmo frisou. "Depois vamos fazer reuniões e palestras sobre educação em saúde".
A UBS de Calabaço possui área de abrangência de 500 famílias de oito localidades rurais, que têm por característica casas isoladas e terras áridas. O tempo seco e quente nessa época do ano despertou a atenção de Ivan Rodriguez. "A gente estuda sobre a cultura, a geografia e a história do Brasil, mas vê de perto assim essa vegetação seca é bem diferente", disse. "O calor está muito intenso".
Os médicos cubanos cumprem carga horária de 40 horas semanais. Isto é, são oito horas diárias. Esse fato surpreende os moradores. Os médicos brasileiros que atendem em postos do Programa Saúde da Família não passam mais do que uma hora e meia. Outro aspecto diferencial é o tempo de consulta. "É bem mais demorada", observa a enfermeira, Thaís Araújo de Souza. "Ele pergunta muito, no intuito de conhecer a história do paciente", afirmou.
Superação
O obstáculo inicial do idioma estrangeiro está sendo superado rapidamente. Os médicos cubanos estudaram cerca de seis meses a língua portuguesa.
Os que vieram para os municípios de Acopiara e Catarina conseguem se expressar de forma compreensível. Falam devagar, e repetem as palavras até se fazerem entender. A adaptação, como diz a comunidade, ocorre pela dedicação.
A dona de casa, Nara Raquel Macedo, foi taxativa: "Deu para entender tudo que ele disse, ele insiste até a gente entender e pergunta muitas coisas". Antes da consulta, os moradores mostram-se apreensivos por temor de não ser estabelecida uma comunicação compreensiva.
O agricultor Benevides Vieira fez a primeira consulta com queixa de dor de cabeça e incômodo na garganta. "Gostei muito e entendi tudo", disse. "Agora ficou bem melhor porque antes a gente tinha que ir para Quixelô, atrás de um médico".
No início da tarde desta quinta-feira, Ivan Rodriguez fez duas visitas domiciliares. É a quinta em apenas uma semana. "Aqui na comunidade nunca trabalhou um médico e imagina vir um aqui na minha casa. Meu Deus, isso é muito bom, nunca imaginei que isso pudesse acontecer", disse a aposentada, Francisca Moreira de Carvalho que foi consultado no alpendre de casa. Diariamente, os médicos cubanos percorrem centenas de quilômetros entre a sede do município e a UBS. Chegam por volta das 9 horas e só saem às 17 horas. Não há limite de consultas. "Nós cubanos somos prestativos e viemos aqui para trabalhar, para atender as pessoas pobres, que necessitam dos nossos serviços", disse Ivan Rodriguez. Esses profissionais deixaram família, mulher e filhos, em Cuba, e vieram ser solidários ao povo brasileiro.
O secretário de gestão do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, por ocasião da entrega simbólica do registro do CRM aos médicos cubanos que estão trabalhando em Acopiara e Catarina frisou que os profissionais são dedicados e compromissados com a população pobre. "Eles trabalham com muito zelo e atenção", disse. "No Brasil, faltam médicos. Os brasileiros não vão para essas áreas isoladas, distantes porque enfrentam elevada demanda por seus serviços", frisou. "Estamos trazendo mais profissionais e a população vai reconhecer o esforço do governo", ressaltou.
Mais informações:
Mais Médicos
Secretaria de Saúde de Acopiara
Fone: (88) 3565. 1755
Escola de Saúde Pública do Ceará
Telefone: (85) 3101. 1412
HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER
Estrangeiras atuam em Quiterianópolis
Quiterianópolis. Este é o único município desta região, dos Sertões de Crateús, a receber médicos da primeira etapa do Programa Mais médicos. Duas médicas cubanas, Irma Collazo e Isabel Dolores, já estão atendendo a população desde a última terça-feira, atuando em unidades de saúde, uma na localidade de Santa Rita e a outra na sede. A população se diz satisfeita com o atendimento atencioso e as condutas médicas. De início, porém, a dificuldade tem sido a língua.
Cinco equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) atendem atualmente a uma população de quase 20 mil habitantes, na sede e zona rural. A meta é estender para oito equipes, número que possibilitará a completa cobertura na atenção básica do município.
A localidade de Santa Rita, inclusive é a mais nova ESF de Quiterianópolis, criada e composta graças ao Programa, já que o município nunca conseguia compor a equipe, devido à falta do profissional médico. A cubana Irma Collazo é a primeira médica da nova equipe, cujos demais profissionais esperam que seja uma longa experiência de três anos, tempo previsto pelo Programa.
"A nossa expectativa é que com o Programa agora haja a criação de vínculo da equipe e continuidade dos tratamentos junto à comunidade. Devido a dificuldade de fixação e a rotatividade de profissionais médicos aqui no município, isso não era alcançado", analisa a enfermeira da equipe de Santa Rita, Lurdes Soares.
Obstáculos
Para ela, os obstáculos com a compreensão da língua das médicas estão menores do que ela esperava e as duas têm o cuidado de falar de forma pausada a fim de serem melhor compreendidas. "Procuro estar sempre perto dela e do paciente para auxiliar na comunicação e considero que está ocorrendo direitinho, sem muitas dificuldades", frisa a enfermeira.
Os pacientes, porém, não são da mesma opinião com relação à língua. Enfatizam logo, de pronto, que não entendem bem o que a médica está falando ou recomendando. Quanto ao atendimento são unânimes em destacar a consulta demorada, a atenção, paciência e os exames corporais (toque, apalpar e escuta). "A consulta foi boa, me examinou, apalpou aqui na minha barriga que é onde me queixo de dor; me examinou todo, muito bem e só com isso já me senti melhor", observa alegre o idoso Francisco Pereira, de 80 anos, residente na localidade de São Miguel, que se consultou pela primeira vez com a cubana Irma, médica com 25 anos de experiência.
"Gostei muito do atendimento, ela é muito atenciosa, mas não entendi bem o que disse. Então perguntei várias vezes para poder entender", dia a dona de casa Luísa Gonçalves, que foi atendida na unidade de saúde.
Ajuda
O dia para as duas médicas é bem atarefado. Trabalham oito horas e uma delas chegou a atender 40 pessoas em um dia. Os atendimentos se dividem em consultas na unidade e visitas domiciliares aos pacientes acamados. Segundo as médicas, nada muito diferente do que faziam em seu país. O clima, a cultura, os costumes também não estão sendo obstáculos para elas, que expressam com naturalidade que vieram para ajudar o povo brasileiro.
"Vim para atender o povo que estava precisando de médicos. No nosso país, é tradição ajudar aos outros povos. Já passei dois anos e meio na África e agora vim para cá com prazer", diz Isabel, que tem 25 anos de experiência em medicina e deixou dois filhos em seu país. "O difícil está sendo a saudade dos filhos, que é muito forte e o esforço para falar o português e ser compreendida, mas as pessoas são muito acolhedoras aqui", acrescenta.
SILVÂNIA CLAUDINO
REPÓRTER
ENQUETE
Como avalia a atuação dos profissionais?
"Gostei demais da consulta, porque o doutor Ivan perguntou sobre muitas coisas e insistiu várias vezes se eu estava compreendendo o que ele falava e deu para entender tudo. Foi uma consulta demorada e boa"
Nara Raquel Macedo
Dona de casa
"Quando estive no consultório do posto não entendi quase nada do que ele falou porque estava um pouco nervosa, mas depois ele veio aqui em casa e já achei melhor. É muito bom ter um médico aqui"
Francisca Moreira de Carvalho
Aposentada
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Agora a xenofobia vem de médicos brasileiros que agrediram os seus colegas no Ceará.
Saúde
Xenofobia
Vergonha à brasileira - Carta Capital .
A agressão contra os médicos cubanos em Fortaleza é o
cartão de visita de quem aprendeu a cuspir no "escravo" para manifestar
uma duvidosa repulsa à escravidão
por Matheus Pichonelli
—
publicado
27/08/2013 12:22,
última modificação
27/08/2013 13:18
Jarbas Oliveira/Folhapress
Veio de um usuário do Twitter um dos melhores
comentários feitos até agora sobre a gritaria em torno da entrada dos
médicos estrangeiros (leia-se cubanos) ao Brasil. “Médico estrangeiro é
populismo. Tem que voltar a política de deixar morrer”. (Módulo ironia
off)
Populismo, oportunismo, escravidão (?). Enquanto médicos,
fariseus e doutores da lei tentam filtrar os mosquitos, uma fila de
camelos é engolida nos rincões fora da rota turística do País. Em outras
palavras, as pessoas seguem morrendo, sem que mereçam um franzir de
testa de quem parece disposto a armar uma Intifada contra o programa
Mais Médicos.
Segundo mapeamento do governo, existem hoje 701 cidades no País sem
um único médico a postos. Sabe quantos brasileiros demonstraram, em
chamada recente, interesse em trabalhar nesses locais? Zero. Nesses
lugares, falta o básico do básico, conforme mostrou o repórter Gabriel
Bonis em sua visita a Sítio do Quinto, município do interior baiano onde
a população não tem para onde correr em caso de emergência (o caso mais
simbólico foi a morte, testemunhada por uma técnica em enfermagem e um
vigia, de um homem que levou uma facada e não pôde ser atendido porque
não havia médico de plantão). Não estamos falando de cirurgia de alta
complexidade, mas de carência humana, cuja atuação garantiria o
tratamentos mínimo para problemas mínimos como diarreia, gripe ou
ferimentos leves, que neste diapasão de interesses e serviços se
transformam em tragédias diárias e desproporcionais.
Tragédias que parecem não comover quem, de antemão, diz se sentir
envergonhado pela leva de navios negreiros (oi?) a aportar por aqui
atolados de médicos dispostos a nivelar por baixo a medicina brasileira.
Pois Jean Marie Le-Pen, o líder ultradireitista francês de xenofobia
desavergonhada, seria capaz de corar ao ver a reação dos médicos
brasileiros, de maioria branca, que hostilizaram, vaiaram e chamaram de
“escravos” os colegas cubanos, de maioria negra, durante um curso de
preparação em Fortaleza. O protesto, organizado pelo Sindicato dos
Médicos do Ceará, foi talvez o estágio mais alto de uma ofensiva que já
teve até presidente de conselho regional de medicina pregando, como num
culto, o boicote aos camaradas estrangeiros. Os manifestantes, que
provavelmente se divertem ainda hoje com a herança colonial supostamente
encerrada por uma lei - não coincidentemente - denominada Áurea, talvez
inovassem a rebelião contra o estado das coisas no período anterior a
1888. O método consiste em cuspir no escravo para manifestar uma repulsa
fajuta à escravatura. Parece um método bastante inteligente para quem
levou seis anos para retirar o diploma. Não cola.
O episódio mostra que até mesmo quando se trata de salvar a vida
humana a vida humana é contagiada pela mais devastadora das doenças: a
ignorância de quem enxerga o mundo entre o certo e o errado e nada mais
entre uma ponta e outra. A ignorância, neste caso, parece desnudar um
resquício de desumanidade presente em um dos últimos bolsões de um
elitismo pré-colonial. Um elitismo que tolera o esquecimento e a
omissão, mas esperneia ao menor sinal de desprestígio, este galgado
longe, bem longe, dos salões onde mais se precisa de médicos: onde o
jaleco se suja de terra.
A opção de ficar nos grandes centros é, de certo modo, compreensível.
Não se discute as fragilidades de um programa de emergência. Seria
pouco razoável, por exemplo, negar a ausência de uma estrutura adequada
para a atuação de quaisquer médicos pelo interior do País. Seria pouco
razoável também negar a dificuldade para amarrar juridicamente um
contrato de trabalho que prevê a triangulação entre países (um deles,
bem pouco afeito à transparência) para remunerar o trabalhador. Não se
nega ainda a necessidade de se regular a atuação desse médico conforme o
tamanho de sua responsabilidade. Não se discute a necessidade de se
validar diplomas com base em um critério honesto que não tenha como
finalidade a reserva de mercado. Da mesma forma, seria razoável (ou
deveria ser) supor que a urgência para a garantia de atendimento básico
preceda os ajustes de rota – estes facilmente remediados com boa
vontade, o que não é o caso de uma vida por um fio.
Mas, para boa parte dos ativistas de ocasião, cruzar os braços diante
da suposta politicagem, do suposto populismo, do suposto oportunismo e
do suposto navio negreiro é mais nobre do que atacar o problema real.
Parecem a versão remodelada da conferência das aranhas do conto A Sereníssima República,
de Machado de Assis, a mais perfeita alegoria de nossa incompetência
histórica. “Uns entendem que a aranha deve fazer as teias com fios
retos, é o partido retilíneo; outros pensam, ao contrário, que as teias
devem ser trabalhadas com fios curvos, - é o partido curvilíneo. Há
ainda um terceiro partido, misto e central, com este postulado: as teias
devem ser urdidas de fios retos e fios curvos; é o partido
reto-curvilíneo; e finalmente, uma quarta divisão política, o partido
anti-reto-curvilíneo, que fez tábua rasa de todos os princípios
litigantes, e propõe o uso de umas teias urdidas de ar, obra
transparente e leve, em que não há linhas de espécie alguma”.
Nessa conferência, a discussão gira em torno dos símbolos atribuídos a
uma mesma teia. O imobilismo é o único resultado da gritaria.
Como as aranhas de Machado de Assis, preferimos discutir o sexo dos
anjos em vez de atingir o cerne de uma questão urgente: o abandono de
uma parte considerável da população. Seria razoável que elas estivessem
no centro do debate. Mas a razoabilidade é um objeto raro quando a ala
(sempre em tese) mais esclarecida do País tem como um cartão de visita a
vaia, a arrogância e a agressão.
registrado em:
Mais Médicos,
xenofobia
domingo, 25 de agosto de 2013
Uma médica cubana ensina aos médicos brasileiros o verdadeiro sentido do Juramento de Hipócrates.
Tijolaço ao Dr CRM:
core diante desta negra !
Da xenofobia ao racismo é rapidinho
Um sensacional post de Fernando Brito que fará envergonhar a maioria dos médicos brasileiros. A médica negra cubana demonstra com palavras e ações o verdadeiro sentido do Juramento de Hipócrates.
Penso que estamos diante do maior e mais significativo programa dos governos Lula e Dilma. Cuidar do povo mais humilde, principalmente quem precisa de médicos, é um ato de amor.
Corem diante desta negra, doutores! Ela tem o que os senhores perderam
“Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou Nelson Rodrigues, 45.
“Nossa motivação é a solidariedade”, assegurou Milagros Cardenas Lopes, 61
“Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros”, destacou Cardenas em resposta à suspeita de trabalho escravo. “O salário é suficiente”, complementou Natasha Romero Sanches, 44.
Poucas frases, mas que soam como se estivessem sendo ditas por seres de outro planeta no Brasil que vivemos.
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