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domingo, 7 de setembro de 2025

Quem se Apropria da Pátria? O Desafio de Lula entre Soberania e Nacionalismo

Quem se Apropria da Pátria? O Desafio de Lula entre Soberania e Nacionalismo

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 7 de setembro de 2025 trouxe à cena política uma forte defesa da soberania nacional, da democracia e do compromisso social. Sua fala buscou resgatar o sentido histórico da independência, vinculando-o ao combate à fome, à defesa da Amazônia e à valorização das conquistas dos trabalhadores. No entanto, para além da mobilização da base progressista, a mensagem deixou lacunas importantes em áreas estratégicas que poderiam atrair setores hoje cativos da narrativa da extrema-direita: o nacionalismo cívico, a defesa explícita do Brasil em todas as suas dimensões e o fortalecimento das Forças Armadas como símbolo de proteção e unidade nacional.


Se a soberania foi o fio condutor da fala, o nacionalismo foi tratado apenas de forma indireta. Lula ressaltou o povo como verdadeiro dono da nação, mas faltou retomar a bandeira e o hino como símbolos de todos, e não de uma facção política. O bolsonarismo sequestrou esses ícones e os transformou em estandartes de exclusão. Reapropriá-los seria um gesto poderoso para disputar corações que ainda os associam à extrema-direita.

Outro ponto ausente foi a referência direta às Forças Armadas. Embora parte delas tenha se envolvido em aventuras antidemocráticas, grande parte da população as vê como guardiãs da soberania e da ordem. Valorizar o papel das Forças na defesa de fronteiras, do território e do espaço aéreo teria o efeito de reposicionar o governo como aliado da segurança nacional. Ao silenciar sobre esse aspecto, Lula deixa intacta uma arena simbólica dominada por seus adversários.

No campo da comunicação, o combate às fake news apareceu em tom de regulação, mas não em tom de emoção. Para conquistar mentes e corações, seria preciso uma linguagem mais afetiva, que denuncie as mentiras não apenas como crimes digitais, mas como agressões ao Brasil. Dizer, por exemplo: “Quem espalha mentiras contra nosso país não é patriota, é inimigo da pátria” teria maior impacto junto ao eleitorado comum.

Para garantir espaço em 2026, Lula precisará avançar em três frentes:

Resignificar o patriotismo – reafirmando símbolos nacionais como patrimônio de todos.

Fortalecer a agenda da segurança e da ordem – sem ceder ao autoritarismo, mas mostrando compromisso com a proteção da vida e da soberania.

Reconciliar a narrativa nacional – unindo democracia, família, trabalho e defesa da pátria em uma visão de futuro que dialogue com moderados desencantados da extrema-direita.

Em suma, o pronunciamento de 2025 foi um passo sólido na defesa da soberania e da democracia, mas ainda insuficiente para romper o monopólio simbólico da extrema-direita sobre o nacionalismo brasileiro. O desafio de Lula não é apenas governar, mas reconquistar a pátria no imaginário popular, devolvendo à bandeira, ao hino e às Forças Armadas o seu verdadeiro sentido: o de serem de todos os brasileiros.

 


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