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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amo São Paulo, amo o meu país.

Parabéns, São Paulo! Você continua injusta


Do blog do jornalista Leonardo Sakamoto um belo texto. Penso que texto desta qualidade deveria fluir mais peles redes sociais. É um texto para refletir sobre a nossa existência, fruto de nossas escolhas e  de nossas decisões. É isso que me toca, sentimentos, a esperança, mas também a busca para a  compreensão desta realidade tão complexa e tão desafiante, em que alguns teimam em singular as mazelas  na natureza, no criador e nos santos, sem assumir as suas responsabilidades. 
Para alguns setores da mídia representados pela "ejectante" imperiosa Globo, o povo paulistano é único culpado pelas tragédias que se apoderaram do cotidiano da cidade de São Paulo. 
Para esta "coisa" que ainda afirma fazer "jornalismo imparcial" o paulistano é porco (veja o escreve Eduardo Guimarães - JN acusa o povo paulistano de ser o mais porco do país), poluidor, por entupir os bueiros que possibilitam o fluxo das águas pluviais em direção aos canais de esgoto e lixo em que se transformaram os rios da cidade da "garoa". 
Todavia, bem que o autor poderia dizer: Amo São Paulo, amo o meu país. 

Portanto, vale conferir o texto na íntegra. 


De Washington – Amo São Paulo.


Gosto de viver nessa cidade. De acordar, insône, às quatro da amanhã e ter a certeza de que dá para ir em algum lugar. Assistir o filme ou a peça de teatro que quiser sem ter que pegar uma ponte aérea. Rodar o mundo pelos diferentes gostos de seus restaurantes. Encontrar na diversidade de origens, cores e formas pessoas tão interessantes quanto posso imaginar. De saber que a informação e o conhecimento fluem rápido, de fora ou de dentro, para a cidade.
Posso rodar o país e o mundo mas invariavelmente volto para aí, meu porto seguro, onde me identifico, onde as coisas fazem sentido. Onde meus amigos, emoldurados pela cidade, me lembram através do reflexo que vejo neles quem eu sou, de onde vim, para onde vou. Nasci aí, mas o mais importante é que adotei a cidade depois que aprendi a andar com as próprias pernas. Ser paulistano não tem a ver com o local onde você teve o cordão umbilical cortado, mas onde você amarrou seu burro.
Amo São Paulo e, por isso mesmo, sinto um aperto no peito. Como posso gostar de um lugar onde o povo não aprendeu a ser cidadão, onde os eleitos se furtam a cuidar da pólis, que pensa que só porque é maior e mais rico é melhor do que o resto do país, que insiste em se afirmar como reserva moral e guia econômico dos outros estados, que acredita piamente ter sido incumbido de uma missão divina de guiar o Brasil para o seu futuro, que tem colo lema que ostenta a sua bandeira “Non Ducor Duco” (Não sou conduzido, conduzo)? Uma cidade que joga para longe os pobres, traz para perto os endinheirados, bate na sua população de rua, espanca homossexuais e ainda reclama da selvageria que ocorre além de Queluz?
O “paulistanismo”, o nacionalismo paulista, funciona como uma espécie de seita radical para os seus adeptos. Mesmo as pessoas mais calmas viram feras, libertando uma fúria bandeirante que parecia, historicamente, reprimida dentro do peito. O pessoal que vira de nome de avenida, escola, praça, escultura, Palácio de Governo. Nossos heróis são Domingos Jorge Velho, Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Paes Leme, Manuel Preto, Bartolomeu Bueno. Repito o que aqui já disse, o fato de São Paulo ter escolhido os bandeirantes como heróis diz muito sobre o espírito do estado.
As pessoas não entendem como um neto de imigrantes, com cara de japonês, paulistano com sotaque carregado e que foi estudante da USP pode escrever coisas assim. Bem, se você gosta de algo e vê problemas nela, tem duas opções: a) ignora tudo e cria um mundo de fantasia na cabeça; b) critica e atua para construir alternativas. Mas, cuidado ao escolher “b”, pois quem chama para o enfrentamento de idéias e propõe mudança no status quo é taxado como baderneiro em São Paulo.
Logo após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, José de Anchieta, com a ajuda de índios catequizados, ergueu um muro de taipa e estacas para ajudar a mantê-la “segura de todo o embate”, como descreveu o próprio jesuíta. Os indesejados eram índios carijós e tupis, entre outros, que não haviam se convertido à fé cristã e, por diversas vezes, tentaram tomar o arraial, como na fracassada invasão de 10 de julho de 1562. Ao longo dos anos, a vila se expandiu para além da cerca de barro, que caiu de velha. Vieram os bandeirantes já supracitados, que caçaram, mataram e escravizaram milhares de índios sertão adentro. Da África foram trazidos negros, que tiveram de suportar árduos trabalhos nas fazendas do interior ou o açoite de comerciantes e artesãos na capital. No início do século 19, a cidade tornou-se reduto de estudantes de direito, que fizeram poemas sobre a morte e discursos pela liberdade. Depois cheirou a café torrado e a fumaça de chaminé, odores misturados ao suor de imigrantes, camponeses e operários.
Mas, apesar da frenética transformação do pequeno burgo quinhentista em uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo, centro financeiro e comercial da América do Sul, o muro ainda existe, agora invisível. Só quem não quer enxergar vê na capital paulista uma terra em que todos têm direitos e oportunidades iguais.
Eu disse no último 9 de julho e reafirmo que a esperança de São Paulo é que uma nova geração, liberal em costumes, progressista politicamente, consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis, menos arrogante e com uma atuação realmente federalista, consiga emergir com força em meio à decadência quatrocentona, travestida de modernidade ao longo do século 20, que ainda reina.
Se houve melhora na maneira como a administração municipal trata os mais humildes, isso se deve à sua própria mobilização, pressão e luta e não a bondades de supostos iluminados ou da esmola das classes mais abastadas. Até porque nossos “grandes líderes” naufragam em tempos de chuva e são reduzidos a pó em tempos de seca.
Baseado nisso, eu que não sou pessimista, mas realista, neste 25 de janeiro me encho de forças não sei de onde e peço para acreditarmos em São Paulo, uma vez que a semente da mudança que vai conduzi-la para um lugar melhor, mais justo, está dentro dela mesma. Tenho a certeza de que se a política higienista do município que arrota grandeza não acabar com aqueles que há mais de quatro séculos são “indesejados”, eles vão assumir essa mudança, tomando a rédea de suas vidas, e mudando as nossas para melhor. Pois enquanto a maior parte dos seus habitantes estiver do lado de fora do muro invisível que cerca a cidade, comemorar essa data significa um ato de memória e de luta e não um momento de festa.

Professores, autoridades da educação, quando Dilma?

O discurso da posse da Dilma foi emocionante, principalmente quando ela reconhece o professor como a autoridade da educação. O texto abaixo revela o que já é sabido por todos: precisamos trazer os melhores talentos para a sala de aula. 

O nosso país não tem outro saída para melhorar a educação brasileira se não investir no professor na seguinte combinação: qualificação profissional, melhorar a recompensa financeira e maior tempo para planejamento = valorização profissional para conquistar os melhores talentos para o magistério. 

Apenas fico a me questionar quantas gerações este país irá perder para que de fato isso aconteça - professor, a maior autoridade em educação. 

A lição de Cingapura

por Ignez Martins Tollini
Correio Braziliense

Mestre em educação brasileira (UnB), Ph.D em educação (Universidade de Londres, Reino Unido)

Até recentemente, pesquisas sobre educação escolar não haviam chegado a um consenso sobre qual seria o fator que mais contribuía para o sucesso de um estudante. Hoje, uma experiência feita em Cingapura, pequeno país no sudeste asiático, mostra que o “orçamento, o currículo ou o tamanho da classe, nenhum desses fatores afeta mais um estudante do que seu professor”. Sabe-se agora por que Cingapura obteve o segundo lugar em concurso internacional, no qual foram avaliados conhecimentos de matemática de jovens de 15 anos.

Tal resultado desse país traz à lembrança o que aconteceu, anos atrás, na Coreia do Norte, país que resolveu fazer mudança drástica no preparo de seus professores. Para isso, a meta primordial foi formar professores de excelência. O país conseguiu esse intento e, com ele, notável melhoria da educação. Nos dias de hoje, a experiência de Cingapura impressiona países que enfrentam grandes problemas na área de educação, entre eles os Estados Unidos.

Um dos segredos de Cingapura consiste no modo pelo qual os professores são selecionados. Após o curso de pedagogia, são escolhidos os 30% dos estudantes que obtiveram os melhores resultados. Os selecionados então são encaminhados a um treinamento adicional para a prática do magistério. O processo tem garantido a qualidade do ensino em Cingapura. Contrariamente ao caso de Cingapura, parte significativa dos professores dos Estados Unidos foi estudante medíocre, conforme registra a revista inglesa The Economist, de janeiro de 2011.

O problema da formação de professores no Brasil, em que pese diferenças culturais e socioeconômicas com os dois países citados, é da mesma grandeza. A luta pela qualidade de educação básica pública, hoje um assunto de interesse crescente no Brasil, começou nos anos 30 do século passado. Em trabalho científico sobre a educação fundamental nas últimas décadas desse século, foi constatado que a formação dos professores era o divisor de águas entre a boa e a má educação. O trabalho encontrou uma série de razões para explicar o cenário de incompetência que persistia na medida em que o sistema educacional se expandia.

Até o fim dos anos 40, por exemplo, quando o sistema educacional ainda crescia vagarosamente, os professores tinham um lugar de destaque na sociedade. Foi a época das “normalistas”, professoras formadas nos institutos de educação para ensinarem aos alunos as regras para escreverem bem o português e fazerem contas, entre outras disciplinas básicas. A partir dos anos 50, com o crescimento da população estudantil, o sistema educacional se expandiu de modo extraordinário. Naquele tempo, dizia-se que “o primeiro professor que passasse na rua era contratado para ensinar”.

Hoje, a problemática da educação dos jovens, crianças e adolescentes é mais séria do que nunca. As diferenças entre países já não são importantes. A maioria quer aprender o que fazer para dar conta do desafio de formar professores capazes de entusiasmar os jovens a estudar com gosto, isto é, com o desejo de aprender. Forças externas, tais como a violência, as drogas, as ideologias e o partidarismo político incidem sobre a escola. Isso obriga o professor a estar preparado para, além da tarefa de transmitir conhecimentos, enfrentar diversos tipos de riscos, até de agressão física.

Porém, algumas luzes se acendem para iluminar novos caminhos. Uma delas, particularmente no caso brasileiro, é a constatação que, “embora nossas escolas sejam fracas e perdulárias, atrasando o avanço do Brasil” (como indicado pelo resultado que o país obteve no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, Pisa), pelo menos existem sinais de melhoria dos estudantes, se comparados com avaliações do passado recente. No entanto, é importante mencionar que o debate sobre maus professores ainda ignora alguns problemas cruciais. Pelo que dizem, os Estados Unidos aprenderam a lição de Cingapura. E nós, será que aprenderemos?

EUA tentaram impedir programa brasileiro de foguetes




A gência o globo por José Meirelles Passos
O Globo

Ainda que o Senado brasileiro venha a ratificar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil (TSA, na sigla em inglês), o governo dos Estados Unidos não quer que o Brasil tenha um programa próprio de produção de foguetes espaciais. Por isso, além de não apoiar o desenvolvimento desses veículos, as autoridades americanas pressionam parceiros do país nessa área - como a Ucrânia - a não transferir tecnologia do setor aos cientistas brasileiros.

A restrição dos EUA está registrada claramente em telegrama que o Departamento de Estado enviou à embaixada americana em Brasília, em janeiro de 2009 - revelado agora pelo WikiLeaks ao GLOBO. O documento contém uma resposta a um apelo feito pela embaixada da Ucrânia, no Brasil, para que os EUA reconsiderassem a sua negativa de apoiar a parceria Ucrânia-Brasil, para atividades na Base de Alcântara no Maranhão, e permitissem que firmas americanas de satélite pudessem usar aquela plataforma de lançamentos.

Além de ressaltar que o custo seria 30% mais barato, devido à localização geográfica de Alcântara, os ucranianos apresentaram uma justificativa política: "O seu principal argumento era o de que se os EUA não derem tal passo, os russos preencheriam o vácuo e se tornariam os parceiros principais do Brasil em cooperação espacial" ? ressalta o telegrama que a embaixada enviara a Washington.

A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que "embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil". Mais adiante, um alerta: "Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil".

O Senado brasileiro se nega a ratificar o TSA, assinado entre EUA e Brasil em abril de 2000, porque as salvaguardas incluem concessão de áreas, em Alcântara, que ficariam sob controle direto e exclusivo dos EUA. Além disso, permitiriam inspeções americanas à base de lançamentos sem prévio aviso ao Brasil. Os ucranianos se ofereceram, em 2008, para convencer os senadores brasileiros a aprovarem o acordo, mas os EUA dispensaram tal ajuda.

Os EUA não permitem o lançamento de satélites americanos desde Alcântara, ou fabricados por outros países mas que contenham componentes americanos, "devido à nossa política, de longa data, de não encorajar o programa de foguetes espaciais do Brasil", diz outro documento confidencial.

Viagem de astronauta brasileiro é ironizada

Sob o título "Pegando Carona no Espaço", um outro telegrama descreve com menosprezo o voo do primeiro astronauta brasileiro, Marcos Cesar Pontes, à Estação Espacial Internacional levado por uma nave russa ao preço de US$10,5 milhões - enquanto um cientista americano, Gregory Olsen, pagara à Rússia US$20 milhões por uma viagem idêntica.

A embaixada definiu o voo de Pontes como um gesto da Rússia, no sentido de obter em troca a possibilidade de lançar satélites desde Alcântara. E, também, como uma jogada política visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Num ano eleitoral, em que o presidente Lula sob e desce nas pesquisas, não é difícil imaginar a quem esse golpe publicitário deve beneficiar. Essa pode ser a palavra final numa missão que, no final das contas, pode ser, meramente "um pequeno passo" para o Brasil" - diz o comentário da embaixada dos EUA, numa alusão jocosa à célebre frase de Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na Lua, dizendo que seu feito se tratava de um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a Humanidade.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A história de um crime de 20 trilhões de dólares

Pecém espera alta de 60% na movimentação de cargas

Valor Econômico - 24/01/2011

Em apenas uma década, a antiga vila de pescadores de Pecém deu lugar ao principal centro logístico do Ceará, um complexo industrial e portuário que deve movimentar 4 milhões de toneladas de carga este ano. "Se você considerar que o porto começou a operar em 2002, vê que é um resultado importante, mas o salto decisivo está por vir", diz Mário Lima Júnior, diretor de Desenvolvimento Comercial do porto de Pecém.

Assim como Suape, Pecém tem a vantagem de contar com ampla capacidade de expansão. "Temos 120 quilômetros quadrados para exploração industrial, o que nos favorece para apoiar projetos de porte, como a refinaria Premium II, da Petrobras e a siderúrgica da Vale, que estão sendo montadas na região", afirma Lima Júnior.

Os investimentos da Petrobras na refinaria são estimados em US$ 11,1 bilhões. A siderúrgica da Vale chega a US$ 6 bilhões. Com a chegada da ferrovia Transnordestina, que ligará o Estado a Pernambuco, Maranhão e Piauí, o porto de Pecém também se prepara para ampliar as operações na fronteira agrícola. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Pecém já se consolidou como liderança nacional na exportação de frutas e calçados.

Em 2010, foram exportadas 252 mil toneladas de frutas pelo porto, o que equivale a 37% do total movimentado pelos demais portos. Nas exportações de calçados, a movimentação anual atingiu 18 mil toneladas, o que representa 34% do total. De janeiro a outubro de 2010, segundo Lima Júnior, a movimentação de carga no porto subiu 68% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para 2011, Lima Júnior projeta crescimento acima de 60%. O ano será marcado pelo início das operações da termelétrica Energia Pecém, parceria entre EDP e MPX, do empresário Eike Batista. O obra, que recebeu investimento de R$ 2,6 bilhões, deve entrar em operação nos próximos meses (AB)