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domingo, 13 de agosto de 2017

Morin: a economia é, ao mesmo tempo, a ciência mais avançada matematicamente e a mais atrasada humanamente.

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Edgar Morin, crítico da fragmentação do conhecimento, propõe, através de suas reflexões e questionamentos, um conhecimento mais elaborado e do pensamento complexo .

Nesse sentido, o desenvolvimento do conhecimento complexo é necessário para formar cidadãos com um conhecimento mais profícuo sobre o mundo, as coisas, sua inserção nesse mundo, a formação de cidadãos do mundo que sejam solidários, éticos e capazes de compreender as questões grandes questões de seu tempo e enfrentar os desafios.

Para esse pesquisador, há um ensino inadequado, fragmentado, compartimentado em disciplinas e isso impede uma visão do estudante na dimensionalidade das coisas, dos problemas essenciais, as interações entre as partes e o todo, do todo com as partes, ou seja, o estudante não consegue ver o global das coisas. Além do mais, todos os problemas são podem ser entendidos nos seus contextos, principalmente no contexto global, tornando impossível perceber o que é tecido junto, ou seja, o complexo.

Segundo o autor (Morin, (2003, p.9) o desafio da globalidade é também um desafio de complexidade. Existe complexidade, de fato, quando os componentes que constituem um todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico) são inseparáveis e existe um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre as partes e o todo, o todo e as partes.

Completa o autor: quanto quanto mais os problemas se tornam multidimensionais, maior a incapacidade de pensar sua multidimensionalidade; quanto mais a crise progride, mais progride a incapacidade de pensar a crise; quanto mais planetários tornam-se os problemas, mais impensáveis eles se tornam. Uma inteligência incapaz de perceber o contexto e o complexo planetário fica cega, inconsciente e irresponsável. (MORIN, 1998, p. 11)

Para o autor na escola nos ensina a separar as coisas do contexto, em vez de reunir e integrar, reduzindo o complexo ao simples. E nesse sentido, as mentes jovens perdem a capacidade de contextualizar os saberes e integrá-los para uma compreensão melhor da realidade.

E o autor faz uma interessante pergunta para as questões econômicas de nosso tempo: porque a ciência econômica está isolada das outras dimensões humanas e sociais que lhe são inseparáveis.

O mesmo autor responde mas palavras de Jean-Paul Fitoussi, “muitos desfuncionamentos procedem, hoje, de uma mesma fraqueza da política econômica: a recusa a enfrentar a complexidade...”. A política econômica é a mais incapaz de perceber o que não é quantificável, ou seja, as paixões e as necessidades humanas. De modo que a economia é, ao mesmo tempo, a ciência mais avançada matematicamente e a mais atrasada humanamente.

Nessa linha de pensamento o autor reforça essas reflexões em Hayek quando dizia: “Ninguém pode ser um grande economista se for somente um economista.” Chegava até a acrescentar que “um economista que só é economista torna-se prejudicial e pode constituir um verdadeiro perigo”.

Por fim, precisamos repensar o pensamento para desenvolver uma cabeça bem feita nesse deserto de neurônios em que se converteu a superfície planetária, quando um pensamento econômico nos leva para o precipício em meia dúzia de gente com a riqueza da metade da população da Terra. No momento o mundo está atrofiado, enlameado por crise, a crise da própria espécie humana em sua forma de produzir, consumir e da dominação de minoria sobre a maioria. E por isso, precisamos desenvolver um ensino capaz de despertar o estudante para articular saberes, contextualizá-los, questões fundamentais para o desenvolvimento da mente humana que precisa também ser desenvolvida.

Aqui destaco abaixo a dedicatória do autor
Este livro é dedicado, de fato, à educação e ao ensino, a um só tempo. Esses dois termos, que se confundem, distanciam-se igualmente.

“Educação” é uma palavra forte: “Utilização de meios que permitem assegurar a formação e o desenvolvimento de um ser humano; esses próprios meios”. (Robert) O termo “formação”, com suas conotações de moldagem e conformação, tem o defeito de ignorar que a missão do didatismo é encorajar o autodidatismo, despertando, provocando, favorecendo a autonomia do espírito.

O “ensino”, arte ou ação de transmitir os conhecimentos a um aluno, de modo que ele os compreenda e assimile, tem um sentido mais restrito, porque apenas cognitivo.

A bem dizer, a palavra “ensino” não me basta, mas a palavra “educação” comporta um excesso e uma carência. Neste livro, vou deslizar entre os dois termos, tendo em mente um ensino educativo.

A missão desse ensino é transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita compreender nossa condição e nos ajude a viver, e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre.

Kleist tem muita razão: “O saber não nos torna melhores nem mais felizes.”

Mas a educação pode ajudar a nos tornarmos melhores, se não mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte prosaica e viver a parte poética de nossas vidas.

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