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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Prender Lula sem que qualquer prova tenha sido apresentada é aproximar a nação do abismo


Psicanalistas pela Democracia
seg, 15/05/2017 - 10:36
do Psicanalistas pela Democracia
Prender Lula sem que qualquer prova tenha sido apresentada é aproximar a nação do abismo
por Paulo Endo em Luis Nassif
Prender Lula sem provas se tornou o maior risco de instabilidade, oposições radicais e conflitos violentos para o país.
O que aconteceu em Curitiba na última quarta feira, dia 10, não foi incomum, nem corriqueiro, nem apenas ‘ato normal do processo.’

Vimos um aparato repressivo gigantesco montado, com atiradores de elite e dezenas de milhares de pessoas, apoiadores, organizações e membros do parlamento que viajaram para Curitiba com um único objetivo e propósito: impedir que Lula seja, mais uma vez, preso, discricionariamente e de modo surpreendente, como já havia acontecido.

Não haveria qualquer manifestação massiva se todos tivessem a certeza da lisura do processo, do bom encaminhamento e justeza dos trabalhos, da imparcialidade do juiz. Mas obviamente é muito o contrário que estamos testemunhando.

O que aconteceu ontem em Curitiba foi essencial, importantíssimo para que o juiz e todos o que o apoiam entendam com e contra o que estão mexendo e o contexto em que nos encontramos.

Não se trata apenas de defender Lula. Além de seus adeptos e militantes e membros do partido, há inúmeras pessoas que não concordam com o massacre que vem sendo realizado com o ex-presidente e sua família, sem qualquer prova consistente além das delações de supostos condenados. Massacre que ceifou a vida de sua esposa e que atinge todos os dias seus familiares e, obviamente, ele próprio.

Tirar Lula a fórceps das possíveis-mas ainda não garantidas eleições de 2018-é afrontar o restolho de democracia que ainda temos e acentuar a revolta em todos os que lutaram e usufruíram do curto período em que o voto na urna foi respeitado.

Prender Lula sem provas contundentes, baseados em delações de supostos criminosos presos que teriam suas penas atenuadas por delatarem o ex-presidente, é um tapa na cara da sociedade brasileira, um cassetete no crânio de cada brasileiro, um tiro no olho em cada um dos eleitores.

Não concordamos com a ideia teórica de que devemos evitar a polarização ou o confronto, pois esse confronto é proposto todos os dias pelo governo sem eleitores que trata as manifestações, de centenas de milhares de pessoas pelo país, como se fossem um bando de arruaceiros sem causa.

O confronto é necessário, importante e saudável para a democracia. Ele confere nome e identidade aos contendores, explicita de que lado estão e os obriga a dizer e argumentar o que defendem. Obviamente não se trata de uma bobagem como um Fla-Flu ou uma luta de boxe, que só visões muito limitadas e tontas poderiam sugerir. Trata-se de um confronto político de grande importância que sempre existiu no país, mas nunca foi tão explicito como nos últimos tempos.

Na medida em que esses confrontos são acirrados pela total indiferença dos que detém o poder, diante do tamanho e do caráter grandiloquente de cada uma das manifestações e dos numerosos brasileiros que marcham nas ruas praticamente todos os dias, desde abril de 2016, a fim de denunciar o descalabro das medidas do governo sem eleitores, tal confronto tende a passar para outros níveis mais baixos.

A força bruta dos aparatos de segurança se acirra e no interior dos próprios movimentos começam a haver divergências dentro dos próprios movimentos sobre o quanto é possível aguentar golpes de cassetete letais, porradas, bombas, desrespeitos e prisões arbitrárias pacificamente.

Essa violência que o governo ilegítimo vem praticando provoca dúvidas, acompanhadas de indignação em muitos, sobre a continuidade de manifestações pacíficas. Hoje, salvo algumas vidraças quebradas, o caráter das manifestações têm se mantido eminentemente pacífico. Isso porque ainda predominam as forças de oposição majoritárias que acreditam, preservam e mantém o conflito pacificamente, mesmo sendo achacados em todas as manifestações com consequências irreversíveis para alguns.

Porém a prisão de Lula, no qual milhões, e não apenas os petistas, esperam depositar seu voto em 2018, gerará um espírito de revolta sem precedentes.

Os apoiadores do golpe tem razão. Mesmo que seja necessária uma eventual condenação em segunda instância para que a prisão do ex-presidente ocorra, o primeiro passo que pode sugerir a prisão de Lula é a sentença do juiz Moro, mas é ele também que poderá contribuir para repor algumas peças do estado democrático de direito largadas às lata do lixo ou será ele que empurrará o resto de democracia ladeira abaixo.

E, para o juiz, seria importante ter claro que ninguém assumirá a responsabilidade por essa derrocada. Tudo será jogado em suas costas. Nem globo, nem Temer, nem PSDB o apoiarão depois de consumado o plano. O desastre será conhecido como de inteira responsabilidade do futuro ex-herói Sergio Moro. Todos responderão, como ele mesmo respondeu ao ex-presidente: Globo, Estadão, Veja, etc. estavam gozando da liberdade de imprensa, não apoiavam ninguém. Sobretudo não apoiavam alguém que não será mais útil ao processo. Como Cunha após o impeachment de Dilma. Ninguém move um dedo para defendê-lo.

É a hora mais escura na qual é preciso pensar com extrema seriedade sobre a segurança de brasileiros e brasileiras que conquistaram a democracia, que aprenderam a amá-la e os que nasceram nela.

Vidas estarão em risco a depender dos próximos passos dados pelos golpistas. Confrontos violentos podem passar a acontecer e se acirrar. Sim são os governistas que estão com a faca e o queijo na mão, mas a multidão que inunda as ruas, repleta de pessoas de todas as idades, não aceitará passivamente mais essa extrema violência, apenas porque ela representaria a retirada subjetiva da dignidade de cada um dos brasileiros. Uma vez foi sequestrado o voto após depositados nas urnas, agora se quer sequestrá-lo antes.

Para os golpistas é o momento de ponderar sobre o futuro do golpe. Sair do pensamento caolho do Fla-Flu induzido por pessoas e mídias sem inteligência que se dirigem a um público que supõem imbecilizado. Todos terão responsabilidade quanto ao que pode acontecer ao país e ninguém sairá ileso.

É profundamente lamentável e envergonhante ver o papel a que se prestam os jornalistas dos grandes veículos de comunicação. Estão brincando de pega-pega, se divertem com análise sobre quem ganhou e quem perdeu e não alertam para o risco pelo qual o país passa. Continuam insuflando a oposição pura e simples, o ódio dicotômico e não alertam para os riscos dessa prática para o futuro do país.

Às vésperas do golpe, antes de abril de 2016, alertamos que os que votaram em Lula, Dilma ou em qualquer outro candidato em eleições livres e gerais, não aceitariam outra coisa senão o voto direto. É o mínimo. Hoje vemos que esse sentimento nunca foi interrompido e só cresce no país.

É a hora dos patrocinadores do golpe refletirem seriamente sobre seus próximos passos sabendo que ele se aproxima do abismo. É o momento de parar de perseguir inocentes ou aqueles sobre os quais não se tem nenhuma prova de culpa ou responsabilidade.

Ainda há tempo para isso. Mas ele é curto. Precisamos da democracia urgentemente e o primeiro passo são eleições diretas, livres e justas. Qualquer artifício que atente contra isso será interpretado negativamente, gerando ações imprevisíveis daí por diante.

A candidatura de Lula catalisa hoje todas as grandes esperanças de milhões de brasileiros, não importa se eles terão razão ou não. Muitos pensarão: Temer teve sua chance, não deu certo. Outros continuarão trabalhando para que Temer figure nas páginas da história como protagonista do segundo grande golpe no Brasil. Mas isso são previsões mais ou menos óbvias e o que quer que aconteça são ossos do ofício, não se dá um golpe sem esperar consequências. Está na hora de recolher seus pertences e sair de fininho antes que o pior aconteça.

O golpe não deu certo e não dará. Já é passada a hora de concluir isso. A insistência só tende a gerar dor e caos. Os autores do golpe precisam negociar com seus chefes e mandantes sobre o aprofundamento do fracasso do golpe que idealizaram. O ato de grandeza é dar meia volta e considerar a restauração do país. Manter tudo como está é apostar na violência extrema e na tirania pautada pela ignorância.

Há pessoas se ferindo nas ruas, não são os jornalistas da mídia pró-golpe, mas para os que ainda tiverem alguma decência é ora de resgatar a cartilha da ética jornalística. Não se trata de defender Lula, nem o PT, mas de garantir eleições livres e diretas e diminuir a temperatura e a pressão que só crescem.

A esquerda está rediviva e crescendo - parem de inventar números e esconder manifestações -; Lula é o candidato favorito de uma grande maioria e é incólume ao ataque midiático; a crise se aprofundou e as reformas enfrentarão imensas dificuldades para sua aprovação. É o momento de tentar sair por cima como os que puderam reconhecer que um novo golpe jamais será aceito no país

Mas uma coisa é certa, se as forças que compõem o golpe chegarem a concluí-lo à força não haverá, por muito tempo, país algum.

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