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terça-feira, 21 de junho de 2016

Um texto para refletir sobre todos os erros de Lula e PT.

O atual cenário do país explicita os muitos erros de Lula e o PT. E o principal deles  é que não se pode servir a dois "Deuses" ao mesmo tempo: o capital e o trabalho. 
Ingenuidade pensar que o capital quer ser "socializado" ou pretende a "distribuição de renda no mundo" e a redução da pobreza. 
O golpe no Brasil é muito bem pensado, planejado e executado. Eu sinceramente, não acredito mais na volta do PT, Dilma, Lula pelos próximos 20 anos. Deveremos esperar uma nova geração que será amadurecida na luta, nas ruas, dentro dos movimentos sociais e que assumirá o país, derrotando a plutocracia que governa esse país no momento nos próximos anos. 
As mulheres e a juventude organizada são sementes do amanhã nesse país que sofre um deserto de ideias para enfrentar os golpistas lesa-pátrias.
O que se espera é que essas novas gerações aprendam que não se pode contemporizar com as elites assassinas, egoístas e entreguistas desse país. Ou é matar ou morrer, como estão morrendo as políticas engendras de Lula e PT porque não "mataram os monstros" que impediram esse país de se desenvolver em 500 anos de sua história. E estamos pagando caro por esses erros. Como revolucionários não podemos ser clementes como assassinos e lesa-pátria. Exterminam-se os lesa-pátria, os monstros que roubaram a consciência desse país ou seremos perderemos a soberania do país  ameaçada por esse governo golpista. E deixo observação de que não concordo com uma boa parte do texto abaixo, mas ele nos provocará a refletir sobre todos os erros cometidos pelos governos dos trabalhadores nos últimos 13 anos. 
 
A crise explicada: as raízes históricas da crise social no Brasil e o Papel do FMI.  Dinâmica Global.
O artigo a seguir foi publicado pela Global Research e descreve como, desde o início as lideranças do Brasil, inclusive PT e PSDB, trairam uma nação inteira.



Mais de um milhão de pessoas em todo o Brasil juntaram-se um dos maiores movimentos de protesto na história do país. Ironicamente, a revolta social foi dirigida contra as políticas econômicas de um auto-proclamado Partido dos Trabalhadores – alternativa “socialista” ao neoliberalismo – liderado pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

Raízes históricas da crise social no Brasil. O Papel do FMI.

“A forte medicina econômica” do FMI, incluindo as medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, foram implementadas sob a bandeira do “progressista” e “populista” Partido dos Trabalhadores (PT), em consulta com poderosas elites econômicas do Brasil e em estreita ligação com o Banco Mundial, o FMI e Wall Street.

Enquanto o governo do PT apresenta-se como “uma alternativa” ao neoliberalismo, comprometida com a redução da pobreza e a redistribuição da riqueza, a sua política monetária e fiscal está nas mãos de seus credores de Wall Street.

Ironicamente, o governo do PT de Dilma Rousseff e seu antecessor Luis Inácio da Silva foi elogiado pelo FMI por:

“Uma notável transformação social no Brasil suportado pela estabilidade macroeconômica e aumento dos padrões de vida”.

As realidades sociais subjacentes são de outra maneira. “Estatísticas” do Banco Mundial sobre a pobreza são grosseiramente manipuladas. Apenas 11 por cento da população, de acordo com o Banco Mundial estão abaixo da linha da pobreza. 2,2 por cento da população vive em extrema pobreza.

O padrão de vida no Brasil entrou em colapso desde a adesão do Partido dos Trabalhadores em 2003. Milhões de pessoas foram marginalizadas e empobrecidas incluindo uma parte significativa da classe média urbana.

Enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) apresenta uma orientada imagem “progressista” das pessoas , opôs-se oficialmente a “globalização corporativa”, a agenda macro-econômica tem sido reforçada. O governo do PT tem constantemente manipulado suas bases, tendo em vista a imposição do que o “Consenso de Washington” descreve como “um quadro político forte”.

O lucro multibilionário impulsionou os investimentos de infra-estrutura relacionados à Copa do Mundo em 2014 e aos Jogos Olímpicos em 2016 e provocados pela corrupção corporativa, contribuíram para um aumento significativo da dívida externa do Brasil, que por sua vez reforçou o controle da política econômica para os credores de Wall Street.

O movimento de protesto foi em grande parte composto de pessoas que votaram no Partido dos Trabalhadores (PT).

O apoio popular do governo do PT foi quebrado. A base do Partido dos Trabalhadores foi contra o governo.

A história traiçoeira do Partido dos Trabalhadores.

O Partido dos Trabalhadores (PT) já esteve no poder há mais de dez anos.

A contínua crise social no Brasil é a consequência da agenda macro-econômica lançada no início da adesão de Luis Inácio da Silva para a presidência em 2003.

A eleição de Lula em 2002 encarnava a esperança de toda uma nação. Ela representou um voto esmagador contra a globalização e o modelo neoliberal, o que resultou em pobreza em massa e desemprego em toda a América Latina.

A eleição de Lula no segundo semestre de 2002, foi percebida como um grande ponto de ruptura, um meio para anular o quadro da política de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto abraçada em coro por movimentos progressistas de todo o mundo, o governo Lula também estava sendo aplaudido pelos principais protagonistas do modelo neoliberal. Nas palavras do diretor do FMI, Horst Kohler:

“Estou entusiasmado [com o governo Lula]; mas é melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo presidente Lula … o FMI ouve o presidente Lula e a equipe econômica, e essa é a nossa filosofia. ”

Não é de se admirar ver o FMI “entusiasmado”. As principais instituições de gestão econômica e financeira foram entregues numa bandeja de prata para Wall Street e Washington.

O FMI e o Banco Mundial elogiou o governo do Partido dos Trabalhadores por seu compromisso com “fortes fundamentos macroeconômicos.” Na medida em que o FMI está em causa, o Brasil “está no bom caminho” em conformidade com os benchmarks do FMI. O Banco Mundial também elogiou ambos os governos Lula e Dilma: “O Brasil está buscando um programa social ousado com responsabilidade fiscal.”

Segundo o professor James Petras:

A maioria dos formuladores de políticas de Wall Street e Washington, surpreendidos pela seleção de uma equipe econômica liberal ortodoxa de Lula, ficaram perfeitamente em êxtase quando ele começou a empurrar com força através de uma agenda neo-liberal radical, incluindo a privatização da segurança social, reduzindo substancialmente as pensões para os funcionários públicos e reduzindo os custos e abrandando as exigências para os capitalistas quando estes dispensarem os trabalhadores.

Segundo Marcos Arruda do PACS, um centro de pesquisa não-governamental no Rio de Janeiro:

“A equipe econômica de Lula através de políticas impostas pelo FMI está esvaziando as remunerações sociais não apenas para o aposentado, mas também para as pessoas com deficiência e as famílias mais pobres também.” O prosseguimento das políticas econômicas ortodoxas também tem empurrado para cima o desemprego oficial de 12%, enquanto as taxas de juros domésticas situam-se em 26,5%, uma das mais altas taxas do mundo. Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, o desemprego atingiu 20%. (Veja Roger Burbach, Global Research, Junho de 2003)

Brasil, sob o governo do PT não só aprovou o neoliberalismo “de rosto humano”, como também apoiou a militarização da América Latina e do Caribe liderada pelos Estados Unidos.



Lula havia estabelecido um relacionamento pessoal com George W. Bush. Enquanto foi um crítico ferrenho da guerra do Iraque liderada pelos Estados Unidos, e um apoiante de Hugo Chávez, foi também tacitamente um apoiador dos interesses estratégicos dos EUA na América Latina.

Na sequência do golpe de Estado patrocinado por EUA, França e Canadá no Haiti em fevereiro de 2004 contra o governo eleito de Jean Bertrand Aristide, o presidente Luis Inácio da Silva aprovou a ocupação militar do Haiti e despachou tropas brasileiras para Port-au-Prince, sob o patrocínio da Missão de Estabilização da ONU (MINUSTAH).

O artigo abaixo foi publicado pela Global Research no início do governo do PT de Luis Inácio da Silva. Ele descreve como, desde o início, a presidência de Luis Inácio da Silva, a liderança do Partido dos Trabalhadores traiu uma nação inteira.

Mudança significativa não pode resultar de um debate sobre “uma alternativa ao neoliberalismo”, o que na superfície parece ser “progressista”, mas que implícitamente aceita os “globalizadores” com o legítimo direito de governar e saquear o mundo em desenvolvimento.

O movimento do protesto social que varreu o Brasil é o resultado de 10 anos de “livre mercado” e repressão econômica sob o disfarce de uma “agenda progressista”.

Brasil: Neoliberalismo com uma “face humana”.

A posse de Luis Inácio da Silva (Lula) para a presidência do Brasil é historicamente significativa, porque milhões de brasileiros viram no Partido dos Trabalhadores (PT), uma verdadeira alternativa política e econômica à agenda dominante do (neoliberal) “livre mercado”.

A eleição de Lula encarnou a esperança de toda uma nação. Constituiu uma votação esmagadora contra a globalização e o modelo neoliberal, o que resultou em pobreza em massa e desemprego em toda a América Latina.

A reunião em Porto Alegre no final de janeiro de 2003, no Fórum Social Mundial, a postura anti-globalização de Lula foi aplaudida por dezenas de milhares de delegados de todo o mundo. O debate no Fórum Social Mundial de 2003, realizado apenas dois meses antes da invasão do Iraque, foi realizado sob a bandeira: “Outro mundo é possível”.

Ironicamente, enquanto aplaudiam a vitória de Lula, ninguém – entre os críticos proeminentes do “livre comércio” e da globalização – que falou no FSM 2003, pareceu ter percebido que o governo PT do presidente Luís Inácio da Silva já havia entregado o dominio de reforma macro-econômica para Wall Street e o FMI.

Enquanto estava sendo abraçado em coro por movimentos progressistas de todo o mundo, o governo Lula também estava sendo aplaudido pelos principais protagonistas do modelo neoliberal, Nas palavras do Gestor Diretor do FMI Horst Koehler (à esquerda) [que mais tarde tornou-se presidente da Alemanha]:

Estou entusiasmado [com o governo Lula]; mas é melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo presidente Lula, de fato, e, em especial, porque eu acho que ele tem a credibilidade que muitas vezes em outros líderes falta um pouco, e a credibilidade é que ele é sério que trabalhar duro para combinar política de crescimento orientada com eqüidade social. Esta é a agenda certa, a direção certa, o objetivo certo para o Brasil e, além do Brasil, para a América Latina. Assim, ele definiu a direção certa. Em segundo lugar, eu acho que o que o governo, sob a liderança do presidente Lula, tem demonstrado em seus primeiros 100 dias de governo também é impressionante e não apenas por arejar com intenção como eles vão proceder nesta enorme agenda de reformas. Eu entendo que a reforma das pensões, a reforma tributária está no topo da agenda, e isso é certo. O terceiro elemento é que o FMI ouve o presidente Lula e a equipe econômica, e essa é a nossa filosofia, é claro, além do Brasil. (Diretor do FMI, Horst Koehler, em Conferência de imprensa, 10 de Abril de 2003, http://www.imf.org/external/np/tr/2003/tr030410.htm)

Lula nomeia um financeiro de Wall Street para liderar Banco Central do Brasil.


No início do seu mandato, Lula tranquilizou os investidores estrangeiros que “o Brasil não vai seguir a vizinha Argentina em default” (Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2003). Agora, se tal é sua intenção, então por que ele nomeou para o Banco Central, um homem que desempenhou um papel (como presidente do Boston Fleet) no desastre argentino e cujo banco estava supostamente envolvido em transações de dinheiro obscuros, o que contribuiu para o dramático colapso do peso argentino.

Com a nomeação de Henrique de Campos Meirelles, presidente e CEO da Boston Fleet, para chefiar o Banco Central do país, o presidente Luis Inácio da Silva entregou essencialmente a condução das finanças do país e da política monetária à Wall Street.

O Boston Fleet é o 7º maior banco nos EUA. Depois do Citigroup, o Boston Fleet é a segunda maior instituição credora do Brasil.

O país está em uma camisa de força financeira. As posições dos Finanças / Bancos chave no governo Lula são detidas por membros nomeados de Wall Street:

– O Banco Central é controlado pelo banco Boston Fleet,
– Um ex-executivo sênior do Citigroup Sr. Casio Casseb Lima foi colocado no comando do gigante bancário estatal, Banco do Brasil (BB). Cassio Casseb Lima, que trabalhou para as operações do Citigroup no Brasil, foi inicialmente recrutado para o BankBoston em 1976 por Henrique Meirelles. Em outras palavras, o chefe do BB tem ligações pessoais e profissionais com dois dos maiores credores comerciais do Brasil: o Citigroup e o Boston Fleet.

A continuidade será mantida. A nova equipe do PT no Banco Central é uma cópia carbono da que foi designada (na saída) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A saída do presidente do Banco Central Armínio Fraga era um ex-funcionário da Quantum Fund (Nova Iorque), que é propriedade do financista da Wall Street, George Soros.

Em estreita ligação com Wall Street e FMI, o nomeado de Lula para o Banco Central do Brasil, Henrique de Campos Meirelles, manteve o quadro da política de seu antecessor (que também era um nomeado de Wall Street): política monetária apertada, medidas de austeridade generalizadas, altas taxas de juros e um regime de câmbio desregulamentado. O último encoraja ataques especulativos contra o Real e o capital voa, resultando em uma dívida externa em espiral.



Desnecessário será dizer que o programa do FMI no Brasil é orientado para o eventual desmantelamento do sistema bancário do Estado e para isso o novo chefe do Banco do Brasil, um ex-funcionário do Citibank, vai sem dúvida desempenhar um papel crucial.

Não é de admirar que o FMI está “entusiasmado”. As principais instituições de gestão econômica e financeira estão nas mãos dos credores do país. Sob essas condições, o neoliberalismo está “vivo e chutando”: uma agenda macro-econômica “alternativa”, modelada no espírito de Porto Alegre simplesmente não é possível.

“Colocar a raposa no comando do galinheiro”.

Boston Fleet foi um entre vários bancos e instituições financeiras que especularam contra o Real brasileiro em 1998-99, levando ao colapso espetacular da Bolsa de Valores de São Paulo na “quarta-feira negra” de 13 de janeiro de 1999. Estima-se que o BankBoston, que mais tarde se fundiu com Fleet, fez uma colheita de 4,5 bilhões de dólares no Brasil no decorrer do Plano Real, começando com um investimento inicial de US$ 100 milhões. (Latin Finance, 6 de Agosto de 1998).

Em outras palavras, Boston Fleet é a “causa” em vez de “a solução” para os problemas financeiros do país. Nomeação do ex-CEO da Boston Fleet a cabeça Banco Central do país equivale a “colocar a raposa para no comando do galinheiro”.

A nova equipe econômica afirmou que está empenhada em resolver a crise da dívida do país e de encaminhar o Brasil para a estabilidade financeira. Contudo, as políticas por eles adotadas são susceptíveis de ter exatamente o efeito oposto.

Replicando Argentina

Acontece que o presidente do Banco Central de Lula, Henrique Meirelles era um acérrimo defensor do controverso ministro das Finanças da Argentina Domingo Cavallo, que desempenhou um papel chave sob o governo Menem, para liderar o país em uma crise econômica e social profunda.

De acordo com Meirelles em uma entrevista 1998, que na época era Presidente e CEO do Bank Boston:

O evento mais fundamental [na América Latina] foi quando o plano de estabilização foi lançado na Argentina [sob Domingo Cavallo]. Foi uma abordagem diferente, no sentido de que não era um controle de preços ou um controle do fluxo de dinheiro, mas era um controle da oferta de moeda e das finanças públicas. (Latin Finance, 06 de agosto de 1998).

Vale a pena notar que o chamado “controle da oferta monetária”, referido por Meirelles, significa essencialmente o congelamento da oferta de crédito para as empresas locais, levando ao colapso da atividade produtiva.

Os resultados, como evidenciado pela debacle Argentina, foi uma série de falências, levando à pobreza em massa e desemprego. Sob o impacto das políticas do ministro das Finanças, Cavallo, no decorrer da década de 1990, a maioria dos bancos estatais nacionais e provinciais na Argentina, que forneceu crédito para a indústria e a agricultura, foram vendidas a bancos estrangeiros. Citibank e Fleet Bank de Boston estavam finalmente na recepção destas reformas infelizes patrocinadas pelo FMI.

“Era uma vez, e os bancos nacionais e provinciais de propriedade do governo suportavam as dívidas da nação. Mas nos meados dos anos noventa, o governo de Carlos Menem vendeu estes fora para o Citibank de Nova York, o Fleet Bank of Boston e outros operadores estrangeiros. Charles Calomiris, ex-assessor do Banco Mundial, descreve estas privatizações bancárias como uma “história realmente maravilhosa’. Maravilhoso para quem? A Argentina tem sangrado fora tanto quanto três quartos de um bilhão de dólares por dia em explorações em moeda forte. “(The Guardian, 12 de Agosto de 2001)

Domingo Cavallo foi o arquiteto da “dolarização”. Agindo em nome de Wall Street, ele foi responsável por atrelar o peso ao dólar dos Estados Unidos em um sistema de currency board estilo colonial, o que resultou em uma espiral da dívida externa e o eventual colapso de todo o sistema monetário.

O sistema de comitê monetário implementado por Cavallo tinha sido ativamente promovido pelo Wall Street, com o Citigroup e o Fleet Bank na liderança.

Sob um sistema de currency board, a criação de moeda é controlada pelos credores externos. O Banco Central praticamente deixa de existir. O governo não pode proceder a qualquer forma de investimento interno sem a aprovação dos seus credores externos. O Federal Reserve (espécie de Banco Central) dos EUA assume o processo de criação de dinheiro. Crédito só pode ser concedido aos produtores nacionais dirigindo-se a (denominados em dólares) da dívida externa.

Scam financeira

Quando a crise Argentina atingiu o seu clímax em 2001, os principais bancos credores haviam transferido bilhões de dólares para fora do país. Uma investigação lançada no início de 2003 apontou não só para o alegado envolvimento criminal do ex-ministro das Finanças da Argentina, Domingo Cavallo, mas também para o envolvimento de vários bancos estrangeiros, incluindo o Citibank e o Boston Fleet, do qual Henrique Meirelles era presidente e CEO:

“Lutando para superar uma crise econômica profunda, a Argentina [janeiro 2002] foi alvo da fuga de capitais e da evasão fiscal, com a polícia fazendo busca nos escritórios bancários dos Estados Unidos, britânicos e espanhóis e as autoridades procurando explicações de um ex-presidente sobre as origens da sua fortuna na suíça. Estima-se que tanto quanto 26 bilhões de dólares deixaram o país ilegalmente no ano passado. No final do dia, a polícia foi ao Citibank, Bank Boston [Fleet] e a uma subsidiária do Santander da Espanha. (…) As diversas ações em conexão com nome sobre ilegais transferências de capital, entre outros estão, o ex-presidente Fernando de la Rua, que deixou o cargo em 20 de dezembro [2001]; seu ministro da economia Domingo Cavallo; e Roque Maccarone, que se demitiu como presidente do banco central … “(AFP, 18 de Janeiro de 2003).

Os mesmos bancos envolvidos no golpe financeiro argentino, incluindo Boston Fleet sob o comando de Henrique Meirelles, também estavam envolvidos em operações de transferências de dinheiro obscuros semelhantes em outros países, incluindo a Federação da Rússia:

“[Um]s quase 10 bancos dos EUA podem ter sido usados para desviar até US$ 15 bilhões de dólares na Rússia, disseram as fontes, citando investigadores federais. Fleet Financial Group Inc. e outros bancos estão sendo investigados porque eles têm contas que pertencem ou estão ligadas a Benex Internacional Co. que está no centro de um suposto esquema de lavagem de dinheiro russo. “(Boston Business Journal, 23 de Setembro de 1999)

As reformas financeiras brasileiras

Tudo indica que a agenda oculta de Wall Street é, eventualmente, replicar o cenário argentino e impor a “dolarização” no Brasil. O trabalho de base deste projeto foi criado no âmbito do Plano Real, no início da presidência de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002).

Henrique Meirelles, que havia integrado o partido de FHC o PSDB, desempenhou um papel-chave por trás da cena, preparando o palco para a adoção de reformas financeiras mais fundamentais:

“No início de 1990, eu [Meirelles] fui um membro da diretoria da Câmara de Comércio Americana e no comando de um esforço para começar a fazer pressão para uma mudança na Constituição Brasileira. Ao mesmo tempo, eu também era presidente da Associação Brasileira de Bancos Internacionais e estava encarregado do esforço de abrir o país aos bancos estrangeiros e para abrir o fluxo de dinheiro. Comecei uma vasta campanha de aproximar as pessoas-chaves, incluindo jornalistas, políticos, professores e profissionais de publicidade. Quando comecei, todo mundo me disse que era impossível, que o país nunca iria abrir os seus mercados, e que o país deve proteger suas indústrias. Ao longo de um par de anos, eu falei com cerca de 120 representantes. O setor privado foi ferozmente contra a abertura dos mercados, em particular os banqueiros. (Latin Finance, op cit)

O que alterou a Constituição

A questão da reforma constitucional era central para o projeto de Wall Street de desregulamentação económica e financeira.

No início da presidência de Fernando Collor de Melo, em 1990, o FMI havia exigido uma emenda à Constituição de 1988. Houve tumulto no Congresso Nacional, com o FMI acusado de “interferência grosseira nos assuntos internos do Estado”.

Várias cláusulas da Constituição de 1988 empataram a implementação das metas orçamentais propostas pelo FMI, que estavam em fase de negociação com o governo Collor. Os objetivos de despesa do FMI não poderiam ser satisfeitos sem uma queima maciça de trabalhadores do setor público, exigindo uma emenda a uma cláusula da Constituição de 1988 garantindo a segurança do emprego aos funcionários públicos federais. Também em questão era a fórmula de financiamento (estabelecida na Constituição) dos programas estaduais e de nível municipal, a partir de fontes do governo federal. Esta fórmula limita a capacidade do governo federal para cortar despesas sociais e mudar a receita para com o serviço da dívida.

Bloqueada durante a administração de curta duração de Collor, a questão da reforma constitucional foi reintroduzida logo após o impeachment do presidente Collor de Melo. Em junho de 1993, Fernando Henrique Cardoso, que na época era o ministro das Finanças no governo interino do presidente Itamar Franco, anunciou cortes orçamentais de 50 por cento na educação, saúde e desenvolvimento regional enquanto aponta para a necessidade de revisões da Constituição de 1988.

As exigências do FMI em matéria de reforma constitucional foram posteriormente incorporadas na plataforma presidencial de Fernando Henrique Cardoso (FHC). A desregulamentação do setor bancário foi um componente-chave do processo de reforma constitucional, que na época tinha encontrado oposição pelo Partido dos Trabalhadores tanto na Câmara como no Senado.

Enquanto isso, Henrique Meirelles, que na época estava encarregado das operações do BankBoston na América Latina (com um pé no partido de FHC, o PSDB, e o outro em Wall Street), estava fazendo lobby nos bastidores em favor da reforma constitucional:

“Eventualmente chegamos a um acordo que se tornou parte da reforma constitucional. Quando a Constituição deveria primeiro ser reformada, em 1993, isso não aconteceu. Não se alcançou votos suficientes. No entanto, depois de Fernando Henrique Cardoso tomar posse, isso foi reformado. Esse acordo particular em que eu tinha trabalhado foi um dos primeiros pontos na Constituição que foi realmente mudado. Eu [Meirelles] pessoalmente estava envolvido em uma mudança que acho que no final do dia significou o início da abertura do mercado de capitais brasileiro. No Brasil, houve restrições sobre o fluxo de capital, do capital estrangeiro adquirir bancos brasileiros e sobre bancos internacionais abrirem filiais no Brasil, como manda a Constituição de 1988, todos os quais proibiam o desenvolvimento dos mercados de capitais. “(Latin Finance, 6 de Agosto de 1998).

O Plano Real

O Plano Real foi lançado apenas um poucos meses antes das eleições de Novembro de 1993, enquanto FHC era ministro das Finanças. A paridade fixa do real frente ao dólar norte-americano, em muitos aspectos, emulou o quadro argentina, sem, no entanto a instauração de um sistema de currency board (ver NT).

Sob o Plano Real, a estabilidade de preços foi alcançada. A estabilidade da moeda foi em muitos aspectos fictícia. Foi sustentada por dirigir-se a dívida externa.



As reformas foram propícias para o desaparecimento de um grande número de instituições bancárias nacionais, que foram adquiridas por um punhado de bancos estrangeiros sob o programa de privatização lançado sob a presidência de FHC (1994-2002).

A dívida externa em espiral precipitou finalmente um crash financeiro em Janeiro de 1999, levando ao colapso do Real. (para mais pormenores ver Michel Chossudovsky, The Scam brasileira Financeiro, http://www.globalexchange.org/campaigns/brazil/economy/financialScam.html, de Outubro de 1998. Este artigo foi publicado três meses antes do colapso financeiro em Janeiro de 1999. Veja Também Michel Chossudovsky, FMI patrocinador do desastre econômico do Brasil, 12.February 1999, http://www.heise.de/tp/english/special/eco/6373/1.html)

A Lógica cruel de salvamento dos empréstimos do FMI.

Empréstimos do FMI são, em grande parte destinados a financiar a fuga de capitais. Na verdade, esta foi a lógica do pacote de empréstimo multibilionário concedido ao Brasil, imediatamente após as eleições de Outubro de 1998, o que levou à reeleição de FHC para um segundo mandato presidencial. O empréstimo foi concedido a apenas alguns meses antes do colapso financeiro deJaneiro de 1999:

Reservas de moeda estrangeira do Brasil caíram de $ 78 bilhões em julho de 1998 para $ 48 bilhões em setembro. E agora o FMI se ofereceu para “emprestar o dinheiro de volta” para o Brasil no contexto de um “estilo coreano” de operação de resgate, que acabará por exigir a emissão de grandes quantidades de dívida pública nos países do G-7. As autoridades brasileiras têm insistido que o país “não está em risco” e que eles estão procurando é “financiamento de precaução” (em vez de um “bail-out” [ver NT]) para afastar os “efeitos contagiosos” da crise asiática. Ironicamente, o montante considerado pelo FMI (30 bilhões de dólares) é exatamente igual ao dinheiro “retirado” do país (durante um período de 3 meses) sob a forma de fuga de capitais. Mas o banco central não será capaz de usar o empréstimo do FMI para reconstituir as suas reservas em divisas. O dinheiro do bail-out (incluindo uma grande parte da contribuição de $ 18 bilhões para o FMI aprovada pelo Congresso em Outubro) destina-se a permitir que o Brasil cumpra as obrigações do serviço da dívida atual, ou seja para reembolsar os especuladores. O dinheiro do resgate nunca vai entrar no Brasil. (Ver Michel Chossudovsky, The Scam Financeiro Nacional, op cit.)

A mesma lógica subjacente ao empréstimo de precaução $ 31,4 bilhões concedido pelo FMI em setembro de 2002, apenas um par de meses antes das eleições presidenciais. (Veja FMI aprova empréstimo de US$ 30,4 bilhões como crédito stand-by para o Brasil em http://www.imf.org/external/np/sec/pr/2002/pr0240.htm) Este empréstimo do FMI constitui “uma rede de segurança social” para institucional especuladores e investidores de dinheiro quente (Nota do Tradutor: dinheiro quente – capital que é freqüentemente transferido entre instituições financeiras, numa tentativa de maximizar o interesse ou ganho de capital.)

O FMI bombeia bilhões de dólares para o Banco Central, as reservas de Forex (NT, câmbio, divisas) são reabastecidas com dinheiro emprestado. O empréstimo do FMI é concedido na condição do Banco Central manter um mercado de câmbio desregulamentado juntamente com taxas de juros internas em níveis muito altos.

Os chamados “investidores estrangeiros” são capazes de transferir (em dólares) os rendimentos de seus “investimentos” em dívidas internas a curto prazo (em altas taxas de juros) para fora do país. Em outras palavras, as reservas cambiais emprestadas do FMI são re-apropriadas pelos credores externos do Brasil.

Temos de compreender a história das crises financeiras sucessivas no Brasil. Com credores de Wall Street responsáveis, os níveis da dívida externa continuaram a subir. O FMI tem de “vir para o resgate” com novos empréstimos multimilionários, que são sempre condicionados à adoção de medidas de austeridade radicais e à privatização de ativos estatais. A principal diferença é que este processo está agora a ser realizado no âmbito de um presidente, que afirma ser contrário ao neoliberalismo (PT).

Deve-se notar, contudo, que o novo multibilionário “empréstimo de precaução” do FMI, concedido em setembro de 2002, foi negociado para o FHC, poucos meses antes das eleições. O empréstimo do FMI e as condicionalidades ligadas a ele definem o cenário para um espiral de dívida externa durante o mandato presidencial de Lula. (Veja-Brasil Carta de Intenção, Memorando de Políticas Econômicas e Memorando Técnico de Entendimento, em http://www.imf.org/external/np/loi/2002/bra/04/index.htm#mep, Brasília, 29 de agosto de 2002.)

Dolarização

Com o Banco Central e o Ministério da Fazenda sob o controle do estabelecimento em Wall Street, este processo acabará por levar o Brasil a uma outra crise financeira e cambial. Enquanto a lógica subjacente é semelhante, com base nas mesmas manipulações financeiras como em 1998-99, com toda a probabilidade será muito mais grave do que a de Janeiro de 1999.

Em outras palavras, as políticas macro-econômicas adotadas pelo presidente Luís Inácio da Silva podem resultar, no futuro previsível, em default da dívida (ver NT) e o desaparecimento da moeda do país, levando o Brasil para o caminho da “dolarização”. Um sistema de currency board, semelhante ao da Argentina poderia ser imposto. O que isto significa é que o dólar americano se tornaria moeda de procuração do Brasil. O que isto significa é que o país perde a sua soberania econômica. Seu Banco Central é extinto. Como no caso da Argentina, a política monetária seria decidida pelo sistema de Reserva Federal (o banco central Federal Reserve) dos EUA.

Embora não seja oficialmente parte da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a adoção do dólar americano como moeda comum para o Hemisfério Ocidental está sendo discutido a portas fechadas em Wall Street com a intenção de estender o seu controle em todo o hemisfério, para eventualmente, substituir ou assumir instituições bancárias nacionais remanescentes (incluindo as do Brasil).

O dólar já foi imposto a cinco países latino-americanos, incluindo Equador, Argentina, Panamá, El Salvador e Guatemala. As consequências econômicas e sociais da “dolarização” têm sido devastadoras. Nestes países, Wall Street e o sistema do Federal Reserve controlam diretamente a política monetária.

Governo do PT do Brasil deveria tirar todas as lições da Argentina onde a medicina econômica do FMI desempenhou um papel-chave na precipitação do país numa crise económica e social profunda.

A menos que o atual curso da política monetária seja revertida, a tendência no Brasil é para o “cenário de Argentina”, com consequências econômicas e sociais devastadoras.

Que perspectivas sob a Presidência Lula?

Enquanto o novo governo do PT apresenta-se como “uma alternativa” ao neoliberalismo, comprometida com a redução da pobreza e de redistribuição da riqueza, a sua política monetária e fiscal está nas mãos de seus credores de Wall Street.

“Fome Zero”, descrito como um programa “para lutar contra a miséria”, desde que esteja de acordo com as diretrizes do Banco Mundial sobre “a redução da pobreza custo-benefício”. Este último exige a implementação dos chamados programas de “assistência”, enquanto que cortando drasticamente os orçamentos do setor social. As diretivas do Banco Mundial em saúde e educação exigem reduzir os gastos sociais visando a satisfazer as obrigações do serviço da dívida.

O FMI e o Banco Mundial têm elogiado o presidente Luis Inácio da Silva por seu compromisso com “fortes fundamentos macroeconômicos.” Na medida em que o FMI está em causa, o Brasil “está no bom caminho” em conformidade com benchmarks (ou avaliações) do FMI. O Banco Mundial também elogiou o governo Lula: “O Brasil está buscando um programa social ousado com responsabilidade fiscal.”

“Outro mundo é possível”?

Que tipo de “Alternativa” é possível, quando um governo comprometido com a “luta contra o neoliberalismo”, torna-se um firme apoiante do “livre comércio” e “forte medicina econômica”.

Abaixo da superfície e por trás da retórica populista do Partido dos Trabalhadores, a agenda neoliberal no governo Lula permanece funcionalmente intacta.

O movimento popular que levou Lula ao poder foi traído. E os “progressistas” intelectuais brasileiros dentro do círculo íntimo de Lula suportam um pesado fardo de responsabilidade neste processo. E o que essa “acomodação da esquerda” faz é, em última análise, reforçar a embreagem do estabelecimento financeiro de Wall Street sobre o Estado brasileiro.

“Outro mundo” não pode ser baseado em slogans políticos vazios.

Notas do tradutor:

Currency board – Uma placa de moeda (currency board) é uma autoridade monetária que é necessária para manter uma taxa de câmbio fixa com uma moeda estrangeira. Este objectivo política exige os objetivos convencionais de um banco central a ser subordinada à meta para a taxa de câmbio.

Bail-out – Um salvamento (bail-out) é um termo coloquial para dar suporte financeiro a uma empresa ou país que enfrenta sérias dificuldades financeiras ou de falência. Ele também pode ser usado para permitir que uma entidade não para falhar normalmente sem espalhar contágio.

Default – Em finanças, o padrão (default) é o não cumprimento das obrigações legais (ou condições) de um empréstimo, por exemplo, quando um comprador doméstico não efetuar um pagamento de financiamento, ou quando uma empresa ou governo deixar de pagar um vínculo que atingiu a maturidade. Um padrão nacional ou soberano é o fracasso ou a recusa do governo para pagar sua dívida nacional. O maior default privado na história é a Lehman Brothers, com mais de $ 600 bilhões quando entrou em falência em 2008 e o maior calote soberano é a Grécia, com $ 138 bilhões, em março de 2012. fonte: wikipedia.

Autor: Michel Chossudovsky

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Global Research.ca

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