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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Cercado por todos os lados de bases militares dos EUA, o Brasil precisa retomar o projeto da bomba atômica.


Cercado por todos os lados de bases militares dos EUA, o Brasil precisa retomar o projeto da bomba atômica.
Construção da Bomba Atômica B rasileira

O cientista nuclear José Luiz Santana, ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), disse ontem que o Brasil esteve perto de produzir uma bomba nuclear no início dos anos 90, mesmo depois que o ex-presidente José Sarney (1985-90) mandou desativar o buraco de testes na Serra do Cachimbo (PA). Ele revelou que peças chegaram a ser fabricadas e um dos estoques de urânio enriquecido disponíveis para o artefato estava dentro de um contêiner no campus da USP.


— Assumi em abril de 1990, no início do governo Collor, mas só em agosto a CNEN conseguiu submeter o contêiner ao seu controle -— declarou.


A desmontagem do processo de construção da bomba atômica brasileira, segundo o cientista, levou sete meses. Mais de 50 equipes estavam mobilizadas para desenvolvê-la. Além do urânio, Santana disse que suas equipes também encontraram um disparador e partes de uma esfera que formariam o artefato.


— É provável que parte dos técnicos mobilizados nem soubesse que estava fazendo uma bomba.


Em entrevista ao “Fantástico”, exibida na noite de ontem, Santana contou que teve acesso a um relatório ultra-secreto que detalhava a construção da bomba. Segundo ele, a potência do artefato seria equivalente à das bombas lançadas no Japão em 1945.


No programa, o ex-presidente da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Pedro Paulo Leoni Ramos (governo Collor), também revelou ter interceptado uma Kombi que deixava as instalações do antigo Serviço Nacional de Informações, no início de sua gestão, carregada de documentos. Entre eles, havia papéis referentes ao programa nuclear.


Santana ordenou rastreamento nas unidades


Santana disse que, ao assumir, encarregou a química nuclear Zelinda Gonçalves, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, de percorrer as 44 unidades vinculadas à comissão, à procura de coisas que pudessem ter dualidade (material para fins pacíficos e bélicos).



São Paulo - Instalações do Centro Experimental de Aramar, na cidade de Iperó, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista, local onde a Marinha desenvolve seu programa nuclear

O rastreamento, que mobilizou outros dez técnicos da CNEN, levou à descoberta do contêiner numa área ocupada pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) na USP. Santana afirma que o urânio enriquecido chegou ao Brasil por conta de um acordo bilateral com um país cujo nome recusou-se a fornecer.
O ex-presidente disse que sua estratégia, para desativar o programa, foi transferir equipes para outros setores e, no caso de instalações militares, redirecionar recursos. Santana disse que a última instalação submetida ao controle da CNEN foi Aramar, gerida pela Marinha. Ele contou que, durante a desativação, sofreu três atentados.





Marinha Espera Concluir Usina para Produzir Combustível Nuclear em 2010

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil






Brasília - A Marinha espera concluir até 2010 sua própria usina para transformar o concentrado de urânio em gás e assim produzir combustível nuclear na quantidade necessária para continuar desenvolvendo seu programa nuclear.



Valter Campanato/ABr

São Paulo - O superintendente do Programa Nuclear da Marinha, comandante Arthur Campos, no interior da Usina de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), onde a Marinha passará a realizar uma das duas etapas do processo de produção do combustível nuclear em que o Brasil ainda é dependente de outros países, a conversão do urânio em pó em gás





Com o fôlego renovado desde a promessa do governo federal de destinar R$ 1 bilhão para que dê continuidade ao programa, a Marinha estima construir até 2014 um laboratório onde poderá gerar energia elétrica a partir da tecnologia nuclear.
Tanto a Usexa (Usina de Hexafluoreto de Urânio, o gás UF6) quanto o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene) irão funcionar no Centro Experimental de Aramar (CEA), instalação que a Marinha mantém no município de Iperó, no interior de São Paulo, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista.
Embora já domine todo o ciclo de produção do combustível nuclear, da prospecção mineral à fabricação das pastilhas de urânio que alimentam os reatores nucleares, o Brasil segue dependente de outros países para produzir a quantidade de combustível necessária para alimentar as Usinas de Angra 1 e 2, por não conseguir produzir nem o gás UF6 nem o urânio enriquecido nos volumes necessários.
Segundo o superintendente do Programa Nuclear da Marinha, comandante Arthur Campos, a conversão do urânio em pó (yellowcake) no gás UF6 - processo que poderá ser feito na Usexa tão logo ela fique pronta - hoje é realizada no Canadá. Já o enriquecimento do urânio é feito na Europa, pela companhia Urenco (do inglês Uranium Enrichment Services Worldwide), um consórcio formado pela Inglaterra, Alemanha e a Holanda.
Atualmente, apenas sete países realizam o enriquecimento do urânio: Estados Unidos, França, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão e Holanda.
Com a Usexa em funcionamento, a Marinha será capaz de produzir 40 toneladas de UF6. Pouco, mas suficiente para suas necessidades. Além disso, o conhecimento tecnológico adquirido pelos pesquisadores da força certamente servirão a outros setores, como já aconteceu no final 2005, quando as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) comprou da Marinha e instalou em Resende (RJ) o modelo avançado de ultracentrífugas desenvolvido pelos militares em 1988 para a produção contínua de urânio enriquecido. O valor pago à Marinha é mantido em sigilo.
Para se ter uma noção do potencial energético do material obtido na Usexa, o chefe da divisão do Laboratório de Materiais Nucleares do CEA, Lauro Roberto, explica que com 24 quilos de UF6 podem ser produzidos cerca de 17 quilos de dióxido de urânio (UO2), matéria-prima para a fabricação de quase 3 mil pastilhas utilizadas como combustível nos reatores nucleares.
“A energia contida em uma só pastilha de urânio de 7 gramas, enriquecida a 3,5%, equivale a três barris de petróleo e a uma tonelada de carvão. Não significa que você vá obter toda essa energia, mas é possível ver o potencial do material”, explica Roberto.
Já o projeto do Labgene visa a construção de uma planta nuclear capaz de gerar energia elétrica. O reator que deverá ser utilizado terá cerca de 11 megawatts de potência, o que, segundo a Marinha, é suficiente para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes. Sozinha, Angra 1 gera cerca de 600 megawatts.
Além de garantir que as instalações do laboratório servirão de base para um eventual projeto de desenvolvimento de um reator nuclear brasileiro, a Marinha também assegura que o Labgene servirá como um protótipo do sistema de propulsão naval, que permitirá a obtenção de parte do conhecimento necessário à possível construção de um submarino nuclear.
As empreiteiras contratadas pela Marinha preparam o terreno onde serão construídos os prédios que vão abrigar o reator e o protótipo de uma turbina. De acordo com o engenheiro civil consultor da obra Roberto Marczynski, o local foi escolhido devido a estabilidade geológica, já que seu subsolo rochoso atinge cem metros de profundidade. Além disso, o projeto dos dois prédios, interligados por uma ponte rolante e licenciados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cenen), prevê as mesmas contenções de proteção que usadas nas Usinas de Angra dos Reis (RJ).
“A população pode estar segura”, garante o engenheiro.


Fonte: http://www.afen.org.br/noticias_conteudo.php?id=8
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/29/materia.2008-08-29.7130929900/view

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