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sábado, 28 de maio de 2016

O golpe no Brasil tem as digitais dos EUA.

No golpe, também tem o dedo do Tio Sam
Ribamar Fonseca
Jornalista e escritor - 247
 
O afastamento da presidenta Dilma Roussef tem motivações e consequências muito mais amplas do que se poderia imaginar. Além da garantia de impunidade aos políticos corruptos, que viram no impeachment dela a única maneira de salvar a própria pele, existem fortes interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos na mudança do governo, que lhe escapou das mãos na gestão de Lula. Assim, com sua hegemonia no continente americano ameaçada pela crescente importância do Brasil no contexto mundial, os norte-americanos, depois de tentar sem sucesso a mudança pelo voto usando parceiros brasileiros comprometidos com os seus interesses, passaram a estimular os movimentos oposicionistas para a execução de um golpe branco, sem o uso de armas – como aconteceu em 1964 – para evitar reações menos diplomáticas do resto do mundo. E nesse projeto a mídia, em especial a Globo, teve importância fundamental, na medida em que criminalizou o PT e implantou um clima de ódio e intolerância que facilitou o envolvimento de parte da população, do Congresso e do Judiciário.

O processo, porém, ainda não está concluído, porque Dilma ainda não foi afastada definitivamente e Temer ainda é presidente interino, razão porque os Estados Unidos ainda não reconheceram formalmente o seu governo. E, também, porque falta atingir o principal alvo de todo esse processo: o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Os Estados Unidos são o maior interessado em impedir que o ex-presidente operário volte ao Palácio do Planalto em 2018, pois seu banimento da vida pública faz parte do projeto de retomada do controle político não apenas do Brasil mas, também, dos países da América do Sul. E como o nosso país é o líder natural do continente sul-americano, reconduzi-lo de volta para debaixo das asas da grande nação do Norte, de onde saiu nos governos petistas, facilitará a recondução das outras nações, o que, no entanto, só será possível sem Lula no Planalto. Diante disso, não há dúvida de que os perseguidores do líder petista deverão empenhar-se mais ainda na busca de algo concreto que possa leva-lo à prisão sem incendiar o país, o que não parece tarefa muito fácil.

Desde que os petistas conquistaram o governo, interrompendo o projeto entreguista do presidente Fernando Henrique Cardoso – para quem o Brasil só se desenvolveria atrelado aos Estados Unidos – que os norte-americanos tentam a retomada do poder com os sus parceiros brasileiros de olho, principalmente, em nossas riquezas minerais. Após o fracasso do presidente George Bush no Iraque e vizinhanças, em busca do petróleo que já escasseia em solo americano, o presidente Barack Obama concentrou suas atenções na América do Sul, particularmente no Brasil, cujas riquezas naturais foram mapeadas por sua avançada tecnologia via satélite. O pré-sal arregalou os olhos do tio Sam, mas o presidente Lula tratou de protege-lo da cobiça internacional, fortalecendo a Petrobrás, que FHC só não privatizou porque não houve tempo mas, ainda assim, preparou o terreno para entregá-la ao capital estrangeiro, fatiando-a e tentando mudar o seu nome para Petrobrax. Lula frustrou os planos entreguistas e tornou-se alvo da fúria do tio Sam.

Ao mesmo tempo em que espionava a presidenta Dilma Roussef e a Petrobrás, trabalhando para mudar os rumos do Brasil – que no governo Lula adotou uma política externa expansionista ampliando o número de embaixadas no Caribe e na África e estreitando suas relações com a Russia e a China – os Estados Unidos também atuavam nos demais países da América do Sul, com ênfase na Venezuela, onde já criaram um clima semelhante ao que levou ao impeachment de Dilma no Brasil, e na Argentina. Neste conseguiram a mudança pretendida através do voto e o novo presidente Mauricio Macri já deu uma guinada para a direita, inclusive recebendo a visita de reconhecimento do presidente Obama e abrindo o país para a instalação de bases militares americanas. No governo de Fernando Henrique Cardoso eles também tentaram instalar uma base no Brasil, mais precisamente em Alcântara, no Maranhão, onde, segundo o humilhante contrato de arrendamento, nenhuma autoridade brasileira poderia entrar sem autorização do governo norte-americano. Seria uma nova Guantânamo que, graças à providencial ação do deputado Waldir Pires, do PT baiano, o pedido de autorização ao Congresso foi mantido engavetado até a posse de Lula, que acabou com a festa tucana.

O governo interino de Michel Temer, no entanto, já sinalizou que dará agora continuidade ao programa entreguista de FHC, com a privatização do que sobrou da fúria privatizacionista do governo tucano. A Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal já foram relacionados para serem vendidas caso Dilma seja afastada definitivamente e Temer confirmado presidente. Até que isso aconteça, porém, ele já anunciou a abertura do pré-sal para o capital estrangeiro, conforme projeto do senador e hoje chanceler José Serra. Aliás, não foi por acaso que o tucano Serra, entreguista como o tucano-mor FHC, foi nomeado para o Ministério das Relações Exteriores, onde estabeleceu a diplomacia do porrete e iniciou a desmontagem da expansão construída no governo Lula, recebendo por isso elogios naturais dos americanos. Afinal, se depender dos Estados Unidos – e dos seus parceiros brasileiros entreguistas – o Brasil jamais se tornará uma grande potência, capaz de impor-se no cenário mundial. E se Temer e Serra continuarem em seus cargos o país poderá até sair do BRICS.

O fato é que, com apenas duas semanas do governo interino de Temer, duas coisas ficaram bastante claras, sobretudo depois da divulgação das gravações feitas por Sergio Machado, ex-diretor da Transpetro: primeiro, o golpe foi idealizado pelos Estados Unidos, interessado em nossas riquezas naturais e em recuperar a sua hegemonia no continente, e executado com a indispensável participação dos parceiros brasileiros, entre os quais se destacam a Globo, empresários e políticos; e, segundo, os políticos envolvidos com esquemas de corrupção abraçaram a idéia e entraram no projeto do impeachment porque viram nele a possibilidade de escapar da Lava-Jato, hoje o bicho-papão deste país. Os outros, inclusive o juiz Sergio Moro, foram depois cooptados com homenagens e incenso à vaidade porque se tornaram instrumentos muito úteis ao objetivo principal do projeto: eliminar a possibilidade de Lula voltar ao governo. E parte do povo, do Congresso e do Judiciário simplesmente foi na onda, influenciada pela campanha sistemática da mídia contra o PT, transformando-se em inocentes úteis para os interesses americanos e para a impunidade dos corruptos. Infelizmente.

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