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sábado, 28 de maio de 2016

Lula tentou trazer o Céu para a Terra, mas as elites e suas corporações nacionais e internacionais golpearam o Brasil e suas instituições.

Excelente texto para entender as engrenagens do golpe. Devo concordar que nas entranhas do golpe sempre está a luta de classes.
De repente, o Brasil tornou-se global player, ator global, e Lula comandava as principais mesas de negociação do planeta. Passou a perturbar não só as elites locais, já visivelmente perturbadas pela perda de privilégios. As forças financeiras internacionais, com seus poderes mais sinistros, perceberam que era hora de agir. Uma vez que ninguém jamais admitiria que militares tomassem o poder numa notável democracia como a brasileira, tornou-se necessário criar novo modus operandi, mais sutil. O plano já havia sido posto em prática em países vizinhos, Honduras e Paraguai.

Golpe contra Dilma é golpe corporativo

19/5/2016, Frederico Noleto, BRICS+, Londres, "Opinion" - O empastelador
"Finanças à parte, em termos políticos, Lula foi o primeiro governante da história do Brasil que lutou para aplicar o que está escrito na Constituição. Nem uma linha a mais, nem uma linha a menos."
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O Brasil não é dividido só por causa da atual crise política, que a 'mídia' traduz como um "Yankees vs. Red Sox" local. Temos de reconhecer que sempre fomos divididos. Não por alguma dicotomia ideológica, mas por pura e velha luta de classes. Para perceber isso, basta pensar um pouco sobre quando exatamente, e por quê, começou o bater de panelas. Ou, melhor dito, por quem protestavam aquelas panelas no Brasil?


Lembrem como foi comum, considerado 'normal', num passado nada distante, que a classe trabalhadora só comesse carne nos fins-de-semana. Era comum ouvir-se que "domingo é dia de frango." Imaginem nascer e nunca, nem por um instante, ter o direito de se endividar até o pescoço? Sim, no sistema capitalista, o qual, por falar dele, já está em fase terminal, o direito de se endividar cada vez mais é uma espécie de direito de 'cidadania'.

Mas aconteceu que, no Brasil, naquele momento, cerca de 70% da população sequer tinha o direito de se deixar seduzir pelo piramidal sistema da dívida, que nos converte todos em escravos dos bancos. E por isso o país foi dividido: de um lado, os nascidos "para entrar na festa"; do outro lado, todos cujo destino sempre foi trabalhar para garantir festa perfeita para os primeiros.

A Constituição do Brasil é uma das mais modernas e respeitadas do mundo, apesar das muitas brechas para fraudes. É a única que inclui no texto todos os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Muito bonito, mas sempre só existiu no papel. E foi quando, finalmente, depois de 500 anos de muita "festa" para a elite local, emergiu e chegou ao poder o líder sindicalista icônico Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula simbolizou a pouco usual participação dos descendentes dos servos na ilusão de que imporiam regras ao "gozo" dos de cima, com sugestões para o cardápio, aumentando o número de ingressos a preço módico para o banquete; e, finalmente, dando dignidade ao serviço dos garçons e outros subalternos.

Parábolas à parte – ao "quebrar castas" com programas de distribuição de renda e permitir que trabalhadores finalmente tivessem acesso a bens de consumo –, Lula foi um dos melhores amigos dos detentores locais e globais do capital.

Os beneficiados deixaram que Lula assumisse o lugar de presidente da República, como naqueles filmes em que os bilionários divertem-se convertendo mendigos em milionários por alguns dias. E, como naqueles filmes, o trabalhador de origem humilde surpreendeu: sua equipe pôs em prática as ideias do presidente e, de repente, o mundo capitalista local e internacional deu-se contra de o quanto seria lucrativo deixar que vastas massas de trabalhadores começassem a ter acesso aos bens de consumo

Para esse efeito, Lula foi obrigado a assinar um documento chamado "Carta ao Povo Brasileiro", pelo qual, de fato, o presidente assumiu um compromisso com o mercado financeiro: não haverá mudanças nas leis que regem os dois lados, mas mais gente poderá participar. Finanças à parte: em termos políticos, Lula foi o primeiro governante da história do Brasil que lutou para aplicar o que está escrito na Constituição. Nem uma linha a mais, nem uma linha a menos.

Mas o baronato brasileiro jamais imaginou que essas ideias servis um dia ajudariam a alterar a correlação das forças geopolíticas. Para começar, interromperam o processo de desmonte de todas as empresas importantes para a soberania local estratégica. A Petrobras outra vez voltou a operar como a indústria locomotiva do Brasil. A valorização do salário mínimo, o desemprego baixíssimo e as políticas conhecidas de distribuição de renda fizeram o Brasil saltar do 13º para o 6º lugar entre as maiores economias do mundo.

De repente, o Brasil tornou-se global player, ator global, e Lula comandava as principais mesas de negociação do planeta. Passou a perturbar não só as elites locais, já visivelmente perturbadas pela perda de privilégios. As forças financeiras internacionais, com seus poderes mais sinistros, perceberam que era hora de agir. Uma vez que ninguém jamais admitiria que militares tomassem o poder numa notável democracia como a brasileira, tornou-se necessário criar novo modus operandi, mais sutil. O plano já havia sido posto em prática em países vizinhos, Honduras e Paraguai.

Trata-se de uma nova modalidade de golpe, uma "Destituição Branca", como o Golpe do Dinheiro Lavado [orig. "White Scams"][1]. Os programas de treinamento ao longo dos quais as agências de inteligência conhecem e avaliam "possíveis líderes locais" não são novidade e são já de conhecimento de todos. Ali se mapeiam e recrutam-se jovens no ambiente de legalidade aparente, que possam, dentro da lei, em colusão com as empresas nativas de mídia (integralmente pagas e sustentadas pelo sistema rentista), extrair vantagens das brechas que há no sistema das leis.

O chamado "Mensalão" foi o teste, para esse tipo de golpe. Tipos nos quais convergem o autismo mais autorreferente e um perverso verniz de refinamento, como o adversário de Lula, Fernando Henrique Cardoso (FHC), prefeririam fazê-lo sangrar e agonizar até a morte política e insistiram na disputa pelas urnas. Pois FHC planejou errado.

Os brasileiros preferiram Lula – mesmo que já quase destruído pelo mais sistemático esforço de assassinato de reputação que jamais se viu, atentado pelas mídia-empresas –, e não votaram no projeto neoliberal. Adiante, recordando esse acontecimento, parte do eleitorado europeu e norte-americano fez escolha semelhante à dos brasileiros. Lula e Dilma foram eleitos, porque os candidatos que se opunham a eles representavam interesses claramente danosos ao projeto nacional.

Hoje, a "Operação Lava-Jato" é apenas um projeto que opera como Cavalo de Troia para o golpe e os golpistas: o Judiciário opera em conjunto com os grandes conglomerados das mídia-empresas que controlam o modo como as pessoas 'devem pensar' sobre cada um e todos os assuntos. A ideia de uma suposta luta contra alguma "corrupção" foi manobrada como meio para derrubar governos. Afinal, que país erradicou a corrupção? E quem não quer ver erradicada essa praga?

O método pode funcionar em qualquer país cujas instituições não sejam plenamente confiáveis. Começa por "se descobrirem" sinais de feitos, entre os atores, que não agradam ao patronato mundial.

As empresas de mídia começam então a martelar e martelar o 'caso', até que a opinião pública tenha absorvido a ideia de que suspeita é indício, e indício é prova. Os olhos de eleitores desconfiados movem-se automaticamente para os 'culpados' que a mídia-empresa determina; e juízes que não os punam "com o rigor da lei" são imediatamente declarados corrompidos, comprados.

Daí em diante, vale tudo: investigações fraudadas, depoimentos manipulados, denúncias e delações, vazamentos seletivos, grampos ilegais em telefones, da presidenta da República a ministros da Suprema Corte e advogados de defesa dos acusados; encenações coreografadas, surtos teatralizados de indignação e abuso do instituto da prisão preventiva, para pressionar testemunhas.

O Brasil virou Guantánamo, e ninguém nem viu: investigaram autoridades e parentes de autoridades, para sempre tornados prisioneiros até que entreguem membros de gangues e, de preferência, "o cabeça".

Se presidentes de outros países renunciaram antes de serem expostos em situação vexaminosa como no recente escândalo dos Panama Papers, no Brasil os membros do Judiciário se fazem de cegos ao que façam ou tenham feito membros do partido 'superior', os quais, como investigações sugerem fortemente, mantêm várias contas bancárias em paraísos fiscais; e processam outros (que não têm nem contas nem prova que aponte na direção deles), simplesmente porque são membros do 'partido inferior'. Por esse sujo serviço 'judicial', a Suprema Corte no Brasil acaba de fazer por merecer aumento de 70% nos salários dos juízes.

Dilma Rousseff não tem nem um milésimo do tato político que Lula tem, mas é honesta e presidenta correta – esse, aliás, foi o principal problema –, além de ser mulher, numa sociedade patriarcal.

O mundo assiste atônito à agonia da presidenta eleita no Brasil, em luta ainda contra seus torturadores e os políticos mais corruptos e rematados canalhas de toda a história do país, inflados pelos profissionais das mídia-empresas e grupos de 'protestadores' locais financiados pelos Irmãos Koch.

A luta de Rousseff não visa só a garantir um mandato que recebeu de 54 milhões de brasileiros. Não se trata tampouco de defender exclusivamente a democracia no Brasil. A luta dela é também para defender as conquistas histórias dos brasileiros, agora ameaçadas pela mais repugnante colusão de poderes políticos e financeiros do planeta. A política, infelizmente, não está dando resultado. Pior: diz-se que "o Brasil não é coisa para amadores".

A elite e a oposição política locais, que, juntas, não passam de serviçais da elite mundial e seu projeto já foram várias vezes, sistematicamente, derrotadas nas urnas. O projeto delas não pode coexistir com o projeto de bem-estar social que os trabalhadores ao mesmo tempo querem e merecem receber. Agora, o mundo está assistindo a um golpe que se desenrola em praça pública.

Mas a descarada hipocrisia dos golpistas é tal, que conseguiram unir, contra o golpe, acadêmicos, políticos e artistas, de tendências políticas historicamente conflitantes, e até juristas e empresários conhecidos pelas críticas ácidas contra as políticas econômicas dos governos trabalhistas. Diz-se até que já há movimento espontâneo para repudiar o golpe, organizado pelos atletas que competirão nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Golpistas e usurpadores detestam ser chamados de golpistas e usurpadores. Mas o então vice-presidente (agora presidente interino) Michel Temer trabalhou para pôr o próprio partido a serviço de um projeto golpista e usou a legenda para chantagear, na pressão para obter os votos parlamentares necessários para chegar à presidência.

Não bastava, para o golpe, que Michel Temer – uma espécie de corretor do obscurantismo – chegasse ao poder sem qualquer legitimidade; deram-lhe também a tarefa de garantir o retorno do velho processo de subjugação do povo brasileiro mais pobre, que havia sido interrompido.

O Fundo Monetário Internacional, o Clube de Paris e outros representantes do sistema vigente de escravidão ao mercado, que força países mais frágeis a penhorar a vida do próprio povo como garantia, em dívidas cada dia mais impagáveis, aqui se serviu das brechas da Constituição para atacar novamente.

A conspiração foi de tal magnitude que, nem bem assinado o termo que lhe deu posse provisória na presidência, o homem imediatamente impôs novo logotipo do governo e trocou todos os ministros e ocupantes de cargos do segundo escalão. Definitivamente, o governo de Michel Temer (os veículos da mídia-empresa, agora seus ferrenhos defensores, já nem cuidam de dizer "interino", quando o apresentam) sabia bem o que viria.

O modelo econômico do governo interino é velho conhecido de todos, mas os que se beneficiam dele usam os jornalistas profissionais subalternos para vendê-lo à opinião pública como se fosse modelo novo e infalível: aumentar taxas de juros, cortar salários, acabar com (ou, como preferem dizer, "flexibilizar") direitos dos trabalhadores.

O resultado final é ainda mais danoso, quando todos os ingredientes e instrumentos são usurpados. O resultado será o fim do tão sonhado estado de bem-estar duramente conquistado, com efeito ainda pior, de devolver o Brasil ao Mapa da Fome, vergonha da qual com enorme esforço conseguimos nos livrar.

Portanto, brasileiros, se além de amar as belas praias, a alegria do Carnaval, a riqueza rítmica ou toda a maravilhosa diversidade cultural que faz a fama internacional do Brasil, se ainda maior que o amor dos brasileiros ao Brasil for o respeito dos brasileiros aos direitos humanos, por favor, é hora de dizer "não ao golpe" no Brasil.*****

[1] Lit. "golpe do dinheiro lavado". O golpe está explicado em detalhes (ing.) em http://www.thebarrieexaminer.com/2011/09/25/white-money-scam-surfaces [NTs]

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