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domingo, 15 de maio de 2016

Cônsul dos EUA para o qual Temer fez “análises” cultiva "lideres" confiáveis no Brasil.

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E as máscaras vão caindo de um político que se revelou ter pouco caráter e muito oportunismo. Deu o bote no momento em que a Dilma perdeu apoio político.

Cônsul dos EUA para o qual Temer fez “análises” trabalhou no Pentágono; na diplomacia, focou em cultivar futuros líderes “por uma economia mais aberta” - Viomundo

15 de maio de 2016 às 14h35

Da Redação
Em 2006, o cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Christopher McMullen, teve o privilégio de ouvir do então presidente do PMDB, Michel Temer, pelo menos duas análises de conjuntura, em 11 de janeiro e 21 de junho.

 
Não se sabe se isso cobre toda a extensão do contato entre o então deputado federal e o diplomata dos Estados Unidos.
Era início de ano eleitoral, o presidente Lula concorreria à reeleição e Temer mantinha distância do Planalto.
O diplomata dos Estados Unidos colocou tudo no papel e despachou telegramas para seus superiores no Departamento de Estado, liderado então por Condoleezza Rice. Era o segundo mandato de George W. Bush.
As relações entre Bush e Lula eram cordiais na aparência, embora o presidente brasileiro liderasse a formação de um bloco sul-americano muito distante dos objetivos econômicos dos EUA para a região, que eram os da implantação da ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas.
Temer informou ao cônsul que “alguns líderes do PT roubaram as finanças públicas” — o que deixa claro que ele não tinha constrangimento ao denunciar o partido parceiro do PMDB no governo diante de uma autoridade estrangeira.
Uma cópia dos telegramas escritos por McMullen foi enviada ao Comando Militar Sul dos Estados Unidos em Miami e outra foi parar no Conselho de Segurança Nacional. São destinos tradicionais de telegramas diplomáticos, onde a informação é coletada, analisada e serve de base para futuras decisões.
Num dos telegramas, McMullen definiu o PMDB então como uma “coalizão de oportunistas”.
As conversas entre diplomatas e autoridades locais são comuns. Porém, McMullen obteve uma fonte de primeira qualidade: o presidente do maior partido do Brasil, em coalizão formal com o ocupante do Palácio do Planalto. Era um momento em que os Estados Unidos se preocupavam com uma possível guinada à esquerda de Lula no segundo mandato.
Uma análise da carreira do diplomata demonstra que ele teve um treinamento sofisticado.
Formou-se no National War College, o colégio de guerra dos Estados Unidos, que agora integra a National Defense University.
Foi analista sênior do Pentágono, antes de tentar a carreira diplomática.
Tornou-se doutor em História na Universidade de Georgetown, em Washington.
McMullen chegou a São Paulo para chefiar o consulado geral antes da eleição presidencial de 2006 e foi embora no ano seguinte.
Tornou-se então subsecretário de Estado para assuntos do Hemisfério Ocidental, tendo no portfólio assuntos andinos, do Brasil e do Cone Sul.
O diplomata envolveu-se diretamente em questões internas da Venezuela.
Em 21 de julho de 2009, já no primeiro mandato de Barack Obama, McMullen encontrou-se em Washington com o prefeito de Caracas Antonio Ledezma e com os governadores Pablo Pérez e Cesar Pérez Vivas, dos estados de Zulia e Táchira. Todos eram opositores de Hugo Chávez. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
Em 2010, o diplomata Christopher McMullen finalmente chegou ao topo da carreira: foi indicado embaixador em Angola, onde serviu até 2013.
Angola é outro grande produtor mundial de petróleo e um dos países prioritários na política externa dos Estados Unidos, considerando a forte presença local de interesses da China.
Washington tem a estratégia de longo prazo de reduzir sua dependência do Oriente Médio e de obter fontes de petróleo mais próximas de casa, daí a importância de Angola, Nigéria, Venezuela e agora do Brasil.
McMullen aposentou-se em 13 de junho de 2013 e tornou-se… professor do Colégio Nacional de Guerra dos Estados Unidos.
Numa entrevista de setembro daquele ano, definiu o que o moveu na carreira: “Minha estratégia diplomática pública foi focada na próxima geração de líderes, como identificá-los e cultivá-los, tentar trabalhar com eles por uma sociedade mais democrática e por uma economia mais aberta”.
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WikiLeaks definiu Temer como informante da inteligência e dos serviços militares dos EUA mas não disse se foi apenas naqueles dois episódios; entre os destinos do telegrama estavam o Comando Militar Sul, baseado em Miami, e o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos
Wikileaks revela reunião de Temer com funcionários dos EUA
Ao publicar estes documentos, o WikiLeaks identificou Temer em sua conta do Twitter como um “informante de inteligência” dos Estados Unidos
AFP – Agence France-Presse, no Diario de Pernambuco
O novo presidente interino Michel Temer se reuniu ao menos duas vezes em 2006 com funcionários da embaixada dos Estados Unidos no Brasil para comentar a situação política e as possíveis alianças eleitorais, revelou nesta sexta-feira o site WikiLeaks.
Temer, na época deputado e presidente do PMDB, considerava que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva havia criado uma “enorme esperança” na população, mas ao mesmo tempo pensava que seu desempenho na presidência havia sido decepcionante, razão pela qual avaliava a possibilidade de que seu próprio partido político lançasse um candidato.
Também cogitava fazer uma aliança eleitoral com o PT caso uma candidatura própria não fosse viável.
As declarações de Temer estão reunidas em um arquivo “sensível”, mas não classificado, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, com data de 11 de janeiro de 2006.
Ao publicar estes documentos, o WikiLeaks identificou Temer em sua conta do Twitter como um “informante de inteligência” dos Estados Unidos.
Segundo os arquivos, Temer criticava Lula por sua “visão estreita” e pela “ênfase excessiva nos programas sociais que não promovem o crescimento e o desenvolvimento econômico”.
Em sua conversa, Temer afirma, inclusive, que “alguns líderes do PT roubaram as finanças públicas, não para seu benefício pessoal, mas para ampliar o poder do partido”.
Outro documento diplomático publicado também pelo WikiLeaks e com data de 21 de junho de 2006 identifica o cônsul-geral como o interlocutor de Temer nestas reuniões.
O documento, assinado pelo (então cônsul Christopher) McMullen, também contém duros comentários do diplomata sobre o partido de Temer.
“O verdadeiro problema com o PMDB é que não tem uma ideologia ou uma estrutura política que lhe permita elaborar e implementar uma agenda política nacional coerente”, escreve McMullen, ao definir este partido como “uma coalizão de caciques regionais oportunistas”.
Temer, de 75 anos e até então vice-presidente de Dilma Rousseff, assumiu na quinta-feira interinamente a presidência do Brasil, depois que o Senado aprovou a abertura de um julgamento de impeachment da presidente por maquiar as contas públicas.
O Brasil está abalado pelas revelações de um escândalo de corrupção descoberto há dois anos na Petrobras, que tem na mira dezenas de políticos do PT, do PMDB, do Partido Progressista e poderosos empresários.
Dilma não é alvo de nenhuma investigação ou acusação por corrupção e sustenta que seu afastamento do poder constitui um golpe, além de ter classificado Temer de traidor.



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