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sábado, 20 de abril de 2013

As mídias na educação estão sendo usadas em situações de aprendizagem significativas para os alunos?


 A intenção neste texto é fazer uma sistematização das concepções de aprendizagem, no entanto, pontuarei algumas congruências e incongruências entre as teorias interacionista de Piaget e a sócio-interacionista de Vygotsty, fazendo uma pequena imersão na teoria skinneana, tendo em vista alguns questionamentos: As mídias na educação contribuirão, substancialmente, na construção de uma aprendizagem significativa para os alunos, ou serão artefatos pedagógico de estímulos e respostas de cunho skinneano? Isso é possível?


Bem, são várias concepções de aprendizagem que professores utilizam em suas metodologias de ensino, de forma consciente ou não: as concepções interacionista e  sócio-interacionista  contribuem para o aluno vivenciar o aprendido, onde o foco está na aprendizagem.

Busca-se criar situações de aprendizagem para os alunos participarem das atividades escolares, ou seja, oportunizá-los a vivenciarem experiências e aprender participando do processo de ensino e aprendizagem. E nas concepções instrucionistas, onde o foco é no ensino e transmissão de informações, de estímulo e respostas, o aluno é estimulado a assimilar e memorizar informações, onde esta prática de ensino, a despeito das “críticas reflexivas”, é ainda muito utilizada.

Vejamos, o construtivismo é uma teoria científica desenvolvida pela psicóloga argentina, aluna e colaboradora de Piaget, Emília Ferreiro. Essa teoria, tida por muitos especialistas como linha pedagógica, propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, dentre outros procedimentos.

Esta concepção de aprendizagem rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao estudante e indica que uma pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na “construção do conhecimento” que adquire. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim no caminho da aprendizagem.

No que diz respeito à educação e à pedagogia, Piaget (1974) afirma que o conhecimento se forma e evolui através de um processo de construção e reconstrução (Pedro Demo em Educar pela Pesquisa não fala construção, mas em reconstrução), que é resultado da interação entre o organismo e o meio em que o sistema genético sofre mudanças. O que Piaget fez foi explicar como se dá a passagem de um  determinado estágio de conhecimento para uma etapa posterior, em que o conhecimento é tido como melhor, mais completo. Mostrando como ocorre essa passagem, Piaget cria a teoria dos estágios: caminho percorrido pelas crianças em seu desenvolvimento.

Sobre a concepção sócio-interacionista, a essência das pesquisas de Vygotsky é que o aprendizado se dá, acima de tudo, pela interação social, quando a criança utiliza seu instrumento biológico mental e com ele interage.

Vygotsky postula que a criança aprende por um processo que associa o conhecimento ao sentimento. Essa apropriação se dá como uma interiorização da experiência sócio-cultural dos adultos e do meio que cerca a criança, sendo a cooperação e o papel do outro importantes na aquisição do conhecimento. E sua visão sócio-interacionista, propõe a necessidade da mediação, a experiência coletiva, para que possa existir experiência individual. Nesse contexto, o processo de aprendizagem é algo altamente dinâmico e sem papéis preestabelecidos.

Nesta visão sócio-interacionista, a intervenção do professor mediador consiste em detectar se a criança está fazendo o que sabe, o que pode, se está aquém de seu potencial e o quanto poderia avançar. Nessa linha de aprendizagem, a criança tem a capacidade de ir além das estruturas e do nível de desenvolvimento estabelecidos por Piaget, se o professor interferir, ajudar, em vez de deixá-la trabalhar sozinha e só ficar acompanhando o que ela sabe.

Vygotsky salienta que o aprendizado da criança se inicia antes mesmo dela freqüentar a escola, embora o aprendizado escolar introduza novos elementos no seu desenvolvimento. Para isso, o pesquisador sócio-interacionista traça uma distinção entre aprendizado espontâneo e aprendizado científico. Para o autor, o ser humano não se encontra limitado à sua própria experiência pessoal, ou às suas próprias reflexões, mas expande-se e aprofunda-se, em especial, graças à apropriação da experiência social  que é veiculada pela linguagem. A criança amadurece  sob orientação de adultos ou crianças mais experientes, apropriando-se  da cultura elaborada pela humanidade.

Tanto Vygotsty como Piaget, veem a necessidade de estudar e de  conhecer a   origem dos processos mentais, isto é, como esses processos são construídos ao longo da vida das crianças. Para Piaget, essa construção ocorre a partir do mecanismo de equilibração e seus dois componentes: a assimilação, no qual o sujeito atua sobre o meio, transformando-o, a fim de adequá-lo às suas estruturas mentais; e a acomodação, no qual o indivíduo é modificado para se ajustar às diferenças impostas pelo meio.

Já para  Vygotsky, a construção se dá pelo mecanismo da internalização e enfatiza que no desenvolvimento cultural da criança, todas as funções ocorrem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual; primeiro entre pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica).

Nessa linha de pensamento, estes dois pesquisadores são chamados de interacionistas, posto que ambos consideram essa construção como ocorrendo a partir da interação do sujeito com o meio. A diferença é que enquanto Piaget enfoca a interação com o meio físico, Vygotsky dá total importância à interação com o meio sócio-cultural. Suas congruências estão no entendimento que têm da criança como sujeito construtor do próprio conhecimento, que constrói ou reconstrói esse conhecimento, participando ativamente como arquiteto da aprendizagem.

Contrapondo-se aos construtivistas que têm nas crianças o sujeito em ação, ativo, incentivando-se ao processo de aprendizagem e portanto um ser arquiteto do conhecimento, os behaviorista, segundo Moraes, 1997, p. 102) ignoraram totalmente a interação mútua e a interdependência entre um organismo vivo e seu ambiente natural, do qual é parte integrante. (...). Do ponto de vista psicológico, animais e seres humanos são máquinas cujas atividades estão limitadas às respostas condicionadas aos estímulos ambientais. Subjacente ao princípio estímulo-resposta do comportamentalismo está a causalidade mecanicista, em que, para cada efeito, deve haver uma causa anterior, e a mesma causa produz sempre o mesmo efeito.

Por outro lado, dentro da concepção construtivista, com pedagogia de projetos, ou currículo focado na resolução de problemas, as mídias na educação permitem uma nova dimensão de entendimento de aprendizagem como processo de descobertas, de ensino, de leitura, porque provoca novas formas de aprendizagem.

Além do mais, as mídias oferecem ainda  recursos e meios que nenhuma tecnologia educacional ofereceu até agora, pois como importante meio integrador entre alunos-alunos e professores-alunos desmistifica o pavor do erro, através de situações de aprendizagem desafiadoras.

Segundo Segundo JOLIBERT (1994, p.21-22)  uma nova abordagem de educação permite que

(...)as crianças construam o sentido de sua atividade, aceitando que um grupo viva com suas alegrias, entusiasmos, conflitos, choques, com sua experiência própria e todos os lentos caminhos que levam às realizações complexas. Vida cooperativa de aula e projetos... Projetos referentes à vida cotidiana.



Nessa linha de pensamento, é imperativo destacar que as mídias na educação vêm ao encontro da natureza inata das crianças, de pesquisar e descobrir o mundo,  de manipular objetos, seja tateando  e manipulando pelas mãos e bocas, onde aprendem pela aprendizagem exploratória. sentido, o computador é um recurso rico da aprendizagem exploratória. De fato, Freinet (1991) e Vygotsky (1994) enfatizam o valor da aprendizagem por descobertas, porque o conhecimento se torna mais significativo, deixando aberto uma maior flexibilidade para o erro, reforçando as construções de novas estruturas (Piaget, 1974) para a autoaprendizagem. E a partir desse enfoque, aprender é naturalmente um jogo de conquistas e surpresas reforçadas nas atividades cognoscitivas e processos de vivências experimentais.

Portanto, nessa mudança paradigmática, o professor deixa de ser o “instrutor” do aluno e passa a exercer o papel de parceiro da aprendizagem, proporcionando um ambiente de aprendizagem capaz de envolver as estruturas mentais pré-existentes das crianças em conexões individuais e coletivas. Assim, trabalhará o uso das mídias  na pedagogia de projetos vinculadas com a realidade dos seus alunos, integrando as diferentes áreas do conhecimento de maneira interdisciplinar.



Referências



DOLLE, Jean Marie. Para Compreender Jean Piaget: uma iniciação à psicologia genética piagetiana. Trad. de Edouard Privat. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.

FREINET, Celestina. Pedagogia do Bom Senso. Trad. De J. Baptista, 3ª ed. São Paulo: Fontes, 1991.

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas. A Teoria na Prática. Trad. de Maria Adriana Verissímo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A Organização do Currículo por Projetos de Trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. 5ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

JOLIBERT, Josette. Formando Crianças Leitoras. Trad. de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Uma Prática para o Desenvolvimento das Múltiplas Inteligências: aprendizagem com projetos. São Paulo: Érica, 1998.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky – Aprendizado e Desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Spcione, 1993.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. 5ª ed. São Paulo: Martin Fontes, 1994.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky – Aprendizado e Desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Spcione, 1993.




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