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domingo, 11 de novembro de 2012

Os resultados do vale-tudo na Segurança paulista



No dia em que seis marginais foram fuzilados pela Polícia Militar de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin liberou geral: "Só morreu quem resistiu".
Assinava, ali, a sentença de morte não apenas de mais marginais - e de inocentes também -, mas dos PMs que, desde então, foram fuzilados, por vingança, muitos em roupas civis e nas suas próprias casas.
É exemplo acabado da irresponsabilidade e falta de discernimento de quem ocupa cargos públicos relevantes.

Na luta convencional entre polícia e marginais, policiais gozam de uma espécie de salvo-conduto. Morrem em conflitos, sim. São as chamadas mortes inevitáveis. Mas as organizações criminosas coíbem mortes desnecessárias, inclusive de criminosos não-organizados. Além de provocar a ira policial, cada morte atrai a atenção para a região onde ocorreu, atrapalhando seus negócios.
Quando o governador libera para matar, o cenário muda.
De um lado, desperta o sentimento de vingança da PM. Não mais se seguem estratégias, planos de ação para desarticular o crime, mas um vale-tudo irracional. Compromete-se a própria hierarquia da corporação, já que qualquer PM pode se respaldar nas declarações do governador para executar suspeitos.
De outro lado, libera as organizações criminosas para as represálias individuais contra policiais, muitos fuzilados em sua própria casa. De lado a lado, troca-se a ação racional pela vingança indiscriminada. E se vai em um crescendo até chegar ao ponto atual, de perda do controle.
Alckmin e o Secretário de Segurança de São Paulo gozam de proteção permanente. São inalcançáveis pelas balas dos bandidos. Os PMs, não. Moram em periferias, em locais expostos a todo tipo de represália. E tem-se, na outra ponta, não um punhado de bandidos desorganizados, mas uma organização criminosa que se nutre de alguns ingredientes típicos de toda organização criminosa, comando, sistema de informações e a falta de confiança das comunidades carentes no aparato público. Falta de confiança, aliás, que aumenta quando a PM se transforma em uma máquina de assassinatos.

O caso das Mães de Maio

Alckmin é responsável por essa matança, de bandidos perigosos, pequenos meliantes, pobres não bandidos e de PMs. Assim como o ex-vice-governador Cláudio Lembo foi o responsável pelos mais de 500 assassinatos da PM paulista durante o ano de 2006.
Na época, tinha-se um Secretário de Segurança alucinado, Saulo de Castro Abreu Filho. Pouco antes, chegara ao cúmulo de invadir a Assembleia Legislativa acompanhado de um séquito de policiais militares à paisana. Com a polícia perdendo o controle sobre o PCC, conversei com o Secretário de Administração Penitenciária, Nagashi, e com o Secretário de Defesa da Cidadania.. E ambos confirmaram o quadro de desequilíbrio de seu colega.
Assumindo o governo, Lembo colocou Nagashi para fora e fortaleceu Saulo. Fui até o Palácio dos Bandeirantes para alertá-lo para a loucura que estava cometendo. Conheço Nagashi desde os anos 80, quando era juiz de direito em Bragança Paulista. Depois, fui jurado em Prêmios de Qualidade do estado de São Paulo, podendo admirar seu trabalho inovador.
Alertei Lembo para a diferença entre os dois, para o quadro de desequilíbrio de Saulo e para o risco que seria avalizar sua conduta na Secretaria. Lembo limitou-se a argumentar que recebera informações de que Saulo era competente.
De fato, no início de gestão Saulo impressionou pela fluência verbal. Depois, as estatísticas foram aparecendo. São Paulo viu-se tomado por uma onda de assaltos que não poupou sequer esquinas da Paulista com Augusta. Perdendo o controle da situação, passou a esconder as estatísticas e enlouqueceu. As atitudes que tomou na época, mandando prender dono de restaurante que bloqueou uma rua, invadindo a ALESP, denotavam um desequilíbrio incompatível com a função.
Os alertas a Lembo foram em vão. Seguiu-se um massacre terrível, talvez o maior crime coletivo já cometido no país, maior que o massacre de Carandiru e que até hoje permanece sem apuração. Durante uma semana os rádios das viaturas foram desligados, para que ninguém pudesse interceptar os comandos. PMs ensandecidos se espalharam pela periferia, assassinando indiscriminadamente criminosos, não criminosos e quem mais passasse pela frente.
A matança só foi interrompida quando bravos medicos do CRM E Procuradores da República foram dar plantão no Instituto Médico Legal (IML).
A ficha de Lembo caiu com atraso. Deixou o governo denunciando a "elite branca". Como autêntico liberal, tornou-se uma voz crítica da parcela mais atrasada do comando político paulista. Mas vai levar para o túmulo a responsabilidade de ter permitido a matança de mais de 500 pessoas. Ele e eu sabemos que foi alertado para o que poderia acontecer.
Espera-se, agora, que Poder Judiciário e mídia acordem. Há que se combater o crime, sim, com ações firmes. Mas sem deixar o comando em mãos alucinadas, avalizadas por um governador sem-noção do peso de suas palavras, a barbárie vencerá.

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